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Está dado mais um apito de saída para o Sem Falta, podcast aqui da Rádio Observador, em que vamos analisar aquele que foi o último dia de quartos de final. Tivemos dois jogos, um deles foi a penaltis, o Inglaterra x Suíça. Os ingleses seguiram para as semifinais, venceram por 5x3 na marca dos 11 metros e o último jogo desta ronda foi os Países Baixos x Turquia, em que os neerlandeses também venceram por 2x1. E assim, já temos também esse quadro das semifinais. Espanha x França é uma delas, a outra fica com os Países Baixos x Inglaterra. Pedro, boa noite, bem-vindo.

Boa noite. Vamos lá, mais um Sem Falta.

Vamos a isso. Aqui com a presença do Pedro Henriques, o nosso comentador, antigo árbitro internacional, que nos ajuda sempre neste Sem Falta. Pedro, qual para ti o destaque deste último dia de quartos de final?

Olha, não tendo propriamente tido casos de jogo, e muitas vezes aqui nesta parte da rubrica a gente destaca um penalti, um fora de jogo, uma coisa desse gênero, eu acho que hoje o destaque tem que ser para o número baixíssimo de faltas, que tem havido de uma maneira geral em todos os jogos, mas hoje em particular, em que tens um jogo, como disseste, que vai até a penaltis, portanto, teve prolongamento, e depois tens um jogo que teve mais de cinco minutos depois dos ditos descontos, e temos 22 e temos 21 faltas, respectivamente em cada um dos jogos. E isto não é normal, nem sequer na própria Inglaterra, onde o número de faltas é sempre bastante reduzido, muito menos em países como a Turquia, os próprios Países Baixos também normalmente têm número de faltas baixo, mas em nenhuma competição nacional é normal termos um número de faltas tão baixo. Isto tem muito a ver exatamente com a postura também dos jogadores, no sentido de que sabem que se depois levam amarelo, ao fim de dois são suspensos, e aqui a competição é curta e não querem ficar de fora desta competição, e ao mesmo tempo também pela postura dos árbitros, que tendo outros olhos a serem vistos ao nível destas competições internacionais como é o Euro, acabam também por privilegiar muito mais o deixar jogar, o contato físico, etc. E por isso, o meu destaque vai claramente para este número de faltas reduzido ou menor que existe praticamente, ou tem existido em quase todos os jogos, mas muito em particularmente hoje, nestes dois jogos dos quartos de final.

Fica essa nota, o destaque do Pedro Henriques para o número reduzido de faltas que tivemos nesta ronda de quartos de final, nomeadamente nestes dois jogos, o Inglaterra x Suíça e também o Países Baixos x Turquia. Avançamos agora para o segundo segmento, que é a lei traduzida. O que nos vais contar hoje, Pedro?

Olha, dois aspetos particulares da lei. Um que tem a ver com esta fase em que estamos da competição, que é a passagem ou transição dos quartos para as meias-finais. Os jogadores que viram o segundo cartão amarelo, e por exemplo, Espanha tem alguns desses jogadores, que viram o cartão amarelo na final e sendo o segundo, não vão estar presentes na meia-final. Mas há uma certeza que se tem, é que todos os jogadores que forem à meia-final, e sobretudo aqueles que depois transitem para a final, entram com zero cartão amarelo. Isto é uma lei que já tinha sido alterada, há uns anos atrás não era assim. Isto é para evitar que as duas seleções que forem à final fiquem privadas de um jogador ou de mais que um jogador que pudessem ver na meia-final o segundo cartão amarelo, o que se tornaria muito injusto. Hoje, curiosamente, e a própria UEFA já discute a questão, que é: será que também privar um jogador de ir à meia-final será correto? Será que não se tem que alargar ou dividir, se calhar, a fase de grupos e depois a partir da fase de grupos, digamos, começar uma nova competição? Portanto, hoje também já se discute isso, porque se uma final é extremamente importante, uma meia-final também é muito importante e, portanto, há esse tipo de discussão. Segunda questão da lei. Hoje, porque no Inglaterra com a Suíça fomos a pontapé de penalti, como outros jogos já tinham sido, mas hoje vimos o árbitro italiano falar com todos os jogadores. E vimos, se calhar muitas pessoas foram perguntando hoje durante o dia por causa disso, porque se tinha havido alguma alteração da questão da colocação da bola no penalti, porque estavam a ver os penaltis a ser batidos à frente da marca. E a resposta é sim, houve uma alteração, houve uma uniformização em relação à colocação da bola, como nos pontapés de canto, em que muitas vezes as pessoas dizem: "Então, mas a bola está fora do quarto círculo no pontapé de canto?" Está, desde que a tal parte redonda da bola, na sua projeção, esteja sobre a linha. E aqui é a mesma coisa, isto não é uma linha, é uma marca, mas o facto de a bola estar quase aparentemente à frente, ou podia ser à esquerda, ou à direita, ou atrás, mas normalmente os jogadores colocam-na à frente, desde que a tal parte redonda, a circunferência da bola na sua projeção, esteja, digamos, em contacto, ou a bater, ou na projeção daquilo que é a marca do penalti, considera-se estar dentro. E daí, se calhar, estas perguntas e o visionamento de um penalti um bocadinho, aparentemente, mais diferente e mais à frente em relação ao normal. De qualquer maneira, exatamente. Foi uma alteração da lei. A lei foi alterada a partir de 1 de julho, mas como o Campeonato Europeu começou a 14 de junho, foi feita a alteração para que, neste particular e noutros, no Campeonato Europeu já tivessem introduzidas estas alterações e, portanto, também iremos ver na próxima época, nos nossos campeonatos, campeonato nacional, algumas dessas situações em que vamos ver a bola um bocadinho mais à frente, provavelmente, porque os jogadores normalmente à esquerda, à direita ou atrás não o querem fazer, mas dentro daquilo que é a legalidade da alteração que houve na lei.

Ou seja, no fundo, Pedro, é como se traçássemos aqui uma linha imaginária na vertical e se incidir a bola com a marca, está legal.

Exatamente, está legal. É isso mesmo.

É isso mesmo. Como nos foras de jogo, só que em vez de ser de lado, é na vertical. Isso mesmo. Vamos agora para o último segmento do Sem Falta, que é a nota do dia, relembrando aos nossos ouvintes que é uma nota de 0 a 10, dada pelo Pedro Henriques, sendo que o 5 é essa positiva mínima. Pedro, de 0 a 10, qual a tua nota?

Eu pedia negativa e pedia a positiva. Positiva porque em 51 jogos do Euro, só ao fim de 48 é que tivemos expulsões no banco, treinador adjunto da Turquia e também um jogador. O que tinha havido foi um jogador já ter levado duplos amarelos e situações técnicas do jogo, decorrentes das faltas, mas no banco isso não tinha acontecido, o que é uma novidade, porque se pensarmos que já houve muitas seleções eliminadas, já tivemos muitos jogos do mata-mata, mesmo assim, porque, por um lado, as arbitragens têm sido bastante positivas e sem influência no resultado, e também porque o comportamento melhorou significativamente, quer dos jogadores em campo, muito por aquela questão de só o capitão poder falar com o árbitro e muito também pelo comportamento e postura que os próprios selecionadores, treinadores e todos os que estão à volta do campo têm sido extremamente positiva. Hoje tivemos também num jogo, exatamente, foi a nível do banco, o treinador adjunto e um jogador, mesmo a acabar, portanto, o árbitro deu cinco minutos de descontos, terá sido aí sobre os 95, 96. Tem muita a ver exatamente com a tensão, com os nervos, etc. Mas, de qualquer maneira, eu não vou dar a nota positiva pelos 48 jogos em que praticamente só houve isso, mas vou dar a nota negativa porque destoaram aqui um bocadinho, tanto o treinador adjunto como o jogador que foi expulso, e nota quatro exatamente para este comportamento, que sai fora do padrão normal. E é como digo, em 51, só com o 48º jogo termos isto, acaba também por ser positivo, por isso nota negativa para os comportamentos que eles tiveram. Esperemos que nestes três jogos que faltam, se mantenha a bitola de ninguém ser expulso a nível do banco, que seria bom sinal. E o Euro nesse aspecto tem dado sinais muito positivos.

Exato. É uma competição que mexe sempre com as emoções, com esses nervos, principalmente nesta fase final, em que uma seleção é eliminada e a outra segue em frente. Fica aqui a Turquia com essa nota quatro, essa nota negativa, por ter destoado a quatro jogos do final. Ficam agora a faltar três, as duas meias-finais e naturalmente a final da competição. Essa nota para o banco da Turquia, que hoje não se comportou bem no jogo com os Países Baixos e houve dois vermelhos pelo comportamento nesse mesmo banco. Pedro, e por nós também é tudo. Grande abraço, até terça-feira.

Um grande abraço. Até às meias-finais.

Até às meias-finais, isso mesmo. Até lá.