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Sem falta na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem do Vizela-Benfica. As Águias venceram o encontro por duas bolas a zero. Connosco temos Pedro Henriques. Pedro, começamos aqui no minuto 17 com um amarelo a Guzut.

Sim, agarrou pela camisola o João Mário, puxou, este complemento desportivo, além de ter cortado também um ataque prometedor, punido bem com o cartão amarelo.

Depois, aqui ao minuto 18, o árbitro mostra amarelo a Otamendi. Pedro, achas que a decisão devia ter sido mais dura?

Este é um lance que vai dividir claramente as pessoas que opinam sobre arbitragem, mesmo aqueles que são especialistas, porque as leis muitas vezes permitem que com o conhecimento da lei, tu possas com o mesmo argumento dizer, por exemplo, neste caso, qual é a diferença entre uma clara oportunidade de gol, a tal situação que o jogador vai isolado e sofre uma falta, ou apenas um ataque prometedor. Para ser uma clara oportunidade de gol, isto é, para que este lance tenha cartão vermelho, é preciso que quatro fatores estejam todos metidos no mesmo lance, ao mesmo tempo. Por partes, quem fez a falta, portanto, foi o Otamendi, sobre o Osmajic. O Osmajic tinha a posse de bola, fator número um, está certo. Vai na direção da baliza, fator número dois. A distância tem que ser relativamente curta, mas aqui a distância tem a ver também com a velocidade que o próprio jogador vai e se vai percorrer essa distância de forma rápida. Portanto, o jogador vai de forma rápida, vai a correr, vai embalado e a distância são precisamente até à linha de baliza 31 metros e meio. E obviamente não tem que percorrer esses 31 metros e meio. Basta percorrer ali mais 10 ou 15 para já estar dentro da área e poder estar numa situação de frente para o guarda-redes. E depois, aquele que pode ser o fator diferenciador para quem diz que é amarelo ou, no meu caso concreto, vou já dizer que é cartão vermelho, é se há algum jogador, sem ser o Otamendi que fez a falta, neste caso do Benfica, que estando relativamente perto, podia intervir em tempo útil, tendo em conta a velocidade que o Osmajic levava e a distância que tinha que ainda percorrer. O jogador mais próximo é o António Silva, que está, e vê-se isso na imagem lateral, mais para dentro, à direita do Osmajic e atrás cerca de três metros. Ora, com a velocidade que o Osmajic leva e a duas faixas de terreno de entrar na grande área, mais concretamente a 12 metros, mais um pouquinho, portanto estava a ser sensivelmente a 15 metros de entrar na área, à velocidade que leva e com três metros de avanço, eu diria que naquele enquadramento seria difícil que o António Silva pudesse em tempo útil intervir na jogada. E aqui não interessa quem é mais rápido, porque não se vai fazer esse tipo de contas. É olhar para a posição, a distância que um tem em relação ao outro e a distância que tem para percorrer. E é por causa destes quatro fatores que, reconhecendo que pode haver quem ache que seja cartão amarelo, porque o António Silva poderá intervir ou porque a distância ainda é relativamente grande na perspectiva de alguns, que eu aceito que é um lance que não é claro e óbvio, que eu aceito que o VAR valide toda a decisão que o árbitro tome dentro do terreno de jogo, fosse ela de vermelho ou fosse ela de amarelo, porque só vai intervir quando é realmente um erro claro e óbvio e com esta explicação que eu dei, e é a mais longa que vou dar hoje, o resto é tudo rápido. Para mim é cartão vermelho porque distância curta, direção da baliza, António Silva atrás três metros, teria dificuldades em tempo útil de chegar à bola que o Osmajic levava controlada no pé e à velocidade que ia, estaria numa situação clara de oportunidade de gol. Para mim, cartão vermelho que fica por mostrar e não concordo, portanto, desta maneira com o cartão amarelo.

Avançamos para o minuto 43 com um amarelo a António Silva.

Sim, é uma rasteira, pé direito, que rasteira de forma negligente o número 10 do Vizela e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Depois, ao minuto 44, consideras que devia haver pênalti de Gonçalo Ramos por eventual braço na bola?

Não, porque também fiquei com essa dúvida, ficámos todos, mas depois com as repetições diversas que houve, percebeu-se, sobretudo que atrás da baliza e a outra que vem no enfiamento do jogador, do Gonçalo Ramos, percebe-se que a bola bateu-lhe no peito e o braço como está ao longo do corpo e quase que no enfiamento daquela bola, ficámos com a ilusão que podia ter interceptado a bola com o braço. Não foi o caso, foi só com o peito e portanto aí não há discussão possível para pontapé de pênalti, obviamente.

Depois já aqui na segunda parte, minuto 53. Consideras que houve um pênalti de Bah sobre Osmajic que não foi assinalado?

Sim, claramente. Este, com acesso à repetição, é claro e óbvio e merecia a intervenção do vídeo árbitro. O Bah não para o movimento e com a sua perna direita acerta em cheio na perna esquerda e também com o seu braço direito nas costas do seu adversário e tem estes dois pontos de contato, perna direita na perna esquerda, braço, e depois com todo o corpo, com o embalo que leva e portanto também provocando uma carga incorreta. Leva com que o Osmajic caia, seja derrubado por esta ação e portanto, pontapé de pênalti fica por assinalar. E aqui, sim, para mim o erro mais grave do jogo, aqui sim, o VAR tinha que intervir.

E depois aqui ao minuto 61, temos um cartão amarelo a Claudemir.

Sim, é um pisão também ao Gonçalo Ramos, pé direito, pisa de forma negligente também o pé direito do seu adversário, cartão amarelo bem mostrado.

Depois aqui aos 79 minutos, temos outro amarelo, mas a Anderson Jesus.

Sim, e este é importante por causa do minuto 69 e do minuto que segue a seguir. É sobre o Bah. É uma entrada negligente, que quando chega lá, o que acontece é que pontapeia o seu adversário. Quando chega lá para chutar a bola, acaba por pontapear o adversário. Esta entrada negligente não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato para com o adversário, punida de forma correta com cartão amarelo.

E depois aqui aos 87, um segundo amarelo a Anderson Jesus.

Exato. O mesmo jogador, agora é sobre o Musa, é uma entrada por trás, embora seja com a canela na zona do gémeo, mas não deixa de ser uma entrada por trás que vira, desculpem esta expressão, que derruba o seu adversário, neste caso o Musa, e portanto também enquadrado na negligência e este segundo cartão amarelo e consequente expulsão correta.

Exatamente. Depois aqui vamos para o minuto 93, onde houve aqui um pênalti sobre Grimaldo. O que dizer?

Bem, é o Lacava. O Grimaldo faz um movimento para dentro finta, o Lacava não para o seu movimento e já não consegue parar e com o seu pé esquerdo toca no pé esquerdo do Grimaldo. E quando digo toca, toca, rasteira e derruba o Grimaldo quando faz aquela finta e portanto pontapé de pênalti bem assinalado.

E depois aqui ao minuto 95 temos uma expulsão do treinador do Benfica.

Sim, só para dizer que o próprio Roger Schmidt, na conferência de imprensa, admitiu que foi bem expulso. Aqui a questão que se coloca é só para tentar explicar. É óbvio que muitas vezes, tanto os árbitros, como os jogadores, como os treinadores que estão dentro do terreno de jogo, são insultados, muitas vezes levam com água, com garrafas, com tudo e mais alguma coisa. E não deveria ser assim. Só que quem está dentro do terreno de jogo nunca pode reagir, nem por palavras, por muita vontade que tenha, nem por atos ou por gestos. E o que aconteceu aqui, basicamente, foi que devem ter mandado imensas bocas, deve ter ofendido, obviamente, e depois mandaram-lhe uma garrafa, não lhe acertando, mas houve uma parte de água da garrafa que acertou. E aquilo que o treinador fez foi, para além de porventura das bocas que terá também mandado e respondido, foi ter devolvido a garrafa para a bancada, mesmo que tenha sido feito de forma mais suave, não o pode fazer. E este comportamento inserto numa coisa que é o chamado comportamento irresponsável e, nestas circunstâncias, o árbitro, neste caso deve ter sido o quarto árbitro, que viu a situação ou o próprio árbitro assistente chamou o árbitro, o árbitro tem mesmo que expulsar o treinador, exatamente por causa desta reação que, por muito que custe, não pode ter.

Pedro, vamos então para a nota. Qual é a pontuação que dás à equipa de arbitragem liderada por Nuno Almeida?

Nota negativa. Daria na mesma uma nota negativa se apenas estivéssemos a falar do penalti, porque esse é muito claro e evidente. O penalti não é gol, mas no momento em que estava podia ter algum impacto, obviamente, naquilo que era o desfecho do jogo. Para mim, vou mais longe, embora seja um lance muito difícil e, como disse, que aceito que o VAR não tenha feito a sua intervenção, por não ser claro e óbvio, na minha interpretação, aquele ao minuto 18 era para expulsão a Otamendi e não cartão amarelo. E por isso dou nota negativa, dou nota quatro, porque acabam por ser dois lances com impacto claramente no jogo.

Termina-se este "Sem Falta" com Pedro Henriques, a análise à equipa de arbitragem do Vizela-Benfica. Pedro, boa noite e obrigado.

Obrigado, boa noite.