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Que impacto é que esta viagem de Zelensky pode ter, tanto para a Ucrânia como para os Estados Unidos?

Do ponto de vista da Ucrânia, na verdade, não se pode separar um impacto do outro. Para a Ucrânia é muito importante, porque é a primeira vez que o seu líder viaja para fora do país desde o início da guerra. Mas para os Estados Unidos e para a Ucrânia, ao mesmo tempo, também é muito importante, porque o que Zelensky acaba por ir fazer é, no fundo, em contraste com líderes norte-americanos em solo norte-americano, e isso vai, obviamente, ter um impacto muito grande junto da imprensa norte-americana. Portanto, essa é a questão fundamental. Nós já sabemos que quer a opinião pública norte-americana, quer as elites mais radicais à direita e à esquerda, começam a ter menos vontade de apoiar a guerra da forma que têm apoiado. E, portanto, acaba por ser, no fundo, uma demonstração simbólica e, ao mesmo tempo, muito materializável, uma vez que é a primeira vez que o líder ucraniano sai da Ucrânia, desta aliança que existe entre os Estados Unidos e a Ucrânia. Agora, eu diria que muito importante é para a Rússia, porque a Rússia tem insistido muito em várias coisas. A primeira é que não está só a atacar a Ucrânia e que a Ucrânia também é uma proxy dos Estados Unidos que querem destruir a Rússia. Isso não é verdade. A Ucrânia não é uma proxy dos Estados Unidos e, na verdade, os Estados Unidos, como líderes do mundo livre, sentiram-se obrigados e pressionados por eles próprios a intervir na guerra da Ucrânia por todos os meios, menos a intervenção militar direta. Portanto, isto para a Rússia é um golpe muito duro. Se por um lado, de alguma maneira, vem confirmando aquilo que o Kremlin insinua, que não é verdade, mas que para a propaganda russa é muito importante, porque pode demonstrar à população russa que, de facto, aquilo que os dirigentes russos têm dito é verdade. Por outro lado, ao mesmo tempo, é uma visita que vai afectar numa 아마 a Rússia, porque o maior inimigo da Rússia, o inimigo internacional da Rússia, o inimigo que a Rússia entende que não deixa a Rússia ser uma grande potência, são os Estados Unidos. E portanto, ver o inimigo direto da guerra e o inimigo internacional mais importante da Rússia juntos, para a Rússia vai ter um efeito muito negativo e vai ter um efeito muito desmoralizador. Portanto, eu penso que a Rússia também é um actor para quem é muito importante esta viagem.

Pelo que sabemos, esta viagem vai coincidir com o anúncio do novo pacote de assistência dos Estados Unidos à Ucrânia e que deve incluir os sistemas de defesa antiaéreos Patriot, que a Ucrânia tem vindo a pedir de forma insistente. Podemos dizer que esta visita aos Estados Unidos pode ser, de certa forma, e com aspas, interesseira neste sentido de ter esta ajuda norte-americana?

Com certeza, e que há interesse nesta visita. Quer dizer, Volodymyr Zelensky não é um líder, como nós já percebemos nestes últimos quase 10 meses de guerra, que faça seja aquilo que for sem pensar ou sem ser muito bem aconselhado. E portanto, com certeza, que esta visita também está relacionada com os Patriot. Mas esta visita há de estar relacionada essencialmente com o facto de os Estados Unidos, isto é importante dizer, ser o país que verdadeiramente permite à Ucrânia manter-se na guerra e manter-se a lutar contra a Rússia, porque sem o apoio militar dos Estados Unidos, e eu não estou a excluir do ponto de vista da importância o armamento que a Europa tem mandado, mas a esmagadora maioria do apoio que a Ucrânia recebe diariamente vem dos Estados Unidos. Portanto, isto é uma visita que, acima de tudo, é uma visita de agradecimento, é uma visita de reconhecimento e é uma visita, do ponto de vista de Zelensky, também de não fazer com que a opinião pública ou fazer com que a opinião pública americana não se esqueça da existência da Ucrânia, não se esqueça do apoio que os Estados Unidos está a dar à Ucrânia e não se esqueça da importância que esse apoio que os Estados Unidos estão a dar à Ucrânia é global e também faz parte dos interesses norte-americanos. Portanto, eu penso que esta visita contempla todas essas vertentes. Os Patriot, que têm sido uma questão muito polêmica, são importantes. Efetivamente são, porque dos mísseis antiaéreos que existem, estes também têm um caráter semiofensivo, pelo menos, tanto que se falou dos Estados Unidos poderem mudar ou transformar os Patriot antes de os mandar para não terem um alcance tão profundo no terreno. Mas do meu ponto de vista, são acima de tudo mais um passo do acordo, da parceria, da aliança que se estabeleceu entre os Estados Unidos e a Ucrânia desde que começou a guerra.