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A Rádio Observador acompanhou mais uma edição da entrega de prémios do 5G Challenge, um concurso de inovação tecnológica promovido pelo MEO Empresas, cujo objetivo é impulsionar a transformação digital nas empresas e organizações portuguesas. O desafio era testar as potencialidades de uma rede móvel privada virtual 5G. De entre os candidatos, podem-se contar projetos como: a capacidade de estar num jogo de futebol através da realidade virtual, incluindo ir à loja comprar merchandising ou ímanes para o frigorífico do jogo ou dos concertos que se está a assistir; um sistema de vigilância para detetar mais rapidamente incêndios florestais e monitorizar a vida selvagem; paletes inteligentes que permitem saber se os produtos perecíveis estão podres ou não; monitorizar em tempo real contentores; torres de vigilância e drones ainda mais inteligentes ou mesmo tornar vídeos comuns em hologramas 3D. Foram 42 candidaturas, 10 finalistas, cinco nacionais e cinco internacionais. E um júri de gabarito: João Paulo Firmeza da Altice Labs, José Antão da ANI, Mónica Canhete Palomo da RTP, Nuno Nunes da MEO Empresas e o meu caro colega da Rádio Observador, João Miguel Santos. E porque há quem goste da sobremesa antes do tempo, vamos já conhecer os vencedores. Com o prémio de Sustentabilidade e Impacto Social, no valor de € 1.000, ficou a empresa Amelia Survey, sediada em Espanha. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a processar e analisar ficheiros 3D em áreas como levantamento topográfico e construções, permite gerar relatórios, medir distâncias e ajustar limites em modelos 3D, otimizando assim a tomada de decisões e o fluxo de trabalho. Com o prémio de Melhor Solução de Origem Portuguesa, no valor de € 10.000, ficou a empresa Verbo. É uma plataforma de comunicação push-to-talk com inteligência artificial, concebida para equipas no terreno em situações de crise. Usa 5G para comunicações de voz rápida, integra assistentes inteligentes, melhorando assim a eficácia e segurança operacional. E em primeiro lugar, com o prémio Inovação Tecnológica, no valor de € 20.000, ficou a Hologram Messages for Academia, da Irlanda. Trata-se de uma solução que transforma vídeos comuns em hologramas 3D imersivos, fáceis de criar e também de partilhar. Funciona em dispositivos móveis e pode ser transmitida via 5G, tornando a comunicação mais pessoal e interativa, sem necessidade de equipamento especializado. De forma a perceber melhor do que se trata o 5G Challenge, tivemos o gosto de conversar com Nuno Nunes, Chief Sales Officer B2B da MEO Empresas. Em relação às edições anteriores, nesta edição foi dada a possibilidade aos concorrentes de testarem uma rede móvel privada virtual 5G. Qual a importância desta rede?

Esta rede móvel privada 5G permite que os seus utilizadores tenham acesso a uma solução altamente segura e de alta performance, com uma agilidade que tudo o que são soluções cabeadas não permitem. Eu recordo, por exemplo, que nós transmitimos o Industrial Open todo numa rede privada 5G, o que permite toda esta agilidade e alta performance, cuja rede é suportada no nosso backbone da MEO. E esse backbone MEO é um backbone que, e eu digo isto com muito orgulho, porque todos os nossos clientes o sentiram no dia 28 de abril, quando houve o apagão a nível nacional, o nosso backbone continuou a trabalhar. E portanto, este backbone permite assegurar esta resiliência e esta capacidade onde o 5G assenta e qualquer empresa que, em vez de ter que montar uma rede cabeada com investimento de Capex de milhares de euros e muito mais tempo de instalação, consegue, através desta rede 5G, ter acesso a uma rede mesmo privada, segura e com uma elevadíssima performance de dados.

À prova de crises.

Exatamente, à prova de crises. E portanto, este 5G traz esta mais-valia e repito, em cima de uma rede, como disse e muito bem, à prova de crises e à prova de apagões.

E houve vários projetos. De 42 foram selecionados 20 e depois desses 20, 10. Houve algum projeto, para si, que se destacou de forma surpreendente nesta edição? Temos sempre a ver.

Sim, há dois projetos muito interessantes. Há vários, mas eu vou destacar dois rápidos. Primeiro é a criação de um holograma 3D. Parece uma coisa simples e simpática, mas tem um impacto operacional e na gestão de uma empresa, eu diria, bastante eficaz. Do que eu estou a falar? Muitas vezes os nossos tutores acabam, por questões de agenda, não conseguirem estar em todo lado e gravar mensagens e acabam por estar atrás de um vídeo, de uma tela, quando dão uma mensagem. Bem sei que nós também estamos constantemente, presencialmente, a passar mensagens, a dezenas ou centenas de pessoas, mas há outras em que deixamos uma mensagem gravada. E esta solução vai permitir gravar a nossa imagem física, vai permitir emular nós estarmos num palco. Vai permitir o Nuno estar num palco com a sua imagem 3D, como se estivesse junto das pessoas a passar essa mesma mensagem. E acho que isto é muito mais impactante. Não é exatamente igual Naturalmente a pessoa física a passar essa mensagem, mas concordamos que é muito mais simpático, muito mais pragmático e eficaz do que estarmos atrás de uma tela a passar uma mensagem, porque acabamos por estar num palco de forma virtual, ao pé das pessoas. E isto denota não só inovação, denota uma preocupação de querermos estar mais próximos e nota que estamos atentos às tendências do mercado e àquilo que os nossos clientes também procuram. E portanto, essa é uma das soluções. A outra solução é uma solução mais virada para o mercado da indústria, retalho e logística, que o que faz é a contagem através de drones que têm câmaras integradas com inteligência artificial. A contagem de bens, de mercadorias em tempo real. E isto faz com que não haja aquela contagem manual de estoques, etc., que se perde muito tempo, que se perde muita produtividade. E, portanto, esta solução depois interligada em tempo real ao RP da empresa, que depois por sua vez por trás tem um ecossistema de fornecedores, permite que haja uma gestão e controle de estoques em tempo real, onde o 5G é a conectividade que integra toda esta tecnologia. Ou seja, aqui o 5G é o enabler, porque é uma tecnologia mais uma vez resiliente e segura, de alto débito. E, portanto, todas estas contagens, toda esta data, toda esta imensidão de dados que são correlacionados e que são geridos em tempo real, só consegue-se fazer com uma rede 5G. Não é possível fazer com a 4G, não é possível fazer com o Wi-Fi, que tem interferências, não tem as normas internacionais que o 5G tem perfeitamente definidas. E portanto, isto vai permitir que eu esteja num parque industrial, que esteja num ambiente industrial a contar bens, mercadorias em tempo real.

E a perceber as condições.

E a perceber as condições, em vez de andar seres humanos para trás e para a frente a comunicar, a fazer contagens.

Repor stock.

Repor stocks, etc. Portanto, tudo isto faz com que aumente a produtividade de uma empresa, por um lado, e para além de aumentar essa mesma produtividade, torna o processo mais ágil e a empresa acaba por ser mais competitiva.

E eliminar o desperdício também.

Exato. E a competitividade, acima de tudo, aumentar a competitividade dessa mesma empresa.

E que impacto espera que as soluções vencedoras tenham no ecossistema empresarial nacional e internacional?

É o impacto que, na verdade, nós temos tido ao longo dos anos, nós MEO, no mercado empresarial. Nós somos líderes de mercado e temos esta liderança porque todos os anos investimos centenas de milhões de euros em tecnologia, em deployment de soluções, em investigação, em inovação, através da nossa Altice Labs, que está sediada em Aveiro, que é o nosso braço armado de inovação. E portanto, compete-nos a nós olharmos para o mercado no sentido de criar um ecossistema que depois irá permitir às empresas olharem para a MEO, neste caso, para a MEO Empresas, como uma empresa em que: um, faz um investimento para garantir que as comunicações que essas empresas que apostam em nós são muito resilientes. Volto a lembrar, como aconteceu no apagão, ponto um. E ponto dois, que nós tenhamos um ecossistema, onde esse mesmo ecossistema permite dar às empresas nos vários setoriais, retalho, indústria, saúde, setor público, etc. Nos vários setoriais, as soluções que elas mais precisam e adaptadas e adequadas ao seu core business. E portanto, o impacto é o impacto que elas se tornem mais competitivas, mais resilientes, mais modernas, porque nós temos todos os setores do mercado nacional estudado. Portanto, nós sabemos quais são os trends, quais são as tendências para o mercado do retalho, o mercado da indústria, o mercado do setor público, o mercado da saúde, etc. E acabamos por equipar, por integrar o nosso portfólio com soluções tecnológicas que se adequam àquilo que esse mercado, esse setor precisa. E é nesta senda de uma criação de inovação constante e uma preocupação e uma responsabilidade que a MEO Empresas tem que ter para com as empresas que confiam na sua estratégia de inovação, que nós procuramos as soluções que integram todo um buquê de soluções, um buquê de serviços, onde elas delegam em nós um outsourcing, dizer assim: "Eu preciso de ir de A para B. Como é que eu vou de A para B com menos custo e de forma mais competitiva?" E portanto, é para isso que este tipo de eventos servem e criam este impacto, quer nas empresas a nível nacional, quer empresas a nível internacional, pela nossa competitividade e diversificação de soluções que fazem match, digamos assim, com aquilo que as empresas necessitam.

E não foi à toa que tantas empresas estrangeiras também, nesta edição até houve mais, se não estou em erro, a concorrerem para este mega desafio.

É verdade, nós acabamos por ao longo dos anos tornar o evento internacional.

Isso mostra também a competitividade.

Sim, eu aqui gostava de destacar duas coisas rápidas. Concorreram 42 empresas, depois nós selecionamos 20, depois ficaram 10 para a final, final shortlist, 10 empresas para competirem, para ganharem e para serem reconhecidas. E era aqui que eu queria ancorar o meu comentário, que é: compete-nos a nós, empresas líderes no mercado, criarmos condições para que startups PMEs, developers, empresas que estão a crescer, gestores, inovadores, empreendedores que decidiram fazer o seu caminho. Nós darmos palco, porque é difícil um crescimento no mercado nacional se nós, grandes empresas, não criarmos este espaço, este palco, para que elas possam mostrar o seu valor. Nós estamos muito atentos a este tipo de iniciativas, este tipo de empresas, porque é isto que faz com que depois estas mesmas empresas nos procurem, os clientes nos procurem, porque isto torna a empresa mais jovem, mais competitiva, mais ágil.

Dá uma bela imagem de Portugal também.

Exato, mais sustentável, com uma responsabilidade social que nós temos que ter. É isso que nós temos que fazer, dar espaço a quem apostou, a quem arriscou, a quem desenvolveu.

A quem tem ideias.

E depois nós integramos no nosso portfólio. E nós, grandes empresas, também ganhamos com isso. Tornamo-nos mais saudáveis, mais clean.

Mais frescos.

Mais abertos ao mercado, mais frescos. E depois, no final, é gratificante ver estas empresas a crescerem conosco, porque depois acabam por vender através de nós.

E como é que o 5G Challenge contribui para o posicionamento do MEO Empresas como parceiro estratégico das empresas na inovação e transformação digital?

Na verdade, é o corolário daquilo que eu acabei de dizer ao longo desta entrevista. Contribui porque nós fazemos inovação naquilo que é o nosso core business. Nós fibrámos Portugal, fomos inovadores em fibrar Portugal. Depois integrámos o 5G dentro de uma rede fibrada. Depois nós inovámos de uma forma transparente, que não é visível, mas que é sentida, que é nós inovámos quando colocámos tecnologia que sustenta a nossa rede em situações de crise, que é o tal investimento que eu falava que nós fazemos todos os anos de centenas de milhões de euros. Quando somos colocados à prova, como foi no dia 28, a nossa rede responde. Isso é uma inovação invisível que faz parte da nossa obrigação, enquanto líderes de mercado, desse mesmo investimento para nós sermos a empresa preferida pela confiança que as empresas nacionais nos depositam. De forma paralela, temos que construir aquilo que não desenvolvemos internamente, mas que o mercado precisa. E como eu dizia, tendo os setores de mercado todos estudados de acordo com aquilo que é o trend e aquilo que são as suas necessidades, este desafio, estes eventos acabam por complementar aquilo que é uma oferta estruturada. Nós já não somos uma empresa telco, nós somos aquilo que se chama uma empresa tecnológica, que tem serviços de A a Z e com as competências internas, com as certificações internas que permitem aos nossos clientes terem depois esse alias muito perto dos 100%, mesmo em situações de crise, e crescermos juntos, sermos competitivos juntos. E é por isso que Portugal é um dos países mais competitivos a nível de telecomunicações, é uma referência a nível europeu e também a nível mundial, e nós temos que nos orgulhar, MEO, de fazermos parte dessa mesma solução e desse caminho que foi traçado ao longo dos anos.

Nuno Nunes, muito obrigada.

De nada. Foi um gosto falar consigo.

Muito obrigada. Foi um gosto. Relembro então os vencedores. Foram a Meli Survey com o prêmio Sustentabilidade e Impacto Social. Em segundo lugar, com o prêmio de Melhor Solução de Origem Portuguesa, ficou a empresa Verbo e em primeiro lugar, com o prêmio de Inovação Tecnológica, a Hologram Messages for Academia. E fica por aqui mais uma edição de sucesso do 5G Challenge, com novas ideias no que toca à tecnologia e inovação e que nos deixa, no mínimo, com água na boca sobre o que nos aguarda o futuro. Até à próxima.