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Sem falta na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem do Futebol Clube do Porto, Gil Vicente. Os Dragões perderam o encontro por duas bolas a uma. Connosco temos Pedro Henriques. Pedro, boa noite. Começamos logo aqui no minuto um com um gol anulado ao Futebol Clube do Porto.
Sim, e é um lance que não precisa de muitas linhas para nós percebermos claramente que quando o Otávio faz o passe pro Taremi, o Taremi está claramente adiantado em relação ao penúltimo adversário, provavelmente mais de um metro, e portanto, o árbitro assistente deu a questão do fora de jogo e depois foi confirmado, bem anulado.
Depois aqui ao minuto quatro, consideras que o gol dos Dragões foi legal?
Sim, no minuto quatro tudo legal. É o passe do Namaso para o Taremi, não há fora de jogo e, portanto, também foi ali quase no limite, mas depois com as paragens e com as repetições, percebe-se que entre ele, Taremi, e a linha de baliza estão dois adversários, o defesa e o guarda-redes, e por isso tudo bem decidido aqui.
Depois aqui ao minuto 22, temos um amarelo ao Fujimoto.
Sim, é um lance com o Pepe. É uma situação em que ele agarra de forma evidente e ostensiva o Pepe, puxa-o pela camisola, inclusivamente, e por isso este complemento incorreto, antidesportivo, foi bem sancionado.
Depois aqui ao minuto 35, temos um cartão vermelho mostrado a João Mário. O que dizer?
Sim, claramente uma boa decisão, com ajuda obviamente da videoarbitragem. O João Mário, mesmo que pudéssemos dizer que o João Mário ao colocar o braço e a mão esquerda no chão para apoiar a sua queda, teria tocado inadvertidamente na bola. Isto para começarmos pela parte técnica, pela falta, pelo livre direto, foi fora da área. O fato é que depois de tocar com a mão, ele com o braço todo, fica com a bola retida com a parte do braço, isto é, aquela parte que vai entre o ombro e o cotovelo, fica com a bola completamente retida, não a deixando sair dali. E portanto, a partir do momento que toca com a mão e depois a retém com o braço, claramente bem decidido sob o ponto de vista técnico, livre direto. A questão é que o árbitro dá cartão amarelo, porque numa primeira visão, isto é, em jogo jogado, quando ele vê o lance, apita, e quando olha para o lance, há dois jogadores do Futebol Clube do Porto, defesas, que já estão entre a possível posição do Boselli, que era o jogador que ia receber o passe do Muril, e a baliza, e portanto para ele era apenas uma jogada de perigo, um ataque promissor. É aqui que entra a videoarbitragem, porque aquele momento fundamental é o momento do toque com a mão e a retenção com o braço. E quando se para a imagem aí, percebe-se claramente, e depois o árbitro vai ao VAR e foi-lhe dado também essa imagem, que nenhum jogador do Futebol Clube do Porto, nomeadamente o Marcano, que era quem podia eventualmente estar mais perto, teria, à velocidade que a bola ia e o jogador Boselli já dentro da área para receber aquela bola, poderia intervir em tempo útil para evitar aquilo que poderia ser o remate ou até o domínio e o remate. Depois, se era gol ou não, isso é outra questão. Portanto, o que conta é que com este posicionamento, com este momento de paragem, percebe-se claramente que o Boselli estava numa situação de clara oportunidade de gol. Ninguém pela frente, ia receber a bola de forma muito clara, distância muito curta já dentro da área e o distanciamento do Marcano, e penso que do outro jogador do Futebol Clube do Porto que estava lá também na zona, não tinham qualquer hipótese em tempo útil de intervir para receber o lance. E é bom as pessoas perceberem, este é o lance em que vou me alongar um bocadinho mais, que as pessoas percebam que não se trata se o jogador dali marcava gol. Não, não é isso que se trata, porque tivemos hoje o Pepe à boca da baliza a falhar um gol a menos de um metro ou dois. Portanto, não se trata depois se o jogador marca ou não marca. É se naquela situação há a possibilidade do jogador estar isolado quando recebe a bola e ter a chamada clara oportunidade de gol. E portanto, acho que estão aqui metidos todos os fatores. E por isso, resumindo e concluindo, boa decisão global da equipa de arbitragem com a intervenção do VAR, cartão vermelho, realmente João Mário toca a bola com a mão e depois com o braço, intercepta o passe entre o Muril e o Boselli e anula uma clara oportunidade de gol. Por isso, cartão vermelho.
Depois aqui ao minuto 42, pênalti a favor do Gil Vicente. Validas esta decisão do árbitro?
Sim, claro que sim. É um lance de televisão, de VAR. No direto e na velocidade, percebemos que também foi com o Boselli. O Boselli caiu, não percebemos bem por quê. Depois com as paragens, percebemos que da mesma maneira que o Uribe com a perna direita, ou nesse caso com o pé direito, está a recepcionar a bola, abre claramente a sua perna esquerda e vai com o seu pé esquerdo pisar o adversário, o Boselli, derrubando. E esta situação é muito importante, até para um lance que vamos falar mais à frente, é que o Boselli, não é uma situação em que os dois jogadores vão discutir o lance e eventualmente há um pisão. Não, é o Boselli que está na sua posição e que vai tentar chegar à bola, mas está distante. E é o Uribe que abre completamente a sua perna esquerda e que o vai pisar. E isso tem uma consequência, que é a queda do Boselli e a impossibilidade dele discutir o lance que depois ficou com a bola em posse em termos do Uribe. E por isso, pontapé de televisão, pontapé de pênalti de televisão. É para isso que serve o VAR. Portanto, boa intervenção do vídeo-árbitro ao chamar o árbitro para assinalar o pontapé de pênalti.
Depois aqui ao minuto 43, temos um amarelo ao Uribe.
Sim, de explicar que quando acontece este lance, que é o minuto 42 do pênalti, a bola não para e o jogo segue. E, portanto, quando há este amarelo, ainda não foi tomada a decisão relativamente ao pontapé de pênalti. E a decisão é o Uribe que entra em take deslizante, para além de cortar uma jogada de potencial perigo de saída de contra-ataque, varre completamente o Zé Carlos. E quando digo varre, é uma entrada dura, negligente, para cartão amarelo. Depois, a seguir, quando a bola sai para fora, aliás, quando acontece este lance, é que o árbitro é chamado Pelo VAR e depois toma a decisão do pontapé de pênalti. Quer dizer que este amarelo aconteceu depois do pênalti. Explicação: por que este amarelo se mantém? Porque conforme está escrito no protocolo, se o árbitro tivesse mostrado o cartão amarelo por cortar uma jogada de perigo, um ataque prometedor, esse amarelo era anulado porque o pênalti tinha sido antes. Como foi por uma entrada dura, ou seja, a entrada não foi anulada, e este é o conceito do protocolo, mantém-se o cartão amarelo pela entrada dura, pela negligência, a tal questão que se diz não teve em conta o perigo e as consequências do seu ato. Para nós percebermos por que poderia ter sido eventualmente tirado o cartão amarelo, porque o pênalti tinha sido antes do amarelo, e por que neste caso não é tirado, porque o protocolo prevê duas situações. Se fosse um corte, uma jogada de perigo, tipo agarrou quando ele ia aferrir com algum perigo, uma coisa assim, o cartão amarelo era retirado. Como é uma entrada dura, que varre o adversário, mantém-se o respectivo cartão amarelo. E aqui, para terminar, se o árbitro entendesse que no pênalti para o qual foi chamado, aquela entrada fosse negligente, isto é, aquele pisão fosse por negligência, fosse duro, etc, poderia ter mostrado o segundo cartão amarelo. O árbitro entendeu que ele não teve a intenção de derrubar o adversário, tentou dominar a bola com o pé, acabou por tocar com o outro pé no adversário e entendendo a imprudência, não mostrou. É uma situação no limite e eu, na minha maneira de entender, parado aqui no sofá e a ver as imagens, teria mostrado, obviamente, o segundo cartão. Isto é, tinha mostrado ao 43 e depois quando fosse ao VAR ver o lance, teria mostrado o do pênalti e teria expulso aí o Uribe. Mas compreendo e aceito que é um lance muito no limite e a percepção do árbitro é enquadrado na triplapenalização, da tentativa de jogar a bola, não havia nem imprudência, nem negligência, foi para tentar jogar a bola que acabou a derrubar e é um pouquinho esse conceito que leva o árbitro a não mostrar cartão amarelo.
Depois aqui ao minuto 52, temos um segundo cartão amarelo a Uribe.
Pronto, aqui é claro. Com o pé esquerdo, acerta em cheio no peito do pé. Aliás, acima do peito do pé, já a entrar na zona da canela do Zé Carlos. É uma entrada de pitons de sola. Atenção, só cartão amarelo, porque o pé está apoiado no chão e a diferença entre amarelo e vermelho, muitas vezes, tem a ver com a zona de contato, isto é, a zona onde tem o impacto. Tens um pé assente no chão, é muito menor do que se acertares no joelho ou numa perna que está fixa, portanto, o momento mais acima e não tem apoio. E portanto, aqui nesta situação, e estou a dizer isto já a preparar um lance que vem mais à frente, aqui a situação clara para cartão amarelo, era o segundo e acaba por ser bem expulso aqui ao minuto 52.
Depois aqui ao minuto 61. Perguntava-te se houve pênalti sobre o Taremi.
É um lance que está a correr as redes sociais, porque param a imagem e na imagem, o que se vê? Vê-se o Tomás Araújo com o pé por cima do Taremi dentro da área e não se mostra mais nada. E a ideia que fica é que foi pisado e era pênalti. Ora, na realidade, o que acontece, temos que ver esse lance em movimento. O que acontece é que ambos vão, reparem, o Taremi não está parado e não é o Tomás Araújo que vai ao encontro dele e que o pisa, diferente do que aconteceu no penal do Porto. É uma situação em que os dois esticam o pé para frente, na tentativa de chegar à bola e discutir. Isto é, pé direito do Tomás, pé esquerdo do Taremi. E o que acontece é que o Tomás Araújo toca claramente com a ponta da sua bota na bola, mandando-a para a frente. E quando vai apoiar o pé no chão, ato contínuo do tocar na bola, e o tocar na bola aqui é muito importante, o Taremi, que tentou também chegar à bola com o pé por baixo, acabou por também colocar o pé por baixo dele e é por isso que é pisado. E o Taremi é pisado e segue. Portanto, continua a correr, normal. Não é por se pedir falta que é pênalti, obviamente, ou por deixar de pedir. Não é por se mandar para o chão que é pênalti ou quando fica de pé, não é pênalti, não é isso, mas é para percebermos que as infrações têm que ter uma consequência. O jogador cair, não ficar de posse de bola, não conseguir. Não, aqui não há consequência nenhuma, é um toque que surge exatamente como acabei de descrever e com este atuante que é o fato do Tomás Araújo ter tocado claramente na bola, mandando-a para a frente e depois quando apoia o pé no chão, acaba por pisar o seu adversário.
Depois aqui ao minuto 63. Temos amarelos mostrados a Zé Carlos e também a Otávio.
Bem mostrado, o Zé Carlos. O árbitro tinha marcado uma falta contra o Gil Vicente, o Zé Carlos agarrou na bola e tirou-a do sítio e ia com ela na mão para ganhar tempo ou neste caso, para fazer perder tempo. E o Otávio chegou lá. E portanto, cartão amarelo para este comportamento incorreto, tirar a bola, cartão amarelo ao Otávio, que mesmo tendo razão, não pode ir lá e empurrar claramente e tirar de esforço do adversário. Por isso estes dois comportamentos incorretos foram bem punidos com cartão amarelo.
Depois ao minuto 68. Temos um gol anulado ao Futebol Clube do Porto por fora de jogo. O que tens a dizer, Pedro?
Sim, 32 centímetros, bem anulado. O PP faz a assistência para o Eustaquio e depois aquilo que está em questão, e que depois é visto, é o pé esquerdo do Eustaquio que está adiantado, os tais 32 centímetros, em relação ao ombro do jogador da equipe do Gil Vicente. E portanto, estes 32 centímetros é a tecnologia ao serviço e portanto, nada a dizer e boa decisão. Mas no direto dissemos logo que era fora de jogo, e até só pela visão da jogada percebia-se que havia ali um adiantamento do pé. E relembrar só que os braços, tanto para quem ataca como para quem defende, não contam para a análise do fora de jogo. É só todas as partes que não podem jogar a bola, portanto, excluídos os braços no fora de jogo.
Depois aqui ao minuto 71. Consideras que há pênalti sobre o Otávio?
Não há pênalti sobre o Otávio. Também não houve grandes pedidos, mas é bom sempre realçar, porque é um lance em que o Otávio acaba por cair para fora das quatro linhas da linha de baliza. O público pediu pênalti, obviamente, ficou a dúvida se ele teria também sido pontapeado ou tocado, ou pisado, ou coisa do gênero. Mas não, percebe-se que é o Otávio que cruza a bola, portanto, como a bola vai a sair, ele cruza a bola e é ele próprio que depois de cruzar vai pontapear, sem querer, obviamente, ato contínuo do pontapé, a perna do seu adversário. Portanto, o adversário nunca o carregou, empurrou ou arrastou. É o próprio Otávio que depois de pontapear a bola para meter para dentro do terreno de jogo, acaba por, ato contínuo, deixar o pé e acertar no seu adversário. Portanto, não há qualquer infração sobre o Otávio.
Depois aqui ao minuto 75, temos um cartão amarelo mostrado a Navarro.
Sim, aqui a questão é também por agarrar, agarrou o Otávio. Portanto, é a situação completamente incorreta, antidesportivo, e quando assim é, é cartão amarelo bem mostrado.
Depois ao minuto 76, outro amarelo, desta vez é o Estádio.
Exatamente. Eu estava a olhar quem foi advertido foi o Otávio no lance anterior, não foi o Navarro. Estava na dúvida. Mas foi por agarrar. E aqui ao minuto 70, agora o do Estádio é amarelo, porque é uma entrada que corta um contra-ataque. Aliás, naquela fase em que o Porto estava a atacar e com menos jogadores, obviamente que quando o Gil Vicente saía em contra-ataque, iríamos ter algumas situações destas. É a situação típica em que um jogador vai atrás do adversário e corta o ataque promissor e tem uma entrada também por si só negligente a destruir a jogada e por isso cartão amarelo bem mostrado.
Depois aqui ao minuto 78, Pepe levou amarelo, consideras que a decisão devia ter sido mais dura?
Sim, claro que sim. Depois é daqueles lances que com a repetição percebemos claramente que a entrada do Pepe com o seu pé direito, não foi ao pé, porque se aquela entrada a pisar é o pé que está apoiado no chão, eu diria que era amarelo. Daí que a zona de impacto também tem muita importância. É uma entrada de pé direito de longe, à distância, claramente a meio da perna, isto é, entre o peito do pé e o joelho, perna esquerda do seu adversário. E é uma entrada muito dura, ou seja, força excessiva, mais do que não ter em conta as consequências do seu até, põe em causa a segurança e integridade física do seu adversário, porque quando entras em determinadas zonas, como é o joelho, tendão de aquiles, etc., ou neste caso do meio da perna, entramos na questão da segurança e da integridade física do adversário, independentemente das consequências. E nós percebemos pela repetição, percebe-se muito claramente que é uma entrada de pitons de sola, a meio da perna e que era passível de cartão vermelho. Aqui o VAR tinha que ajudar claramente um lance que muitas vezes em jogo jogado não tem esta gravidade que depois nós percebemos com a repetição. E era o VAR que teve tantas intervenções positivas, que tinha que fazer aqui uma intervenção também nesse sentido.
Depois aqui ao minuto 86, temos outro cartão amarelo, Bilel.
Sim, é por agarrar também, é mais um agarrão e o árbitro hoje em três ou quatro situações de agarrões teve exatamente o mesmo critério, porque agarrar significa jogar com os braços e destruir uma jogada, portanto, o jogador não vai disputar nenhuma bola. Estas situações são normalmente punidas com cartão amarelo e neste caso foi bem, Bilel advertido.
Pedro, vamos então para a nota, qual é a pontuação que dás à equipa de arbitragem?
Eu vou dar cinco, porque repare, este jogo, obviamente que eu normalmente faço um pouquinho de distinção entre as decisões quando são todas boas ou quando são boas na sua maioria e tomadas pelo árbitro, faço sempre uma distinção quando a ajuda é do VAR. Isto é, dou sempre um pontinho a mais ao árbitro que decide tudo sozinho ou dou sempre um pontinho a menos quando é o VAR que ajuda. Este é o meu critério que eu tenho usado. Não obstante ter havido aqui muitas e boas decisões e importantes para o jogo, houve o Pepe que devia ter sido expulso e que o VAR devia ter ajudado. E no meu entender, até vou mais longe com a situação da expulsão do Uribe, que embora tenha sido expulso ao minuto 52, na minha opinião, e como expliquei anteriormente, o minuto 42 e 43 poderiam ter dado os dois amarelos. Não é o mais relevante, acaba por ser expulso depois. Para mim, este não é o lance fundamental, mas é por isso que dou uma nota cinco. Destacando claramente as muitas e boas decisões que foram tomadas, duas delas, sobretudo as mais importantes, a expulsão do João Mário e o pênalti do Uribe sobre o Bozeli. E um terceiro momento, talvez o menos bem conseguido, efetivamente, o Pepe devia ter sido expulso. Por isso, dou nota positiva, mas um positivo relativamente baixo, nota cinco.
E assim termina este "Sem Falta" com Pedro Henriques, a análise à equipa de arbitragem do Futebol Clube do Porto, Gil Vicente. Pedro, boa noite e obrigado.
Boa noite, obrigado, até amanhã.