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Boa noite, bem-vindos ao Sem Falta, o programa de análise aos lances dos principais jogos que conta com a ajuda do antigo árbitro Pedro Henriques. Boa noite.
Muito boa noite.
Hoje em análise o Sporting um, Famalicão também um. Um jogo que deu empate e com várias incidências a assinalar. E começamos pelo minuto 10, cartão amarelo para João Palhinha. É um cartão que tem influência na equipe do Sporting, porque Rúben Amorim admitiu depois que tirou o jogador ao intervalo na sequência desta cartolina amarela. Foi bem mostrada, Pedro?
Sim, bem mostrada. O João Palhinha tem uma entrada em tackle lateral, uma entrada negligente, que põe em risco a integridade do seu adversário. Ou seja, mais concretamente, um tackle é sempre uma jogada relativamente perigosa se não corta a bola, e quando não corta a bola e acerta no adversário, normalmente dá cartão amarelo, exatamente ou porque se entra de sola ou porque se vai a deslizar. E neste caso concreto, este tackle teve exatamente esses condimentos e o cartão amarelo foi bem mostrado. E estou aqui a dar um pouquinho mais de ênfase, porque efetivamente é uma situação que, como disseste, e bem, foi depois destacada pelo treinador do Sporting, que disse que o jogador ficou condicionado pela maneira como ele joga e depois até fez com que ele fosse substituído. Mas de qualquer maneira, o importante e o relevante aqui é dizer que o cartão amarelo é bem mostrado e, portanto, não há aqui erro da equipe de arbitragem na mostragem deste cartão, ainda por cima em torno de um jogador que nós sabemos que tem tido algumas situações por causa do chamado quinto amarelo, etc.
Exato, os cartões do João Palhinha têm particular destaque.
Exatamente. Por isso é que eu estou a dar um pouquinho mais de destaque para dizer que este cartão amarelo, ao contrário do tal quinto, que depois o próprio árbitro até na altura admitiu que foi mal mostrado, e foi, este foi bem mostrado e, portanto, não há nada a dizer por esta entrada do João Palhinha.
E foi o único lance em destaque nesta primeira parte, do ponto de vista da arbitragem. Seguimos para a segunda parte com um amarelo a Antunes, jogador do Sporting que está no banco. Não sei se concorda, Pedro, mas às vezes os mais experientes vão também fazendo mais barulho no banco e de vez em quando tem que sair esta cartolina.
Sim, o cartão amarelo, deduzo que seja bem mostrado pela questão dos protestos. Mas nós percebemos que neste jogo houve mais jogadores do Sporting, talvez acusando um pouco a pressão, o estresse, os nervos da questão dos pontos, do último empate, deste empate, e portanto, isso notou-se e isso não é bom para as equipes. E depois tem este efeito que ao protestarem ficam mais focados nos árbitros do que nas equipes de arbitragem e tiram o foco daquilo que é relevante e importante, que é o jogo. Eu estou a fazer esta referência porque acho que é algo particular, que vivi isso durante muitos anos, que é as equipes quando começam a protestar demasiado com os árbitros, mesmo vindo de jogadores mais experientes, sobretudo quando vem dos bancos, aqueles que não estão a jogar, é um mau sinal para a própria equipe. E portanto, quando começam a ficar mais nos árbitros, independentemente se têm razão ou não, normalmente a produtividade decresce. E portanto, isto é um cartão amarelo daqueles altamente desnecessários. Depois vê-se alguém do banco, penso que dirigente, a tentar acalmar o Antunes. Ainda bem que o árbitro não ficou lá para ouvir, provavelmente, o resto, mas de qualquer maneira, é uma chamada de atenção que é relevante e importante, sobretudo nesta fase, só dá intranquilidade às equipes. Portanto, deduzo que tenha sido bem mostrado por palavras, obviamente, por protestos.
E três minutos depois, há um cartão amarelo para um jogador do Famalicão.
Sim, o William pisa o Tiago Tomás, uma entrada de sola de cima para baixo, um pisão, uma entrada negligente. Não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato e, portanto, bem mostrado este cartão amarelo.
Continuamos na análise de cartões, sempre aqui entre o minuto 50 e minuto 60. Aos 58 sai a cartolina para Pedro Porro, aqui também com os protestos a pesarem nesta decisão.
Exatamente. Foi exatamente por causa disso, pelos protestos. E uma vez mais, o árbitro, que não iria nunca mostrar cartão amarelo por nada em relação ao Pedro Porro, mostra pelos protestos. É uma fase do jogo entre o primeiro quarto de hora da segunda parte, onde diversos elementos do banco, jogadores do banco, jogadores de terreno de jogo e o próximo.
Exatamente, e a ligar já a isso, que é depois Rúben Amorim que vê a primeira administração. Já lá vamos depois à expulsão, mas Rúben Amorim aí vê o primeiro cartão amarelo.
Exatamente, na mesma sequência. Ainda por cima, o árbitro estava ali junto ao banco e vêm esses protestos e deduz-se que, uma vez mais, com razão para a parte da equipe de arbitragem, porque os árbitros quando advertem ou expulsam alguém é porque têm normalmente a razão do seu lado, na perspectiva que têm motivos para o fazer. Portanto, nenhum árbitro o faz sem que haja exatamente esse motivo.
E à passagem da hora de jogo, há aqui uma possível situação de pênalti a favor dos Leões.
Sim, mas não há motivo a ponto e pé de pênalti. Um lance que foi mostrado várias vezes. É uma bola cruzada para a área, o Coates cabeceia a bola de cima para baixo e a bola vai, de forma inesperada e de muito perto, ao braço de Urguete, que tinha a mão em posição absolutamente normal e, portanto, não tinha como tirar, e até ficou surpreendido com a bola que foi cabeçada. Portanto, não há motivo a ponto e pé de pênalti, mas foi um lance que também quisemos chamar a atenção, até porque foram várias as repetições que deram desta situação, porque a bola efetivamente tocou no braço do jogador do Famalicão, mas não há motivo a ponto e pé de pênalti.
E aos 68, há novo cartão amarelo mostrado, desta vez a um jogador do Famalicão, é sobre Riciel e é bem mostrado este amarelo?
Sim, Riciel rasteira o Palhinha, corta um ataque prometedor e, portanto, bem mostrado este cartão amarelo. Não é tanto pela infração em si, mas pelo destruído uma jogada que tinha algum perigo e, portanto, boa intervenção em termos disciplinais.
Nesta reta final, mais duas situações de possível pênalti. O primeiro aos 72, uma possível grande penalidade a favor do Famalicão.
Sim, mas não há. Fiquei também com muitas dúvidas, porque o Coates é uma bola já dentro da área, junto à linha de baliza. O Ivan Jaime quando tenta cruzar, desequilibra-se e cai, e como o Coates tinha esticado a perna para tentar interceptar, ficava a dúvida se o Coates tinha tocado no jogador e era isso que tinha promovido a queda. Mas não. O Coates esticou efetivamente a perna, não tocou. O Ivan Jaime também não parece ter nem simulado. Dá-me ideia que ele tropeça nele próprio, escorrega na tentativa de cruzar a bola e por isso eu digo que nem há simulação, nem há, aquilo que era o mais relevante, qualquer infração, neste caso, cometida por Coates, portanto, não havia motivo para apontar pênalti. Mais uma boa decisão da equipe de arbitragem.
Já no período de compensação, há aqui um lance que gera muitas críticas por parte do Sporting, uma possível situação de pênalti sobre Jovane, que leva depois até muitos protestos por parte da equipe técnica dos Leões.
Sim, mas convido as pessoas a verem o lance de forma lenta para perceberem o que aconteceu. Basicamente, é um lance entre o Rúben Vinagre e o Jovane, ambos com os olhos postos na bola. O Jovane é que está nas costas do Rúben Vinagre, não é o contrário, e estamos na área do Famalicão. O que acontece é que o Jovane, e chamo a atenção para o pé esquerdo do Jovane, ao olhar para a bola, escorrega, é o pé esquerdo dele que vai escorregar. E ao escorregar, ele baixa-se. Digamos que perde a aderência ao solo e baixa-se. E ao baixar, abranda a sua corrida, porque a bola está a ser metida em profundidade para ele, e faz com que haja o contacto com o Rúben Vinagre. A movimentação de ambos os jogadores e este fato de ele ter escorregado a nível do pé esquerdo, se baixar e abrandar a sua corrida, faz com que esse contacto se consolide, e é por isso que ambos caem. Não há aqui nenhuma carga, nenhuma rasteira, nenhum empurrão, neste caso, por parte do Rúben Vinagre em relação ao Jovane. Claro que no ato final deste contacto, e como eles estão a correr na direção da linha de baliza, e como o Jovane é que está nas costas, acaba por ser o jogador do Famalicão a cair por cima do jogador do Sporting. Mas não é uma situação em que o jogador do Sporting tem a bola dominada ou controlada, ou vai tentar dominar e é carregado nas costas, nada disso. Não há motivo para apontar pé de penálti. Eu acho que é um lance que as pessoas, depois de verem com calma a repetição, percebem que seria muito forçado tentar sacar alguma infração. O mais relevante para mim, e sendo este um lance talvez dos mais importantes, porque podia mudar tudo no momento que era do jogo, estávamos com pouco mais de três minutos de recuperação de tempo perdido e estávamos a esgotar os quatro minutos dados pelo árbitro, por isso a decisão é correta, não há motivo para apontar pé de penálti.
E terminamos com a situação da expulsão de Rúben Amorim, já depois do apito final, com o técnico no fim até a explicar que essa indicação partiu do árbitro assistente. Ele até diz, mais ou menos, que Rui Costa nem sabia bem por que o estava a expulsar.
E bem. É assim que funcionam as equipas de arbitragem, e é bom desmistificar esta situação, porque a maneira como o Rúben disse, fica a ideia que o árbitro expulsou por mero acaso ou por acidente. E quando se passa estas mensagens, descredibiliza-se um setor de arbitragem e, sobretudo, desinforma-se. E nós temos este papel também de tentar fazer a informação. O árbitro sempre que recebe uma indicação do quarto árbitro ou de algum dos dois árbitros assistentes para expulsar quem quer que seja, o árbitro não vai perguntar nunca ao árbitro assistente ou ao quarto árbitro: "Por que me estás a mandar expulsar?" Pura e simplesmente expulsa. Isto é uma equipa e funcionam todos para o mesmo lado, todos a equipa de arbitragem. Depois, quando eu chego ao relatório, eu, o árbitro, é que o meu árbitro assistente ou o meu quarto árbitro vai me descrever taxativamente tudo aquilo que aconteceu e que leva a que me tenha dito para expulsar. Senão teríamos uma situação em que o árbitro tinha que estar ali a perguntar, o árbitro assistente tinha que estar ali a explicar, depois estamos em pleno jogo e depois estamos com outras pessoas a ouvir, ia ser o caos. E depois a seguir, passado dois ou minutos, é que eu ia puxar o cartão vermelho. Não é assim que funciona. Sempre que algum dos elementos da equipa de arbitragem dá a indicação ao árbitro para expulsar alguém, o árbitro confia piamente na sua equipa, tal como os jogadores confiam na sua equipa, da equipa do Sporting, da equipa do Famalicão, de todas as outras equipas, e o árbitro pura e simplesmente expulsa. Quando vai fazer o relatório na cabine, aí sim, tem que discriminar tudo aquilo que levou o árbitro assistente. E já agora, mais um reparo, que eu também já o fiz publicamente. Os treinadores também têm a obrigação, no meu ponto de vista, de se é tão fácil dizer as palavras erradas, também é fácil dizer as palavras certas. Já não há fiscais de linha. Já não há. Chamam-se árbitros assistentes. Está na Lei 6, que diz outros elementos da equipa de arbitragem, onde estão todos os outros elementos, quarto árbitro, vídeo-árbitro, os árbitros de reserva, os árbitros de baliza. Está lá toda essa rapaziada na Lei 6. E um deles, a seguir aos árbitros mais importantes, chamam-se árbitros assistentes. E custa tanto dizer árbitros assistentes como custa dizer errado. E os treinadores também, no meu ponto de vista, até por uma questão também de informação, têm esse dever e essa obrigação. E como já tive a oportunidade de dizer, isto dá-se nos cursos de treinadores, nível um, nível dois, nível três e nível quatro. E esta informação também para mim parece-me relevante, porque também é um bocadinho a minha obrigação perante os públicos, desmistificar as situações.
Porque demonstra que estão lá para algo mais do que assinalar apenas fora de jogo e falta. É também para fazer todo esse papel complementar ao árbitro principal. E se ontem assinalamos também essa boa parceria entre o vídeo-árbitro e o árbitro principal num dos jogos, hoje fica também essa entre o árbitro assistente e o árbitro principal. Pedro Henriques, para fechar, pedia-lhe uma avaliação geral a esta equipa de arbitragem liderada por Rui Costa.
Nota 7. Vou dar nota positiva, porque o jogo foi de 1x1 e é um jogo que teve muita intensidade e muito despique. E embora não tenha havido grandes situações de grau de muita dificuldade, o fato é que houve algumas e uma delas foi mesmo a terminar o jogo. E quando as decisões são corretas, embora o estilo de arbitragem do Rui Costa não é o estilo de arbitragem que eu mais gosto, e isso não tem nada a ver com a pessoa que conheço e que gosto muito da pessoa, mas é com o estilo de arbitragem. Mas hoje ele esteve bem, a equipa esteve bem e num jogo com algum grau de dificuldade, as decisões principais foram corretas. Portanto, nota 7.
Obrigado, Pedro Henriques. Está concluída esta análise do Sporting 1, Famalicão 1. Até uma próxima. Voltamos a encontrar-nos no próximo encontro que envolva Sporting, Benfica ou Porto. Para já fica esta análise com nota positiva para a equipa liderada pelo árbitro Rui Costa.
Wonder, conjure. Oh, victim of a circumstance. Yeah, I try to listen in. I tell you what I hear. Boy, I hear no fearlessness, only fear. Yeah, well, I try to listen in. Tell you just what I hear. Guess I hear no fearlessness, only fear. Well, you've eaten too many of those love pills. Are your visions made in paper? Them paper bills. Are you sick? Is it wrong? Hey, baby, remember that song? Well, remember that song. Well, I try to listen in. Tell you just what I hear. Boy, I