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Olá, como é que estão? Espero que estejam bem nesta segunda-feira, que eu espero que tenha um pouco mais de sol do que os dias que têm passado. Às vezes há um pouco de sol, eu fico feliz, depois vem uma chuva, eu fico triste.
Eu estou tão cansado com a conversa do tempo como do tempo.
Então não queres falar.
Não, eu estou farto de: "Não está sol, está chuva, está muita chuva, nunca para de chover". Já me cansei.
Então estás feliz com isto que temos?
Estou a ignorar o tempo.
Estás feliz com isto que temos?
Estou a ignorar o tempo. Não vou falar mais disso, estou farto.
Está bem. Então olha, como é que estás, estás bem?
Eu estou bem.
Pronto.
E adoro a meteorologia que tem feito. Estou muito satisfeito.
Tem feito uma meteorologia... Guilherme, no outro dia tivemos uma reunião de condomínio.
Verdade, sim, senhora, tinha esse tema mais pra frente.
E as nossas reuniões de condomínio, ao contrário das reuniões de condomínio das pessoas normais, é na garagem.
Eu acho que há mais prédios a ter na garagem do que nós achamos.
Acho que há poucos.
As pessoas podem responder aqui nos comentários.
A maioria dos prédios tem uma sala de condomínio.
O nosso prédio também tem. Só que essa sala não está em condições.
Ou reveza-se as casas, nas que não têm sala de condomínio. No prédio da minha avó era assim. Revezavam-se nas casas, mas também era um prédio pequenino.
Pois, um prédio como o nosso.
Não dá.
Não dá.
Tem de ter uma sala. Mas bom.
Não cabia toda a gente aqui.
Não, nem eu queria. Entretanto. E como estávamos na garagem, estivemos a olhar para os carros.
Sim, senhora.
Isto é tudo um preâmbulo.
Ok.
E a certa altura tu começaste a falar de termos um cocó de pássaro no nosso carro.
Falei disso, sim, senhora, porque me explicaram que-
Corrói
...que corrói a tinta e que tem que se tirar o mais depressa possível. E nós deixámos quase duas semanas um cocó.
Nós? Eu não sabia que tínhamos esse cocó.
Pois, não eras tu a cagar, estás-te a cagar.
Mas não interessa.
Mas pronto, depois estive a limpar isso.
Não estou a cagar, não sou eu, são os pássaros.
E cocó de pessoa no capô?
Vamos experimentar.
Também mancha a tinta.
Nós não conseguimos. Não há episódio nenhum em que nós consigamos não ser porcos logo no início.
Mas as pessoas também estão a ouvir.
É também para separar o trigo do joio, não é?
Exatamente.
Mas bom.
Estamos a envergonhar o observador e a afastar quem não tem que ouvir isto.
Entretanto, qual é que tu achas que é a pior cor de carro para se ter, tendo em conta os cocós dos pássaros?
O meu instinto é dizer branco, porque quando tens o carro branco vê-se mais o cocó, mas eu sinto que isto vai ter aqui uma revienga qualquer.
Vai ter uma revienga, porque houve um estudo americano.
Pois. Os americanos estudam muito. Nota-se na literacia deles.
Tentou perceber qual era a cor de carro que era mais provável de ser alvo de cocó de pássaro.
Eu pensei que fica pior o cocó em cima da tinta. Não, é que os pássaros fazem pontaria.
Fazem pontaria, não é que eles pensem: "Olha, não gosto deste senhor, vou fazer cocó no carro deste senhor".
Pois, já percebi.
O que os americanos perceberam? Que o castanho e o vermelho são as cores com mais probabilidade dos pássaros fazerem cocó. E depois um estudo do Reino Unido veio confirmar que estas cores, nomeadamente o vermelho, é o que tem mais probabilidade.
Ok.
Por que as cores mais quentes-
Espera aí. Então os pássaros são como os touros, vão ao vermelho?
Vou te explicar por quê.
Ok.
Qual é a teoria dos cientistas.
Ok. Acho que nunca estive tão interessado num facto como nesta pontaria dos pássaros.
É que cores mais quentes e escuras parecem mais a natureza, parecem mais a terra, parecem mais aquela gravilha com, não é bem gravilha, mas com tipo bark, etc.
Pois, já percebi. Um carro branco parece neve e os pássaros portugueses nunca viram neve.
Exatamente. Cores mais frias e mais pro lado dos azuis não existem tanto na natureza.
Ok.
E, portanto, os pássaros fazem menos cocó.
Já entendi. Sendo que eu gostava só de acrescentar um pequeno dado aí, que eu acho que isto é interessantíssimo, atenção, que é: eu não sei se 95% dos cocós que há em carros não são aleatórios e involuntários.
Provável, porque eles não se controlam, mas sentem-se mais à vontade de fazer em superfícies que pareçam a natureza.
Então todas as pessoas que nos estão a ouvir e que têm um carro ou vermelho ou castanho, na verdade, estão a ir pro trabalho numa sanita de pombo. É isso que está a acontecer. As pessoas estão a conduzir uma sanita de pombo. Olha, tenho que pôr gasolina na sanita de pombo. Estamos quase sem gasolina.
Também é assim, quem tem um carro castanho, estás a pedi-las.
Ya, estás mesmo a pedi-las.
Estás a pedi-las.
Carro branco é de traficante, não é?
É.
Carro branco é traficante.
É de chuning.
É de vendedor de droga, do bairro. Esse é o meu Mercedes branco.
Está rebaixado.
Olha, interessantíssimo este fato. Não estava nada à espera disto.
Pronto, estás a ver? Eu ainda te surpreendo, Guilherme.
Surpreendes, sim, senhora. Eu não sei se este não foi o meu fato favorito de sempre.
A sério?
Ya. Acho que este é o meu favorito de sempre. Como mete cocó.
Obrigada, TikTok.
Como mete cocó, já sabes que tudo que mete cocó me interessa.
E já agora, obrigada a todas as pessoas que me mandam vídeos com factos aleatórios.
Mandam.
Muitas pessoas mandam.
As pessoas que ouvem o "Terapia de Casal" são muito simpáticas.
No TikTok, no Instagram, muito obrigada. Cá estarei pra receber todos e filtrar.
Sim, senhora. Obrigado pelas vossas contribuições e podem dizer aqui embaixo nos comentários onde é que vocês têm a vossa reunião de condomínio.
Pensei que era de cor e que era o vosso carro.
Não, mas isso pronto. Diga-me só se tem cocós ou não e eu adivinho a cor. Mas onde é que têm a vossa reunião de condomínio?
Eu acho que é muito raro ser na garagem.
Eu acho que é muito mais normal ser na garagem do que este-
Mas tu só, olha, desculpa lá. Vou te fazer uma pergunta: a quantas reuniões de condomínio é que tu já tinhas ido antes de morares aqui?
A algumas.
A quais? Ó mentiroso, se tu só alugaste casa
Não, os meus pais tinham casas e iam eles à reunião de condomínio era na garagem, às vezes.
Não era nada na garagem.
Pois, é meio deprimente, nós estamos à volta de carros, parece o início de um "Fast and Furious".
Pois é.
Estão carros estacionados à nossa volta e pessoas a conversar.
O que é que é esta família?
Esta corrida.
Isto é família.
É uma família.
Não, mas eu falei da questão do carro, porque no outro dia falámos do Cocó e era para puxar essa...
Foi excelente, Rita, tu és uma excelente podcaster, não deixes que ninguém te convença do contrário.
Excelente storytelling.
Eu tenho uma sequência. Agora elogiei-te. A seguir vou te criticar e depois tenho o meu elogio a seguir.
Sabes que é um hambúrguer.
É o hambúrguer. Eu tenho uma crítica no meio de dois elogios. Já te elogiei, é excelente com esta coisa dos factos. Agora tenho uma crítica para ti.
O que é que eu vou levar? Tu estavas com carinha de sacana há bocado a preparar coisas.
Não, mas o que eu vou preparar é giro.
Já.
Tu não sabes contar histórias e vou te explicar porquê. Não tem a ver com a narrativa, porque tu és uma boa escritora.
Eu sou escritora, seu caralho. Desculpem.
Podes me ouvir até o fim?
Desculpem.
Não tem a ver com a estrutura, a viagem do herói em si da história, tu isso contas bem. Qual é o problema? É que a energia que tu fazes no início, na premissa da história, não faz match com o fim da história. E isso é muito confuso às vezes, porque no outro dia isto aconteceu, tu vieste ter comigo e disseste a premissa da história superanimada e depois a conclusão da história muito triste. Tu fizeste assim, chegaste ao pé de mim e disseste assim: "Amorzinho, tu lembras-te daquela gata laranja sem nariz? Lembras-te?" E eu: "Sim, lembro-me." E tu: "Morreu."
Eu não disse com esse ar de animada.
Rita, tu disseste com um ar superanimada na premissa da história.
Eu não disse animada.
Tu disseste assim: "Tu lembras-te daquela gata laranja..."
Nem era laranja, vês?
Não sei, é branca, eu não queria estar a dizer as cores do gato. Tu disseste: "Tu lembras-te daquela gata branca que não tinha nariz?"
Eu não disse assim.
Assim a rir. E eu: "Ai, eu acho que me lembro." E tu: "Olha, morreu."
Eu não disse assim.
A primeira parte da história não fazia match com a segunda parte da história, a energia.
Eu não disse assim. Tu é que estavas à espera de uma história, se calhar. Foram as tuas expectativas. Eu não disse assim, eu disse: "Amorzinho, lembras-te daquela gata?"
Não disseste, tenho a certeza que não disseste. Disseste muito mais animada do que isso, Rita.
Olha, lembras-te daquela gata? Foi sim.
Tu disseste: "Olha..."
Não, mas eu não estava a sorrir.
Estavas.
Não estava nada.
Estavas, tanto que eu...
Claro que eu não estava a sorrir se um gatinho morreu, eu não estava a sorrir.
Rita, eu garanto-te que a maneira como tu iniciaste a história, a energia estava errada.
Isto é um exemplo.
É um exemplo, porque eu agora vou estar mais atento, porque eu achei tanta graça que tu acabaste de contar a história e eu fui imediatamente apontar, porque a premissa de energia não teve nada a ver com a conclusão.
Não é verdade.
E foi hilariante. Tu não sabes contar a história, tu tens que fazer match da energia.
Não é verdade.
Desculpa, pronto.
Isto é a minha palavra contra a tua, eu estava muito triste. E estava, realmente.
Eu não estou a dizer que não estavas triste, mas tu iniciaste a história de uma maneira que não fez antever.
Se calhar é porque tu és tipo criança. Eu preciso de uma coisinha a abanar para ter a tua atenção.
Pois, também é verdade. Normalmente é ou energia, ou comida. De duas maneiras.
Com um snackzinho.
Olha, almoço. Queres vir almoçar? Olha, é só para ouvir antes de almoçar.
Para poderes almoçar, vais ter de ouvir esta história.
Pronto, eu achei só graça tu não fazeres match da energia na premissa da história e na conclusão da história. E vou estar mais atento a mais exemplos, porque é muito engraçado. É mesmo muito engraçado. Porque tu vieste ter comigo assim como e com um sorriso. Lembras-te aquela gata...
Eu não estava a sorrir.
Estavas.
Iá, vou anotar. Claro que eu não estava a sorrir.
Estavas um bocadinho.
Não estava.
Estavas bem disposta.
Não estava nada bem disposta. Achas que eu: "Uau, que boa disposição, morreu um gato."
Não, não é boa, não estavas tipo: "Epa, não vais acreditar." Também não foi isso, mas estavas a dizer: "Olha, tu lembras-te daquela gata..." Este tom não antevê que a gata morreu. "Olha, lembras-te daquela gata branca sem nariz? Olha, morreu."
Eu não estava a sorrir como tu estás neste momento.
Foi assim muito descida.
Isto também não é a ser, porque não foi verdade, mas se fosse verdade, também não era uma maneira engraçada de tipo choque.
De me apanhar na curva?
Sim.
Não, sem dúvida, mas eu tenho que estar preparado para esta história, porque eu vou atrás e faço match de energia, não é? Empata que sou.
Empatas muito, realmente.
Eu empato imenso. Eu vou atrás da energia, tipo: "Então conta-me." E tu: "Morreu." E eu: "Pois, que triste." É uma guinada no volante de emoções que eu não estava à espera. O segundo tema que eu queria trazer aqui foi: saiu a semana passada, muito recentemente, há dois, três dias, os dois episódios que nós fomos gravar com a FNAC e o Google Pixel 10A. Nós estivemos a gravar uma espécie de...
Telenovela.
Uma telenovela. Estivemos a gravar uma telenovela. E há várias coisas que é preciso dizer-se aqui. Primeiro, está muito bem gravado, porque nós fomos buscar uma pessoa para gravar connosco.
Que é a Márcia Soares.
A Márcia Soares, que é excelente e gravou conosco. Mas não era por aí que eu queria ir. Por quê? Porque nós dividimos as nossas tarefas. Nós somos aqui uma equipa de produção de conteúdos em casa. Então o que é que se passa? Eu escrevi o guião.
Mas é uma equipa de produção cujos pés desse lado da equipa de produção estão num lado.
Posso estar à vontade na minha sala?
Como é que os teus pés que estão desse lado, estão a tocar nos meus e esta mesa é grande. Eu vou medir esta mesa. Vou medir. Vamos ver quantos centímetros.
Vocês não estão a acreditar nisto. Eu estiquei as pernas debaixo da mesa e ela levantou-se para ir buscar uma fita métrica.
90 centímetros de largura tem esta mesa.
Ok.
90 centímetros de largura. Pára, tira os teus pés, deixa-me estar sossegada no meu lado da mesa.
Posso continuar a dar a história? Pronto. E o que é que aconteceu? Nós fomos gravar e nós somos uma boa equipa de produção de conteúdos. Nós somos um estúdio de cinema, no fundo, aqui, que é o seguinte: eu escrevi o guião Tu depois deste uns toques e depois tu editas e eu depois dou uns toques.
O mais giro é que o Gui escreve o guião. Desculpa.
Agora quero saber a montagem ou edição. Como é que vais colocar o teu nome?
Não sei.
Edição, quer dizer, idiota?
Não, mas tu escreves águionista e depois venho eu e digo: "Olha, mas isto é sobre um produto".
Está bem.
E convém dizermos pelo menos a marca.
Não, mas eu pus lá a marca e estava tudo lá. Mas o que é que acontece? Fomos gravar. Até aqui estamos a falar das divisões de tarefas, tu és boa numa coisa, eu sou bom noutra. Agora, há uma coisa em que tu és muito melhor do que eu, que é representar.
É verdade.
Tu és melhor atriz do que eu.
É verdade.
É indubitável.
Eu vou ganhar um BAFTA com estes.
Tu és muito melhor atriz do que eu. Tu consegues dizer as falas todas com um ar sério. Eu estou-me sempre a rir de tudo. Estrago os textos todos a rir. Nas produções fictícias, quando tirei o curso e comecei a trabalhar, antes de ir para o Canal Q, mesmo no início, depois de sair da faculdade, eu fiz o curso que tu escrevias e gravavas sketches humorísticos. Eu estragava todos. Todos os sketches eu ria, porque eu divertia-me estar ali a gravar aquelas parvoíces. Eu não sou ator, eu não me sei concentrar numa personagem, não tenho qualquer capacidade de representação.
Não, é muito engraçado.
Tenho má memória, esqueço-me das falas, baralho tudo, não sei dizer as falas. Péssimo.
Foi muito engraçado que havia uma altura deste vídeo em que tu tinhas de fazer um ar de apanhado. Tinhas sido apanhado por mim a trair.
Era fazer um...
E o Guilherme faz... Até parece que a partir do momento em que estás a gravar, não consegues.
Mas eu antes consigo? É que eu também não consigo.
Não sei.
Não consigo, eu sou mau ator, sou péssimo ator, não me peçam para representar, eu sou muito mau. Mas tu és excelente.
É verdade.
Tu conseguias dizer as falas todas. Estávamos no meio de uma Fnac, com apitos de alarmes ao lado. Estávamos a trabalhar com o Gonçalo, que era mesmo da loja e que por acaso era mil vezes melhor ator do que eu. E era um senhor coitado que estava lá a trabalhar.
Um rapaz.
Um rapaz, que se voluntariou para gravar connosco. Mas tu és excelente. E eu tenho aqui um pequeno desafio de representação para ti.
Agora vou-me rir.
Rita, tens que concentrar, és boa atriz ou não és? Eu tenho três frases que escrevi.
Agora vou-me rir.
E eu gostava que tu entregasses as três falas. Eu gostava que tu entregasses as três falas. Eu vou te mostrar a fala e tu vais lê-la direto.
Alguma delas é: "Lembras-te aquela gata?"
Não, não é.
Ok.
Eu vou te dar três falas e tu tens que as dizer entregando como ator.
Ok.
Ok?
Ok.
Mas imediatamente, não é ficar para ler, pensar, rir. Não, eu vou mostrar e tu dizes.
Ok. Está bem.
Estás pronta?
Então dá cá.
Primeira frase. Esta é a primeira frase.
Ok. Eu vou-me rir.
Três, dois, um.
"Ó Guilherme, eu não acredito que te apanhei a comer o cocó das gatas outra vez. O que é isto?"
Excelente. Entrega.
Dei o meu toque, porque não era isso que estava escrito.
Deu o teu toque, mas não está mal. Ok, primeira foi muito bom, entraste mesmo na personagem. Aqui não é irritado, aqui é outra energia.
Ok.
Aqui é outra energia. Vamos ver, segunda frase.
Ok, é que a energia irritada é a melhor para mim.
Pois é, porque é a que dá para disfarçar mais que tens vontade de rir.
Ya, exato.
Então eu não sei. Então agora vamos à segunda frase.
Eu estou-me a rir.
Vamos à segunda frase. Eu gostava que tu dissesses a segunda frase. Não é para ler antes. Deixa-te ir.
Eu preciso saber qual é o tom.
Está bem. Mas deixa-te ir.
Ok.
Está aqui a segunda frase que tens que dizer.
Eu não consigo dizer isso.
Consegues dizer isso. Vá.
"Bem, acabei de ver o deputado Rui Tavares no bingo dos lunenses, todo nu a dançar a Macarena, meu. Fiquei úmida."
Excelente, sem rir. Bom trabalho, Rita. Parabéns.
O pior para mim é olhar para ti, porque já lá, quando eu estava a tentar dizer as frases e tu estavas a olhar para mim, eu ria-me.
Ok, posso?
Eu peço desculpa ao Rui Tavares, que é o meu primeiro-ministro.
O teu primeiro-ministro estava todo nu a dançar a Macarena e ficaste úmida.
No bingo dos lunenses.
Agora, vamos ao terceiro.
E último.
E último. São só três. Aqui um pouquinho mais triste.
Ok.
Uma energia um pouquinho mais para baixo. Não é irritada, não é gossip, que foram as duas primeiras energias. Agora uma energia um bocadinho mais triste. Eu tenho aqui esta para ti.
"Pá, vim agora da reunião de condomínio. Não gostei nada, fiquei um bocado triste. Só ouvi aí três velhas a usurpar, só três."
Ok, excelente. Tu és mesmo boa atriz, eu não conseguiria de todo ir buscar essa energia e entregar estas falas.
Muito obrigada.
Tens mesmo um talento e eu acho que tu devias fazer mais coisas de representação.
É, que é para eu estar fora de casa, é o que tu queres.
Não, podes representar aqui.
Representa em casa. Olha, representa.
Até parece que eu gosto quando tu fazes coisas que eu te quero tirar de casa. Mas tu tens mesmo uma capacidade de desligar da Rita e ir para uma personagem.
Vi fazer teatro, não é?
Não sei. Se calhar mais marcas fazerem mais coisas conosco, em que é preciso explorar mais a tua capacidade de representação.
Sabes que eu fugi disso durante muito tempo quando fazia coisas com marcas, não gostava de aparecer. Agora tem de ser. Mas me diverti muito a fazer isto na Fnac.
Eu acho que foi giro. Eu também gostei de fazer aquelas gravações.
Eu acho que tu és melhor numa coisa, que é em expressões faciais.
Sou mais palhaço, é isso que queres dizer.
Exato.
Sou mais pateta. Sou mais final da anedota nos "Malucos do Riso", não é?
Um bocado. Ya. Estás a ver? Essa cara eu não conseguiria fazer. Mas percebo o que dizes. Acho que tenho mais capacidade de me concentrar. Acho que é um bocado isso.
Pois, não sei. Há duas coisas que eu encaro nos atores, e uma vez até disse isto ao Bruno Nogueira quando o conheci e comecei a trabalhar com ele.
Mic drop.
A capacidade, que eu não conheço mais atores. Diz atores que eu conheça.
Diana Nicolau.
Verdade. Conheço a Diana Nicolau. O Francisco Beatriz. Também conheço o Francisco Beatriz.
Joana Castro.
Joana Castro. Também conheço a Joana Castro.
Mafalda Castro.
Mafalda Castro. Pronto, agora vamos dizer todos os atores que eu conheço.
Estás a ver? Então.
Mas...
Salvador Martinha.
Também é ator. Agora, há uma coisa que eu até disse logo que é a capacidade de decorarem peças de teatro.
Não, isso é inacreditável.
Porque eu faço uma hora de stand up quando faço solos e mesmo assim já é o cabo dos trabalhos para eu conseguir meter lá o texto todo. Eu imagino falas, que se tu falhas uma, a resposta não existe. É irreal para mim decorar uma peça de teatro. E a segunda coisa é, quando nós estamos a representar, eu estou a fazer o sketch no canal, que eu também fiz sketches e coisa assim do gênero. Eu nunca consigo, eu sou sempre o Guilherme que está com uma câmera apontada e eu estou divertido de estar ali a fazer aquilo.
Não consegues ser outra pessoa.
Nunca.
Por exemplo, quando fizemos aquela cena do Teixeira da Mota, que tínhamos que estar a discutir.
Pois foi. Aquela coisa da masterclass.
Sim, tu também estavas um bocado...
Eu não consigo, porque sou eu a discutir contigo, a dizer umas falas. Eu estou divertido, olha, estamos aqui. E agora estamos a dizer coisas para rir.
Ya.
E está aqui uma câmera, aqui umas pessoas. Eu não consigo nunca abstrair-me de estão aqui umas câmeras e estão aqui umas pessoas a olhar para mim. Eu acho que sou o pior ator da história.
Não és o pior. Há uns que são pagos e são piores, acho eu.
Pois. Mas eu revejo-me, por exemplo, muito no Seinfeld, quando ele fazia o Seinfeld, a série.
Não, era péssimo.
Que ele é péssimo.
É o pior.
Ele era o pior, porque ele era claramente o cara que estava ali, porque era o nome da série, era do stand up e ele escrevia. E os outros eram atores e nota-se logo a diferença. Eu estou a contracenar com pessoas que são de fato atores. E é ridículo. Eu sou tipo o senhor a quem apontam a câmera e só falta olhar, quebrar a quarta parede e dizer: "Adeus. Estou a gravar aqui umas falas."
E tu fizeste isso muitas vezes com a Márcia.
Pois foi. Olho imensas vezes para a câmera, porque acho giro. Quero quebrar a quarta parede e dizer: "Olá, olha, agora vou dizer umas coisas."
Muito engraçado.
Sou muito mau ator, tu és boa atriz e eu gostava de deixar—
Muito obrigada. Passei ao lado de uma carreira, se calhar. Acho que é a capacidade de ir buscar um sentimento que eu já tive noutra altura.
Mas isso é representar.
Sim, mas acho que é mais fácil para mim aceder a esse inventário do que para ti.
Ok, pois eu percebo. Eu não consigo deixar de ser eu próprio.
Pois, é verdade.
Eu não consigo fazer aquela coisa de: "Não, agora vou ser uma velhinha...
Irritada.
Marreca irritada. Não, eu posso ser eu irritado, posso ir buscar essa energia, mas sou eu.
Por falar em velhinha, quero dizer uma coisa.
Ok.
Que é...
E ficou muito sério.
Não.
Estás a ver? Agora a seguir vai ser uma coisa divertida.
E é.
Porque como ficaste séria na premissa.
Fiz uma amiga velhinha na reunião de condomínio.
Conta, fala disso. Até porque a nossa reunião de condomínio foi completamente atípica porque só durou duas horas e qualquer coisa. Quanto é que foi?
Duas horas e pouco. Tu é que contaste 2h40?
Duas horas e...
Desde que saímos de casa, ainda para preciso descer, até à garagem.
Não, a reunião de condomínio comigo conta-se desde a porta de casa. Foi 2h13.
É ótimo.
Desde a abro a porta de casa para sair, até que eu abro a porta de casa para entrar. É assim que se conta a reunião de condomínio.
E há uma senhora cá no prédio, que eu já tinha, às vezes cruzo-me com ela, conversamos e tal, mas nunca tínhamos estado tão próximas.
Ok.
E agora nesta última reunião de condomínio, não sei porque ela engraçou comigo.
Ela sentou-se ao teu lado e vocês estavam as duas a bichanar. As duas velhas.
Estávamos.
As duas velhas a bichanar.
Foi muito giro. Achei muita graça porque ela às tantas disse: "O seu marido percebe destas coisas que eles estão a dizer?" E eu: "Olhe, não, não percebe muito." E ela: "Pois. No meu caso era o meu marido que percebia, mas pronto, agora morreram os tempos, tenho que perceber eu."
E conquistou-te logo aí, não é?
Conquistou-me logo aí, uma viúva, conquistou-me logo.
Que levou o seu banquinho para se sentar na garagem.
Também, eu levei o meu banquinho.
Pois claro. E já pensaste em ir lá, tu sabes onde é, não vamos dizer aqui, porque não temos que estar aqui a dizer números de porta, mas tu sabes onde é que ela mora?
Não, mas o nossozinho saberá.
O nosso sabe. Então, mas tu podias ir lá e levar-lhe um bolinho ou um chá, uma coisa qualquer.
Olha, eu adorava isso.
Fazeste uma amiga de uma velhinha no prédio, eu acho que podes ir lá.
Sabes que ela é toda gaiteira. Eu vejo-a muitas vezes a ir aí à vida dela.
E bem, a vida é para se aproveitar.
E ela uma vez ficou também de comigo da minha.
Foi ela que ficou uma vez?
Uma vez.
Ok. Acho que devias ir levar uma prendinha qualquer à tua nova amiga do prédio.
Olha, gostei dessa ideia. Depois comunicarei aqui como é que está a correr esta relação.
A evolução.
Sim.
As pessoas querem um update dos Oscars.
Querem?
Sim, as pessoas referiram-se na semana passada, não temos falado do...
Uau, já vi tudo. Pronto, esse é o meu update. Já vi tudo.
A Rita já viu os filmes todos.
Todos estão nomeados para o melhor filme. Não vi todos.
Todos estão nomeados para o melhor filme, a mim falta-me só o "Hamonet".
E depois faremos aqui um top.
Mas eu gostava que tu fizesses o teu top já.
Top três, vou fazer.
O teu top três de filmes dos Oscars.
O meu top três é...
Qual é, dos 10 nomeados ao Oscar, o teu favorito?
"Sentimental Value".
Ok, em primeiro lugar.
A seguir é o "Hamonet".
Segundo lugar, "Hamonet".
E a seguir é o "Marty Supreme".
"Marty Supreme".
E depois é o "Sinners".
E só depois o "One Battle After Another"?
Sim.
A seguir ao "Sinners"?
A seguir ao "Sinners".
Ok.
Vou dizer já aqui, achei o Agente Secreto uma grande seca.
Eu já falei no Private Joke.
Grande seca, maninhos. A sério.
Ya, o filme, mas não vamos entrar por aqui.
Não vamos entrar por aqui.
Isto não é o Mário Augusto, portanto, não vamos estar a entrar por aqui.
Não, e eu vou gravar brevemente também um episódio de "Livrete" em que vou associar livros.
E eu no Private Joke falei durante quase 15 minutos do que eu acho do Agente Secreto. Se quiserem ir ouvir, eu tenho um podcast sobre séries e filmes e vão ouvir lá.
Pois, mas eu não falei, não é?
Vais falar no teu?
Calma, era o que eu ia dizer, mas tu interrompeste-me, passaste-me por cima. Eu ia dizer que vou gravar um episódio de "Livrete" Vou associar livros aos filmes que estão nomeados para melhor filme. Portanto, também direi o que achei.
És muito criativa e tens muito boas ideias para o podcast.
Vamos às emails ou o quê?
Vamos às emails!
Dilemas de uma overthinker.
Queres começar com a Queen, que está under pressure.
Está under pressure, exatamente.
Eu gostava que tu lesses, porque a tua voz é melhor e tu entregas melhor porque és melhor a viste.
É verdade.
Agora eu dava-te outra vez outra nota do telefone com outra frase.
"Olá, Rita e Guilherme."
Cuidado com os nomes.
Sim. "Espero que esta mensagem vos encontre bem. Escrevo-vos com o intuito de saber a vossa opinião sobre dilemas da minha vida amorosa. Para dar contexto, tenho 22 anos e a primeira e única relação séria que tive durou três anos e terminou antes de ambos irmos para a faculdade. As coisas não estavam a funcionar, ciúmes envolvidos, e éramos ainda muito imaturos dada a idade. Desde esse término que todas as minhas relações foram um total falhanço. Desde friends with benefits que correram mal, a amores não correspondidos e ainda mais recentemente, a tentativa de conhecer alguém no Tinder. Depois de perceber que já estava farta de relações casuais, decidi que estava novamente pronta para uma relação séria, pelo que uma amiga me convenceu a instalar a tal dita aplicação, que na minha opinião está cheia de pessoas desesperadas e os restos de rapazes disponíveis no mercado."
Ok, isso deve ser o Tinder, o que ela está a falar.
"Como podem perceber, pelo meu ceticismo, não acreditava, e ainda hoje não sei se acredito, que iria conhecer alguém interessante e que me fizesse mudar de opinião. Ainda assim, depois de muitos matches, aceitei sair com dois rapazes. O primeiro, não senti grande conexão e ao fim do terceiro encontro deixamos de falar e de nos seguir no Insta. O segundo rapaz, apenas saí com ele uma vez, mas foi possivelmente o melhor first date que eu tive. Ele deixou bem claro que tinha gostado e que iríamos combinar sair novamente. As mensagens dele demonstravam interesse. Uma semana depois desse encontro, e para minha surpresa, ele disse que ia deixar de falar comigo porque entretanto tinha conhecido outra rapariga."
Ok, foi a outro date e correu bem.
Resultado história, apaguei a conta do Tinder. E é aqui que entram os meus dilemas. Eu gostava que a minha gata parasse de andar aqui em cima.
É que eu estou aqui a tentar...
Pronto.
Já está.
É aqui que entram os meus dilemas. Os meus familiares fazem imensos comentários que mesmo sendo involuntariamente, me pressionam a arranjar um namorado. Exemplos: o meu pai diz, e passo a citar: "É por estas e por outras razões que eu digo que tu devias arranjar um namorado", ou quando a minha avó pergunta: "Filha, mas os rapazes lá na universidade não olham para ti, tu és tão bonita." Ou até mesmo a minha mãe, que toda esperançosa que seja por causa de um namorado, me pergunta: "Estás a rir para o telemóvel, quem é?" E é só um TikTok engraçado que acabei de ver. Como lidar com esta pressão e não deixar que estes comentários me afetem? Como posso dizer aos meus pais que tenho apenas 22 anos e se não arranjei namorado é porque ainda não calhou e não estou a planear ficar para tia, nem irmãos tenho, quanto mais. A verdade é que sempre me senti resolvida no que toca a este assunto, mas ultimamente parece que estou a levar isto muito a sério. Todas as minhas amigas mais chegadas namoram e sinto que estou a ficar para trás. Quando tive o meu primeiro namorado, acreditava que a pessoa certa aparece quando menos estamos à espera. No entanto, agora acho que devia continuar a procurar. A felicidade não cai do céu, somos nós que temos de ir à procura dela, não é? Qual é a vossa opinião? Acham que fiz mal em ter desinstalado o Tinder? Acham que esta vontade de ter um namorado está meramente intrinsecamente relacionada com a pressão que a minha família faz? Peço desculpa pelo texto demasiado longo e obrigada pela vossa ajuda. Adoro o podcast, estou a ouvir-vos desde o primeiro episódio e são a minha companhia nas segundas-feiras."
Sim, senhora. É a Queen porque está under pressure.
Under pressure. Eu acho que ela respondeu à sua própria pergunta.
Ok, vai, dá-lhe. Go.
Eu acho que ela respondeu à sua própria pergunta. Eu acho que ela está a acusar a pressão.
Sem dúvida nenhuma.
Da família. E não sei se não estava um bocado na altura dela ter uma conversa com a família. Não levando isto, não fazendo um drama, mas quando um dia ouvir um desses comentários e dizer: "Olha, eu só tenho 22 anos. Eu sei que na vossa altura, as coisas eram..."
Com 22 já se tinha o primeiro filho, a primeira casa e o primeiro emprego.
Exatamente. As coisas aconteciam de forma diferente, mas eu também não quero arranjar alguém só por arranjar. Fim.
Pois, vocês querem que eu coma o primeiro que me apareça só para vos satisfazer a falta de namorado?
É que eu acho que não é nem um extremo, nem o outro das possibilidades que ela colocou. Ela perguntou: "Devo continuar a procurar ou devo esperar sentada que apareça?" Eu acho que não é nem um extremo, nem o outro.
Exato.
Acho que tem de haver alguma disponibilidade da parte dela, mental, de logística, para: "Ok, se calhar estou aqui no Tinder, mas não muito ativamente, se calhar vou fazer planos com pessoas solteiras que eu conheço ou vou fazer planos sozinha. Pode ser que conheça alguém." Tem de haver esta disponibilidade, mas também não acho que seja a pressionar e a estar sempre todas as semanas a ir a dates, que a coisa se vai resolver.
Pois, sem dúvida nenhuma. Porque procurar namorado não é bem como procurar casa, não é?
Exato.
Não é porque estás todos os dias no imovirtual que vais encontrar.
É isso.
Segundo, eu não tenho qualquer experiência com dating apps. Portanto, eu não te consigo responder se fizeste mal em desinstalar o Tinder ou não, porque é uma realidade. Infelizmente, juntei-me com esta que está aqui à minha frente antes de haver apps. Nunca experimentei o universo das apps. Mas isto para dizer o quê? Não há uma app muito melhor do que o Tinder, em que são as raparigas que têm que iniciar a conversa e não sei o quê. Essa não é melhor? Essa não é mais popular entre as mulheres? Não é a que as mulheres se sentem melhor e que se encontra melhor?
Eu acho que de qualquer das formas, ok, ela até pode mudar de dating app. Eu acho que a questão aqui é ela ser cética em relação a ser uma dating app que lhe vai trazer uma pessoa que não seja só para ir dar uns melos.
Pois, ela acha que nas dating apps está o resto.
Exato.
Mas ela pode continuar a fazer atividades fora daquilo e, de facto, ela foi a um date que gostou muito por causa do Tinder.
E eu conheço muita gente que está hoje junta e feliz e bem por causa do Tinder.
Certo, ninguém está a dizer que é mau o Tinder.
E acho que não têm de ter vergonha nisso.
Certo.
E quem tem vergonha é estúpido.
Eu acho que em relação a procurar uma pessoa, eu acho que ela está a fazer tudo bem. Porque ela está nas dating apps se lhe apetece, continua à procura fora. Eu acho que aí está tudo bem. A mim interessa-me mais falar desta coisa da pressão, porque há uma coisa que é preciso dizer à Queen, que é: quando acabar a pressão de arranjares um namorado e tu apresentares um namorado, imagina, tens 25 anos, apresentaste um namorado à tua família. "Olá, este é o Telmo."
A sério, é o Telmo?
É o Telmo. "Digam olá ao Telmo." "Queen, adoramos o Telmo, que simpático, ele tem um bom emprego" e não sei o quê, não sei que mais. Vai começar a pressão do casamento. Quando é que casas com o Telmo? Tens de casar com o Telmo. Ele já te pediu em casamento. Vais viajar com o Telmo? Ai, se é ele que pede agora.
Faz as unhas.
Faz as unhas, porque ele vai pedir, não sei o quê, não sei que mais. Ele pede-te em casamento aos teus 28, 29, 30, não interessa. A seguir vem: "Então e um bebé? Ó Queen, está na altura de um bebé, então nós estamos aqui à espera de um netinho, dá-nos um netinho". Essa pressão da família vai existir sempre, de maneiras diferentes. Quando tu estiveres com ele e já estiverem casados, é arranjar uma casa, depois é o bebé.
Depois é o segundo bebé.
Depois é o segundo bebé. Ou seja, tu tens que começar a pôr um travão e a gerir tu as expectativas que a tua família tem em relação a ti. Se é desconfortável para ti, manda uma boca. Diz: "Eu tenho 22 anos, eu arranjo um namorado quando eu quiser". Ou faz uma coisa que eu gosto muito mais, que é muito mais passivo-agressivo e muito mais divertido, que é começar a fazer pressão de volta. Diz ao teu pai: "E terapia, quando é que fazes?"
Isso é muito giro.
"Faz terapia, então. Eu arranjo um namorado quando tu fizeres terapia."
Outra coisa que o pai não queira fazer, ou quando for ao médico.
"Mãe, tu quando arrumares não sei o quê." Faz pressão com a tua mãe, como uma coisa qualquer que a família esteja à espera da tua mãe. Começa a fazer pressão de volta.
Isso é muito giro. E com ar de brincadeira.
Claro! Também gostas da pressão? Eu não gosto. Por que estás a fazer pressão também de eu arranjar um namorado? Vou continuar a fazer pressão. Pai, quando é que vais fazer exercício? Quando é que levantas o cu do sofá e começas a andar a pé para desmoar o almoço? Começa a fazer pressão de volta, porque a pressão é irritante, mas também é preciso dizer-se que a maior parte das famílias fazem pressão por amor, é por gostarem de ti, é por estarem preocupados, quererem saber coisas da tua vida. A pressão nem sempre tem que ser por julgamento ou por acharem que tu estás errada ou atrasada.
Ou às vezes é porque não têm outro tema, não sabem como comunicar.
Exatamente.
A Bibi até concordou. Vamos a mais um e-mail rapidinho?
Ok. Eu não iria, porque são 32 minutos, mas agora as pessoas já ouviram tu a dizeres que é outro e-mail e pronto, e agora vamos a outro e-mail.
As pessoas vão concordar comigo, Guilherme.
Eu guardaria este para a próxima semana, os 32 minutos estava bom.
Sempre tantos e-mails.
Pronto, então vamos a mais um.
Então lê tu, és tu.
Não, lê tu que tu tens melhor voz.
É da Hipócrates. "Queridos terapeutas, preciso de começar com isto: odeio pessoas hipócritas. E isto é importante para o contexto. Há quase dois anos mudei-me para a Alemanha por trabalho e fui viver com uma rapariga que honestamente é uma ótima flatmate e uma querida. Damo-nos superbém e somos mesmo amigas. Ao longo deste tempo falámos imenso sobre dating e ela sempre teve opiniões muito fortes. Homens são uma perda de tempo, nunca queria filhos. Nada do que eles fazem é considerado bare minimum para ela, etc. Eu até concordo com algumas coisas, mas sem tanto extremismo. Importante dizer também que ela nunca tinha ido a um date. Entretanto, eu andei a explorar a dating life aqui, fui a mil encontros, partilhava tudo com ela e muitas vezes ouvi coisas tipo: "Eu avisei" ou "Por que esperavas isso? Devias acabar já". Depois decidi fazer uma pausa, não por causa dela, mas porque as minhas prioridades mudaram e quero focar-me na carreira. Plot twist. Do nada, ela instala dating apps, começa a sair com um rapaz e não me conta quase nada. Descubro numa noite com amigos que basicamente já está a namorar há três semanas. E o melhor, está a fazer exatamente tudo o que criticava em mim. Viajar para a terra dele logo no início, aceitar silêncios de uma semana porque ele está ocupado, etc. E agora manda-me reels de bebés e fala de filhos quando antes dizia que crianças eram um pesadelo. Fiquei passada. Pedi-lhe só que dentro de casa não falássemos mais do tema porque me dá um trigger enorme. Eu sei que isto pode ser imaturidade minha e que provavelmente ela está só a viver a fase que nunca viveu. Ela tem 30 e nunca tinha ido a dates. Mas não consigo evitar esta raiva da hipocrisia. Queria saber como vocês lidariam com esta situação, porque at the moment não estou no meu momento mais maduro. Beijinhos para vocês e para os patudos." Olha, eu não seria madura, também. Eu iria ficar irritada, enervada com ela e eu acho que até me dava de casa.
Pois, repara, ela também não te contou nada. Ela não te disse absolutamente nada. Tu descobriste que ela já namorava num grupo com outras pessoas. Ou seja, que vontade é que ela tem, a não ser esfregar na tua cara que não tens, que ela já tem, se ela quando estava a tentar ter e a arranjar, não te disse nada sobre esse processo. Primeiro, essa pessoa não é tua amiga, porque senão contava-te o processo, falava das suas inseguranças e era uma coisa que tu acompanhavas o processo de mão dada com ela.
Claro, e até podia dizer: "Olha, durante este tempo todo eu fui supercontra, não sei o quê, mas agora qualquer coisa em mim está a mudar". As pessoas têm imenso problema, e eu não entendo porquê, em mudar de ideias, em dizer: "Olha, mudei de ideias em relação a este assunto". Têm imensos problemas em dizer isso. E eu não entendo porquê. "Olha, ok, eu antes não queria ter filhos, mas agora quero". Ou "eu antes achava que os homens eram todos uma porcaria, mas conheci um que me mostrou que não, que não são todos".
Sendo que, claramente, esta amiga dela, que ela está a dizer que tem 30 anos, está nos 30 e que nunca tinha ido a um date e era uma pessoa que não tinha apps e que não estava nesse universo, eu acho que ela tinha ódio por ressabiamento.
Sim, por não ter. Mas até podia ser uma energia.
Havia uma energia negativa exatamente por causa disso, porque como ela não fazia parte daquele universo, ela tinha inveja de tu ires a dates e de tu teres esse lado de dates.
E até podia não ser essa energia negativa e ela podia até acreditar piamente nisso, ser uma coisa não vir de lado nenhum, ela simplesmente não queria. Mas ela até tinha aqui um ponto de ligação, ela até podia ter dito: "Olha, amiga, ver-te neste dating life até me deu vontade de experimentar".
Ya. Pois, concordando, acho que ela é uma hipócrita. É 100% hipócrita.
Mas a nossa ouvinte é Hipócrates, porque o juramento de Hipócrates diz que não se faz mal a ninguém.
Exatamente. Ninguém está a dizer que vai fazer mal a ninguém. Mas eu acho que ela é, de facto, uma hipócrita, a tua flatmate. Sem dúvida nenhuma que ela é hipócrita. Acho que vem de um lugar muito grande de ressentimento e de ressabiamento, porque ela não tinha e quando arranjou, mudou imediatamente de opinião. Portanto, o que ela tinha era inveja. Ela tinha vontade de ter a mesma vida que tu tens. E eu acho que ela não é assim tão tua amiga como tu achas que ela é.
Até pode ser uma pessoa ok para viver, a vida em casa até pode ser ok.
A convivência.
Convivência, exatamente, mas claramente não é uma amizade.
Não é, porque ela escondeu-te completamente que estava a arranjar um namorado, provavelmente porque sabia as coisas que te tinha dito sobre o processo todo que tu fizeste.
E tinha vergonha.
E que ia ser apanhada em contradições e noutra opinião. E portanto, ela não me parece uma pessoa que tenha muita vontade de partilhar a vida dela contigo, e isso não é uma amiga.
Ya.
Isso não é uma amiga.
Não é uma amiga, é só uma flatmate.
Exatamente. E portanto, esta é a minha opinião.
Olha, exatamente, terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar os vossos e-mails, como fez a Queen e como fez a Hipócrates. Nós cá estaremos para a semana. Eu talvez já inscrita numa aula de teatro, quem sabe.
Sim, eu acho que a Rita para a semana já anuncia que peça é que vai fazer.
Vou fazer um monólogo.
No Dona Maria.
Exatamente.
Um monólogo de três horas, muito profundo, em que a Rita vai fazer chorar, vai fazer rir. E a primeira parte da peça ela diz a rir e depois acaba com-
Com tristeza
...a dizer que o gato morreu. Ya, a peça vai se chamar "O Gato Morreu".
"O Gato Morreu".