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Bem-vindos ao Sem Falta com o Pedro Henriques. Hoje vamos olhar ao jogo da seleção portuguesa, um jogo bastante sofrido que foi resolvido nos pontapés da marca de pênalti contra a Eslovénia. Portugal passou, está nos quartos de final da prova. Pedro, bem-vindo, boa noite.
Boa noite.
Temos aqui uma longa lista extensa deste jogo, que teve 120 minutos, foi preciso recorrer a esse período extra, mais os pontapés de pênalti. E por falar em pontapés de pênalti, Pedro, começamos logo ao minuto quatro, num lance com o Ronaldo em que se pediu pênalti, o árbitro disse que não havia.
Vou repetir três vezes agora, em três lances, o nome do jogador que o marcou, o Cerkez, e vou repetir também o Cristiano Ronaldo. Portanto, aqui neste caso, é um cruzamento para a área, o Cerkez tem a mão nas costas do Cristiano Ronaldo, mas é a tal situação que nós dizemos que não tem intensidade para eventualmente retirar da jogada. Eu gosto mais de dizer, porque é o que está na lei, sem consequência, ou seja, não foi por isso que o Cristiano Ronaldo caiu. Por isso, sem motivo para pontapé de pênalti. Boa decisão.
Outra vez, duelo entre Ronaldo e Cerkez. Agora dos quatro, passamos para o minuto nove.
Também sem pênalti, quem chega primeiro à bola é o Cerkez, que acaba com o pé esquerdo tocar claramente na bola. E depois a bola fica ali aos saltos e acabam por se enrolar os dois, acabando por cair, nomeadamente o Cristiano Ronaldo, porque o Cerkez até depois de cortar a bola já estava no chão, mas mais uma boa decisão sem pênalti.
Um, dois, três. Diga lá outra vez. Minuto 16, Pedro, novo lance entre Cerkez e Ronaldo, outra vez sem pênalti.
E este sem repetições. Não houve repetições da jogada. De qualquer maneira, fui buscar o lance, coloquei em modo lento para perceber que eles estão se a marcar mutuamente e o Cristiano Ronaldo vem para trás, vem para frente, na tentativa de fugir da marcação. Acaba por cair nesses contatos, mas para mim não houve, como olha no lance do jogo anterior, que foi claramente puxado e agarrado. Não foi o caso aqui. Portanto, mais uma boa decisão sem pênalti.
Nova boa decisão do árbitro italiano, o Daniele Orsato. Ora, se há pouco o Ronaldo faz hat-trick aqui nesta nossa aparição do Sem Falta, o Cerkez vai fazer o poker, porque ao minuto 32, Pedro, vê cartão amarelo.
Sim, e é um lance que depois não demos muito destaque, é um lance à entrada da área, faz ali uma gente tesourada, acaba por chatear o Rafael Leão. E não dei muito destaque porque este é um lance entre o limite do cartão amarelo e o cartão vermelho. Não é pela falta em si, porque é uma falta dura, enquadrada naquilo que é negligência e ainda por cima cortando uma jogada de perigo, mas é dúvida se o Rafael Leão, se passa o Cerkez, se porventura não ficava mesmo isolado na cara do guarda-redes. Há mais um jogador, aliás, há quatro jogadores, além do Cerkez, há mais três jogadores eslovenos que estão na jogada, um ligeiramente adiantado, que de alguma maneira poderia eventualmente intervir, só que a gente sabe que o Rafael Leão é extremamente rápido, se calhar ficava mesmo na cara do guarda-redes. O Rafael Leão também abrandou ali a corrida, quase que ficando à espera da falta, desviou a bola para o lado esquerdo e, portanto, falta aqui mais qualquer coisa para nós estarmos naquele limiar que era o cartão vermelho por marcar a oportunidade do gol. Por isso eu vou aceitar como boa decisão e dizer também que obviamente o VAR nunca iria intervir num lance que não sendo claro e óbvio para cartão vermelho, teria que aceitar sempre esta decisão.
É como nós dizemos na gíria, aquele amarelo alaranjado, não é?
É um bocadinho por aí, mas aqui não pela falta em si, mas pelo ser um ataque promissor, uma jogada de perigo como foi, e no limite daquilo que é o claro penal de gol, que é quando o jogador vai isolado na direção da baliza adversária.
Ao minuto 39 temos novo cartão amarelo e novamente para homens da Eslovénia. Agora foi o defesa Karničnik que viu o amarelo.
É aquela jogada de mão, em que ele tira claramente a bola com a mão ao Rafael Leão. Não é uma situação em que vais a ser passado.
Totalmente liberado.
É aquela mesmo deliberada. É totalmente deliberada sacar a bola com a mão, e sacar é o termo mais correto que eu consigo utilizar. E realmente é um comprimento incoante e desportivo, cartão amarelo bem mostrado.
Por momentos parecia handebol ou outra coisa qualquer. Minuto 77, lance de dúvida também na área com Francisco Conceição. O árbitro não marca pênalti. Pedro, decisão correta?
Sim, é a decisão correta. O Francisco Conceição é mais baixo. E vou tentar dizer o Karničnik, acho que é assim que se diz.
O autor do amarelo do minuto 37.
Envolveu os dois braços. Aliás, de resto, exatamente. O Francisco Conceição até diz ao árbitro que foi abraçado. Mas é aquele abraçar mais para controlar a posição do que propriamente o abraçar intuitivo, de agarrar, de puxar. E depois o Francisco Conceição tentou também experienciar um bocadinho aquilo que podia ser uma queda resultante desse impedimento. E, portanto, é ali um por se ajeitar, por um lado, do Karničnik, mas ao mesmo tempo é mais para controlar a posição do que propriamente o puxar ou agarrar. Por isso, aceito como boa a decisão de não ser pênalti.
Já para lá do minuto 90, entrámos em período de prolongamento. Minuto 95, há um lance a envolver Rúben Dias.
Sim, um arremate do Verbić, que depois a bola é desviada no cotovelo direito do Rúben Dias, que depois vai para a frente, um lance que vocês já voltaram que quase seria um autogol, mas de qualquer maneira, o Rúben Dias tem esta particularidade que é, ele no fundo intercepta a bola com o cotovelo, mas faz a rotação sobre ele próprio e com a experiência que tem, o que ele faz? Dobra o cotovelo, braço encostado, dobrado, junto ao corpo, sem qualquer volumetria. E aí não há VAR que se meta num lance desses.
Essa experiência de Rúben Dias também é para caver. Um potencial pênalti. Minuto 101, amarelo para Stanković.
É aquele agarrão evidente sobre o Palhinha, que depois na transmissão direta até ficou a ideia que mais à frente o Stanković viu o cartão amarelo, porque a realização só depois é que mostrou passado um bocado, é que mostrou graficamente dizer que era amarelo. Mas o Stanković leva cartão amarelo por agarrar o Palhinha. Uma falta tática e um comprimento incorreto, cartão amarelo bem mostrado.
Minuto 105, vamos a um dos lances capitais da partida, embora o jogo tenha acabado 0 x 0 ao final dos 120 minutos. Ao minuto 105, há pênalti a favor de Portugal, um pênalti que foi assinalado sobre Diogo Jota. Concordas com a decisão da equipa de arbitragem?
Certo. E é uma decisão que eu vou aceitar, sim. Eu acabo por concordar, porque é assim, não há dúvidas. Eu vou começar pelo fim. Aliás, tinha dito isso no direto. O VAR nunca se vai meter neste lance. Porque se há coisa que nós olhamos para este lance, dizendo que é ou que não é pênalti, depende da opinião de cada um, é que não é nada claro nem óbvio Perante este lance, eu disse logo e mantenho depois de ver as repetições, que não há VAR nenhum que se vai intrometer. Isto é, se o árbitro não assinala penalty, o VAR também não ia dizer nada. O árbitro assinando penalty, o VAR também não vai dizer nada. E digo isto porque o protocolo prevê claramente intervenções ao nível dos penalties, isto é, que o VAR possa reverter uma decisão, assinalando ou não assinalando, ou dizendo que não é, em situações muito claras e óbvias.
Que não é o caso.
Que é difícil de análise. Diogo Jota vai em grande velocidade. Que não é o caso. Diogo Jota vai em grande velocidade e realmente há um esticar de perna do Darko Zik que acaba por esticar a perna e o joelho e acaba por promover dois contactos, ao nível do pé e do joelho. Isto é, é o joelho esquerdo do Darko Zik no joelho esquerdo também do Diogo Jota. E à velocidade que ele vai, é um misto de certo, foste impedido de passar, mas ao mesmo tempo, o Diogo Jota vai tão rápido, vai também um pouquinho ao contacto. Portanto, não é um lance claro e óbvio. Aceito claramente a decisão, aliás, aceito muito mais ser penalty do que não ser penalty, mas enfim, é um lance muito no limite, mas uma vez assinalado, não há VAR que se fosse intrometer e, portanto, acaba por ser a decisão mais difícil do árbitro. Mas se eu tivesse que tomar uma decisão como o árbitro em campo e como o árbitro em VAR, digamos assim, diria mais penalty do que não penalty.
Uma boa leitura por parte da equipe de arbitragem italiana com o Daniele Orsato nesse penalty, que Portugal depois acabou por não converter, permitiu Ronaldo defender a defesa a Jan Oblak. Minuto 106, temos amarelo para Biol.
Sobre Diogo Jota, uma entrada de sola de cima para baixo, jogo perigoso, mas com contato, livre direto, cartão amarelo.
E vamos ao último amarelo aqui deste extenso sem falta, que teve 120 minutos, foi aos 107, é logo um minuto depois, é o Balkovec que vê aqui cartão amarelo.
Sim, é aquele lance sobre o Cancelo que desinteressa claramente da bola e dá-lhe ali um empurrão para fora do campo, portanto completamente incoerente e desportivo, destrói a jogada, não tem qualquer interesse de jogar a bola, cartão amarelo bem mostrado.
Praticamente placagem ao homem sem qualquer interesse pela bola. Tudo corretas as decisões aqui trazidas por ti, Pedro Henriques. Resta saber qual vai ser a tua nota para o Daniele Orsato.
Sim, com uma nota de rodapé que também é interessante, uma vez fomos para pontapé de penalty e naturalmente impunha-se no relato os penalties e nesse caso as defesas do Diogo Costa. Para reforçar isto, já tínhamos falado isso mais que uma vez. Em primeiro lugar, o Diogo Costa defendeu os três penalties e que sempre que há uma defesa de um guarda-redes num penalty, como aconteceu com o Oblak em relação ao Cristiano Ronaldo, o VAR é obrigado a verificar se há alguma irregularidade, neste caso, por parte de quem defende. E aqui relembrar que um guarda-redes pode movimentar uma das pernas para frente, antes da bola partir, desde que o outro pé esteja sobre a linha ou no enfcimento da linha. O Diogo Costa tem uma particularidade que eu já tinha destacado, que é ele faz um pé para frente, movimenta o pé para frente e o outro pé normalmente escorrega para dentro da baliza, até dá-lhe ali algum conforto de apoio, fazendo tipo uma chamada. E a UEFA, desde o momento em que o Diogo Costa já tinha defendido dois penalties na Champions League, não sei se se recordam disso, ao serviço do Futebol Clube do Porto, que tornou isso um estudo de caso e disse: "Isto é legal". Portanto, não é propriamente dito uma situação ilegal de um jogador tirar partido disso, não podia era estar dentro da baliza antes da bola partir, como é óbvio, não é o caso. E esta situação de movimentar um pé, por quê? Porque, na realidade, contrariava um pouquinho o que estava na letra da lei, que é o jogador pode se movimentar e tem que estar sobre a linha de baliza. E, na realidade, no momento que a bola parte, nem um pé, nem o outro estão sobre a linha de baliza. Mas isto é para reforçar que os penalties foram defendidos, legais, um pé para frente, o outro escorrega para dentro da baliza e a UEFA e o International Board diz que isto é legal. E relembrar as pessoas que ter alguma contenção muitas vezes nestas celebrações. Podemos ter um dissabor do VAR intervir e porque é obrigado a intervir, os árbitros não intervêm, o VAR é obrigado a intervir. Posto isto, nota positiva, nota 7, porque não foi o jogo mais bem conseguido, Daniele Orsato, um ou outro pormenor em lances menores, mas é um jogo que repara com 21 faltas num jogo desta natureza com 120 minutos, sete cartões amarelos, dois para Portugal, cinco para Eslovênia, todos bem mostrados. Acaba por fazer uma arbitragem positiva, acabou por expulsar também o treinador da Eslovênia, naturalmente, por palavras. O lance mais difícil é o penalty, conforme aqui explicamos, não sendo muito claro e óbvio, é um lance que eu aceito claramente como boa decisão. Houve várias quedas dos jogadores portugueses, nomeadamente o Cristiano Ronaldo na área, o Francisco Conceição, em lances que o árbitro não concedeu penalty e eu também não considerei. E por isso, acaba por ser uma arbitragem claramente positiva num jogo que não foi fácil. E por isso, nota 7 para Daniele Orsato e para toda a sua equipe de arbitragem italiana.
Nota 7 em 10 por parte do nosso Pedro Henriques para esta equipe italiana com o chefe Daniele Orsato, que esteve a arbitrar o Portugal-Eslovênia. Jogo decidido nos pontapés de penalty. Aí Portugal venceu por 3x0, depois de 0x0 após prolongamento. Diogo Costa, também aqui como o Pedro Henriques nos trouxe, a ser pioneiro, quer na defesa dos penalties, quer também para a legalidade dessas mesmas defesas. Pedro, grande abraço. Obrigado.
Um abraço e até amanhã. Obrigado.