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Hello, como é que estamos? How are we? We's very good, we's in England, we's in London. How are you? You're good?

Top of the morning to you.

Yeah, you good?

I'm very good.

You good too, I'm good too, everybody good.

Yes.

Everybody listens good? Yes?

I hope.

Yes. Como é que estamos?

Eu estou bem, muito obrigado. E tu, como é que estás?

Estamos bem. Estou bem. Hoje trago uma curiosidade que, na verdade, tu já sabes.

Isto é para as pessoas, não é?

É para as pessoas. Ajuda a envolver as pessoas no que tem sido a nossa semana.

Exatamente, então dale.

Tu sabias que durante algum tempo, quando as pessoas faziam 100 anos no Japão, era-lhes oferecido um pratinho de prata e uma carta do governo?

"Olhe, muitos parabéns, o senhor neste momento é um grande imbecil à nossa Segurança Social, espero que se divirta". É o que diz a carta, não é?

Na altura, começou em 1963, quando o número de pessoas centenárias no Japão era de 153.

Ok.

Ora, em 2015, o governo veio dizer que já não tem dinheiro para dar tantos pratinhos a pessoas centenárias.

Que eram milhões em pratos de prata. Pratos de prata é um bocado complicado dizer.

Porque de repente há muitos centenários no Japão.

Agora é um balúrdio, é uma despesa para o governo.

E o governo disse: "Olha, isto foi bom enquanto deu, mas nós agora estamos a ficar muito pobrezinhos". Espero que não ouça o comboio, entretanto.

Pois, nós estamos a ficar num sítio aqui em Londres neste momento, por dinâmicas de organização de gestão de sítios para dormir. Estamos a ficar num sítio que é ao lado de uma linha de comboio e eu achei que ia ser impossível para mim dormir. E eles têm uns tampões, oferecem uns tampões. Tranquilíssimo.

Porque os comboios a certa altura da noite param. Só retomam às 06:00.

Mas ouve-se até muito tarde.

Então afinal foi tranquilo ou ouve-se até muito tarde?

Não, ouve-se até muito tarde, mas eu adormeci. Ou seja, eu conseguiria dormir ao lado de uma estação de comboios.

Tu consegues dormir de qualquer forma.

Estou habilitado a morar no Campo Grande.

Exatamente. Como é que estás, estás bem?

Eu estou bem. Estou cansado, porque me deitei muito tarde.

Já vamos lá.

Mas estou bem. E tu?

Também estou bem. Esta semana fomos a essa exposição sobre envelhecer. E achei muito interessante, é uma exposição que está cá em Londres. Se quiserem algum dia ir, ela vai estar até novembro e chama-se "Coming of Age" e é no Welcome Center, e fala como as diferentes culturas encaram a velhice. E a ideia de envelhecer, e a ideia de envelhecermos todos os dias um bocadinho e não ser só uma coisa que nos acontece quando já temos 80 anos. Achei lindíssima e gostava de deixar aqui como sugestão cultural para as pessoas que se vêm a Londres, se moram em Londres.

Acho que fazes muito bem e eu gostava de saber duas coisas: o que é que aprendeste na exposição sobre velhice e em que é que tu te notas mais velha.

Ok. Não foi que eu tivesse aprendido, mas fez-me pensar um bocadinho mais na velhice como esta ideia de todos os dias nós envelhecemos um bocadinho. E não ser uma coisa que eu tenho que estar ansiosa que vai chegar um dia, porque já está a chegar.

Sim, eu acho que as pessoas têm muito a ideia errada, na minha opinião, de "quando eu chegar aos 50 fico velho", como se fosse uma meta. Tu passas uma linha e agora és vencedor ou agora és velho. Percebes o que eu quero dizer?

Sim.

Quando é uma coisa que acontece todos os dias.

Havia lá um quadro muito giro de um autorretrato, uma autofotografia, uma selfie, no fundo, de uma fotógrafa que se fotografou com um único cabelo branco espetado. E achei muito engraçado, porque é mesmo um sinal de que estamos a envelhecer.

Sim.

Eu não sei se me noto muito velha em muitas coisas. Acho que tenho menos paciência para tudo em geral. Talvez isso seja um sinal de velhice, mas acho que fisicamente não noto ainda.

Não notas porque já eras velha antes, já tinhas hábitos de velha.

Não, estou até a dizer que às vezes há pessoas que já têm mais dor de costas ou que já não conseguem estar tanto tempo em pé, e eu continuo bem nesse sentido.

De andar a pé, subir escadas. O nosso padrão é esse, a nossa linha d'água da velhice.

Eu ainda consigo subir escadas, ainda consigo andar a pé.

Pronto, então está tudo bem.

Sem doer os joelhos, estamos bem. Ao contrário de ti.

O que é que tens?

Tu estás com uma cena qualquer nos joelhos.

Eu ontem senti que se passava alguma coisa com o meu joelho, mas ele não manda em mim.

Estás a ver, isso é atitude velha. Isso é atitude de "quem manda no meu corpo sou eu, vou estar com o joelho todo lixado, mas vou às compras".

Isto vem da pessoa quando eu a conheci, estava com 39° de febre, acordou no dia seguinte e disse-me assim: "Eu vou ao ginásio queimar isto".

"E não fiquei boa?"

Pronto, mas não é atitude de quem é que manda no meu corpo.

Mas não fiquei boa?

Ficaste boa.

Pronto.

Pronto. Eu senti alguma coisa no meu joelho, estava com uma impressão no joelho, mas como diz o meu fisioterapeuta do ombro, se não há dor nem há desconforto, é para usar.

É para usar.

E portanto, este joelho não manda em mim. E as escadas rolantes eu subi, em vez de estar paradinho à espera que chegasse lá cima, andei a pé, porque o joelho não manda em mim.

E ontem foste ser jovem.

Tecnicamente, eu não fui ser jovem.

Foste ser jovem. Jovem emo.

Fui ser jovem emo.

Foste ser triste.

Eu ontem fui ser millennial nostálgico.

Mas isso é ser jovem.

Tecnicamente, é ter saudades da altura em que eu era jovem. Não, eu fui ver o concerto de My Chemical Romance com os meus irmãos, aqui em Londres. O concerto é espetacular, diverti-me muito. Eu vou te dizer uma coisa, eu acho que tu te vais rir e vais relacionar-te com isto que eu vou dizer. Foi divertido ir a um concerto em que eu sei as letras.

Pois, Guilherme, eu calculei que sim. Calculei que fosse uma experiência muito diferente para ti de todos os outros concertos, que tu até conheces as músicas, mas não conheces as letras.

Ao ponto de Obviamente eu ouvi My Chemical Romance. O Black Parade, este concerto chama-se The Black Parade, e eles tocam o álbum todo do Black Parade de uma ponta à outra. As músicas todas, que é quase uma hora, depois fazem uma espécie de uma pausa com uma menina que vai tocar um violoncelo, trocam de palco e depois é um concerto normal em que a banda decide que hits é que toca e o que lhes apetece. Há alguns obrigatórios que eles tocam sempre, tipo I'm Not Okay e o Helena, mas depois o resto é pelo meio, eles dedicam umas músicas, tocam outras e depois o Gerard dizia assim: "Esta nós nunca tocamos, pois não? Não tocamos desde 2011" para o baterista.

Vamos ver então.

Então cantava outra vez, assim do género. Mas o concerto do Black Parade tem 20 e tal anos, portanto, tecnicamente, eu próprio me surpreendi de saber as letras.

Sim. Estava mesmo gravado na tua memória.

Completamente.

Agora tu sabes o que é-

Começam-me a sair as letras.

Agora tu sabes o que é ser Rita da Nova com todas as músicas. Com todas as músicas. Tenho ouvido duas vezes ao 20.

Pois eu acho isso fascinante, porque eu tenho muitos problemas com letras, como tu sabes.

Sim, o "Man! I Need You" da Olivia Dean, ela dizia: "I kinda like it when you call me".

On the phone.

On the phone.

Call me on the phone, quando me ligas. Eu gosto quando me ligas.

Em vez de ser call me wonderful.

Wonderful, wonderful, é igual.

Exato.

É muito parecido.

Então gostaste? Foi uma experiência catártica para ti de cantares aquelas músicas?

Foi. E como o Gerard Way, que é o criador da Umbrella Academy, por exemplo, os álbuns são sempre muito narrativos, aquilo tem uma história e o concerto todo é muito narrativo. Há um ditador, nós estamos a fazer um concerto numa ditadura de um ditador militar e ele está lá sentado numa cadeira a dizer adeus às pessoas. E depois começa uma guerra durante o concerto e começa tudo a arder e no fim já passa gente a arder. Há execuções públicas, há uns dissidentes que são apanhados e são executados lá.

Muito giro.

Ou seja, aquilo tem tudo uma história do princípio ao fim. E esse lado narrativo também é muito divertido. Eu achei o concerto absolutamente espetacular, diverti-me mesmo muito.

Os vossos lugares eram bons.

Os nossos lugares eram espetaculares. Eu queria agradecer à nossa-

Compradora oficial de bilhetes para concertos.

É isso. Tu és a nossa bilheteira oficial.

Exato. Sou a vossa Bol.

És a minha Bol. E foi excelente, porque os lugares eram bons, foi divertido. A malta toda que estava à nossa volta eram claramente millennials a relembrar a sua época de emo. Havia malta lá com camisetas a dizer: "I'm still emo". Ainda sou. Foi muito divertido. Eu gosto muito de My Chemical Romance e gosto muito do álbum do Black Parade. E foi um grande concerto.

Boa.

Foi um grande concerto. Eu gostei mais da primeira parte do que da segunda, porque em 10 músicas que eles tocam naquela segunda parte com hits da história deles, eu acho que conheço três músicas. Quatro, na melhor das hipóteses, porque me lembrava vagamente de uma.

Mas o Black Parade foi o teu álbum.

O Black Parade foi o meu álbum. Sendo que o Three Cheers for Sweet Revenge, já não me lembro do nome do álbum. Estás a ver?

Já não tens essa ligação.

Esse álbum eu também papei todo de uma ponta à outra. Mas foi muito divertido. Gostei muito do concerto, foi mesmo muito giro. Ir em concerto a irmãos é uma cena gira.

Ya.

Nunca tinha acontecido, porque ou vou contigo, ou vou com amigos, ou vamos ao live. Normalmente, é sempre assim uma cena de: "Olha, vamos todos àquele evento musical". Neste caso, sendo com irmãos, foi uma coisa gira, foi diferente.

Sabes que eu não te imagino emo em criança?

Eu não era emo. Eu sou a criança mais otimista e bem disposta do mundo.

É que eu era bué emo. Eu também ouvia My Chemical Romance, não iria agora ao concerto, já não tenho ligação. Mas é giro, porque houve uma altura que eu até andava sempre toda de preto. Os meus pais andavam: "Pára".

Foste mesmo emo.

Fui.

Eu nunca fui emo. Eu gostava de música emo.

Eu tive a minha fase punk e a minha fase emo. Punk, com muitas aspas. Punk Avril Lavigne, porque todas as meninas tiveram a sua fase punk Avril Lavigne.

Pois, por ser o skater boy. Andavas à procura do teu skater boy?

Sim. E andava com uns piquinhos no pescoço.

Que giro. Não te consigo imaginar nessa fase, eu adorava ver uma foto tua na tua fase punk.

Eu também penso que encontro, porque eu tenho umas fotos num disco externo, mas a maioria das fotos eu perdi todas. A ver se ainda encontro para te mostrar.

A tua fase punk e emo, usaste franjinha à frente dos olhos?

Não era bem franjinha, mas eu estava assim com o cabelo, tipo Samara.

Mas isso ainda é mais fixe.

Era bué dark.

Tinhas acabado de sair do poço? Do The Ring?

Sim. E uma vez lembro-me, era bué pequenina, e queria ver o The Ring com o meu pai. Que eu estava: "Pai, este filme é bué profundo sobre o terror". E o meu pai está o filme todo a rir, porque o filme é mau.

O americano, o japonês é que não se ia rir.

Está bem, mas o filme é mau e o meu pai a rir-se, eu fiquei ofendida.

O meu pai está a gozar.

O que é que estás a gozar com isto, pai? Isto é bué sério, se o telefone tocar, eu vou-me assustar.

O teu pai é gajo para fazer a brincadeira de ligar lá para casa para te assustar.

O meu pai fazia-me com cada uma. Olha, uma vez, vou só contar esta antes de avançarmos.

Não. Tu sabes que este podcast é nosso, nós fazemos o que quisermos neste podcast.

Eu estava na casa de banho e a nossa casa de banho saías, dava para um corredor à direita e para a cozinha à esquerda. E no corredor havia logo uma divisão ao lado que tinha umas escadinhas para o sótão.

Ok.

E o corredor estava todo escuro e a minha mãe estava na cozinha. Portanto, estava tudo escuro em casa, eu estava na casa de banho, a cozinha era à esquerda, minha mãe estava na cozinha a cozinhar e eu saí da casa de banho. Só que era daquelas casas de banho que o interruptor está fora da casa de banho e não dentro.

Ok.

E eu saio da casa de banho, meto a mão à minha direita no interruptor para desligar, convencida de que vou para a esquerda ter com a minha mãe, e o meu pai está na divisão imediatamente à direita, a que tem as escadas, escondida às escuras, para quando eu ponho a mão no interruptor, pôr a mãozinha dele em cima da minha.

Giro.

Eu estive 10 minutos sem falar.

De cagaço?

De cagaço.

Que idade é que tinhas?

Eu devia ter uns 14. Por aí.

Ok.

Já era mais velha.

Não, já é uma boa idade para se fazer umas partidas.

Sim, e o meu pai fazia-me imensas, mas pronto.

Nós estamos em Londres para ver o concerto, mas também para aproveitar a nossa sobrinha Alice. E a Alice Estou com muito orgulho de uma coisa que eu sinto que está a acontecer.

Então.

Eu acho que a Alice vai gostar de terror.

Ok.

Porque ela, quando brincamos às escondidas ou ao buu, que é nós tentarmos assustar-nos uns aos outros.

Ela adora.

Mas ela apanha sustos de se assustar mesmo. Tipo de tremer e de ficar sem ar. E adora.

E depois começa-se a rir.

Ela diverte-se.

Com a adrenalina, não é?

De se borrar toda. Depois fica assim a olhar, a tremer e é do género, ela está a adorar isto. É das minhas.

Se calhar ela vai gostar de terror.

É das minhas.

Ela é das tuas.

E eu acho que ela vai gostar de filmes de terror. Estou a sentir.

Estás contente com isso?

Estou muito contente com isso.

Olha, por acaso queria falar sobre termos vindo a Londres, porque aconteceu uma coisa no outro dia que eu acho que é digna de nota aqui no "Trepido Casado". Quem sabe outras pessoas se identificam, outros casais se identificam com isto, que é: estávamos à espera de embarcar para cá para Londres, eu estava sentadinha ao pé da porta de embarque e tu disseste: "Vou comprar um café". E vais longe, ainda longe, comprar um café.

Ok, não me lembro dessa história. O que vai acontecer?

Vais longe comprar um café e de repente eu ouço alguém a assoar-se. E pensei: "Oh pá, não, não pode ser ele, ele está tão longe, não pode ser ele". E de repente olho e lá ao fundo estás tu a acabar de limpar o nariz.

Ya.

Tu fazes um barulho que eu já reconheço à distância. Este é o meu.

O que tu achas de nós acabarmos este episódio comigo a assoar-me?

Adorava.

Eu posso fazer já.

Faz já.

Não vale a pena estarmos aqui a criar dinâmicas para o final do episódio.

Mas vai para o canto da sala assoar-se.

Eu vou aqui para o fundo.

Não, mas tens de ir para aquele lado, que é para estares mais perto ao meu. Exato. Pronto, ok. Ok, vai Guilherme. Dá-lhe.

Estás pronta?

Estou.

Estou aqui ao fundo.

Ok, vai.

Estou aqui ao fundo.

Pronto. Isto era o que se ouvia no terminal e o que eu reconheci à distância.

O primeiro que saiu foi um bocado buzina de barco.

Mas tu assoas ou com buzina de barco ou com elefante.

Buzina de barco ou elefante são as duas hipóteses?

Sim.

E tu reconheceste-me.

Não, eu ouvi e pensei: "pá, não é possível, não é possível, não pode ser ele". E olho e estás tu a acabar de limpar o narizinho. Eu: "pá, eu não acredito".

Pois.

É ele, é esta distância, eu ouvi-o.

Portanto, eu não quero estragar o meu solo. Não quero estragar o meu solo de stand-up, que ainda tem bilhetes à venda e as pessoas podem ir à Ticketline comprar e faltam só cinco datas, incluindo a data que eu vou gravar em Lisboa. Eu gostava muito que as pessoas viessem em outubro. Mas tu consegues me reconhecer. Eu vou listar. Consegues me reconhecer pelo som do meu assoar, pelo cheiro dos meus peidos em sítios públicos, tu reconheces quando é meu. Mais.

Acho que assim de repente não me lembro de mais.

É que será isto.

Consigo saber quando é que és tu a chegar a casa por causa da porta da garagem. Consigo saber quando é que és tu.

Pela maneira como eu fecho a porta da garagem. Mas isso de facto é mais da convivência.

Pois.

Especificamente. Agora, som de assoar.

Também é de convivência.

Também é da convivência, sim. Porque na verdade, nós até cagámos neste podcast. Este podcast é sobre o nosso casamento, é sobre relações e é sobre o nosso casamento. E nós cagámos para o facto de termos feito oito anos de casados.

Olha, pois é. Olha.

Eu fico desiludido com o que se passa neste podcast, às vezes.

É que já é tão normal. Mais um dia a virar frango nesta relação. Mas oito anos.

Oito anos. Nós estamos casados há oito anos, estamos juntos há 11.

É muito tempo.

É muito tempo.

É muito tempo. E eu vou dizer-te aqui, eu quero, quando fizermos 10 anos, já disse isto, mas vou repetir, quero quando fizermos 10 anos, fazer uma festa de 10 anos de casados.

Tem que ser ganda festa.

Tem que ser ganda festão. Ainda por cima calha a um sábado.

Pois é.

Calha a um sábado.

Exatamente. A nossa data de casamento calha a um sábado e vamos fazer um festão, mas é daqui a dois, portanto, é 2028.

Não, temos tempo para preparar. Agora é assim, agora as nossas irmãs vão casar para o ano, não uma com a outra, com os seus respetivos.

Ei, isso era espetacular.

Era incrível que as nossas irmãs casaram.

E não era ilegal, tecnicamente elas podiam se apaixonar à vontade.

Sim. As minhas irmãs. As nossas irmãs vão casar para o ano. Assim que elas casarem, a gente começa a planear a nossa festa de 10 anos.

Para mim está excelente.

Só para também não...

Para não pisar.

Claro.

Como se fosse uma coisa que fosse pisar na outra, mas tudo bem.

Não, mas as noivas ficam sempre sensiveizinhas.

Pois é, as noivas têm que ser o centro das atenções. Ai, com a sua noiva.

Mas gosto muito de ser casada contigo.

Eu também gosto.

Fica aqui uma nota, pronto. Gosto muito de ser casada contigo, gosto muito de fazer este podcast. Tens alguma coisa mais para dizer ou podemos ir para o email?

Eu tenho mais uma coisa para dizer sobre o facto de termos casado. Eu gostava que tu contasses a história do meu irmão, porque é uma história que aconteceu na lua de mel.

Ah!

E que mostra como é que o meu irmão funciona já há oito anos, sendo que já só há Alice há três. Ou seja, isto está a acontecer cinco anos antes de sequer existir ideia de Alice ou Alice. Mas eu gostava que tu contasses a história do que aconteceu com o meu irmão.

Na nossa lua de mel.

Na nossa lua de mel, por favor.

Então, nós casámos e fomos de lua de mel para Madagascar. Já fizemos aqui um episódio sobre o nosso casamento, podem ir ouvir, acho que falámos sobre isso.

Chama-se mesmo sobre o nosso casamento.

Exatamente. Fomos para Madagascar, aterrámos na capital e fomos logo para o meio do mato. Nós fizemos uma semana a explorar o mato.

Floresta tropical, a ver lêmures que são endémicos. O nosso objetivo era andar com lama até o joelho, a dormir em cabanas. Andámos com um grupo de lésbicas do norte da Europa, moravam todas umas com as outras, velhinhas, tinham todas 60, 70.

Incríveis.

E andámos no meio da floresta, no mato, a comer espetadas e a dormir em bangalôs.

Ora o que é que acontece? Nos primeiros dias nós fomos mesmo dormir para o meio da floresta, como o Gui estava a dizer. Para isso, nós precisámos de ir primeiro para um alojamento, deixar lá as nossas coisas e com esses senhores do alojamento, apanharmos Transporte para ir para o meio do mato, para fazer uma tour no meio do mato.

Exatamente.

Nós deixámos as nossas coisas no primeiro alojamento.

Exatamente.

Quando chegamos, eu tirei uma foto à zona de fora, a uma espécie de piscina que por acaso até nem estava utilizada.

Nós até chamávamos aquilo de tanque, porque aquilo parece mais um tanque do que uma piscina.

Tirei uma foto e pus no Instagram. Quando partilharmos este episódio, eu posso partilhar a foto do tanque. E quando vamos para o meio do mato, nós não tínhamos rede.

Claro que não, estamos no meio de uma floresta, no meio de uma ilha.

Nós não tínhamos rede, portanto, nós não pusemos nada nas redes durante esse tempo que estivemos fora.

Pois, claro.

Quando regressamos ao primeiro alojamento.

Quatro dias depois.

Sim, quatro ou cinco dias depois.

Nós até morcegos no quarto tivemos.

É verdade.

Eu espero que as pessoas tenham noção disso.

A senhora que batia palmas.

Pois é, à noite. Eu não sei se vocês nunca dormiram com morcegos, mas os morcegos a bater as asas fazem uma espécie de palminhas. Então eu e a Rita estávamos na nossa lua de mel deitados na cama e a noite toda ouvíamos palminhas.

Chegamos ao alojamento e a senhora diz: "Olha, o vosso irmão ligou para cá". E nós?

Nós olhámos um para o outro.

O nosso irmão?

Irmão? É que a Rita tem imensos, podia ser um qualquer.

O nosso irmão?

Eu pensei mesmo que tinha acontecido alguma coisa.

"Ele pediu para vocês ligarem". E nós: "Ok". Depois foi logo, nós chegamos e a senhora a vender conosco, tipo em pânico. "Ele pediu para vocês ligarem". E nós: "Ok". Vamos ao telemóvel, ao WhatsApp e tínhamos montes de mensagens do Henrique em pânico no nosso grupo da família a dizer: "O que é que se passou? Onde é que estão? Por que não respondem? O que é que aconteceu? Vou encontrar o sítio onde eles estão a dormir". E às tantas a vossa mãe até a dizer: "Calma, está tudo bem". E ele: "Não, eu vou encontrar o sítio. Já encontrei o sítio". Porque nós não partilhamos o itinerário, por acaso devíamos ter partilhado. "Já encontrei o sítio, já liga para lá, estão no meio do mato, está tudo bem"

Não, mas atenção, o meu irmão

Ele com a minha foto do tanque, foi ao Google tentar procurar alojamentos em Madagáscar, uma ilha inteira, atenção, com aquele tanque, ligou para o tanque, falou francês, que ele nem fala francês.

Pois, aquilo foi um esforço para ele. "Bonjour, mon frère a disparu."

Para saber se nós estávamos bem.

E se aquele era o hotel onde nós estávamos, e por acaso foi logo o primeiro que ele ligou, porque imagina ele ter ligado para sete.

Pronto. E assim foi que ele entrou em pânico. Nós tínhamos desaparecido e nós estávamos no meio do mato a ver lémures.

Foi muito giro. Boa história, boa dedicação do meu irmão, provou que estava pronto para ter uma Alice, e agora já tem uma Alice. E foi giro. Antes de irmos em mais, eu gostava só de trazer mais um tema aqui.

Tu estás muito matemático hoje.

Eu estou muito matemático. O que é que se passa? O nosso médico oficial continua vivo e está disponível, e ele até mandou-me um e-mail que nós não tivemos bem tempo para ler aqui, mas foi sobre eu pôr demasiado vinagre na comida, que aparentemente está ok. Pronto, então paras de me chatear. Obrigado ao médico oficial.

E sobre a minha H. pylori.

Exatamente, a dizer coisas à Rita sobre o bicho da barriga dela, que ainda não temos desenvolvimentos disso, mais para a frente falaremos. Mas pronto, o nosso médico oficial continua atentíssimo aos nossos episódios e basicamente a dar-nos factos médicos para sustentar a javardice que nós dizemos aqui. Pronto. E portanto, não tem mal nenhum pôr a quantidade de vinagre balsâmico que eu ponho. Portanto, Rita, parou de controlar o que as pessoas comem. E segundo, H. pylori. Pronto, o que é que se passa?

Mas ele diz até uma a duas colheres de sopa por dia, ok?

Pronto, eu ponho as colheres de hoje e de amanhã no almoço de hoje.

Pões da semana toda.

Mas o que eu ia dizer? Eu queria fazer um pedido específico ao médico oficial do "Terapia de Casal". Como é que ele se chama? Ele tem um nome.

Miguel.

Miguel. Queria fazer um pedido específico ao Miguel, ao nosso médico oficial do "Terapia de Casal".

Ele assina sempre os e-mails com "Médico de família do Terapia de Casal, digitado no episódio 166". É muito engraçado.

Excelente, está quase a fazer 100 episódios que ele é o nosso médico oficial. Miguel, és o maior, muito obrigado. Eu gosto desta comunidade que nós também criamos com este podcast, mas tu disseste no outro dia uma frase que eu não quero nem ChatGPT, que ChatGPT é merda, eu odeio ChatGPT. Aliás, até tínhamos aquele print espetacular do que o ChatGPT acha que somos nós os dois.

Sim, foi uma menina do Livratt que foi pôr, porque havia uma discussão entre ela e o namorado. O namorado dizia que tu eras mais famoso e ela dizia que eu era mais famosa. E então foram os dois para o ChatGPT.

Mas isso é espetacular. É uma boa discussão.

Foram os dois para o ChatGPT perguntar isso. E às tantas o ChatGPT diz coisas como, espera aí que eu vou buscar. Diz que a Alice é nossa filha, que nasceu em 2024, quando ela nasceu em 2023.

Exato, desde 2024, Rita Da Nova e Guilherme Fonseca têm uma filha chamada Alice.

De que falam muito no seu podcast.

Como é que as pessoas usam o ChatGPT? Para mim é inacreditável.

Elas perguntaram: "Eles casaram quando?" O Guilherme Fonseca e a Rita Da Nova casaram-se em 2021.

Mentira.

Mentira.

Estamos a celebrar agora oito anos.

Numa entrevista publicada em fevereiro de 2022, já se referiam um ao outro como marido e mulher.

Pois já, porque já éramos casados.

E contaram que a pandemia teve influência na decisão de casar.

Mentira, não teve qualquer influência, porque já éramos casados.

Eles mantêm muitos detalhes da vida privada reservados, por isso não divulgaram publicamente a data exata do casamento.

Mentira.

Mentira, 8 de julho de 2018.

Foi 8 de julho de 2018, nós temos um post no Facebook. Como é que o ChatGPT inventa para agradar às pessoas?

Pelo que é conhecido, sabe-se apenas que aconteceu em 2021.

Mentira.

Entretanto, em 2024 Nasceu a primeira filha do casal, a Alice.

Exatamente.

Que é frequentemente mencionada no podcast "Terapia de Casal".

Atenção que as pessoas estão a usar isto para trabalhar e para acabar a escola.

Obrigada à Sofia por ter mandado isso. Sofia Belchiorim.

Estão a usar esta merda. Mas pronto, eu não vou entrar por aqui, porque eu estou a começar a ficar com uma energia negativa muito grande em relação ao ChatGPT.

Nós não queremos energias negativas aqui hoje.

De todo. O que eu ia dizer? Queria pedir ao médico oficial do "Terapia de Casal", porque ele já percebeu que eu não vou usar o ChatGPT, e bem, e não vou usar o Google, porque tem mais graça nós termos um profissional dedicado ao nosso podcast.

Eu acho que nós já falámos disto aqui.

Eu acho que não.

Eu tenho a sensação que já falámos.

Se eu não me lembro, o ouvinte normal também não se vai lembrar.

Pois, mas tu não és uma pessoa normal, Guilherme, na tua memória, mas ok.

Rita, eu gostava que tu repetisses a frase que tu disseste diretamente, em viva voz e em voz alta ao teu marido, e que eu preciso de confirmação oficial, quero um diagnóstico oficial do nosso médico Miguel.

Eu acho que as canelas não bronzeiam tão depressa como o resto do corpo. Desculpem. Tenho o resto do corpo moreno e as canelas brancas. E elas estão ao sol.

Apanham sol como o resto do corpo.

Apanham sol como o resto do corpo, eu não percebo. Eu acho que em tempos já fui investigar.

Eu acho que é isso. Eu acho que já fizeste investigação própria.

Eu acho que tem que ver com a densidade da pele ou com a espessura da pele naquela zona, que é mais fininha. Não sei se é isso, mas sei que tem que ver qualquer coisa do gênero. Mas é verdade, eu acho que toda a gente se vai identificar que as canelas ficam brancas até o fim do verão.

As minhas canelas estão da cor-

Não estão nada, Guilherme. Olha as minhas.

Mas repara.

Olha o pé. O pé já fica moreno.

Eu vou ser muito honesto. Eu acho que há qualquer coisa aí. Eu não sei, porque eu preciso de um médico oficial.

Mostra a tua canela.

Mas no teu caso, a tua canela está-

A da minha irmã também

...branca, mas a tua canela é branca mesmo de branca, que parece que nunca saíste de casa este ano.

A da minha irmã também. Como é que eu estou com esta cor de camionista nos braços?

Mas os braços estão excelentes, estás com uma corzinha.

Eu tenho andado de saias e de calções.

Não consigo perceber.

Não justifica.

O médico oficial do Terapia de Casal.

Mostra a tua canela. Espera aí, eu vou me levantar só para ele ver.

Anda cá. A minha canela está da mesma cor do que é normal.

Não, mas estás a ver que aqui está mais moreno.

Está bem, mas o joelho, a pele condensa aqui. Se tu esticares a perna, a pele do joelho junta, fica mais escura.

E além disso, então por que a minha canela não bronzeia, mas a do Gui bronzeia?

Pois, e eu tenho uma penugem. Eu nas pernas tenho um pelo à frente.

Eu não tenho nada.

Pois, olha, eu não sei. Eu gostava de saber qual é a resposta oficial, se há uma resposta médica ou se é só a tua canela que é inglesa e que vai ficar branca.

Pronto.

E não vai bronzear.

É cinnamon.

Exatamente. É isso mesmo. Olha, vamos a e-mails?

Vamos.

Então bora.

Vamos começar com um e-mail de: "a minha vida amorosa tem um stalker".

Ok, sim, senhora. Então espera que eu vou te-

Eu posso ler daqui se quiseres.

Então lê daí.

Não é uma stalker, desculpa, é uma fã demasiado dedicada. Stalker já estava eu a ver a CMTV.

Não, tu já estavas a entrar-

No nome que lhe demos, que é Baby Reindeer.

Exatamente.

Para quem viu, já sabe o que isto significa. "Bom dia, caros terapeutas. Antes de mais, queria pedir-vos anonimato e dizer-vos que costumam ser a minha companhia enquanto faço as lides domésticas. Há cerca de dois anos"-

Então vá, aspira isso como deve ser. Aspira esse canto. Não.

Aspirar não deve estar a aspirar, senão não consegue ouvir, está a limpar o pó.

Tu vais afastar esse móvel, porque não sabes o que tem atrás. Não vai ser preguiçosa e não vais limpar só à volta do móvel. Vá.

"Há cerca de dois anos dava-me bem com uma amiga, a Marta, e saíamos frequentemente juntas. Numa noite em que ela saiu sem mim, conheceu um grupo de pessoas que algum tempo mais tarde também conheci. Inclusive, eu comecei a namorar com um dos rapazes desse grupo, o Terry. A Marta acompanhou desde o início a minha aproximação ao Terry até o momento em que começamos a namorar. No entanto, já durante o namoro, teve alguns comportamentos que me deixaram desconfortável. Descobri isso mais tarde, quando numa conversa com o Terry, percebi que ela agia comigo como se gostasse de nos ver juntos, mas comportava-se com ele de uma forma totalmente diferente".

Como assim?

"Foi então que ele me contou que ela me criticava bastante em algumas das conversas que tinham. Fiquei chocada. Como eram amigos, tinham o hábito de falar por mensagens e ele mostrou-me algumas dessas conversas, nas quais ela dizia coisas como criticar o fato de ele me ter dado uma chave de casa dizendo que eu não a merecia, chamar-me uma miúda mimada, dizer que começava a concordar com um amigo dela, que antes de o Terry namorar comigo, dizia que ela ficava bem com ele, mas que já agora não dava porque ele estava comigo. Mandar mensagens ao Terry a dizer que me ia perguntar se ela podia pedir-lhe boleia apenas para ver qual seria a minha reação. Provavelmente, ver se eu fazia alguma cena de ciúmes para lhe contar. Fiquei chocada porque não estava à espera de ouvir aquilo vindo de uma pessoa que eu considerava amiga. Falei com o Terry e disse-lhe que não me sentia confortável com aquele tipo de comentários feitos nas minhas costas e que ele não devia alimentar essas conversas, porque me parecia que ela apenas queria criticar-me e criar uma imagem negativa de mim perante ele. Ele compreendeu o meu ponto de vista e decidiu impor limites a esse tipo de comentários".

E bem, sim, senhora.

"Depois de toda essa situação, ela decidiu no dia seguinte enviar-lhe um reel com uma piada sobre os homens terem sempre de dar razão às mulheres. Ele respondeu com um emoji a rir, ao que ela respondeu: "Agora apaga estas mensagens para não teres problemas".

Ou seja, ele chibou-se.

Ao que ele respondeu: "Marta, menos".

Ya.

"Voltei a falar com ela e expliquei-lhe que apenas queria sentir-me respeitada por alguém que dizia ser minha amiga. A resposta dela foi: faça-te à vontade e deixe de falar com ele. No entanto, eu nunca lhe pedi que deixasse de falar com ele, apenas lhe pedi respeito e que os temas de conversa não fossem criticar-me".

Exatamente.

"Uma semana depois, eu já me tinha afastado dela e o meu namorado também. Foi então que num dia em que estávamos em casa, recebi uma mensagem de uma amiga a dizer que estava no carro com a Marta e outra amiga e que elas queriam passar pela casa do Terry para ver se o meu carro estava lá. Pouco depois ela passou efetivamente pela rua. O Terry não gostou da situação e enviou-lhe uma mensagem a dizer que não fazia sentido andar a passar à frente da casa dele para verificar quem lá estava. Ela respondeu que eu devia estar a fazer filmes outra vez e que já me tinha feito a vontade ao deixar de falar com ele. A minha grande questão é: estarei realmente a fazer filmes e a ser insegura ou os comportamentos dela demonstram uma falta de respeito pelos meus limites e pela nossa amizade? Desculpem o tamanho do e-mail, tentei resumir ao máximo. Aguardo ansiosamente as vossas respostas, caros terapeutas".

Atenção.

Esta gaja é louca. A Marta é absolutamente louca. E a Marta está apaixonada pelo Terry. É o que eu tenho a dizer.

Eu concordo com tudo o que a Rita disse e no tom que a Rita disse. É espetacular como a Baby Reindeer está a ser super correta, calma e pensativa, e está a dizer: "Eu não disse para vocês deixarem de falar, eu só não gosto que digam mal das minhas costas".

Imagina que uma amiga minha, a Márcia, ia mandar-te uma mensagem a dizer: "Tu não devias ter dado uma chave da tua casa à Rita".

Não, ia dizer: "Eu até achei que vocês iam ficar bem, mas a Rita fica muito mal contigo".

"E também já disse a uma amiga que tu ficavas melhor comigo, mas pronto, agora já estás com a Rita".

Atenção, vamos por partes. Primeiro, eu acho que o Terry se tem portado bastante bem.

É um homem às direitas.

Às direitas. Só há aí uma coisa que eu não percebo muito bem, que foi dizer à outra menina, à Marta.

Não, eu acho que o que ele disse foi: "Estas conversas não estão a fazer sentido. Realmente, conversei com a Baby Reindeer, não nos sentimos confortáveis com estas conversas".

Ya.

Acho justo.

Certo. Mas depois a outra começa a mandar boquinhas e não sei o quê. Agora, a outra rapariga não é amiga, está a tentar boicotar a relação, claramente tem sentimentos e queria ser ela a ter qualquer coisa com o teu namorado, e não é. Eu acho que essa pessoa é para cortar da tua vida.

Eu também acho que sim.

É para cortar. Essa pessoa não está a trazer nada positivo.

E vai para a porta de casa dele ver se a namorada dele está lá.

Atenção, isso é completamente louco. Essa pessoa não é só uma pessoa que está descontente com a tua relação, é uma pessoa com distúrbio.

Ya.

Essa pessoa não é fixe.

Não é.

E essa pessoa é para cortar imediatamente da tua vida, porque tu já tentaste falar com ela ponderadamente várias vezes, já tentaste com calma, com cabeça e com palavras, que ela deixasse de ter a atitude que tem e de ter a maluquice que tem, e tu não consegues porque ela é maluca.

Isto é absolutamente assustador.

Essa pessoa roça o doido.

Eu vou te confessar uma coisa. Eu só tinha lido o e-mail por alto, não tinha lido as coisas que ela tinha feito. E quando chamámos a Baby Reindeer, eu pensei: "Que exagero". Porque a Marta no Baby Reindeer é muito louca. Que exagero, coitada. Mas agora estou tipo: "Acertámos".

Completamente. Passar na casa do rapaz. E ainda bem que o Terry disse logo: "Olha, mas está tudo bem".

"Estás a passar?"

"Estão todos a passar na minha casa." Eu acho isso fixe. Acho que o Terry tem estado bem. Acho que a Baby Reindeer tem rapidamente de cortar com a Marta da vida dela. Aliás, como o próprio Baby Reindeer, não sei se é vida ou série, mas aquilo tem de acabar.

Tem de acabar.

Mas mesmo, porque isso não é positivo de forma alguma. E é a mesma coisa que eu digo sempre neste podcast. Não é porque vocês são amigos há muito tempo ou há bastante tempo, que as amizades têm que ficar. As amizades também acabam como as relações. As pessoas podem ficar malucas, podem ser más para vocês, e vocês não têm que manter uma relação de amizade só porque a pessoa faz parte do vosso grupo de amigos ou porque já são amigos há muito tempo. Há pessoas tóxicas na vossa vida que não interessa se são amigos ou não. Cortem com essas pessoas.

Bye.

E isto é completamente louco. Esta pessoa é maluca dos cornos.

Eu adorei este e-mail. Eu não estava à espera das camadas. Eu estava a ler, estava tipo: "What?" Adorei.

Foi um bom e-mail.

Vamos a mais um?

Vamos a mais um. Então deixa-me ler o outro. Como é que se chama o outro?

O outro chama-se Concerto de Sonho ou Frete por Amor. Já que estamos na época de concertos, já que estamos na época de festivais de verão.

Exatamente. E eu que não fui ao Alive ver Buraka.

Era à 01:00 a.m.

O concerto foi à 01:00 a.m.?

Buraka era à 01:00 a.m.

Olha, My Chemical Romance, sabes a que horas é que foi? Às 20:15 h.

01:00 a.m. estavas tu quietinho na cama.

Não, infelizmente não estava, por causa de comboios, mas sim.

Estavas a chegar a casa, é o que interessa.

Concertos de Sonho ou Frete por Amor.

Chamámos de Alive.

Alive. "Olá, Rita e Guilherme, adoro o vosso podcast e sempre vos quis escrever, mas só agora surgiu o dilema certo para o vosso tão prezado consultório". Bem-vinda Alive. Sente-se, conte o que é que se passa consigo. "Eu e o meu namorado temos uma dinâmica um bocadinho diferente da maioria dos casais. Não fazemos fretes. Se não nos apetece ir a alguma coisa do outro, não vamos. E isto sempre funcionou bastante bem. O problema é que vai haver um concerto de um dos meus artistas favoritos. Eu nem sou pessoa de ir a concertos, só vou quando faz mesmo sentido. Ele sabe que isto é a realização de um sonho". Desculpem, tive que arrotar um bocadinho na boca. Já te aconteceu na terapia arrotar um bocadinho na boca?

Não.

Tem-me acontecido, porque como eu acordo, tomo pequeno almoço e vou para a terapia, são as primeiras coisas que eu estou a dizer no dia e às vezes arroto um bocadinho na boca, tenho que pedir desculpa.

Não. Desculpa, não partilho dessa experiência.

"Quando os bilhetes saíram, ele ajudou-me a procurá-los. Antes de os comprar, liguei-lhe a dizer que ia comprar dois. Ele respondeu "ok" e eu assumi, talvez erradamente, que íamos os dois. Agora, com o concerto à porta, decidiu que não quer ir porque não quer gastar dinheiro. O concerto implica tirar uns dias de férias, fazer uma viagem longa e, muito provavelmente, dormir fora. Eu nem sequer tenho outra pessoa com quem ir e mesmo que tivesse, a verdade é que queria mesmo viver este momento com ele, ao ponto de já lhe ter dito que pagava tudo. O que mais me custa é que ele sabe perfeitamente o quanto isto significa para mim e mesmo assim, isso não parece ser suficiente para querer fazer esse esforço. O meu problema é que nem sequer consigo usar o clássico argumento de eu também faço coisas por ti, porque ele nunca faz questão que eu vá aos programas dele, portanto, não há uma moeda de troca que eu possa usar. Digam, vale a pena tentar convencê-lo de que este é um daqueles momentos em que se faz um frete por amor? E se sim Como? Ou se ele não quer ir, devo aceitar que a nossa relação funciona assim e deixar de esperar este tipo de gestos? E a pergunta que mais me atormenta: será que insistir é injusto ou desistir é resignar-me a uma relação onde nos momentos mais importantes para mim, estou sozinha? Um beijinho e obrigado por decidirem se estou a fazer um filme ou se isto é mesmo material para terapia". E depois mandou fotos.

Da gatinha dela e é muito fofa, já viste?

Rita.

Olha ela a ver televisão. Já viste?

Rita, foca-se no e-mail. É muito fofinha, está deitada.

Olha, está aqui.

A gata é muito querida, mas agora vamos responder ao e-mail, Rita.

Eu quero roubar esta gata. Olha, estava aqui a tentar pensar. Acompanha-me. Eu acho que em relações duradouras e longas.

E mesmo curtas, também vou dizer. Mas continua.

Sim, mas em boas relações, em relações que queremos que durem, sejam de amizade, sejam familiares, sejam de amor, tem de haver um nível de frete que nós fazemos pelos outros.

Sem dúvida nenhuma.

Porque eu sinto que estar lá para as pessoas, às vezes é mais importante do que não querermos ir.

Sim, senhor.

E por isso é que eu acho que talvez esta base da relação deles ser "nunca fazemos fretes um pelo outro", talvez esteja errada. E acho que a nossa Alive está a perceber, agora com um exemplo concreto, com uma situação concreta da vida dela, que se calhar não faz sentido nunca fazerem fretes um pelo outro.

Sim.

Percebes o que eu estou a dizer?

Sim. Go. Tu ainda tens coisas para dizer.

Tenho coisas para dizer. Ou seja, é muito interessante, é muito engraçado nós dizermos: "Na minha relação eu não faço fretes. O meu namorado faz as coisas dele, eu faço as minhas, se ele não quer ir, não vai, se eu não quero ir, não vou". Mas é em momentos destes, em que é realmente importante para uma pessoa que a outra acompanhe, que a porca torce o rabo. E que a base da relação talvez não esteja correta. Acho que este é um momento, mais do que ser uma questão só deste concerto em concreto, acho que é o momento em que eles têm de reavaliar um bocadinho se a base da relação está certa e ajustar se assim quiserem. Porque não quero dizer com isto que agora o meu tenha de ir com a Alive a tudo.

Ela é um concerto, mas ele é uma sala de espetáculos.

Também há o meu Marés Vivas.

Ok.

E o meu Calorama. Desculpa.

Não.

Não quer dizer que agora eles tenham de passar a ir a todas as coisas um do outro, mas se calhar têm de olhar para a "regra deles", com aspas, que é não fazermos nunca fretes um pelo outro, e pensar: há situações em que nós queremos fazer fretes um para o outro? E se sim, quais são?

Pois. Eu concordo com o que tu disseste. Eu só não acho que a base da relação esteja errada. Se eles concordaram desde muito cedo que para estarem um com o outro não queriam fazer fretes, eu não vejo problema nenhum nisso. Eu não acho que isso esteja errado. A questão é-

Está errado a partir do momento em que eles chegam a este momento e afinal há momentos em que ela quer.

É importante para ela que ele vá. E se para ele é um frete e para ela é importante, há uma quebra na maneira como eles estão a olhar os dois para a mesma coisa. E se há uma quebra na maneira como eles estão os dois a olhar para a mesma coisa, há uma diferença na maneira como eles estão a ver a relação. E é preciso um reajuste, exatamente como tu disseste. Portanto, eu percebo que eles tenham começado a relação numa de: "Olha, eu nunca vou fazer o que não me apetece e tu não fazes o que apetece e assim nós somos os dois honestos e felizes um com o outro". Certo. Mas aqui há uma alteração disso, que é, ela foi ter com ele e disse assim: "É importante para mim este concerto e eu gostava muito que tu viesses, porque é importante para mim. Eu não vou por causa do dinheiro". Válido. E ela diz: "Eu pago". E mesmo assim ele diz: "É um frete, eu não quero ir". Aqui é um namorado que não está a ver o que é importante para a namorada.

Pois.

Aqui, neste momento, não é fazer frete, deixar de fazer frete. Aqui é importante para mim, porque imagina que ela parte um pé e que vai ao hospital, e vai para as urgências e diz: "Vem ter comigo, porque eu quero a tua companhia aqui". E ele diz: "Isso é um frete, não me apetece. Diz-me depois o que aconteceu com o teu pé". A conversa seria: "Não, mas eles concordaram desde o início que não faziam fretes um pelo outro". Certo. Mas não era importante ir ao hospital tarde?

Por isso é que eu digo que a base está errada, só no sentido em que não pode ser tão extrema.

Certo. Quando há coisas que são importantes para a outra pessoa, eu acho que é preciso reavaliar. E este namorado está a ser intransigível e não está a reavaliar.

Intransigente, acho eu.

Intransigível, intransigente, por acaso eu acho que se diz as duas maneiras. Eu por acaso acho que se diz as duas maneiras, mas a minha mulher vai ali agora corrigir, porque é possível que eu esteja errado. Ele está a ser intransigente, e eu acho que ele aqui tem que ter um bocadinho mais de latitude. Portanto, para responder à Alive, não, eu acho que tu não estás a fazer filmes da tua cabeça.

Olha, intransigível significa algo que não permite transigências.

Estás a ver?

Olha.

A escritora a aprender a escrever com o seu marido palhacinho. Já viste? terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar os vossos e-mails, que eu vou ler corretamente e analisar corretamente, porque eu sei falar português.

Intransigível.

Ficas a saber que também se diz intransigível. Intransigente e intransigível. Valem os dois.

Então até para a semana, Lobo Antunes.