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Sem falta do Benfica 3, Sporting Braga 1. Partida que foi dirigida por João Pinheiro e terminou com vitória encarnada, ainda que a equipe de Roger Schmidt tenha começado a perder com o gol de Ricardo Horta. Como sempre, para a análise da arbitragem desta partida, está conosco o audioárbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques. Vamos então começar por dissecar a atuação da equipe liderada por João Pinheiro.
Vamos lá.
Começando pelo minuto nove.
Exatamente. Minuto nove, se realmente há uma infração do guarda-redes Matheus sobre o Hørsholm. A questão era se o Matheus tinha feito pênalti. Com acesso às repetições, percebemos que não há infração. O Matheus, guarda-redes, sai ao encontro da trajetória da bola aos pés do Hørsholm e com ambas as mãos toca e chega primeiro à bola e toca na bola. Depois, há o contato inevitável sobre o braço que está por cima da bola, que é o braço esquerdo, com a perna do Hørsholm, mas é também muito provocado pelo movimento do próprio Hørsholm, que obviamente chegando depois acaba por ser inevitável esse contato. Mais importante, sem pênalti.
Saltamos para o minuto 29, que é o minuto do gol do Sporting Braga, apontado por Ricardo Horta. Alguma irregularidade neste lance?
Não, nenhuma irregularidade. Aqui a questão que se colocava, até porque o guarda-redes do Benfica ficou a protestar de Banza que estava na sua frente e que se estivesse em fora de jogo, obviamente tinha impacto na visão do guarda-redes, mas depois o gol é validado e percebemos por quê. Porque António Silva coloca o Banza por seis centímetros em jogo. Portanto, aqui não havendo fora de jogo posicional do Banza, o gol, neste caso Ricardo Horta que remata, tudo correto, tudo legal.
Ao minuto 45 mais um, temos um lance que passou despercebido a muita gente. Não tivesse Zalazar, jogador do Sporting Braga, ficado a sangrar. O que se passou aqui?
Passou-se uma situação que numa primeira análise, numa primeira fase, também nos passou quase despercebida em termos de visão de televisão. Depois vimos realmente o jogador a sangrar e quando surge uma primeira repetição não muito feliz, mas depois há uma repetição bastante boa que se percebe que o Otamendi devia ter sido expulso. Devia ter sido expulso, porque realmente trata-se de uma questão de conduta violenta. Basicamente, o que acontece é que o Otamendi ao saltar na vertical com o Zalazar sobre o seu lado esquerdo, o Otamendi salta para a bola nunca tocando na bola e de forma intencional joga o cotovelo na direção da cara do Zalazar. Portanto, percebe-se que algumas palavras que caracterizam a chamada conduta violenta, e algumas delas têm a ver com a intencionalidade, é aqui dos poucos sítios onde está ainda a palavra intencional no vocabulário. Outra questão é a malícia, ou seja, malícia que é o que significa que se há realmente uma intenção do jogador com alguma maldade no sentido de sabendo que o jogador está ali, ir lá, neste caso, com o cotovelo, e isso acontece, há inclusivamente alguma intensidade e sobretudo, aquilo também que é a consequência, que passou a fazer parte também daquilo que é a análise do lance. A consequência é que realmente o jogador ficou claramente a sangrar. Não que isso seja, por si só, um fator, mas a consequência aparece no meio destes fatores e com as repetições, no meu ponto de vista, fica claro que ficou aqui uma conduta violenta, conduta violenta no sentido de não disputa de bola, não obstante a bola estar presente, não houve realmente disputa de bola e, portanto, o lance para mim é claro e fica o cartão vermelho para mostrar ao Otamendi.
Tendo o lance passado despercebido a muita gente, passou também ao árbitro, portanto o Otamendi não viu nem amarelo.
Não, exatamente. Portanto, o árbitro a única coisa que vê é o jogador a sangrar. Aqui a intervenção do videoárbitro deveria e era claramente significativa e importante. Estamos sempre agarrados à questão do protocolo e o protocolo é muito claro quando nestas circunstâncias, muitas vezes, remete para o claro e óbvio. Para mim é, como pessoa que analisa o jogo, mas para o videoárbitro poderá não ter sido, poderá ter achado que naquele movimento de salto é mais sem querer que o braço vai lá. Enfim, há aqui várias coisas que podem justificar a não intervenção, porque sabemos que para um cartão vermelho tem que haver exatamente esta questão do videoárbitro intervir dando uma imagem que é muito clara, que é muito óbvia, achar que realmente estamos perante uma agressão, uma conduta violenta, o que quer que seja. Para o VAR não foi assim, para mim é, e portanto, discordo claramente da decisão que foi tomada ou neste caso que não foi tomada.
Avançamos para a segunda parte, minuto 57, Arthur Cabral, avançado do Benfica, caiu na grande área do Sporting Braga. Havia motivo para pênalti?
Não, sem motivo para pontapé de pênalti. O Arthur Cabral aparece ali emparelhado nas costas do Gomes e na parte da frente do Paulo Oliveira. Depois, até numa primeira fase, fica-se com a ideia que o próprio Arthur Cabral acaba por carregar o próprio Paulo Oliveira, mas depois percebemos por que ele acaba por carregar. Porque realmente há um contato com o Gomes que o desequilibra e o leva para frente. Mas de qualquer maneira, para mim, sem motivo para pontapé de pênalti, por uma razão muito simples. O Arthur Cabral, na perspectiva de ir buscar a bola que lhe seria endossada e cruzada, acaba por fazer um movimento quase de costas e lateralizado mais para o seu lado esquerdo. E vai ele próprio colocar-se na trajetória do Gomes, que estava presente a correr nas suas costas. E é neste momento em que ele vai se colocar na frente do Gomes, que o Gomes até levanta os braços, provocando esse contato para se proteger ele próprio daquilo que era o contato também provocado por Arthur Cabral. Portanto, nesta perspectiva, há realmente um desequilíbrio, mas não há, no meu ponto de vista, infração cometida por parte de Gomes e por isso boa decisão sem pênalti.
Ao minuto 76, mais um lance de grande área, este a envolver Paulo Oliveira.
Sim, mas correto, porque o Marcos Leonardo caiu e ficou-se com a ideia que o Paulo Oliveira teria chegado tarde e teria não tocado na bola e eventualmente arrastrado o Marcos Leonardo. Curiosamente, não há motivo para pontapé de pênalti, porque depois com a repetição percebe-se que o Paulo Oliveira com o pé direito, com a ponta do pé direito, toca claramente na bola, única e exclusivamente. Mas também é engraçado que o Marcos Leonardo toca a bola e saiu para fora para lançamento em lateral, na sequência deste lance, e a própria postura corporal do Marcos Leonardo estava a dar a entender que era para seguir o jogo, ou seja, o próprio jogador que poderia ter sofrido a infração, deu a entender que não tinha sofrido qualquer infração e por isso correta também a decisão, o Paulo Oliveira tocou só na bola.
Logo de seguida, ao minuto 77, amarelo mostrado a João Moutinho num lance em que o médio do Braga até foi o jogador que saiu mais queixoso.
Sim, e para mim é só cartão amarelo, não é mais do que isso. Errou o Florentino, porque a abordagem do João Moutinho na perspectiva de levantar o pé para tentar chegar à bola acaba por se aleijar, porque o Florentino também estava a disputar o lance, fez o corpo mais duro ou a perna mais dura e o próprio João Moutinho, na perspectiva de interceptar aquela bola, não só entrou de forma negligente, como acaba por se aleijar, fazendo um género de rotação do próprio joelho e daí ter-se lesionado. De qualquer maneira, a entrada do João Moutinho é apenas para cartão amarelo, enquadra-se na negligência, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, apenas e simplesmente. Por isso, boa decisão do meu ponto de vista técnico, livre direto contra o Braga e disciplinar, cartão amarelo para João Moutinho.
Já na reta final da partida, foi exibido um cartão amarelo a Cher Ndour, médio do Sporting de Braga. Bem mostrado este cartão?
Sim, é na substituição. Tivemos que nos socorrer de vocês que estavam lá no terreno para perceber uma questão que nós na televisão não tínhamos percebido, que era se o Cher Ndour estava a levar cartão amarelo porque não estava a sair pelo sítio mais próximo ou se estava a demorar demasiado. Isso por quê? Porque só sabemos do cartão amarelo quando ele já está a ser mostrado e não vimos o ponto onde ele estava. Percebemos depois, pela indicação que nos deram, que o Cher Ndour, que estava mais próximo da linha lateral, veio ter com o seu colega na linha do meio-campo. E essa regra já foi assim, mas já mudou. Os jogadores na substituição têm que sair pelo ponto mais próximo onde se encontram e não foi o caso. O árbitro terá avisado, porque o João Pinheiro neste aspeto normalmente costuma ser pedagógico, o Cher Ndour ou não entendeu, ou quis tentar tirar partido também da questão do tempo. O fato é que foi advertido de forma correta por não ter saído na substituição pelo sítio mais próximo.
Ao minuto 89, um dos momentos do jogo em termos de arbitragem, cartão vermelho direto mostrado a Vitor Gomes, lateral do Braga.
E bem mostrado. Aqui é uma situação que é sobre o Di María, em que o Vitor Gomes tenta destruir a jogada fazendo falta em cima, e fez, puxou o ombro e o braço do Di María com o objetivo de parar aquela jogada, e seria sempre uma falta tática, a falta útil, que era punida com cartão amarelo, mas tem azar, no meu ponto de vista, porque faz uma abordagem ao lance de tal maneira que acaba por pisar com a sola do pé esquerdo, e cravou mesmo a sola toda, no gémeo esquerdo do Di María. Nós temos três graus para definir o nada, o amarelo e o vermelho, usando as palavras que depois têm um contexto, que é a imprudência, a negligência e a força excessiva, e este lance enquadra-se claramente naquilo que é força excessiva. Ou seja, o uso excessivo de força na abordagem que faz ao lance, pondo em risco a segurança do adversário e claramente aquela sola no gémeo é passível de cartão vermelho. O árbitro viu, porque às vezes estes lances são difíceis de ver, mostrou vermelho e o VAR limitou-se a confirmar.
No tempo de compensação, minuto 90 mais cinco, amarelo mostrado a Kokçu. Bem exibido este cartão?
É no lançamento de linha lateral, que depois até vai originar o gol do Benfica, que Kokçu, estando a ganhar 2x1, demorou a efetuar o lançamento e depois no último momento deixou a bola para o Carreras fazer o lançamento. Portanto, o árbitro entendeu aqui uma perda excessiva de tempo e mostrou, e eu também concordo, mostrou o cartão amarelo.
Fiquei até com a sensação na altura que isso acabou por desconcentrar o Braga, o tempo que o Kokçu perdeu e a troca.
Exatamente. E originou o gol.
Exatamente. Golo esse marcado por Marcos Leonardo, que nos festejos tirou a camisola.
Exatamente. E está na lei, não vamos aqui discutir se é correto ou incorreto. Está na lei, é daquelas situações que não tem motivo para interpretação. Tira a camisola, leva amarelo e por isso temos que concordar e aceitar este cartão.
Vamos para o último caso do jogo, minuto 90 mais sete, cartão amarelo exibido a Vitor Carvalho, médio do Braga.
Sim, traçou as pernas ao Thiago Aveia. A sorte dele é que aquele rasteirar é com a perna já próxima, porque se aquele vem com mais movimento, com mais balanço, um pontapé dado naquelas circunstâncias, poderíamos ter mais do que cartão amarelo. Mas ele tem já o pé muito encostado a ele e é pouca a força que utiliza na maneira como acaba por rasteirar o Thiago Aveia. Suficiente, contudo, para ser negligente a entrada, passível de cartão amarelo, bem exibido.
Posto isto, Pedro, com que nota avalias o trabalho de João Pinheiro esta tarde?
Sim, dentro da coerência que eu faço quando há lances que são importantes e decisivos no jogo, como é o caso de pênaltis ou cartões vermelhos, vou dar nota quatro, vou dar nota negativa. Se é um fato que acertou no cartão amarelo mostrado ao Vitor Gomes, se esteve bem nas áreas, também é verdade. Muitas vezes a vida de árbitro é um pouquinho isto, fica muitas vezes marcada por decisões que podem ter impacto no jogo. E o fato é que se o Otamendi fosse expulso mesmo antes do intervalo, teríamos um princípio de segunda parte, pelo menos, para além destes descontos, um princípio de segunda parte em que o Benfica estaria com menos um. Isso poderia ter algum impacto, sobretudo porque o Braga estava a ganhar 1x0. De qualquer maneira, sem fazer futurologia, é um erro grave para o jogo. Precisava, no meu ponto de vista, de ajuda do VAR, não a teve e por isso vou dar nota negativa, nota quatro, com base, sobretudo, neste lance.
Foi o "Sem Falta" do Benfica 3, Sporting Braga 1, como sempre com a assinatura do audioárbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques.