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À 31ª jornada, o Benfica recebeu e bateu em casa o Moreirense por quatro bolas a uma, num jogo em que a equipe de arbitragem foi liderada por Janko Vasilka. Pedro Henriques, vamos na análise. Boa noite. Logo ao minuto 10, queixavam-se os homens do Benfica do eventual pênalti sobre Lukebakio na área do Moreirense. Havia motivos para o castigo máximo?

Não, boa decisão da equipe de arbitragem. É uma disputa de bola já muito em cima da linha de baliza entre o Lukebakio, que vai armar o pé para eventualmente passar, cruzar a bola para o centro da área, mas que acaba por chocar nesse armar de pé com o seu joelho direito contra o joelho esquerdo do Maracas, que estava de frente para ele e a fazer a sua marcação. Este choque, este contato, para mim, normal, fruto da movimentação dos jogadores, um que tenta cruzar, o outro que está a fazer a contenção e, por isso, sem motivo para apontar pênalti.

Temos depois, Pedro, já ao minuto 15, na tua opinião, um amarelo que ficou por mostrar ao autor do gol do Moreirense, ao jovem Diogo Travassos.

Sim, ficou porque o Travassos sem a bola já está no local, é chamado entrada fora a tempo e com o pé direito acaba por pisar em cheio o peito do pé do Bah. É uma entrada negligente, passível de cartão amarelo e que não foi mostrada.

Temos depois, Pedro, ainda na primeira parte, ao minuto 32, outra amarelo que, na tua opinião, ficou por sair do bolso do árbitro, desta feita para Orjens, o maestro do meio-campo do Benfica.

E esse foi bem mostrado. O Orjens acaba por ser corretamente advertido. É uma entrada em take, o deslizante com a sola à frente e o Orjens com o pé direito acaba por tocar, entenda-se, acertar no pé direito de Kiko Bondoso. É uma entrada dura, negligente, aqui bem sancionada disciplinarmente.

Ao minuto 40, amarelo para Afonso Assis, do Moreirense. Também bem mostrado, Pedro.

Sim, é aquela situação em que ele com a mão esquerda agarra e puxa o Leandro Barreiro quando ele faz uma rotação sobre ele próprio e iria, caso não fosse agarrado e puxado, na direção da área dos cônicos. Além da infração em si, do agarrar ser antidesportivo, é um corte ataque promissor. Tudo certo.

Temos depois, ao minuto 41, um eventual pênalti sobre Otamendi. Este foi dos lances que mais reclamação gerou, depois de um toque nas costas do jogador do Moreirense, ficou pelo chão Nicolas Otamendi e resta saber se, na tua opinião, ficou aqui por assinalar algo que escapou aos árbitros.

Não, para mim é bem analisado. Este é daqueles lances que, obviamente, quando paras a imagem, tens ali um braço nas costas e portanto trata-se sempre de se passar para aquela fase em que as pessoas normalmente falam da intensidade. Na realidade e na prática, não é a intensidade que está na lei, é causa e efeito, se tem consequência, isto é, se aquela mão nas costas foi suficiente para tirar o jogador da jogada. Este jogador, pondo aqui os nomes, foi o Fabiano com a mão nas costas em relação ao Otamendi. E aqui a questão que se coloca é: o Otamendi foi retirado da jogada, foi empurrado, ficou impedido de saltar a bola? Para mim, não. É uma situação típica em que o Otamendi não só para o seu movimento como até atrasa, dá um passo para trás, claramente à procura de sentir o contato. E assim que sente esse contato, ainda antes daquilo que possa ser o empurrão, que é quando tu esticas a mão para frente, ele, Otamendi, já está claramente a projetar para o solo. E portanto, para mim, há mais aproveitamento do que propriamente infração. Obviamente, fica sempre esta questão da dúvida, vamos chamar de intensidade, mas para mim, por ser inconsequente, porque não foi isso que determinou a queda, a queda é uma opção do Otamendi, que inclusivamente para e recua ligeiramente quando ambos os jogadores estão a olhar supostamente para a bola e a seguir a sua trajetória. Para mim, boa decisão, sem pênalti, foi assim também que o árbitro entendeu e foi assim que obviamente o VAR também analisou o lance.

Temos depois, Pedro, ao minuto 41, também um amarelo para Richard Rios, que na sequência deste lance e ao ficar com a caída Otamendi na área, acabou por perseguir o adversário e depois acabou por agarrá-lo de uma forma que, não sendo particularmente agressiva, acaba por ser antijogo.

Sim, porque a questão aqui que se coloca é que, independentemente, se o árbitro analisou o lance e na sua opinião não é ponto a pé de pênalti, há sempre o chapéu do VAR que há de vir analisar o lance. Ora, o jogador do Benfica tem que perceber, neste caso Richard Rios, que por muito que queira parar o jogo porque está um jogador no chão, a lei não fala sobre isso. Quer dizer, nem sequer se trata ali de um choque cabeças, nem nada disso. E portanto, o Richard Rios fica com a ideia que manda ao chão o Rodry de uma forma assim um bocadinho exagerada, agarrando, puxando e mandando ao chão. Depois fica ali a reclamar do lance, mas tem que ver o cartão amarelo e, portanto, ele poderia eventualmente tentar parar aquela jogada de outra maneira, sendo só falta, agarrando e da forma que fez, naturalmente nunca podia escapar ao cartão amarelo. Portanto, acho que foi uma má análise por parte do Richard Rios na maneira como tentou destruir ou parar esta jogada, porque sendo que o VAR vai analisar, se houver pênalti, o VAR tem sempre tempo de intervenção. Portanto, não é preciso que o jogo esteja parado para tal. Aliás, só para explicar às pessoas que a partir do momento que um jogador cai no chão na área, mesmo o jogo seguindo, por isso é que há VAR e há VAR. O VAR, a preocupação que tem é logo o técnico de imagem começar a lhe pedir as repetições que ele, VAR, acha que são as mais relevantes para analisar o lance e o AVAR fica de resto com os olhos no jogo. Para quê? Para que se porventura, enquanto o VAR está a analisar, porque o jogo não está interrompido, houver um lance de vermelho, de outro pênalti, etc, o AVAR estar a seguir e a poder fazer o papel do VAR. É por isso que existe ali um auxiliar. De qualquer maneira, mais importante neste lance é: não houve pênalti e o cartão amarelo, neste caso ao Richard Rios, por agarrar e derrubar o Rodry, foi uma boa sanção disciplinar.

Ainda nesta primeira parte, ao minuto 44, Pedro, na tua opinião, ficou por mostrar um cartão amarelo a Bah, do Benfica.

Sim, é parecido, para não dizer quase muito igual ao lance do minuto 15. Agora foi o Bah que tem uma entrada também fora a tempo, ou seja, a bola já não está lá e ele, Bah, com o pé direito, pisa o peitoDo pé esquerdo do Landerson. E é uma entrada também encontrada na negligência, o tal pisão que deveria ter sido sancionado disciplinarmente. Esses são os dois lances de natureza disciplinar que o árbitro na primeira parte não teve bem.

Na segunda parte temos apenas três lances, o primeiro deles ao minuto 60, um amarelo para Fabiano do Murirense.

Sim, cartão amarelo bem mostrado nesta circunstância. Lá está, entrou de frente com a sola e de pitons e acabou por raspar. Não é aquela situação de pisão, porque é um bocadinho acima, é na zona da canela, raspa na canela do Richard Rios, mas este raspar é no sentido que acaba por lhe acertar com os pitons e acaba também por se encontrar numa entrada negligente. Cartão amarelo bem mostrado, neste caso, ao Fabiano.

Temos depois ao minuto 65 uma reclamação de pênalti de Scheldrup na área do Murirense. Resta saber se havia motivos para castigá-lo em favor do Benfica.

Não. É um lance em que o Rios cruza a bola para trás e o Scheldrup, até acaba por aparentemente ser ele a fazer a assistência para o Leandro Barreiro, que depois acaba por ser penalizado por fora de jogo. Vamos ao lance do Scheldrup. O Scheldrup vai discutir a bola com o Rodry e há uma imagem, que é a imagem tirada, se não é da câmera do fora de jogo, há de ser da master, que para mim é uma imagem muito boa, em que se percebe que o Rodry com o pé direito toca na bola. Aliás, é o Rodry que acaba por colocar a bola para a frente para o Leandro Barreiro e não é o Scheldrup que faz a assistência. E o Rodry toca com o pé direito na bola e não toca, de rasteira, vamos dizer assim, o Scheldrup. Boa decisão, sem motivo para pênalti.

Temos depois, Pedro, ainda neste jogo e para completar os lances, ao minuto 92, o quarto gol do Benfica, porque é uma jogada de entendimento, pode haver o cruzamento da linha, mas acredito que nos vais esclarecer e que está tudo legal.

Não, foi tudo legal. Dois momentos de análise que de resto, neste caso a Benfica TV parou aí muito bem as imagens para mostrar os dois momentos de possível infração, que nós percebemos que não há infração. Primeiro, no corredor direito, logo à saída do meio-campo, em que a bola é passada para o Prestián e ele está claramente em jogo. E depois, talvez o momento mais relevante e importante e que fez com que o árbitro tenha estado a aguardar que o VAR confirmasse, que é quando o Dedic faz o passe para o Ivanovic. E o Ivanovic está atrás da linha da bola. E eu relembro que é uma das exceções da lei 11, a lei do fora de jogo, em que um jogador nunca está em posição fora de jogo quando a bola é passada para o seu colega, sendo que este jogador, e aqui vamos colocar o nome Ivanovic, desde que o jogador esteja sempre atrás ou em linha com a bola. Se o jogador estiver em linha com a bola ou atrás da linha da bola, nunca está em fora de jogo, isto no momento em que o seu colega lhe passa. Foi o que aconteceu aqui neste lance e por isso, ao nível do fora de jogo, nestes dois momentos de análise, esteve bem o assistente e obviamente o gol foi bem validado.

Pedro, o que me resta saber nesta edição do "Sem Falta" é que nota merece Janko Vasilica depois desta partida.

Vou dar nota positiva, vou dar nota 6, porque esteve bem nas áreas e foram pelo menos três lances de áreas que ele teve que analisar em que não marcou pênalti e bem, e nos gols, foram quatro, ainda foram bastantes e todos eles corretos. Eu diria que nos três lances de possível pênalti, tudo correto na análise, nos quatro gols, tudo também legal, tal como nos cartões amarelos que mostrou. Onde é que não esteve tão bem? Nos tais dois cartões amarelos, que na minha opinião ficaram por mostrar. Destacar ainda, e aqui já não é bem responsabilidade do árbitro, é porque o árbitro assinalou além dos quatro amarelos, 27 faltas, o que é relativamente normal, um jogo com tempo útil de jogo muito baixo. Jogou-se pouco mais que 53% do tempo de jogo, para as pessoas perceberem. Em 97 minutos de jogo, com os ditos descontos, jogaram-se apenas 52. Mas isto aqui é um pouquinho responsabilidade de todos os intervenientes.

Não é só das equipas de arbitragem, é do conjunto das três equipas, não é?

Exatamente. Mas vou dar nota 6, com base, sobretudo, na positividade daquilo que foram as decisões das áreas, nos próprios gols, tudo correto, baixando-lhe um valor que podia ter dado a mais, mas que não dou, porque na minha opinião ficaram dois cartões amarelos por mostrar.

Pedro Henriques, está concluída a análise nesta 31ª jornada deste Benfica 4, Murirense 1. Nota 6 para Janko Vasilica nesta vitória encarnada. Temos novo encontro marcado amanhã, primeiro na Luz, e depois também na Vila das Aves, aqui com uma emissão especial de desporto em dose dupla na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço e até amanhã.