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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Terapia de Casal". Meu nome é Guilherme Fonseca, comigo está a minha esposa Rita da Nova, pessoa que odeia o cheiro novo do nosso carro.

Cheira a homem, cheira a Cotrim. Cheira a "investi em NFTs".

Mas isso não é de todos os homens. Quando tu dizes assim: "O nosso carro cheira a homem".

Cheira a um homem muito específico.

É um homem que faz banhos gelados e tem anel no polegar.

Ya, é um homem que, o ser o nosso carro ou ser um Tesla neste momento.

Tu achas que o nosso carro cheira a Tesla de fábrica?

Não, cheira ao que um Tesla fica a cheirar depois dos homens dos Teslas andarem lá.

Ok.

É um cheiro muito específico a homem.

O nosso carro cheira a-

A homem que se veste de fato ao fim de semana.

"Querida, eu vou para o paddle com os meus amigos, saio de casa ao meio-dia, vou voltar às 21:00 bêbado".

Ya. O nosso carro cheira um bocado a homem. É um homem liberal, vamos dizer assim.

Ainda para mais, nós fomos pôr o carro a lavar. Nós tivemos o... O que é isto? Por que eu estou a fazer beatbox? Nós tivemos vários dates esta semana, já vamos falar.

Já vamos falar sobre isso.

Mas nós tivemos um date na segunda-feira em que fomos basicamente trabalhar.

Tu achas que isso é um date? Ir trabalhar.

Eu acho que é um date. Sair de casa contigo para irmos os dois fazer merdas é um date.

Ok.

Por exemplo, hoje tivemos um date, fomos votar.

Não.

Para mim é um date.

Não, não é.

Fui com a minha mulher. Foste fazer o quê? Fui escrever um papelinho.

Já lá vamos também, tenho uma coisa para dizer sobre isso.

Mas o que eu queria dizer, nós tivemos um date esta semana, um dos dates que nós tivemos foi fomos trabalhar para fora de casa e fomos pôr o carro a lavar.

Isto é um date.

É um date.

Fomos trabalhar só.

Fomos trabalhar para um café e pusemos o carro a lavar. E quando pusemos o carro a lavar, o senhor perguntou, ele mostrou-te os três cheiros.

Eu sei, de todos os três era o menos mau. Só que eu não tive coragem de dizer ao senhor: "Não, deixe só o carro a cheirar a limão como costuma".

O que aconteceu, que era o meu ponto. Dantes, quando tu punhas o carro a lavar e te perguntavam que cheiro é que querias no carro, era: "Quer limão? Quer um pêssego?"

Não, nem te perguntavam.

"Quer carvalho?"

Não te perguntavam.

Agora não. Agora é: "Olhe, nós temos uma parceria com a Calvin Klein", ou o que era.

Hugo Boss.

Com o Hugo Boss?

Claro que é Hugo Boss, por isso é que eu não gosto do cheiro.

Nós temos aqui uma parceria com aquela marca que fazia as fardas nazistas e queríamos saber destes três cheiros, qual é que gostava mais. E nós escolhemos.

O menos mau.

O menos mau. Se o menos mau cheira a homem.

Vota na Iniciativa Liberal.

Que corre maratonas aos 50, porque se quer sentir jovem.

Sim, cheira a Cotrim.

Então, a que é que cheiravam os outros? Vais-te eu dizer.

Um deles não me lembro, o outro cheirava à mulher do Cotrim, que ainda é pior.

Ia fazer uma piada, mas não posso, porque, na verdade, é tudo alegadamente.

Eu acho que as mulheres têm o direito de escolher que tipo de homens é que, com quem é que querem estar e acho ótimo, mas há uma resposta que é errada e um homem como o Cotrim é essa resposta errada.

Mas por que tu tiraste, tu tomaste o Cotrim de ponta hoje?

Se calhar foi porque fomos votar.

E estás a pensar nele.

E eu vi lá a cara dele.

E por acaso o nosso bairro tem imensos, o sítio onde nós votamos.

Não, o nosso bairro não tem.

Tem.

O nosso bairro não tem.

Imensos Teslas e senhoras de vison.

O nosso bairro não, o sítio onde nós vamos votar sim, é diferente.

O sítio onde nós vamos votar. Que é, eu acho que se só votasse, nós moramos no Lumiar, podemos dizer assim, se só votasse o Lumiar, Cotrim presidente à primeira volta.

Que nojo.

Mas por que tu tomaste o Cotrim de ponta hoje?

Porque me apetece tomar o Cotrim. Não posso tomar o Cotrim de ponta? Agora não posso tomar quem eu quiser de ponta?

Mas a dinâmica deste podcast é que se tu começas a atacar o Cotrim, eu naturalmente vou começar a dizer coisas boas do Cotrim.

Não podes dizer.

Só para contradizer.

Não.

Vou dizer.

É só para contradizer agora.

Olha, tem um excelente cabelo.

Estou fazendo arrãos com outra pessoa.

Tem um excelente cabelo para quem tem 64.

Era, estou fazendo amor, mas...

Não queres conversar, não posso falar. O microfone não é pisar, então o sec sec.

Não. Fomos votar.

Fomos votar. E foi esta a energia que trouxemos para casa.

Fomos votar e aconteceu-me assistir a uma situação que foi a senhora que estava a pôr o seu boletim de voto antes de eu dar o meu cartão de cidadão.

Ok.

Está quase a deixar cair o seu boletim de voto na urna.

Ok.

E diz: "Eu não precisava de assinar, pois não? Era só pôr a cruz". E a rapariga que estava na mesa de voto diz: "Assinar?" E ela: "Sim, assinar o boletim, não precisava, pois não?" E a rapariga: "Não". E ela: "Ok". Deixou cair o boletim e foi-se embora. A senhora estava na casa dos 50. Não é a primeira vez que vota.

Não sabes. Não podes dizer isso com toda a confiança. Não podes, não sabes. Pode ser a primeira vez que a senhora vota. Pode ser que a senhora tenha caído naquelas coisas muito engraçadas que se fazia com os eleitores do Chega, que é a malta, como vocês nunca votaram, este voto de protesta é assim, vocês para votarem no Chega, têm que assinar a folha embaixo, que é para o voto, que é para eles não trocarem o cruz. Se calhar a senhora.

Votou Chega.

Ou acha que é preciso assinar, porque viu em fake news de Facebook e memes da internet.

Mas já viste isto? É que o método de eleição não mudou.

Não, de todo. E já se vota neste país há 50 anos.

Exato.

O 25 de Abril foi há 50 anos. Esta senhora, claramente, ou então é só daquelas pessoas, há pessoas assim, que são um bocado irritantes, mas eu até percebo, porque eu às vezes sou assim, que é, têm que confirmar tudo, que é para terem a certeza que não estão a ir contra nenhuma regra.

Ou então só mesmo para fazer conversa

Ya. Eu às vezes sou assim, do gênero: "Olhe, eu tirei a senha, agora espero nesta fila." E eu sei que é a fila, mas quero só que alguém confirme que é a fila.

Mas por que queres que confirmem que é a fila, se tu sabes que é a fila?

Eu vou te explicar. Ya, eu estou a descobrir isto sobre mim neste momento, que é: às vezes, nas aulas, eu era o menino que dizia assim: "Professora, desculpe lá, o teste é no dia 7, não é?" Eu sabia que o teste era no dia 7, mas eu queria só confirmar com a professora que era.

Mas por que querias confirmar se sabias?

Não sei, era só pra ter a certeza.

Querias mostrar que estavas empenhado.

Ou que sabia, que tinha ouvido, que decorei, que estava tudo certo. O que eu quero é uma figura de autoridade a confirmar que está tudo certo.

Que diga: "Sim, senhor, está muito bem."

Está tudo certo, estás bem, é isso. Está tudo bem. É nessa fila.

Isso é um bocado problemático.

"Ó senhor guarda, eu ia nadando a velocidade." "Não se preocupe, siga." Eu queria só um: "Está tudo bem, siga".

Tu tens problemas com autoridade, é isso que estamos a perceber. Tens complexos.

De vária ordem. Eu tenho complexos de vária ordem, mas eu revejo-me um bocado nesta senhora e portanto eu pedia que tu não dissesses mal dessa senhora.

Tu hoje estás para contrariar tudo o que eu digo, não vais concordar com uma única coisa.

Vou concordar.

Ok. Então podemos falar dos nossos dates.

Podemos.

Nós temos feito uma coisa, começámos a fazer este ano, na verdade. Já o ano passado era um objetivo que eu tinha, mas depois acabou por não se concretizar. E então este ano falámos e eu disse: "Olha, uma das resoluções, se se pode chamar assim, deste ano, eu gostava que fosse termos mais dates os dois".

Exatamente.

Fazermos mais coisas os dois.

Reafirmar um bocadinho que ainda nos amamos.

Não é ir pôr o carro a lavar e ficar no café à espera.

Não é ir votar.

Não é ir votar. É mesmo ter dates, estarmos só os dois, estarmos sem telemóveis, estarmos um com o outro a conversar ou a fazer qualquer coisa. E então decidimos que todos os meses vamos fazer um date de ir jantar fora e um date cultural.

Exatamente. Janeiro ficou a teu cargo.

Exatamente, sendo que janeiro fica a meu cargo, fevereiro a cargo do Gui, março a meu, abril o dele, portanto vamos alternando.

Exatamente.

Que é pra não ficar tudo em cima de mim.

Olha, pronto, começa. O que é tudo em cima de ti? Eu também te dava ideias de coisas.

Ó Guilherme, desculpa. Os dates mensais do ano passado não avançaram porque eu não andei pra frente com eles.

Mas porque nós marcávamos coisas à mesma.

Não, não era porque nós marcávamos coisas à mesma.

E muitas vezes eu comprava bilhetes pra espetáculos a contar contigo e depois tu é que não querias vir.

Mas nem avisavas.

Não avisava. Faz-te ainda avisar.

Mas são todos espetáculos de stand-up.

Quando são coisas que tu marcas, tu tens interesse. Quando são coisas que eu marco.

Não, não é verdade.

"Não, vai com os teus amigos, vai com o Duarte ou com o Figueiredo."

Não é verdade. Tu só marcas stand-up. Tu não pensas: "Ah, bora marcar uma coisa que não seja stand-up", porque pra mim, no meu entender, stand-up pra ti também é um bocado de trabalho.

Sim, sem dúvida. Está bem.

Eu quero que tu penses fora da caixa, Guilherme.

Quando eu vou ao lançamento de livros contigo?

Mas eu não considero isso um date. Eu não digo: "Isto é o nosso date".

Não, mas a seguir temos um jantarinho, vamos passear. A seguir temos aquele restaurante, vamos lá comer. Foi o que aconteceu no outro dia, tu estás a lembrar.

Mas foi um date específico.

Foi sem dúvida nenhuma.

Que eu disse: "Vamos fazer disto um date." Eu gosto de oficializar que é um date.

Pronto, mas por mim não tem mal, eu adoro ir em dates contigo.

Vá, então nós fomos este mês. Eu ia dizer, sendo assim, bate o quê?

Não sei.

Eu janeiro, tu fevereiro.

Bate certo com nós não somos responsáveis do mês do nosso aniversário.

Ah, giro.

Porque continua lá. Estavas a dizer janeiro, tu, fevereiro, eu, março, tu, abril, eu, maio, tu, portanto ficas com o meu mês, está certo, ficas tu.

Mas eu vou ficar com o meu mês também.

Depois junho, eu.

Ficamos com os meses ímpares.

Pois é. Aí trocamos.

Estás a ver, Guilherme?

Aí trocamos. Eu faço o mês seis e sete.

É, fazes. Eu conheço-te. Não vais fazer nada, mas é só eu não andar atrás de ti.

Isto é impressionante.

Então, este mês fomos jantar a um restaurante e depois ontem, sábado, nós estamos a gravar isto no domingo, foi a vez do nosso date cultural e fomos fazer brunch. E depois fomos a uma exposição na Gulbenkian.

Sim, senhora. Fizemos brunch em Nova Iorque, que é como se chama agora a zona das Avenidas Novas, porque era só americanos a passearem cães de leggings. Portanto, estávamos em Nova Iorque. Eu curti de ir a Nova Iorque, já tinha saudades, e depois fomos ver uma exposição na Gulbenkian.

Sim, chamada Complexo Brasil.

Que eu não sei como é que tu chegaste lá. Como é que chegámos a essa...

Descobri no TikTok.

Ah, ok.

Porque eu não vejo só stand-up. Eu exploro outras coisas.

Pois tu admiras-te que eu estou contra. Isso são só ataques atrás de ataques. Senhor deputado, isto é inacreditável. Nós viemos aqui pra construir pontes e o senhor está a atacar.

Então, a exposição chama-se Complexo Brasil, vai estar eu acho que até meio de fevereiro na Gulbenkian, e é sobre a diversidade cultural que existe no Brasil e sobre como Portugal ter colonizado o Brasil impactou negativamente muita dessa diversidade cultural.

Sim, senhora.

Assim, em resumo, é isto, mas tem várias peças feitas por pessoas indígenas do Brasil, tem vários vídeos que mostram os efeitos da colonização no Brasil. Adorei mesmo.

Qual foi a tua peça favorita da exposição? Porque eu tenho uma, que eu gostei particularmente.

Eu gostei muito da exposição dos cartazes a mostrar que a certa altura o Brasil queria destruir a Amazônia.

A ditadura militar a dizer: "Chega aqui".

Esses cartazes são assustadores.

A propaganda.

Sim, que é: "Vá, floresta é o inimigo do progresso". Como assim?

Ya.

Gostei. Enfim, mas essa foi a parte que mais me impactou.

Mas podes dizer gostei, não estás a concordar. A parte que eu gostei mais foi o livro de História, que não fala das comunidades indígenas, que deram a artistas-

O livro de História de Arte

...o livro de História de Arte, que não fala das comunidades indígenas que estavam lá antes da colonização. E eles deram a artistas para rabiscar, é assim que se diz, não é?

Sim, pra escrever por cima. Pra desenhar por cima, pra fazer o que quisesse por cima.

Pra desenhar por cima do livro de História de Arte.

Então é uma parede com as páginas.

Espetacular, acho que esse foi o meu favorito.

Muito giro. E depois tem vários pequenos filmes, que falam várias coisas. Uma delas, que eu não sabia, por exemplo, que Brasília foi escolhida pra ser a capital do Brasil a certa altura, mas não havia lá nada.

Havia as comunidades indígenas lá do sítio. É uma espécie de Las Vegas, mas Las Vegas foi uma cidade construída no deserto e aqui é do gênero: "Tá lá mato, fazemos ali."

Não é uma cidade que naturalmente evolui para ser uma capital.

Foi uma cidade construída de propósito.

Construída no deserto.

Foi como Bruges, quando nós fomos a Bruges e eu disse assim: "Isto é lindíssimo". E depois um guia disse assim: "Isto parece antigo, mas tem tudo 40, 50 anos. Isto é muito recente aqui".

Sim, porque foi tudo destruído com a Segunda Guerra Mundial e depois voltaram a fazer tudo igual. Mas gostei muito.

Eu ia dizer outra coisa, que é: eu acho muito interessante quando há vídeos nas exposições de arte, sítios para uma pessoa sentar. Qual é o problema? Depois de um brunchzinho, em que uma pessoa vai aos aos mexidos-

Vais casar com um velho.

Posso acabar? Posso acabar ou não?

Podes.

Eu queria só dizer isto às pessoas que fazem exposições. Uma coisa é vocês terem a vossa arte e passarem a vossa mensagem, o colonialismo é mau e não sei o quê. Mas se eu vou a um brunch primeiro comer um ovo mexido, um queijinho, um salmãozinho e ainda um bolinho de cardamomo, eu a seguir vou ter sono numa salinha escura, porque hão de estar a projetar um filme. E ainda por cima a entrada dizia: "Olha, este vídeo tem 12 minutos" e eu: são 12 minutos que eu vou estar a combater para não adormecer.

De repente percebes que eu adormeço quando estamos a ver séries.

Vou te dizer uma coisa, os vídeos eram muito interessantes e eram bem feitos, de facto, e estava ali a mensagem bem passada, muito bem editado. Tive que fazer um esforço para não adormecer.

És inacreditável.

Não vou mentir, porque é muito interessante, mas foi depois do brunch. Desculpem lá. Não é a melhor altura para estar a ver cultura, sentado, no escuro. Não é. Desculpem lá.

Nem com o samba que estava por trás a animar tu acordas.

Não, mas aquele rap era espetacular.

Rapper indígena.

Indígena, brasileiro. Ou seja, tu percebes algumas palavras, mas a maior parte daquilo nem é português.

Não, é a língua deles.

Certo, lá a língua deles. Não tem paralelismo. Ou seja, não consegues entender expressões em português do Brasil.

Ya. Há uma parte em que ele diz: "Vocês criticam porque eu uso a internet, mas vocês é que querem destruir a natureza". Ou seja, vocês é que estão mal, não sou eu. Eu estou me a aproximar de vocês usando as vossas tecnologias, mas vocês estão a destruir tudo o que é meu. Achei superinteressante. Vale muito a pena, chama-se Complexo Brasil. Não precisam de comprar bilhete para a Gulbenkian inteira, podem só comprar para a exposição em específico.

Depois passeamos na Gulbenkian, que não veem patos. Nós vimos patos.

Vimos patinhos, foi muito giro. Não podem, porém, entrar com comida na exposição. Eu tinha-

O resto do nosso brunch.

Um resto de um pão suíço.

Pardon?

"Oui".

Um pão suíço.

Um pão suíço.

Na Gulbenkian.

E estava fechado. E o senhor: "Não podem entrar com comida, tem de deixar na bengaleira".

E que foste quase Karen. Quase foste Karen.

Eu não ia comer no meio da exposição.

Não sei, naquele escurinho daquele cinema, para dar uma forcinha, um açúcarzinho para acordar. Não sei se eu não pedia um pão suíço.

Um pão suíço. Portanto, gostei muito, estou muito curiosa com os nossos dates de fevereiro, depois podemos comunicar aqui quais é que foram.

Podemos comunicar. O de jantar já está marcado. Pedi ajuda aos maiores gourmets que eu conheço, que foi Manuel Cardoso e Cátia Domingues. Por acaso, a Cátia Domingues, eu vou dizer isto aqui porque eu gosto muito da Cátia Domingues. A Cátia Domingues tem uma página agora onde partilha receitas e faz comida para fora. Ela fez no Natal, não sei se ela vai voltar a fazer agora em breve, que se chama Das Tripas Coração, e eu acho que as pessoas deviam seguir.

Muito bem.

E eu pedi-lhes conselho. Vamos falar desse nosso date depois de acontecer, mas eu marquei, vamos a um bom restaurante.

Ok.

E em termos culturais, eu gostava que fosse teatro, porque nós não vamos ao teatro há muito tempo.

Pois é.

Fomos o ano passado ver a peça da Margarida Vila Nova, à primeira vista.

E fomos ver Shakespeare.

Advogada. E fomos ver Shakespeare no Shakespeare Globe, em Londres, mesmo lá no sítio do Shakespeare, que não é bem o sítio, que era outro, mas mudaram para ali. Portanto, sim, não vamos ao teatro. Este ano ainda não fomos ao teatro e eu gostava de ir ao teatro.

Muito bem. Então fica do teu lado.

Exatamente. Eu gostava de dizer isso, porque toda a gente diz que janeiro é um mês enorme. E é, de facto, mas isso já está meio batido. Tu não sentes que-

Que dá para fazer imensa coisa em janeiro.

Sim, mais ou menos. O que eu quero dizer é: tu não sentes que janeiro é o mês que nós temos mais atividade social?

Se calhar.

Mais que agosto, mais do que julho.

Mais que agosto?

Mais que agosto.

Sim, sabes por quê?

Nós em janeiro, eu até vou olhar para a minha agenda.

Sabes por quê? Porque não conseguimos fazer uma série de coisas com uma série de pessoas durante o mês de dezembro por causa das festas.

E empurra-se para janeiro.

Exato.

Então olha, em janeiro já tivemos-

E também é aquela coisa da resolução de: "Vamos estar mais, vamos estar mais juntos".

Três.

Sabes?

Sim. Quatro.

Estás só a contar. A seguir é o cinco.

Cinco.

E depois do cinco é o seis.

Seis.

Muito bem.

Sete, oito, nove.

10, 11, 12.

10. 10, sendo que depois da última semana de janeiro, tu vais me abandonar. Nós temos 10 eventos sociais. 10.

Estás a contar jantares, almoços, etc.

Em 30 dias.

Pois.

É que isto é um exagero.

É um exagero, mas eu acho que é isso.

Eu nem conto almoços, porque almoços eu esta semana vou ter um por dia, com pessoas diferentes.

Ainda não vamos almoçar com a tua mulher esta semana.

Se calhar um dia ou outro, quando isso vai acontecer. Mas tu não sentes que janeiro é um mês com imenso social? E nós ainda temos jantar, almoços para combinar e para marcar.

Toca. Eu acho que é isso.

Não sei o que é que se passa.

Eu acho que são as duas coisas. Não marcamos tanta coisa em dezembro por causa do Natal. E outra coisa que é aquela resolução de: "Este ano temos de estar mais juntos. Bora já marcar para janeiro". Isto vai morrer em fevereiro, março.

Não sei. Pois é possível. Se isso correr bem, também não há de ser esta carga nos meses todos. Eu não tenho a agenda social de um candidato a fazer campanha. Do gênero: "Não, tem que almoçar em Coimbra e depois ir jantar a Faro". Eu não quero ter essa vida. Mas isso para dizer o quê? Dizer que nós estamos com uma agenda social muito grande este mês. Eu em fevereiro e março, malta Tenho que me convencer, porque isto é uma loucura. Eu quero estar na minha casa. Isto não faz sentido absolutamente nenhum.

O que não tem nada a ver com estares em tua casa e mais de um ano depois.

É verdade, ainda nem fomos a isso. Mas é que eu ainda tenho outro tema para falar a seguir.

De teres oferecido aulas de country line dance.

É verdade, fez exatamente um ano, porque foi no Natal de 2024 que eu te ofereci as aulas de country line dance.

Eu comecei em janeiro do ano passado.

Começaste em janeiro, a ti e à amiga Márcia, para tu não ires sozinha. Foram as duas começar as vossas aulas de country line dance.

Fazemos aulas uma vez por semana.

Exatamente. Quando fez um ano, em janeiro deste ano, tu convidaste-me. E agora tu vais dizer, por palavras tuas, exatamente o que é que aconteceu.

Eu estava receosa. Pensei: "O Guilherme vai se fartar, vai odiar, vai ficar irritado".

Eu estava um pouquinho pé atrás, mas sabes que no country line dance o pé vai atrás, vai à frente, depois vai ao lado.

Está bem, que trinco. É que foi que fizeste essa carinha de Marialva agora. Foi difícil convencer-te.

Eu vou te explicar por quê. Não é porque eu tivesse vergonha de ir dançar country line dance. Não é isso. É, eu ofereci-te as aulas de country line dance para ser uma cena tua. Tu e da tua amiga.

Mas eu também posso explicar o que é.

Podes.

E foi o que eu te disse. Isto não significa que tu passes a ir às minhas aulas todas.

Olha que as pessoas que lá estavam.

Não significa nada disso. Significa só que passou um ano, para celebrar um ano de-

Country line dance

...calhou, porque a nossa amiga Márcia e o António estavam de férias. Tu também não tinhas nada à tarde. Então pensámos: "Vamos fazer um planinho, vamos os dois à aula de line dance".

Não conta esse, foram 11.

E depois vamos jantar.

11 eventos sociais.

E depois vamos jantar. E eu estava receosa que o Guilherme ficasse desconfortável, porque o Guilherme não se sente muito bem nestas coisas das danças. Então o que é que eu fiz?

Eu não quero ser o centro das atenções.

Certo, mas ali ninguém é o centro das atenções.

Há pessoas que têm main character syndrome ali.

Quem?

Abonam demasiado o rabo, querem muito estar à frente. Há ali pessoas que querem ser notadas. E não tem mal.

Então o querer muito estar à frente estás a falar de mim?

Hã?

O querer muito estar à frente, estás a falar de mí. É que roda. O line dancing é tipo a vida, tão depressa estás à frente como estás atrás.

Ya, mas continua, desculpa.

Pronto. E então eu pensei: "Não vou para o pé dele. Vou deixá-lo estar no canto dele, a fazer com o António. Eu vou para o meu sítio normal. O Guilherme fica onde se sentir mais confortável, para não estar sempre ao teu lado". E tu safaste-te estranhamente bem.

Estranhamente? Meu amor, eu dominei a pista, eu nasci para o country line dance.

Calma.

Eu só falhei uma coreografia. Maior parte delas vocês sabiam todos decor, e eu só de ver, apanhei, passa, ok, aqui vai, não sei o quê, e já estou dentro.

Dominar o country line dance também é exagero.

Morzinho, eu sinto que nasci para ser cowboy. Eu saí de lá a cavalo. Eu já encomendei umas botas de cowboy para andar na vida.

E um chapéu.

Um chapéu, e agora a minha vida é isto. Eu sou do country, eu ando em line, eu sei dancing. E agora acabou. A minha vida agora é isto.

Surpreendeste-me.

A professora veio ter comigo e disse assim. Já tinha dançado? Não, quem é que foi?

Foi a Carmen, que é uma colega nossa.

Tem passado de bailado ou de dança? Tem, não tem. Eu nunca dancei na vida. Como assim nunca dançou na vida?

Também é exagero, não é?

Oh pá.

Ele com a vergonha diga.

Eu vou deixar o meu corpo falar. O meu corpo sentiu-se à vontade ali a dançar. Eu nasci para line dance.

Então mas conta-me como é que-

Eu estou mesmo a ver que para divulgar este episódio tu vais querer pôr-me a dançar.

Não, porque tem as fotos das pessoas.

Tem outras pessoas, não é?

Tem. Ou seja, é um vídeo que tem outras pessoas. Eu não quero o RGPD.

Pois, e até punha uns para close friends, mas depois o que é que acontece, não é?

Pois.

Qual é a experiência desta campanha eleitoral com as coisas de close friends.

Queria que contasses tu um bocadinho como é que foi. Duas coisas: como é que foi veres, que tu eu acho também não estiveste muito atento, mas como é que foi veres a prenda que tu ofereceste transformada um ano depois? E como é que foi a experiência para ti?

Olha, o que eu noto é que tu ao longo de um ano tiveste imensa evolução, porque claramente quando eu fui agora-

Obrigada, marca-me aí a Lís.

É verdade. Eu agora quando fui lá experimentar country line dance, estavas ao meu nível. O que quer dizer que tu evoluíste imenso.

Estava ao teu nível.

Evoluíste imenso neste ano. Já estás ao meu nível no country line dance, eu que nasci para o country line dance. Estás cada vez mais parecida com o meu estilo a dançar. Olha, eu gostei. Acho que a energia lá, eu vou dizer isto de uma forma bastante direta, mas de uma forma simpática. Aquilo são uma data de velhos da linha que vão para ali dançar o esquema dos americanos. Os rednecks americanos. Mas as pessoas são muito simpáticas, há uma energia muito porreira. Vocês claramente são as mais novas ali do grupo e toda a gente vos acarinha. E de repente apareceram lá os maridos.

Essa experiência foi muito boa.

E coitado do António, que a certa altura sentou-se e desistiu daquilo e pronto, aquilo do António também não entrou bem naquilo. E a certa altura vem uma senhora ter connosco os dois e diz assim: "Ai, este marido tem tanto jeito, este marido nasceu para dança". Pronto, também estava cá. Aquela lata de pessoa que já não quer saber.

Sim.

Eu diverti-me muito, foi muito giro. Gosto muito da energia que está ali e espero que te divirtas muito todas as semanas a dançar country line dance.

Acima de tudo, não sei se sentiste isto, é uma coisa que eu sinto todas as semanas, que é uma hora da minha vida em que eu não estou a pensar em nada.

Pois, porque eu estava superfocado nos meus pés e a entrar no esquemazinho da dança e aquilo, a aula tem uma hora, sendo que eu acho que devia ser mais, é pouco tempo.

Sim, mas há uma aula antes e uma aula depois.

Não, eu antes marcar a seguir, não tem mal.

Que eu e a Márcia dizemos que é biodança, nós não sabemos se é ou não, mas nós dizemos sempre: "Ai, a seguir vem a biodança".

Eu só vi quatro jovens.

Nós dizemos que é biodança, não sei se é ou não.

A sair hip-hop e o caralho. Pop and lock.

É o que vais fazer a seguir.

Ya, eu depois fico para essa. Mas o que é que eu ia dizer? Perdi-me completamente no que eu ia dizer.

Ias dizer que Estavas muito focado nos teus pés.

E gamifiquei a minha experiência no Country Line Dance, eu levei aquilo como um jogo, que é: eu tenho que desbloquear agora esta sequência de movimentos. Desbloqueei e ok, já está. E depois, quando tu já sabes decor e até levantas a cabeça e paras de olhar para os teus próprios pés, até me diverti. Tive uma ginga. Havia lá uma dança que era para bater os calcanhares, parecia Dorothy. Olha, eu curti, diverti-me.

E não pensaste em mais nada.

E uma gingazinha, uma anquinha. Olha, eu não sei se não tenho um bailarino dentro de mim.

Olha, eu não sei se um dos nossos dates culturais não devia ser ir experimentar uma aula de danças de salão. Vou deixar.

Danças de salão?

Sim.

Epá, eu não estou preparado para isso.

Guilherme, é a mesma coisa. Já fizeste o cha-cha, já fizeste os passos, já fizeste tudo ali.

Não é a mesma coisa.

Claro que é.

Não é a mesma coisa. Não é.

Já fizeste o passo da rumba quadrada, tu já fizeste tudo ali.

Será que eu danço bem?

Pois.

Vou deixar esta pergunta no ar. Será que Guilherme Fonseca dança bem? Nunca saberemos.

Nunca saberemos. A não ser que façamos uma aula. Olha, vou marcar. O nosso date cultural de março, vamos fazer um workshop de danças de salão.

Epá, pronto, então é divórcio ali no final de fevereiro, não é?

Queres dizer mais alguma coisa? Tens mais algum tema?

Eu tenho mais um tema, mas pode ficar pra semana. Vamos a e-mails, que as pessoas também querem e-mails.

Então vá. Um e-mail que tínhamos deixado da semana passada sobre dúvidas, não sei o quê, ambiente de trabalho, é da Pam.

Recebemos um e-mail agora.

Devíamos ler sem saber.

Não, é melhor não, porque não sabemos o que está aqui, não queremos fazer essas coisas. Entretanto, o meu iPhone atualizou e está tudo esquisitíssimo.

É horrível.

Eu já não sei os botões de nada.

Esse sistema operativo.

Dantes eu fazia um print screen.

Guardava.

Ele perguntava se eu queria guardar. E agora fiz um print screen e ele quando carreguei lá em cima para fechar, ele apagou. E eu: "Ah, merda, tenho que fazer print screen outra vez, já não sei como é que faz".

É muito mau.

Dúvida sobre relações no ambiente de trabalho. Sabes o que é? Eu não consigo ouvir ambiente de trabalho e não pensar no fundo do computador. Acho esquisito ter relações no fundo do computador, mas tudo bem. Este e-mail vem da Pam. Por quê?

Pam.

"The Office".

"The Office".

O Jim e não sei o quê. Pronto, vocês sabem. "Olá, Rita e Guilherme. O meu nome é Pam e eu sou uma ouvinte assídua do vosso podcast, que tem sido uma fonte valiosa de reflexão sobre as questões de relacionamento."

Deve ser.

Então não deve. "Atualmente, estou a viver uma situação delicada no meu local de trabalho. Três colegas demonstram interesse por mim."

Ei, grande lotaria.

Ela deve ser mesmo boa. Pesquisa aí o nome desta pessoa. Vemos online.

Ok. Vou procurar. Estou a brincar.

Ela é sempre boa. Vou voltar ao e-mail. Desculpem eu estar a falar assim de ti, Pam. "Três colegas demonstram interesse por mim, mas eu apenas tenho interesse em um deles."

Ok.

You are the chosen one.

Está facilitado.

"No entanto, esse colega em específico ainda não se manifestou e eu também não tenho coragem de dar o primeiro passo devido à minha educação mais tradicional."

Ok.

Isto é muito importante. "Por outro lado, os outros dois colegas já se mostraram mais diretos. Um deles chegou a convidar-me para sair e trocamos contactos, mas eu recusei o convite, pois o meu interesse é realmente no outro colega." E aqui acho muito bem.

Ok.

Não queres jantar com este, queres com o outro, está tudo bem. Recusou o convite.

Está-se bem.

Isto é assim que o mundo funciona.

Thank you, but no thank you.

"Neste momento, tento diminuir a minha interação com esses dois colegas para evitar mal-entendidos, mas sinto-me presa a essa bolha de educação que me impede de tomar a iniciativa. Gostaria muito de saber qual seria a melhor forma de lidar com esta situação sem causar desconforto, nem prejudicar o ambiente de trabalho. Agradeço imenso o vosso conselho e a vossa opinião. Com os melhores cumprimentos, Pam."

Pam.

Eu gostava que fosses tu a responder a este e-mail por uma questão muito simples.

Tu nunca trabalhaste numa empresa, nunca tiveste esse...

Eu nunca trabalhei numa empresa. Trabalhei no Canal Q e de facto andei enrolado com uma produtora.

Estás a ver.

Foi minha namorada durante muito tempo. Um beijinho pra Soraia. Mas não é exatamente a mesma coisa de uma empresa a sério. Eu acredito que isto seja uma firma.

Uma empresa, uma firma.

E portanto, tu, que eras quando eu te conheci, a menina mais cobiçada.

Não era.

Epá, toda a gente te queria papar.

Não, quando tu me conheceste, não. Calma, estás a falar da primeira agência onde eu trabalhei.

A primeira agência onde tu trabalhaste.

Nós já namorávamos.

Namoravam, mas toda a gente queria papar. Quantas pessoas te queriam papar nessa empresa?

Não sei.

Diz.

Não sei.

Responde, que tu saibas.

Não sei.

Sabes. Quantas pessoas te queriam papar nessa empresa?

Não sei, não conto, não sei contar. Qualquer coisa entre 1 e 70. É um número aí no meio.

Como pessoa que era cobiçada nas empresas.

Mas o que interessa aqui não é ela ser cobiçada.

Não, porque calma, este e-mail tem dois lados. Tem os dois gajos que se fazem a ela e ela não tem interesse. E depois tem o outro que ela tem interesse, mas ela não tem maneira, ou vá.

Não tem coragem.

Ela diz que a educação tradicional dela não a deixa tomar a iniciativa. Portanto, vamos tratar primeiro dos dois que não tem interesse.

Os dois que não têm interesse ela já está à vontade.

Como é que é ser cobiçada por outros homens nas empresas?

Mas por que é que estás a pôr-me a mim em cheque?

Porque tu eras cobiçada por outros homens nas empresas.

É desconfortável. É desconfortável. É chato. Só queres ir ali, fazer o teu dinheiro, ganhar o teu dinheiro até ao final do mês. Queres ir embora a horas decentes e estás sempre a ser observada. É chato.

As pessoas nem se sabem, mas nós temos uma empresa, nós abrimos empresa os dois. Tu continuas a ser cobiçada na empresa.

É muito chato. Às vezes uma só quer trabalhar e aparece o meu chefe, no meu escritório, a fazer-se a mim, a papar-me o rabo. Eu que só sou administrativa desta empresa.

Mas não interessa. Eu entro no teu escritório e aquilo de repente é a sede da Iniciativa Liberal. Não interessa, é tudo corrida a papões. Vês como eu também fiz uma piada com a Iniciativa Liberal. No início eu disse que eu estava sempre contra ti. Tu estavas contra a Iniciativa Liberal, eu pus-me a favor. E agora fiz também um humor, de assédios. Vai

Portanto é desconfortável e eu acho que ela está a lidar da forma certa, que é manter a interação ao mínimo indispensável para o trabalho.

Muito bem.

Portanto, está aprovado, Pam.

E muito bem, Pam, certíssimo. E quando te convidaram, tu disseste: "Não tenho interesse, obrigado". Que é, não só da nossa parte, como da tua, como do departamento de recursos humanos.

A melhor opção.

A melhor opção.

Agora...

É Tobias, não era?

É o Tobias. Não.

Era o Tobias.

É o Tobias. É aquele loirinho.

Não, o Tobias não era o gajo careca dos recursos humanos?

Não é loiro, é careca, pois é. Porque o Michael Scott está sempre a confundir.

Que o Michael Scott odeia.

Sim.

Pronto.

Claro que odeia, porque é os RH. E ele é o chefe problemático.

E portanto, os RH aprovam essa situação, que é: tu não tens interesse nas pessoas, recusas os convites e as pessoas percebem a mensagem. Certíssimo.

Exatamente. E tu segues a tua vida e trabalhas e fazes aquilo para que te pagam e espero que não estejas a fazer horas extra. Pronto, isto é isto. Agora, relativamente ao outro rapaz, ou outro senhor, não sei. Se tivermos em conta, se ele for solteiro, luz verde. A luz verde, eu sei que é difícil, porque ela é uma mulher com uma educação mais tradicional, não quer fazer-se abertamente a ele, não quer ela tomar abertamente a iniciativa, mas ela pode conversar com ele na mesma sobre temas que interessem aos dois.

O primeiro tema de conversa até devia ser se ele é de fato solteiro. Como é que ela sabe? Em ambiente de empresa, as pessoas não têm que partilhar a sua vida. Como é que ela sabe que ele é solteiro?

Normalmente sabe-se.

Será que se sabe? Tu, por exemplo, trabalhas numa empresa a sério, como eu. Quando trabalhavas em empresas a sério, tu seguias os teus colegas no Instagram?

Alguns, não todos.

Há outros que não sabes a vida, não sabes se são casados, se têm mulher ou namorada.

Não.

Pronto.

Sim, mas repara uma coisa, eu acho que esse também não deve ser o primeiro tema.

Eu estou a dizer, mas se ela tem interesse...

Eu acho que se ela tem interesse, ela não diz aqui que sabe que ele é casado ou que tem namorada, portanto à partida está safe.

Senão acaba tudo como no concerto dos Coldplay também. Qual é o mal? Colegas de trabalho a trair, vamos embora.

Eu acho é que ela está a pôr muita pressão para ser uma lógica de convidar já a sair e tudo mais, e acho que pode ser uma coisa um bocadinho mais simples. Se calhar, na hora de almoço, os dois na copa, encontram-se e ela senta-se e diz: "Olha, tens ido ao cinema?"

Mas isso é o que ela não quer, é tomar a iniciativa.

Mas não é a iniciativa de se fazer a ele, é tomar a iniciativa de conversar.

Sim, eu acho que ficas com o mão na boca, não é isso?

Claro, conversar com ele sobre a vida.

Claro.

Até porque isso vai fazer com que ela perceba se ele é um gajo fixe ou não.

Pois, mas eu acho que essa conversa já deve existir. Eu acho que o que lhe falta, por causa da sua educação tradicional, estou só a citar o e-mail, é a iniciativa de dizer: "Olha, queres ir num date, queres ir jantar?" Ela quer que seja ele. Mas só que isto é um impasse, porque se ele não diz nada, tu queres que ele diga, mas se calhar não diz.

Ele às vezes também tem uma educação tradicional.

Exato. E de repente, o tradicional com o tradicional dá menos.

Não, ou se calhar, ele tem uma educação tão pouco tradicional que acha que não deve fazer-se às mulheres para não deixar as mulheres desconfortáveis.

Pois, e muito menos no trabalho. Eu acho que tu tens de ser um bocadinho mais óbvia.

Exato.

Não é dizer: "Gostava de ir jantar contigo porque acho giro e quero comer". Não é isso. Há aqui um passinho de óbvio que tu tens que dar.

Seja estar mais tempo com ele, lá está, nestes contextos.

Arranjas um tema em comum, uma coisa qualquer. Olha o Brasil, que giro o Brasil, ouvi num podcast que há uma exposição muito gira, queres ir comigo? E estás a convidá-lo para ir a uma exposição.

Olha.

E é só uma cena, e depois na exposição está valendo, estás fora da empresa e os recursos humanos já não têm nada a ver.

E depois, se se tornar sério, comunicam aos recursos humanos e está feito.

Não têm que comunicar.

Têm.

É obrigatório?

Depende das empresas, mas há certas empresas onde é obrigatório tu comunicares que estás com uma relação com alguém dentro da empresa.

Estás a falar sério?

Claro, a sério.

E se tiveres com três pessoas, tens que ir com cada uma delas aos recursos humanos?

Não, estou a dizer ter uma relação, não estou a dizer comer. Até porque eu já vi muitas festas de Natal de empresa.

Olha, mas essa pode ser a solução para ela, para a Pam. Espera por uma festa de Natal.

Por um team building.

Um team building.

E construir em cima dele.

Exato, e faz ali o pilaretes dele.

Mas ela não se sente à vontade.

Mas nos team buildings e nas festas de Natal das empresas.

Bebe três copos, Pam.

É isso. Há ali um copo de vinho.

Nós não somos a favor do alcoolismo, nem somos a favor do álcool como catalisador de tomada de decisões, mas é em certas situações.

Não, mas a decisão já está tomada. O álcool é catalisador da decisão que tu já tomaste.

O álcool é um empurrão.

Um empurrãozinho.

Se calhar, olha.

É um vai, vai. Terapia de casal podcast@gmail.com é onde vocês podem enviar o vosso...

Os vossos e-mails.

A vossa questão, o vosso problema, a vossa dúvida, a vossa periclitância. Nós estamos aqui para ouvir e não julgar.

Muito bem.

Ouvir, julgar um bocadinho e depois responder. Mas terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar. E acho que é isto. Não sei se queres acrescentar mais alguma coisa.

Não quero acrescentar nada. Bora, Guilherme. E cinco, seis, sete, oito.

Pico, patada, cha, cha, cha. Pico, patada, cha, cha, cha. Esquerda, direita.

Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro.

Só vou custar, está bem?

Está bem.