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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está Rita Tanova. É escritora, é mulher e é uma pessoa que se apercebeu de um facto importante sobre si própria nos últimos dias. Estivemos na Madeira, estivemos a apanhar sol, estivemos a mergulhar e a certa altura Rita apercebeu-se que não sabe para que é que tem aplicações que lhe dizem o dia em que está do ciclo do seu período, se ela chora pelos TikToks.
Exatamente. Para quê? Para quê saber que o período está a vir se eu abro o TikTok e automaticamente solto lágrimas?
Exatamente. A cena é: para que eu tenho apps que controlam o ciclo do meu período, se eu sei pelo choro no TikTok.
Eu sei. Ele está a vir porque eu comecei a chorar com coisas estúpidas no TikTok.
Então descreve-me o ciclo do teu período de acordo com a quantidade de choro que tu tens no TikTok.
Ok. O ciclo menstrual começa no primeiro dia da menstruação.
Exatamente.
Choro com algumas coisas que são mesmo para chorar.
Imagina aquele TikTok do pai a ver a filha no seu próprio casamento.
Não.
Estás a chorar aí.
Estou a chorar.
Ok.
Os normais eu choro.
É o pai assim numa janela a olhar lá para fora para a filha no seu próprio casamento.
Exatamente.
Ok, estás a chorar.
Depois.
A segunda fase do período.
Segunda fase. Eu acho que é a fase folicular, se não me engano. Agora não tenho aqui a minha tabela.
Não, folicular é uma espécie de um elétrico.
Eu acho que é a fase folicular e depois é a fase da ovulação, mas espera aí.
Mas tu não sabes como é que funciona. Quer dizer, as mulheres não sabem como é que funciona o seu próprio período e depois querem que os homens saibam. Isto é um pouca vergonha.
Fase folicular, exatamente. Acabei de dizer. Portanto, menstruação. A menstruação já não é a fase mais chata, quando já estou a sangrar.
Mas choras, não é?
Choro.
Mas choras com o óbvio, não choras por tudo e por nada.
Sim.
Ok. A folicular é o quê?
Depois, na fase folicular, estou ok, já não estou a chorar tanto. Mesmo esses já não me emocionam assim tanto.
Ok. Mais racional, com uma maior distância, ok.
A ovulação, que é o pico da felicidade.
Ai, da felicidade.
E é o pico do "estou prontíssima para que me façam um filho". É esse pico.
Ok, então é a fase em que tu não choras, mas ris-te com parvoíce.
Tudo tem graça.
Tudo tem graça.
Tudo é giro.
Tudo é giro. Ok, incluindo o teu próprio marido.
Exatamente.
Ok.
Tudo é giro. Depois, começo a entrar na fase lútea. Para baixão.
E aí, chorar por tudo e por nada.
Para baixão.
Olha, está aqui um senhor a tirar fotografias no meio da natureza.
Para baixão.
E veio uma raposa bebé encostar-se.
Para baixão.
Pronto, chorar.
Tudo chora.
Chorar.
Choro com tudo, pronto.
Ok.
Que é o que precede, portanto, a fase da menstruação.
Ok. Pronto, mas isso é engraçado, tu saberes, tu controlares o ponto em que estás do teu período, pela maneira como choras com TikToks. Isso é muito giro.
Sendo que no início da fase lútea é mais tristeza, mas é assim, mais tristeza e irritação.
Ok.
Que é tipo, tudo me irrita.
Ok.
Passo os TikToks muito rápido. Já tenho impaciência.
Sem paciência, não tem graça esta merda.
E depois mais para perto da menstruação, já é mesmo para baixão, tudo chora.
Chorar. Ok, olha, eu acho muito bem. Ficamos a saber que dá para medir as fases do período.
Dá. Se vocês, da menstruação, não diga do período. Período menstrual.
Ok. Da menstruação.
Da menstruação.
Ok.
É mais correto.
Não, eu faço o que me mandam. Olha, um bocadinho de house cleaning aqui, se faz favor. Só porque queremos anunciar, queremos agradecer às pessoas todas que concorreram. Concorreram, como se isto fosse o "Show Me the Money". Queríamos agradecer a todas as pessoas que se inscreveram para Moc Fest ao vivo. Nós só temos 15 lugares e vou vos dizer uma coisa. Obrigado pelos vossos e-mails a partir das 11 horas da manhã, mas já estava.
Já estava, sim. Mas eu vou responder a todos os que enviaram entretanto e que eu não respondi, dizer que não ficaram com o lugar, mas ficarão em lista de espera caso algumas pessoas desistam.
Exatamente. Incluindo um casal. Eu suponho que sejam casal, podem ser irmãos, na verdade, não percebi, mas um casal que fez um vídeo de candidatura.
Amorosos.
Uma espécie de um sketch.
Amorosos.
Vamos dizer uma coisa. Vocês, por mim, eram o 16º e o 17º, porque chegaram tarde, mas muito giro.
Deram tudo.
Eu acho que têm que ser eles os substitutos.
Não, os substitutos são por ordem de...
Não, eles têm que ter alguma primazia.
Então, se queres que eles tenham alguma primazia, vais falar com a produção e tentas encaixar mais duas pessoas.
Mas aí já salta a fila.
Não, salta a fila no sentido de conseguirmos dois lugares extra para estas pessoas que se dedicaram imenso.
Ok.
Não para substituir caso alguém falhe.
Ok.
Percebes o que eu quero dizer?
Ok. É só porque o vídeo é muito giro. Se nós pudermos, olha, se depender de mim, vocês vão ao Coliseu. Queria só dizer. Mas as pessoas que vão estão contactadas, a Rita vai contactar os outros.
Já contactou todos.
E vemo-nos no dia 30 de agosto. Nós ainda não temos horas, não sabemos-
Mas isso a produção depois fala com vocês.
Exatamente, a produção falará com todos vocês e vai dizer tudo. Muito obrigado às pessoas que se candidataram. Despachou-se bastante rápido, na verdade, os lugares. Pronto.
Era o que tu tinhas para dizer, não é?
O que eu tenho aqui mais?
Eu tenho uma coisa para dizer.
Então dá-lhe.
Eu tenho um tema para trazer aqui, porque quando acontece uma vez, uma pessoa pensa: "É ok". Quando acontece a segunda, a pessoa já pensa: "Se calhar há aqui um padrão". Eu queria trazer aqui uma coisa para conversarmos, que é: por que tu em certas coisas só ouves as outras pessoas e não me ouves a mim?
Ok, podes descrever o que é que está-
Posso descrever a primeira situação.
Ok.
Roer as unhas Durante anos andei a dizer-te: "Por favor, não roas as unhas. Olha que isso é nojento. Olha o que estás a fazer. Por favor, tira os dedos da boca. Isso tem micróbios nas unhitas. Olha o que estás a fazer, estás a estragar as tuas mãos". Anos. Ignoraste-me. Até ficavas irritado quando eu te chamava a atenção.
Não, quando tu me chamavas a atenção é uma coisa, quando eu estava com as unhas na boca e tu me davas pancadinhas na mão, isso é outra coisa.
Porque já tinha tentado de tudo e a coisa não avançava. Depois a nossa cunhada Sara chegou, disse-te meia dúzia de palavras e tu deixaste de roer as unhas.
Verdade.
Segundo exemplo: proteção solar. Estou sempre a dizer-te que tens de pôr protetor solar todos os dias. E tu o que é que fazes? Ignoras-me. Chega a nossa amiga Sofia, diz-te meia dúzia de palavras e tu passas a usar protetor solar todos os dias. Eu gostava de saber porque é que tu não me ouves.
Eu ouço. Eu só não cumpro logo.
Não é logo, é nunca.
Fico a matutar, fico a pensar.
Mas porque é que com as outras pessoas não ficas a pensar e a matutar? Outra, já vou.
Tens mais uma?
Tenho mais uma. Teres um agente. Andei que tempos atrás de ti. "Tem um agente".
Arranja um agente, tu precisas de um agente. É verdade.
Depois veio o teu irmão. Arranjaste um agente.
Não, eu arranjei um agente depois de falar contigo. Eu percebo que esse seja o exemplo que deste de inação.
Mas foi porque o teu irmão também se meteu ao barulho. Eu gostava de saber.
Quanto tempo é que eu te disse a ti também para arranjares uma agente?
Mas eu nunca fui contra e até andei a fazer contactos.
Certo.
Eu nunca rejeitei nada.
Ok. Então vamos voltar ao ponto.
O ponto é tu não me ouves.
Eu ouço. Eu preciso é de uma segunda opinião, como se faz com os médicos.
Não, não é. Desculpa. Os anos que eu andei a dizer para tu parares de roer as unhas, os anos que eu andei a dizer para tu usares protetor solar.
Eu usava protetor solar já antes da Sofia dizer.
Não, tu usavas protetor solar na praia.
Não.
Não, Guilherme, não sejas mentiroso.
Eu fui para o Rock in Rio com protetor solar na cara. Foi antes de irmos para a Madeira ter com a nossa amiga Sofia.
Porque foi o ano passado que a Sofia te sugeriu o teu protetor solar e tu disseste: "Eu quero usar isto".
Não, espera. Vamos mesmo discutir isto aqui. Nós estamos a misturar duas coisas. Uma coisa é tu dizeres para eu pôr protetor solar e eu não pôr protetor solar. Outra é a Sofia conhecer uma marca e o protetor solar específico que eu comprei para mim. Isso é uma marca, não é um hábito.
Mas tu compraste essa marca e passaste a usar depois de ela te dizer que tens de usar.
Porque eu tenho uma cara de merda que faz imensas borbulhas e aquele protetor solar é excelente.
Guilherme, olha, é o seguinte: se tu não queres a minha opinião para as coisas da tua vida, ok. Sê uma pessoa de merda, então.
Primeiro, não é preciso estar a insultar. Percebes depois porque é que eu não ouço. Se calhar tem a ver com a maneira como-
Porque eu estou irritada. Porque eu gasto o meu latim, eu gasto a minha preocupação, eu gasto os meus argumentos contigo e tu ignoras-me. E depois vem outra pessoa, diz: "Olha, acho que devias fazer isto". "Olha, que grande ideia, nunca tinha ouvido falar sobre isso".
Primeiro, não é nunca tinha ouvido falar, é dizer: "Olha, a Rita já me tinha falado".
"A Rita já me tinha falado", nem venhas. Não venhas agora tentar passar a mão pelo pelo, porque isto não vai. Eu estou triste com esta situação. Eu sinto que eu merecia mais respeito. Eu sinto que eu sou o canário na mina, que anda há não sei quanto tempo a dizer não sei quantas coisas que tu devias melhorar na tua vida ou que tu podias introduzir na tua vida para teres uma vida mais feliz, mais saudável e mais completa. E tu simplesmente ignoras-me.
Eu não ignoro, eu registo e eu pondero.
Ponderas é uma cozinha.
Por acaso pondero muito a tua cozinha.
E portanto, a partir de agora, Guilherme Fonseca, eu vou me demitir de conselheira.
Não, mas é que eu gostava que tu continuasses a dar.
Não.
Ok, também. Então pronto.
Eu vou fazer com esse teu pedido o que tu fazes com os meus, vou ignorar.
Ai é?
É.
Eu ignoro os teus pedidos?
Não, de sugestões. Tu estás-me a pedir para eu continuar e eu vou fazer o que tu fazes quando eu te dou ideias, que é ignorar.
Eu não ignoro, eu pondero.
Tu não ponderas.
Eu pondero. Eu pondero muito, é muita ponderação, eu fico a pensar. E, na verdade, eu acho que quando aparece uma segunda pessoa a dizer a mesma coisa, é "ganging up" e eu cedo. Percebes? Tu tens que trazer é logo outra pessoa, porque se forem dois, eu sinto.
Então a minha opinião não conta para ti.
Não é isso, claro que conta, porque eu faço tudo o que tu me pedes e da maneira sempre que tu me pedes. Não é por aí.
Não é pedir. Não estamos a fazer questões de coisas que eu te peço. Estamos a falar de coisas que eu acho-
Olha, devias pôr o creme solar, os exemplos que tu deste aqui, certo? Honestamente, eu não sei porque é que eu demoro, porque eu levo a tua opinião, considero-a, levo a sério. E, por exemplo, em termos de skincare, eu preciso muito dos teus conselhos. Eu já te pedi até para tu me explicares que máscaras é que eu posso fazer e o que é que eu posso fazer à minha cara, porque eu não quero ficar com o nariz nem de bêbado, nem de velho. Já te tinha dito. Ou seja, eu considero muito a tua opinião. Acho que estás a ser injusta.
Não estou a ser injusta. Olha, estás a virar contra mim. Estás a virar o bico pré, como se costuma dizer. E não vais conseguir, Guilherme Fonseca. Não vais conseguir. Eu acho que isto é algo com que os nossos ouvintes se vão identificar muito, de estarem constantemente a dizer coisas à outra pessoa com quem estão e do nada vem outra pessoa, sem desprimor, porque são pessoas importantes até para nós na nossa vida. E parece que é uma ideia peregrina. "Olha, realmente vou passar a introduzir isso na minha rotina. Se ao menos alguém me tivesse dito mais cedo".
Tens razão, não te sei explicar porquê.
Eu não quero ter razão. Eu quero um pedido de desculpa.
Olha.
Eu quero um pedido de desculpa pela maneira como tu me tratas.
Eu só vou pedir desculpa quando mais alguém me disser para eu pedir desculpa. Nunca tinha pensado nisso. Acho que é uma boa observação. Não tenho nenhuma justificação para o que se passa.
Quando é que tens terapia?
Eu acho que agora é só em setembro. Não, é para a semana.
Para a semana.
Mas eu não vou para a terapia só falar de ti. E às vezes até vou e digo coisas más sobre ti.
Isto não é ti. Não é sobre mim, aliás, é sobre ti. Sobre porque é que tu ignoras o que eu te digo.
Mas se calhar, ignorando eu o que tu me dizes, eu vou chegar à terapia e vou ignorar que tu me disseste isso e vou falar de outra coisa qualquer. De outros problemas quaisquer que eu tenha.
Vou dizer uma coisa que sempre me disseram quando eu crescia e que era a coisa que mais me irritava quando me diziam: como queiras.
Muito bem.
Como queiras.
Não, mas tens razão. Não sei porque é que isso acontece. Não há uma continuação nisto.
Pronto. Acabou o episódio então.
É bem apanhado. O que queres que eu te diga?
Foste apanhado na curva.
É bem apanhado.
À espera.
Eu tenho uma pergunta para ti, que é: sendo tu uma mulher independente, sendo tu uma mulher que sobrevive a condições às vezes desagradáveis e extremas, sendo tu uma mulher que está preparada para defender o seu bom nome, o seu trabalho, a sua intelectualidade, isso tudo, por que é que precisaste que fosse eu a pôr ar no pneu?
Porque eu ia pôr ar premium. Lembras-te disso?
Lembro-me perfeitamente.
Não, porque eu não sei se sei pôr bem.
Vou ser muito honesto. Há várias coisas do carro que tu sabes que eu próprio não percebo nada. Eu sou um zero à esquerda no que toca a merdas do carro. Pôr ar no pneu é das coisas mais simples do mundo. Eu vou-te explicar o que é que eu fiz.
Mas eu não preciso que me expliques agora, eu preciso que um dia nós vamos a uma bomba e tu me expliques lá. Porque eu preciso de ver. Com estes dois que até rato com este.
Consegues visualizar? Tu és escritora, tu consegues visualizar. Estão lá as palavrinhas nas páginas e tu imaginas na tua cabeça. Então repara nisto: eu peguei no carro e fui até à zona que diz "ar, água". Aqueles coisinhos que estão lá. Tão simples como isso. Abri a app do carro e vi qual era o valor do outro pneu da frente. Nós tínhamos um pneu que estava a dizer que tinha pouca pressão à frente. Vi qual é a pressão do outro pneu, o que estava bom e dizia 2,20. E eu: "Excelente". Há um ecrã onde tu tens mais e menos e sobe e desce até ficar 2,2 ou 2,20, dependendo. Alguns mostradores têm o terceiro dígito. E depois tiras a pipeta do pneu.
Estás a ver? Não sabia que tinha de tirar a pipeta.
Tiras uma pipetazinha.
Achei que tinha logo de espetar com a pipeta. Estás a ver?
Não, tiras a pipeta e depois aquilo tem uma coisa que tu enfias e já está. É só esperar. Aquilo começa . Sabes quando eu arroto sem fazer barulho?
Sim.
Que é só o ar a sair da boca. Mete-se aquilo no pneu e faz só . Começa a encher o pneu e a certa altura faz pi, pi, pi. E tu tiras aquilo e fechas com a pipeta.
Pronto. Estás a ver?
Pôr ar no pneu é isto. Fora de brincadeiras, é provavelmente a atividade mais simples de fazer com o carro.
Tudo certo.
Mais simples do que pôr gasolina.
Mas não estás a dar o contexto todo.
Não, tu disseste: "Olha, preciso pôr ar no pneu, podes ir tu?"
Podes ir tu, até porque eu tinha de me acabar de arranjar para sair de casa.
Sem dúvida nenhuma, mas tu podias ter feito isso com o carro depois. Tu ias sair com a tua irmã. Podiam as duas ter ido com o carro.
Podia, mas eu já ia sair atrasada. E enquanto eu me estava a arranjar, tu não estavas a fazer nada, podias ir fazer isso.
Pronto. Mas confessas e no início disseste.
Não, eu não sabia fazer.
Ya.
E portanto, não sabendo fazer, numa situação ideal, eu iria contigo e tu explicavas-me, como acabaste de explicar.
Ya.
E eu fazia, porque eu aprendo melhor a fazer as coisas do que só assim.
Sem dúvida nenhuma.
Estás-me a dizer e eu agora vou chegar lá para pôr o ar nos pneus e já não vou saber fazer.
Porque é tão complicado, eu percebo.
Não, porque eu agora decidi ignorar tudo o que me dizes.
Pronto, claro. Então se é este o tom, eu acho que é melhor avançarmos. No outro dia, queria só dizer aqui mais uma coisa que eu achei graça, mas tu como estás com uma energia muito negativa para mim, não sei se vais achar graça. Mas eu achei graça.
Eu provável que não.
Porque eu fui a um café e havia lá o pote da gorjeta. E no pote da gorjeta dizia: "Ponha 1 € pela seleção". E eu pensei: "Como assim?"
1 € pela seleção.
Ponha 1 € pela seleção. E tinha a bandinha.
Não vai para a seleção.
Este dinheiro vai para a seleção? Vão comprar chuteiras? É? Não estou a perceber.
É quermesse que é para o clube poder ir jogar não sei onde.
Sim, e o café a pedir 1 € para a seleção e é do género. Não, pá, isto é para você, diz que é para cigarros. Por que me estás a dizer que é pela seleção?
Por falar nisso, por falar em seleção, tu vibraste muito com Cabo Verde.
Eu vou ser honesto. Eu até me estou a divertir com este mundial, sendo que futebol é um desporto que eu não ligo absolutamente nenhuma. E mesmo os jogos de Portugal, o com a Croácia foi divertido. Aliás, as pessoas estão a ouvir isto na segunda-feira, logo à noite vamos jogar com a Espanha e eu acho que vamos levar na boca forte e feio. Mas o jogo com a Croácia até foi giro, porque teve imensas coisas a acontecer, porque foi até aos 90 mais 18 e depois marcou golo e depois foi anulado. Não foi aborrecido como o futebol normalmente é. Mas o jogo de Cabo Verde com a Argentina não só teve o melhor golo do mundial até agora, que foi marcado por um jogador que eu não faço qualquer espécie de ideia do nome, de Cabo Verde, como, na verdade, eu gosto de seleções pequeninas eliminarem as grandes.
Sim.
Tipo o Paraguai mandou embora a Alemanha, se eu não estou em erro.
Sim.
Eu estou mais por isso do que por Cabo Verde.
Ok. Estás pelos underdogs.
Eu estou sempre pelos underdogs no futebol. O mundial para mim a final era Senegal, Cabo Verde. Estás a ver?
Exato.
Era subverter completamente aquela porcaria para não ser outra vez um Argentina, Brasil ou um França, Argentina. Portanto, aquele underdog, que eu não tenho qualquer relação com Cabo Verde, nunca lá fomos. E eu acho que agora vai ser impossível ir, porque disparou completamente as pesquisas na internet por Cabo Verde e acho que vai estar impossível ir a Cabo Verde nos próximos tempos. Mas não tenho nada em particular por Cabo Verde em si. Coitados, não tenho nada a favor nem a desfavor. É underdogs. Eu quero ver as seleções pequeninas a ganhar.
Andavas aqui em casa com o telemóvel À meia-noite e tal, uma da manhã: "Cabo Verde marcou!"
Eu gostei. Fui tão giro de dizer: "Olha, quer dizer que a Argentina vai perder." Para mim, perdiam os grandes todos. Para mim, os grandes todos eram eliminados.
Como no fundo, no sistema capitalista em que nós vivemos. Os grandes eram eliminados e distribuía-se a riqueza por todos.
Era ao contrário. Já percebi. Sim. Eat the rich. Eat the rich é 100% de tudo o que nós dizemos aqui.
Exatamente.
Gostei só do pote da coruja que dizia: "Ponha aqui €1 para a seleção." Não.
Tu puseste pela de Cabo Verde.
Não, eu não pus. Eu podia por uma das pequeninas.
Mas podias, num café.
Por um Marrocos.
Num café.
Um Senegal.
Sabendo que não ia para o Congo.
Não, mas lá está, exatamente esse o meu ponto. Tu estás a pedir €1 para a seleção, a seleção está na América, vais mandar o quê? Por envelope? Vais fazer um MBO?
Vai para aquelas coisas de envio de dinheiro, como é que se chama? Cash não sei o quê.
Cash app, não sei o quê.
Não, mas aquelas casinhas mesmo, que tu ias e mandavas dinheiro.
Não me lembro do nome, mas sei perfeitamente o que estás a falar. Mas a lata, sejam honestos.
Exato.
Mete aqui €1 que isto é para tabaco e filtro.
Para a gente beber umas olhas.
É para a gente beber umas olhas no fim disto. Pronto, sejam honestos. Acho que isso é mais bonito do que ponha aqui €1 pela seleção.
Olha, temos muitos e-mails e temos de ir rápido.
Sim, senhora. Vamos embora.
Porque este é um especial edição de casamentos.
Exatamente. Temos tempo.
Temos muita coisa sobre casamentos.
E temos bons e-mails sobre casamentos. Temos três e-mails de casamentos para ler. Vamos ver se conseguimos ler os três. Tu queres começar por qual? Podes dizer.
Pelo convidado do casamento do ex.
Exatamente. Então podes ler tu, que é da Rachel.
É da Rachel. Rachel de "Friends", já sabem. "Olá, Rita e Guilherme, espero que estejam bem. Se lerem este e-mail, peço o anonimato, por favor. Tenho quase a certeza de que vou ser convidada para o casamento de um ex-namorado com quem tive um fim abrupto há uns anos. Apesar disso, ficamos amigos, embora naturalmente nos tenhamos afastado com o tempo. O que sinto é que ele ficou um pouco oblivious ao quanto me magoou. E assim sendo, tenho uma pulga atrás da orelha de que ele me vai convidar para o casamento dele, ao qual não quero ir. Fico feliz por eles e estou bem resolvida em relação à situação, mas sinto que não é o meu lugar. Se esse convite vier mesmo, como é que eu recuso de forma plausível? O meu eu people pleaser está a ficar com os nervos em franja. Um beijinho grande, Rachel."
Primeiro, estamos a sofrer por antecipação. Ela não sabe se vai ser convidada ou não.
Sim, estamos aqui com um sofrimento por antecipação.
Estamos aqui com um sofrimento de antecipação, porque também há aqui várias camadas que é preciso pensar, que é a noiva, que vai ser a mulher deste ex-namorado, também tem uma palavra a dizer e não sei se ele quer ex-namoradas. Pode ser uma coisa desagradável. Portanto, à partida, Rachel, tu não sabes se vais ser convidada para o casamento do teu ex.
Do Ross.
Do Ross. Mas vamos então abrir aqui a porta à especulação e vamos responder a este e-mail como se ela fosse. Imagina que eu te convidava para o meu próximo casamento.
Eu acho que a maneira como ela explicou isto no e-mail é a maneira mais correta.
É à base da honestidade.
É à base da honestidade. Ela disse: "Sinto que não é o meu lugar estar aí. Sinto que não temos uma amizade forte o suficiente para eu estar aí, para eu estar nesse dia."
Dado o nosso historial, eu acho que não é o meu lugar, não faz sentido eu estar presente. Não é o meu lugar estar na celebração dessa relação.
Exatamente.
Sendo que, também te digo, vou ser um bocadinho advogado do diabo. O que estás a olhar? Estás a olhar para os meus braços.
Estava, estavas a fazer força com os braços.
Estou a esfregar as mãos uma na outra. Desculpa lá se os meus braços são distrativos e belos. Eu acho que quando uma ex-namorada diz: "Eu não quero ir", parece que não tem as coisas resolvidas e que não está predisposta a ver o seu ex-namorado avançar na vida. Ou seja, também pode dar uma ideia de sentimentos.
Ela pode fazer esse disclaimer.
Mas fazer esse disclaimer ainda é pior.
Então olha, diz que tem outro casamento no mesmo dia. Pronto. Já tem um casamento e já disse que sim.
Talvez seja melhor mentir.
Eu não mentiria.
Eu fui advogado do diabo nesta questão, mas eu diria: "Eu acho que não é o meu lugar estar nesse casamento. Acho que não há espaço para mim nessa festa. Quero muito que sejam felizes e que esse casamento corra bem. Acho que não é o meu lugar ir a esse casamento".
Pronto.
Ou seja, eu acho que esta não tem graça nenhuma, mas é a resposta honesta e sentida que eu acho que ela devia dar.
Ou então pode dizer só: "Tenho outro casamento no mesmo dia". Mas mentir é um problema.
Mas a cena dela é o people pleaser. Ela diz: "Sou people pleaser, eu não queria."
Olha, também tenho uma coisa a dizer sobre pessoas que são people pleaser.
Vocês não estão a perceber o arranque que foi, portanto eu já sei que energia é que vem aí.
Não, também tenho uma coisa a dizer sobre pessoas que são people pleaser. Então vamos é para agradar a toda a gente e não nos agradamos a nós mesmos?
Olha, vai.
Não é? Estamos aqui sempre: "Coitadinho, não posso dizer porque tenho de agradar. Ele convidou-me, não posso fazer a desfeita". E normalmente fazemos fretes por coisas que não queremos fazer, que não fazem sentido fazermos. Eu não estou a falar de quando estamos com amigos, não é fretes por amigos.
Favores a um amigo.
Fazemos alguma coisa que se calhar não é a coisa mais agradável do mundo ou não nos apetece fazer, mas é uma pessoa que para nós faz sentido. Ok.
Exatamente.
Mas quando são pessoas que não fazem sentido nenhum, absolutamente nenhum, esta pessoa vai estar no seu leito de morte a pensar: "Então eu fui ao casamento daquele gajo com o qual eu não tinha assim tanta relação, até tínhamos ficado amigos, mas não era o meu lugar estar. E perdi tempo da minha vida e agora estou aqui, vou morrer."
Sabes o que eu acho que ela devia fazer? Ela devia marcar para esse dia um dia especial para ela. Vai fazer qualquer coisa que estás há imenso tempo a adiar e que queres fazer para ti. Já que estás a dizer que és people pleaser e que ficas a pensar, então tira um dia para ti.
Please yourself.
Please yourself. És people pleaser, you are your first people. People be your first people pleaser.
Exatamente.
Please. Foi ou não foi bem?
Pronto. Próximo e-mail. Este está despachado. Check.
O próximo é da Blake Lively e do Ryan Reynolds.
Não, é do Ryan Reynolds. Eu acho que é só ele.
Ok, pois. Queres explicar porque é que é Ryan Reynolds?
Porque Blake Lively e Ryan Reynolds não foram convidados para o casamento da Taylor Swift.
Este eu posso ler, não é?
Podes.
Eu leio. Ok. O e-mail é: "Fui desconvidado de um casamento?" Com ponto de interrogação. Vamos perceber. "Bom dia, caros terapeutas e tera-patudos". Giro. Nunca viste nada disto, Carlos. "Há umas semanas ouvi a história da drama queen, que não foi ao casamento de um casal que decidiu não ir ao dela e lembrei-me de contar o que me está a acontecer agora. Peço desde já desculpa pelo testamento, mas acho que vai valer a pena e quero muito a vossa opinião. Ouço-vos desde o início e sempre quis aparecer aqui com um drama", diz ele a rir. Muito bem, Ryan Reynolds, não interessa há quanto tempo é que tu ouves, vais sempre a tempo de mandar um e-mail para nós. "No início de 2025, um amigo meu pediu a namorada em casamento. Na altura, treinávamos juntos e jogávamos Padel juntos, ou Padel. Agora não sei, porque no outro dia disseram-me que se diz Padel."
A nossa amiga Sofia.
E é Padel ou Padel?
Eu não sei dizer. Ela diz que é Padel porque é francês.
Padel.
Padel.
Padel.
Padel, é como a Adele.
Sabes para quem é que vai este Emmy? Padel. "Na altura, treinávamos juntos e jogávamos Padel juntos, pelo que estávamos bastante próximos. Passados uns meses, recebi o save the date com data para o verão deste ano. Entretanto, na altura em que ele ficou noivo, eu e o meu namorado também já tínhamos decidido casar. No entanto, ainda tínhamos alguns dramas familiares por resolver, portanto, ainda não tínhamos anunciado e eu não disse nada a esse meu amigo. O nosso casamento já estava marcado, ficámos noivos literalmente porque escolhemos a data em que nos íamos casar aí uns dois anos de antecedência. Para a primavera deste ano, portanto, antes do deles, mas lá está, ainda não tínhamos anunciado nada. O nosso plano era fazer um casamento com cerca de 90 pessoas, onde ele e a namorada estavam incluídos, mas entretanto, para termos espaço e a cerimónia onde queríamos, tivemos de cortar 10 pessoas. Neste ano e meio, eu deixei de fazer os hobbies que tínhamos em conjunto e acabámos por nos afastar um bocado, por já não conviver tanto assim. Na altura de termos de fazer a escolha difícil de cortar pessoas da lista, eles foram duas das pessoas que decidimos retirar. Eu nunca tinha falado com ele sobre o casamento, portanto não dei a entender nada sobre convites e só depois de fechar a lista final é que enviámos os save the dates e posteriormente os convites. Nunca falei com ele sobre isto, porque achei sempre que seria pior ligar a dizer-lhe: "Olha, vou-me casar, mas não te vou convidar". Preferi que ficassem no topo da lista caso houvesse desistências. A cerca de duas, três semanas do meu casamento, tivemos algumas desistências que nos permitiram convidar mais pessoas e liguei-lhe a convidar e a explicar a situação. Eu sei que ele já sabia que me ia casar por outros amigos, mas nunca falámos sobre isso. Importa realçar que não o fiz por já termos pago o catering. Ainda não estava pago, foi mesmo por os querer lá. Ele disse que ia ver com a namorada se conseguiam. Passado um dia agradeceu o convite, mas que não iam conseguir, o que achei normal devido à pouca antecedência." Até agora tudo normal. Estou a achar tudo normal. "Entretanto, estranhei o convite deles nunca chegar, já que tinham enviado o save the date e em conversa com amigos percebi que os convites já tinham sido enviados no mês do meu casamento. Eu é que não recebi. Percebo que tenham ficado magoados por não terem sido convidados para o meu casamento e não fiquei necessariamente chateado por ter sido desconvidado para o dele, mas achei muito fora e petty não receber um convite depois de ter recebido um save the date e não haver nem sequer uma mensagem. Ainda por cima, sei que não é por falta de espaço, porque é um casamento com mais de 200 pessoas, onde sei que vai haver gente bem menos próxima que eu. Posso não ter sido o melhor amigo ao não convidar para o meu, mas acho que é bem diferente não convidar para um casamento 80 pessoas por falta de espaço, do que mandar um save the date e depois não mandar o convite num casamento de 200 por pettiness. O que acham? Mais uma vez, peço desculpa pelo livro que escrevi aqui. Um abraço deste que tanto vos quer, o nome que me derem", que neste caso é Ryan Reynolds. E o teu namorado, neste caso é Jamaris.
É o Blake.
É o Blake Lively.
Olha, está tenso aqui.
Sem dúvida nenhuma.
Estou a sentir uma tensão, um bom e-mail, um bom drama.
Bom drama, vou já dizer.
Porque eu realmente não sei bem onde é que me posiciono aqui.
Espera aí, tu não tens uma opinião?
Eu não tenho uma opinião.
Muito bem. Então abre o teu coração. Vou dizer assim, o que achas de como ele se afastou mais desta pessoa, acabou por não o convidar para o casamento dele e ele ficou na lista dos pode entrar, pode sair? O que tu achas disso, sendo que é um casamento com poucas pessoas?
Eu percebo isso, mas acho que dar só três semanas de antecedência é pouco.
Por isso é que ele não levou mal que as pessoas dissessem: "Não podemos ir".
Claro. Eu percebo essa lógica, mas então acho que, ao contrário do que ele acha, essas pessoas deveriam ter sido informadas.
De que estariam na lista de espera?
Sim.
Mas isso não é desconfortável?
Não, eu acho que era dizer: "Olha, vai ser uma cerimónia muito pequenina, só temos lugar mesmo para 80 pessoas, temos muita família ou temos amigos mais antigos que queríamos muito que lá estivessem. Nós também queríamos muito que vocês estivessem, mas vamos ter de vos deixar em lista de espera". Eu acho que é sempre preferível tu explicares, porque pondo-me no lugar do amigo.
Que sabia do casamento, sabia que não tinha sido convidado e três semanas antes recebe o: "Olha, houve desistências, queres vir?" Pois.
Não é?
Eu por acaso também não tenho uma opinião vincada nisto. Eu não sei se preferia saber que estava na lista. Era isso que eu ia dizer. Apercebi-me agora que a minha opinião é que eu preferia saber que estava na lista.
E por quê?
Porque saber que o meu amigo tem casamento marcado Que há pessoas que já receberam convites. Eu não recebi e três semanas antes recebi uma chamada a dizer: "Olha, houve desistências, queres vir?" Eu acho que isso é pior do que saber que estou na lista. Ok, formei a minha opinião.
É pior. Porque ao menos a honestidade está estabelecida desde o início.
Ya.
É, nós só temos 80 lugares ou 90 ou lá o que for. Gostávamos muito que vocês pudessem estar, mas infelizmente não conseguimos mesmo encaixar-vos pela natureza da cerimônia. Ainda assim, queremos que saibam que são das pessoas que estão no topo da lista caso alguém não venha.
Exatamente. E agora, então faço-te a pergunta do outro lado, que é outra questão deste e-mail, que é: o que tu achas de receber um save the date e depois, porque não convidas as pessoas pro teu casamento, as pessoas cá não te convidam pro casamento?
Acho péssimo.
Acho muito pior.
Não acho mau ele ter desconvidado, porque a natureza da relação mudou.
Ya, também é verdade.
Não acho mau ele ter desconvidado. Acho mau ele não ter dito: "Desconvidei".
Exatamente. Há aqui uma questão muito engraçada no meio disto tudo, que é: o Ryan Reynolds diz, como os nossos hobbies mudaram nos últimos tempos, eu já não o considero tão próximo pra um casamento de 80 pessoas, mas acha ainda próximo pra um casamento de 200. Ou seja, o Ryan Reynolds está a fazer uma espécie de um medidor de proximidade em que acha que é afastado pra 80 e próximo pra 200.
Exato.
És tu que estás a fazer essa medição. O teu amigo tem uma medição completamente diferente.
Sim.
E não ter sido convidado para o teu casamento, a não ser três semanas antes, faz com que, se calhar, nem na proximidade dos 200 tu estás.
Exatamente. E até porque é uma mágoa recente.
Exatamente. Mas depois estás a enviar um save the date.
Não, erradíssimo.
O problema foi o afastamento ser ali, não é? Foi o timing do afastamento.
Exatamente. Ele mandou o save the date antes, depois não concretizou, foi com o convite. Eu acho que a não concretização devia ter vindo acompanhada de um: "Olha, a natureza da nossa relação mudou nos últimos tempos e sinto que não faz sentido vocês estarem..." Mas é difícil dizer isto.
Pois é. Mas da mesma maneira que é difícil dizer: "Olha, o casamento é pequeno, nós não temos espaço pra mais convidados, podes ficar na lista no banco pras desistências". Eu acho que isso é complicado dizer. Eu acho que é ainda mais complicado tu dizeres a uma pessoa: "Enviei-te um save the date, mas eu acho que entretanto a nossa relação..."
"Mas desguarda a data porque..."
Essa conversa acho que é complicadíssima de se ter.
Claro que é, mas não é descontextualizada.
Sem dúvida nenhuma. Até porque tu teres intimidade para dizer a uma pessoa: "Enviei-te um save the date e agora nós já não temos intimidade pra ires ao casamento", é uma intimidade que tu já não tens com uma pessoa a quem enviaste um save the date e depois queres desconvidar do casamento.
Sei. Então como é que isso se arranja?
Não faço qualquer espécie de ideia, mas como aconteceu, eu acho que é errado. Tu não podes mandar um save the date às pessoas e depois não mandar o convite.
Exatamente.
Até porque isso abre espaço para, se o Ryan Reynolds quisesse, mandava uma mensagem a dizer: "Olha, enviaste-me o save the date, mas não tenho o convite. Afinal, em que dia é que é? Só pra confirmarmos se vamos ou não". Pode haver essa espécie de passivo-agressividade ou dessa sonsice de eu tenho aqui um save the date e não tenho o convite, é quando?
Agora, será que ele quer ser petty em cima?
Não, porque eu acho que ele também-
Também não me parece que seja uma amizade assim tão profunda que valha a pena este...
Sem dúvida nenhuma, e eu acho que o Ryan Reynolds também me parece, neste caso, autoconsciente o suficiente pra saber que ter posto o amigo em sala de espera pro seu próprio casamento, mudou completamente a dinâmica.
Sim.
Portanto, eu acho que ele também tem noção de que foi desconvidado e por quê.
Sim. Eu não tenho bem a opinião do que fazer aqui nesta situação. Acho que é só deixar o tempo passar. É, pronto, olha, as coisas aconteceram assim.
Ya. Eu acho que é marcar um jantar, os quatro, já todos casados, pra saber como é que correram os casamentos.
Mas eu não sei se eles têm essa intimidade de marcar jantares a quatro.
Se quiserem. Mas imagina, um jantar a quatro pra saber como é que foram os casamentos.
Exato.
"Olha, como é que foi o vosso casamento?" "Olha, o nosso foi assim." "Olha, o vosso foi assim."
Pronto, mostrar fotos.
Mostrar fotos e cada um, se tiverem vontade dessa aproximação, porque se de fato é um amigo de hobbies e esses hobbies já não existem, se calhar também já não há vontade. A única coisa que eu fico com pena é que eu gosto de ir a casamentos.
Pois, é isso.
Eu gosto dos copos, gosto da festa, gosto de ver os vestidos.
Mas também ir a casamentos de pessoas que não te dizem assim tanto, é um bocado tipo...
São os melhores. Não me leves a mal, eu adorava ir a casamentos de pessoas que não conheço de lado nenhum. Podes julgar tu, podes ter opiniões. Rita, eu adorava ser fura-- imagina.
Queres furar um casamento um dia.
Rita, imagina-te com um grande vestido, maqueladona, com o cabelo arranjado, eu de fatinho, aprumado, barba aparada, e nós vamos a um casamento de pessoas que não conhecemos de lado nenhum e estamos só os dois a conhecer gente na nossa mesa, a comentar tudo, a criticar tudo, a ouvir discursos maus. Imagina o sonho que era.
Mas como é que nós fazíamos isso? Como é que furávamos um casamento?
Não temos mesmo de furar um casamento. Teríamos que furar um casamento.
Mas como, se depois nas mesas não íamos ter lugar pra nós?
Pois. Tem que ser um casamento buffet, em que não se nota furos casamentos.
Temos que pensar sobre isso. Eu gostava muito.
Mas não é um grande sonho ir a casamentos de pessoas que não conheces de lado nenhum?
Pelo menos uma vez.
Pelo menos uma vez.
Furar um casamento é giro.
Olha, vamos ao terceiro e-mail sobre casamentos.
Vamos.
Isto é uma edição especial casório.
Edição especial casório.
Edição especial. Olha, nós estamos a dizer o título.
A edição especial casório.
Sobre casórios, edição especial.
Exatamente.
Vamos à Carolina Patrocínio e ao Gonçalo Ulva?
Carolina Patrocínio, porque foi roubada por um amigo, e Gonçalo Ulva, porque é o seu marido, e porque nós estivemos a ver as Patrocínio recentemente.
Pois foi, temos de falar sobre isso.
Adoramos.
Olha, nem falámos da Madeira, não falámos do que comemos, não falámos do sol que apanhamos e dos mergulhos que demos, não falámos de nada
Também é esfregar na cara das pessoas que tivemos uma excelente semana.
É, mas há um ano fomos lá, esteve mau tempo o tempo todo. A meteorologia não esteve do nosso lado e nós queixámo-nos aqui ao povo madeirense.
Desta vez o povo madeirense tratou-nos muito bem.
Pois.
"Amigos roubam data de casamento".
Exatamente.
"Caros terapeutas e respetivos patudos, fiquei noiva no ano passado. Antes do pedido, eu e o meu namorado já tínhamos decidido duas coisas: o dia do casamento e a quinta."
Muitos parabéns.
"O nosso aniversário de namoro este ano calha num sábado e temos uma quinta que faz exatamente o tipo de casamento que tencionávamos. A data era o critério mais importante."
Exatamente.
"Enquanto esperava o anel, um casal de amigos inesperadamente ficou noivo. Decidiram contratar uma wedding planner e azar dos azares, ela trabalhava com a nossa quinta. Ficámos noivos no fim de semana em que eles foram visitar a quinta e descobriram que tinham vários fins de semana disponíveis, mas apenas um em agosto, o do nosso dia de namoro. Eles sabiam da situação-"
Espera, podes dizer outra vez?
O quê?
Podes dizer essa frase outra vez?
"Ficámos noivos no fim de semana em que eles foram visitar a quinta e descobriram que tinham vários fins de semana disponíveis, mas apenas um em agosto, o do nosso dia de namoro." Eles sabiam da situação, mas preferiam casar em agosto a outro mês, por simplesmente haver menos probabilidade de chover. Perguntaram-nos se estávamos ok com ficarem com esta data e esta quinta. Morri por dentro, mas anui. Efetivamente, eles começaram a tratar das coisas primeiro. No entanto, isto destruiu completamente os nossos planos de casar. Desistimos de tudo e ficámos sem planos nem vontade de fazer a festa de casamento. E pior, este ano vamos ter de ir ao casamento deles na nossa quinta, na nossa data. Éramos bastante amigos, mas desde este incidente sinto que me desliguei bastante desta amizade. E as minhas questões são: é ok desejar que chova nesse dia ou até mesmo encomendar uma macumba? Dois, num tom mais sério, acham que alguma vez vou recuperar desta amizade? Três, escolheriam casar num dia que outros amigos já tinham referido como especial para eles, mesmo que os vossos amigos ainda não estivessem noivos? Obrigada pela ajuda, Carolina Patrocínio. PS: Aceito dicas sobre como lidar com o dia do casamento deles sem ser beber para esquecer."
Eu tenho aqui uma questão, e eu não sei se vais concordar comigo ou se vamos discutir neste e-mail, que é: eu acho que os amigos estiveram bem.
Ya.
De uma ponta à outra.
Ya.
Eu acho que os amigos ficaram noivos primeiro.
Ya.
Andaram a ver quintas e a wedding planner encontrou aquela quinta. Azar dos azares, eles não têm culpa nenhuma. Calhava na vossa data. Eles foram falar convosco.
Eles perguntaram.
Perguntaram. O que os outros amigos fizeram de errado? Eu gostava que a Carolina Patrocínio me dissesse o que é que os outros amigos fizeram de errado.
Eles foram super corretos. E se tu disseste que sim, a partir deste momento...
Eu percebo que te magoo, eu percebo que seja desconfortável pra ti, eu percebo que não tenhas coragem de dizer que não, "Não usem essa data, porque essa data é o do nosso casamento e isso vai nos magoar". E eu percebo até, eu até percebo que tu não tenhas vontade de ir ao casamento porque vai ser na tua quinta, no teu dia, mas os teus amigos fizeram tudo certo de uma ponta à outra. Eu sei que é desconfortável e eu sei que isto custa ouvir e é uma situação que se fosse eu, eu estaria roído por dentro e com raivinhas, mas...
A única pessoa a culpar és tu.
Os teus amigos fizeram tudo certo. Tudo certo. Eles não iam mudar de quinta nem de dia.
E também tenho outra pergunta.
Por causa de um casamento que ainda não estava marcado.
E também tenho outra pergunta, que é: eu sei que aquela quinta e aquele dia eram a coisa mais especial, mas o fato de outras pessoas casarem naquela quinta e naquele dia tirou-lhe completamente a vontade de casar. Então qual é a base deste casamento?
Exatamente.
É um dia específico e uma quinta muito específica, ou é-
É que ela está magoada de uma maneira que está a pôr em causa o próprio casamento. Já nem quer casar
Já não tem planos. Eu acredito que casar seja um momento importante para estares com o teu futuro marido ou mulher, que eu não sei, por acaso não...
Não sabemos.
Não sei. Refere.
Não. Não, não diz aqui nada. Pode ser a Gonçala Uva.
Sim, não sei. Eu só não queria estar a assumir que era um homem.
Certo, não assumas.
Eu acho que o mais importante é efetivar esse casamento, é haver essa festa. Eu percebo que se calhar é um dia e uma data e uma quinta específicas, mas há tantos dias e há tantas datas, que estarmos presos a uma coisa que era o perfeito, está a tirar a vontade de casar. Quer dizer...
Digo-te uma coisa: nós casámos no dia em que nos conhecemos. Fizemos questão que-
A festa, isso foi a festa, nós casámos dois dias antes.
Sem dúvida. Está bem, certo, mas isso pra mim é que é o casamento. A nossa festa foi no dia 8 de julho, que é o dia, olha, é amanhã.
Exatamente.
É o dia em que nós-
Não é amanhã.
Isto vai ser-
É depois de amanhã. É quarta-feira.
É quarta-feira, porque está a sair segunda-feira. Desculpem, perdi-me no calendário imaginário, porque nós não estamos a gravar isto no dia em que isto sai. Mas nós casámos nesse dia. Se um dos nossos amigos tivesse escolhido essa data para casar também, era uma coisa chata, do gênero: "Olha, não, mas esse é o dia em que eu e a Rita nos conhecemos, é o dia em que nós vamos casar, portanto, é o dia que vai ser do nosso casamento". Mas a partir do momento em que as pessoas vêm dizer: "Olha, é a única data que nós conseguimos, vai ter que ser nesta data", e não sei o que mais.
Sendo que não era a única que eles conseguiam.
Certo.
Ou seja, estou a concordar contigo, havia margem. Ainda havia margem. Se ela tivesse dito: "Olha, realmente, esse era o dia que nós queríamos casar, porque é o dia do nosso aniversário e é a mesma quinta que nós queremos. Vocês tendo outros fins de semana disponíveis, não se importavam de mudar?"
Pois é, essa data é importante pra nós, porque é a data do nosso namoro, é a data que nós queremos casar. Qual era o mal de dizer isto aos amigos? É que ela não quis dizer que não, não quis ser a pessoa que dizia que não. E agora, sente que a amizade está pior, já nem tem vontade de casar. Tudo porque disse que sim, quando queria ter dito que não. E eu acho que ela é que tem que fazer esse trabalho com ela, porque eu acho, vou voltar a uma ponta inicial, mas eu acho que os amigos tiveram bem.
Pois. Agora, como é que ela vai aguentar o dia do casamento? Acho que ela vai ter que fazer aqui mesmo uma mudança de mentalidade gritante.
Ya. E eu acho que não passa por ir falar com eles e dizer: "Olha, esta data custa-me".
Não, de todo.
Porque acho que eles não têm culpa absolutamente nenhuma e a conversa que era para se ter, eles já tentaram ter.
Não, é dela para ela.
Sim, isto é uma coisa dela para ela. E também digo uma coisa, eu acho que ela, se não tem condições de ir ao casamento, se ela sente que vai estar só chateada e irritada, ela tem que ir celebrar o casamento dos amigos, porque é isso que ela vai lá fazer. Ela tem que ir para lá feliz. Se é uma coisa que lhe custa por causa da data e do espaço, epá
Se calhar mais vale não ir.
Sai mais cedo.
Ou vai só à cerimônia.
Vai só à cerimônia, janta e vai embora. Arranja uma maneira qualquer de sair deste casamento, porque os teus amigos não têm culpa nenhuma da maneira como tu te sentes deles estarem a casar naquele dia.
E tu quando casares também não vais querer pessoas a fazer fretes para estarem lá.
Ya, exatamente. Olha, eu acho que é isto.
Isto foi um bocadinho tough love. Nós gostamos muito de ti, Carolina Patrocínio.
Adoramos, estiveste muito bem na tua série com as tuas irmãs. Até pareces a mais sensata.
É verdade, das quatro.
Das Patrocínio, até parece a mais sensata. Eu não estava à espera que a Rita fosse tão embirrenta, vou-te já dizer.
Irritante com tudo.
Mas MVP da série das Patrocínios.
Tiago Tiotônio Pereira.
Tiago Tiotônio Pereira, eu queria mandar um grande abraço, é o cara mais engraçado, que está com a energia certa naquela família de loucos. Está divertido.
Está divertido.
A aturar ali o Sweet Santana que parece um totó e o cara ali no gozo e deu bons tiros. Olha, eu vou te dizer uma coisa, Tiago Tiotônio Pereira.
MVP das Patrocínios.
MVP das Patrocínios, um grande abraço para ele. E este especial de casório ficou gigante, está com 45 minutos, mas eu nem me importo de fazer episódios grandes.
Não te importas por quê? Quem é que te disse para não te importares? É que eu ando há não sei quanto tempo a dizer para não te importares, mas alguém deve ter dito.
Não, foste tu. Foste tu e só tu.
É. terapiccasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar os vossos e-mails, como fez a Rachel, o Ryan Reynolds e a Carolina Patrocínio. Cá estaremos para responder a mais e-mails. Como viram, são todas as situações da vossa vida social.
Exatamente. Olha a vossa vida social é mesmo isso. Vistam-se de branco, peguem num coquetel e vão para um sunset, que nós estamos aqui.
É isso.