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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.
Com Maria Ramos Silva, editora de lifestyle do Observador, está conosco esta segunda-feira. Olá, Maria.
Olá, tudo bom?
Boa semana pra ti também.
Boa semana também.
Vamos começar pelo frio. Tu começas pelo frio pra falar de Globos de Ouro, é isso?
Pois é, está um bocado frio para os Globos de Ouro. Eu acho que se começarmos o ano com cerimônias que não têm passadeira vermelha, é muito triste para o nosso trabalho. Na verdade, tirando a distribuição de prêmios, não houve muito mais.
E o que é verdadeiramente importante são as passadeiras.
É, não é?
Porque a entrega de prêmios até podia ser feita por SMS.
Foi quase assim que aconteceu. Atenção, foi quase assim que aconteceu.
Num quadro.
Sim, mas era feito num quadro. Era escrito assim. E ao menos que tivéssemos visto algumas das premiadas, Kate Winslet, a Sarah Snook. Pois é, mas nada. Nem nas suas redes.
Eu também gostava de ver algum dos premiados.
Também.
Mas eu prefiro ver vestidos, tenho que admitir.
Pelo menos até agora não houve assim nada digno de nota. Aliás, nós vimos a atriz Michela Rodríguez, de Pose, celebrar o seu Globo de Ouro, mas num direct de Instagram muito modesto, com um básico de algodão, já quase pronta pra ir pra cama. E os tempos não estão mesmo de feição para os fãs dessas cerimônias. Quer dizer, mas na verdade era um desfecho que já se vinha anunciar, dada a polêmica contínua.
Certo, mas ainda houve anos, nos primeiros da pandemia, em que a malta se vestia bem em casa e apostava em diretos. Agora já não é isso.
Nos primeiros da pandemia.
Em "il tempo ore".
Isto é que, de fato, é um grande filme. Todo este filme com a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Os anos de má gestão, acusações de racismo, sexismo e outras condutas impróprias, corrupção, etc. Agora só faltava mesmo este boicote pra isto ficar quase no fim.
Pois é. E depois um boicote significa que não temos celebridades, nem passadeira, nem programa de prime time, nem apresentadores. De fato, só o tal press release no final de um evento de 90 minutos no Hotel Beverly Hilton. Ora, há quem diga que a festa acabou e que os Globos, que eram uma espécie de irmão mais novo dos Oscars, com mais salero, agora são aquele primo que ninguém quer convidar pras festas.
Não é o primo, é o tio que-
O tio em comum
É o tio que-
Apalpa a sobrinha.
Ao menos os convidados-
Há sempre uns tios estranhos nas vossas famílias?
Não, acho que em todas.
Eu não tenho.
Estamos a falar em abstrato.
Ah, ok.
O tiozão do churrasco.
Na pai, não, nunca tive isso.
Ninguém tem isso?
Não, não tenho.
Enfim, ao menos os convidados podem sempre poupar, Maria, na indumentária. O fato é que ficamos sem looks pra comentar.
Pois, temos que seguir aquilo que fizeram algumas revistas, que foi recordar os looks das edições anteriores.
Isso é que isso que aconteceu.
Isto não é frio, isto devia ser um requentado.
Exato. Exato, já não é frio.
Foram ao congelador buscar os do ano passado. Muito bom.
Descongelar e enfim, voltar a dar. Ou então, também podemos fazer outra coisa, que é, isto é um pouquinho mais original, apesar de tudo, que é avaliar as últimas fotos publicadas pelas estrelas nas suas redes. A Sarah Snook, por exemplo, tem um belo gelado a fazer de chapéu na cabeça. Ela aproveitou a sua passagem por Itália. Aliás, o Succession também foi filmado lá.
Para comer um gelati.
Para comer um gelado, para tirar uma foto divertida que acaba por valer, enfim, não por um look de alta costura, mas é o possível nesta vida.
Já estás por tudo.
Já estou por tudo. Já não é mau.
Um gelado na testa. Não, um chapéu. Alta costura. Pode ser. Vá, siga. Muito bom. Maria, vamos para o morno. Quem escolheste para o teu morno de hoje?
Olha, à falta de roupa, pra aquecer aqui um pouco e nós reforçarmos o guarda-roupa, escolhi a Kate Middleton. A duquesa de Cambridge celebrou ontem 40 anos.
Parabéns.
Pois é, parabéns pra Kate. E a Casa Real divulgou três retratos oficiais onde a mulher do príncipe William surge com três criações de Alexander McQueen. Uma das casas britânicas de estimação da Kate e, portanto, se nos faltavam vestidos, Judite, já temos aqui qualquer coisa.
E as fotos são ótimas.
São ótimas, não é? É que está ali um estilo muito Cecil Beaton.
Sim, é isso mesmo.
Com muita pinta.
Foi exatamente isso que eu pensei. Mas é daqueles vestidos que vão esgotar logo.
Já esgotaram.
O Bruno já está a aprender essas subtilezas.
Por mim, esgotava já.
Esgotava já. Eu ainda não fiz essa ronda, mas não me estranharia que isso acontecesse.
Mas esgota sempre, não é?
Esgota.
As roupas, não só os vestidos, mas as roupas dos milianos.
O Kate Effect, aquilo tem mesmo o nome formal.
Já a Letícia tinha esse efeito. Não sei se ainda tem. Se calhar ainda tem.
Não sei se tanto, mas ainda tem um pouco. Sim, as figuras acabam por ser sempre um bocadinho.
Eu tenho isso ao contrário. A mim acontece-me o contrário. Se usar alguma coisa é porque já não vale a pena que ninguém use. Fica mal. Não tenho esse efeito de fazer vender.
Tu usas a mesma coisa desde 1915. Esse é o problema.
É o chamado efeito Nelson Ferreira.
Exatamente. O meu efeito é exatamente o contrário.
Mas pronto, olha, neste caso também, de fato, como dizias, Judite, não são as peças mais comerciais, portanto, é provável que também não esgotem tão rapidamente, não são tão acessíveis. Mas a Kate surge muito bonita, muito diáfana e vaporosa, primeiro com um look encarnado, com o ombro a descoberto.
Vais ver as fotos, vai, antes de gozar.
O vestido foi modificado de propósito para a duquesa. Aquilo foi tudo modificado, porque o vestido original não era assim. Tinha um padrão um pouco mais festoso, mas enfim, quem pode, pode. E Bruno, caso te interesse, eu aposto que depois disto vai interessar imenso. O modelo original chama-se Anêmona.
Anêmona? Sim, é aquela rotonda em Matosinhos. A rotonda da Anêmona.
A rotonda da Anêmona. Bem bonita a rotonda da Anêmona, por acaso. Também não sei quanto é que custou essa Anêmona, mas esta custou 3.790 €.
Espera aí, deixa aqui ver os trocos. 3.790?
Eu não me lembro do preço da Anêmona, mas não nos esqueçamos que a Anêmona foi feita na Porto 2001. Portanto, foi tudo pra cima de 300 mil €, pra baixo disso não houve nada no Porto. Bom, isto é uma pergunta escusada então, mas não há nada assim acessível, tipo 40 anos, 40 €?
Era bom, não era? Uma peça bastante mais acessível. Mas não. Depois temos um segundo vestido branco, também com uns folhos, de novo a revelar os ombros, que será da nova coleção pronto a vestir de McQueen pra primavera-verão. Mas Kate também te obrigará ir às poupanças, Judite.
Não sabes quanto é que eu ganho aqui.
Pronto, estou a subestimar. Mas bom, o resultado é muito feliz, de fato, como dizias. Na terceira imagem, até há quem diga que o registro lembra também aquela famosa série da Diana com o Mario Testino, a preto e branco.
Eu por acaso li isso e confesso que não me recordo dessa série
Também era muito sóbrio, muito minimalista, mas é uma das imagens mais icônicas de Diana nessas produções. E, de fato, dá ali uns ares, não é uma comparação totalmente disparatada.
O que se precisa é ter cuidado com os tunéis. Essa produção toda não deve ser apenas para partilhar no Instagram, digo eu, ao menos vai servir para uns postais.
Sim, mas tu também sabes que uma vez na internet, para sempre na internet.
Claro. Mas acha que são postais de Natal ou de Páscoa? Vamos dizer isso para postal de Páscoa.
Mas olha, Nelson, nada como um bom e velho museu para guardar essas coisas. Neste caso, as fotos foram feitas em novembro, em Temperate House, pelo veterano Paolo Roversi, e vão passar a fazer parte da coleção permanente da National Portrait Gallery, de que Kate, aliás, é patrona, portanto, aquilo fica tudo em família.
Eu não sei por quê, mas ela parece-me diferente nas fotografias, mais nova.
Há ali qualquer coisa.
Desde que a Meghan se pirou, o ambiente ficou melhor. Desde que a Meghan se pirou, foi bom para todos. Bem, nós continuamos a falar com ela.
Mas de fato as relações são estranhas.
Estão estranhas em bom.
Sim.
Acho mais- Parece artificial. Não, pelo contrário, parece muito mais natural. A doutrina divide. Ok, muito bem. Parece que é aquilo que o Paco Bandeira fala. A ternura escorega. Se calhar foi isso que se lhe deu. Vamos ao quente, onde ficas pela realeza, Isabel II, está no quente?
Fico, eu continuo, nem saio do mesmo palácio.
Agora foi para Elizabeth II.
Bruno é estoico. Mas é que depois, roupa, ainda temos uma coisa melhor. Já te vou surpreender, Cal.
Ok.
Portanto, nós sugestões já temos de roupa. Só falta agora tomar nota destes planos, os planos que se seguem. É que se aproxima a passos largos o jubileu de platina da Rainha de Inglaterra. E hoje a BBC adiantou mais ao pormenor como é que isto vai ser festejado. Portanto, para esta data, ao longo de todo o ano, pelos próximos meses.
Isto tinha tudo para ser uma coisa espetacular, se por acaso Elizabeth não tivesse muito azar na família.
Coisas mais importantes.
Na família que tem. Ela teve muito azar na família, sobretudo nos filhos.
Não é só o tio inconveniente, há mais gente ali.
Aliás, os filhos dela é que são inconvenientes, filhos, as noras. Não são tios de alguém?
Também são tios.
Sim, pronto, então o tio do William é o tal tio. Não, mas é que este tio é pior do que faz figurinhas nos casamentos. É mais do que inconveniente.
Não é nada divertido. Isto vai começar um ano, mais uma vez ensombrado pelo caso do príncipe André, que ainda corre o risco de ser levado a tribunal pelas acusações de abuso sexual de que é alvo. E depois também vem um livro do príncipe Harry, não nos esqueçamos disto, que deverá chegar aos escaparates no outono. Portanto, quando nós sentimos que as coisas estão a descontrair, pumba, lá deve vir mais.
Mas vem um livro mau, achas?
Não sei.
Não estou a ver o Harry por acaso a fazer...
Não digo mau, mas há de agitar qualquer coisa, não é?
Pois, não sei. Com aquela mulher.
É verdade.
Mas o que é que é feito da rainha? Sabemos já a agenda dela para os próximos meses?
Não, não são conhecidos os eventos pelo senhor Philp Fox. Não são conhecidos os eventos em que a rainha marcará presença. Isto também exige ter alguma prudência.
É como a, ajuda-me.
Abbey Tyte.
Abbey Tyte, exatamente. Quer dizer, convenhamos.
Não convém festejar muito em ambiente.
Basta estar vivo, para estar mudo. E no caso da rainha, está-se viva há muito tempo.
Pois é. Vamos esperar que corra tudo bem, de fato, não se estrague esta festa. O que eu estou em condições de adiantar é que a primeira atividade do plano acontece já esta segunda-feira e trata-se do quê? Do arranque de uma competição para inventar um novo pudim para celebrar o já longo reinado de Isabel II.
Desculpa, pudim jubileu?
O pudim do jubileu, exatamente. Depois os finalistas são avaliados por um painel de especialistas e o pudim será degustado nos grandes almoços do jubileu, um evento que vai decorrer durante o fim de semana prolongado de 2 a 5 de junho.
Fia-se daqui que não é melhor que abade Prisco.
Era isso que eu estava a dizer. Vamos concorrer com abade Prisco.
Não adianta estarem a fazer isto. Mas se calhar é aqueles pudins.
Sabem que na coroação foi a galinha, era a galinha, portanto, o prato em destaque também foi muito interessante.
Também foste pobre. Prato em destaque ser galinha, pobre. Estamos lá.
É uma galinhadora.
A crise chega a todos.
E agora quem vai avaliar entre uma série de figuras será também a Mary Berry.
Ai, a Mary Berry! Também pode morrer entretanto.
Ainda ficamos sem júri.
Não, mas sabes quem é Mary Berry? Eu não estou a ver quem é. Então, quer dizer, tem mais probabilidade do que tu. Pois, não sei. Estamos lá. Mas eu gosto é do nome, Grandes Almoços do Jubileu. Big coisa.
Big lunches.
Big Jubilee Lunch.
Olha, mas pronto.
Nelson, abade Prisco, vamos concorrer com isso? Sim. Trocamos, pomos ali um bocadinho de baunilha, não lhe dizemos que aquilo tem banha de porco. Eles vão fazer um daqueles que a embalagem tem que se partir aquilo embaixo, na embalagem, tipo um flan.
Achas que não vai ser caseiro?
Achas que é um flan com aquelas coisinhas para partir? Que se faz assim no rabo da embalagem.
Aqueles doces que se tiram do frigorífico e que se cortam aos bocados.
Quem não pode concorrer? Agora isto interessa-me a sério, porque eu vou concorrer, vou pôr o pudim da minha mãe a concurso. Tens que ser cidadã britânica, provavelmente. Não me digas que eles são xenófobos. Não, achas?
Vamos informar-nos sobre isso. Vamos ver se podemos. Mas de fato não há apenas comida. Como é óbvio, Sandringham e Balmoral estarão abertas ao público em maio. Haverá um espetáculo no Castelo de Windsor com 500 cavalos e mil artistas.
Pobres bichos.
Pois é, através do qual será contada a história da monarca até aos dias de hoje, depois o regresso do desfile do Trooping the Colour e ainda três grandes exposições dedicadas a Sua Majestade.
Nada mau. A história da monarca até aos dias de hoje demora uma semana. Sim, é uma exposição itinerante.
As pessoas também têm, não sejam assim, que as pessoas também têm tempo.
É uma experiência imersiva, como está agora na moda. E multidisciplinar também. É uma experiência. Sim, tem que ser multidisciplinar e tem que ser imersivo, senão não é arte. Bem, Maria Ramos Silva com o termómetro desta segunda-feira e que melhor maneira de começar esta ronda pelo mundo dos famosos, Maria.
Cheio de fome.
Sim, bom resto de semana.
Bom lanche. Contamos convosco ao longo desta semana, mais vezes. Até já. Adeus, beijinho.