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Na Rádio Observador. São as manhãs 360 do fim de semana. Começa agora o Jornal das 11, com a edição de Luís Soares. Luís, já arrancaram as manifestações marcadas pela CGTP em Coimbra e no Porto. Em causa, protestos contra o aumento do custo de vida.
Em Coimbra e no Porto já começaram. Em Lisboa, a manifestação está marcada para mais tarde, para as 14h30. Começa no Cais do Sodré e termina na Praça do Rossio. Como dizia, em Coimbra e no Porto, os protestos começaram mais cedo, pelas 10h30. De resto, a esta hora, na Invicta, já se nota a presença de mais gente nas ruas. Na Praça da Batalha, está o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, agora em direto. Miguel, a CGTP faz este protesto pelo aumento dos salários e contra a subida do custo de vida, mas sem esquecer também o movimento que tem sido à rua pela habitação nestes últimos dias.
Sobre esse movimento, a frase de Filipe Pereira, o dirigente da União de Sindicatos do Porto: "São todos muito bem-vindos". Foi esta referência que Filipe Pereira fez a este movimento que se irá juntar, e já temos visto alguns dos representantes deste movimento na Praça da Batalha. Sendo que o protesto, que há pouco concentrava largas dezenas de pessoas, agora são já muitas centenas a perder de vista, com muitos cartazes, muitas bandeiras de vários sindicatos. Nesses cartazes, também há essa referência que, ao contrário do que temos visto nos últimos dias, é um protesto que não é só pela habitação, que se estende a vários setores e com a defesa de um aumento das condições salariais. Isso ficou bem representado pelo que disse Filipe Pereira há pouco aos jornalistas, que deixou claro que este movimento é muito bem-vindo e que a habitação é uma das principais preocupações de quem se está a manifestar hoje.
É que 50% dos trabalhadores ativos no nosso país auferem menos de € 1.000. Como é que conseguem pagar uma renda de € 2.300? Por isso, estes movimentos são bem-vindos, a luta deles é nossa luta também. Estamos unidos em prol disso mesmo, porque não há outro caminho que não seja lutarmos perante aquilo que é a ofensiva e as políticas completamente erradas por parte deste governo e quem o suporta.
Aqui esta mensagem de Filipe Pereira, o coordenador da União de Sindicatos do Porto, que nos últimos minutos tem alegrado de ver aqui cada vez mais pessoas. A marcha em si, que vai terminar na Praça Dom João I, esse que tem sido o ponto central das manifestações dos últimos dias deste movimento pela habitação, vai terminar aí, mas ainda não partiu. Estão a chegar cada vez mais pessoas. Há muita polícia, há pouco eram dezenas de polícias que estavam aqui na Praça da Batalha a controlar esta manifestação, que, para já, temos ouvido alguma música, ainda não temos ouvido muitos gritos de ordem, mas que, e há essa referência também feita por Filipe Pereira, como já fomos deixando claro, e repetiu isso mesmo aos jornalistas, não é só a habitação que representa um problema neste momento.
Aquilo que nós consideramos que é fundamental e essencial para dar cobro e dar resposta a este aumento do custo de vida é, sem dúvida, o aumento dos salários. O aumento dos salários, o aumento das pensões. Esse é o caminho para dar resposta a todo o aumento do custo de vida. Claro que depois há outras medidas no sentido de controlar, de conter.
Ora, Filipe Pereira, aqui com a marcha que está prestes a arrancar, já estou a ver alguma mobilização. Nesse sentido, são largas centenas de pessoas que se vão dirigir pra Praça Dom João I dentro dos próximos minutos.
Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça da Batalha, no Porto, de onde vai sair a manifestação convocada pela CGTP contra o aumento do custo de vida. Vai terminar na Praça Dom João I. A Central Sindical espera uma grande mobilização a nível nacional. Recordo que estes protestos se repetem em várias cidades, como também Coimbra durante a manhã e depois à tarde em Lisboa. Os protestos pela habitação também são retomados hoje. A intenção dos manifestantes, ao que sabe o Observador, é de realizar protestos com tendas. As acampadas que já aconteceram no Porto geraram também polêmica em torno da atuação policial, que os manifestantes consideraram abusiva. É esperado que os manifestantes se concentrem em Lisboa e no Porto também durante a tarde de hoje.
E o Observador foi tentar perceber quem são os principais líderes dos movimentos da luta pela habitação. São maioritariamente militantes do PCP e do Bloco de Esquerda.
Depois das declarações do primeiro-ministro no Parlamento, em que Luís Montenegro acusou os movimentos organizadores dos protestos de terem a agenda dos partidos de esquerda e de haver essa ligação entre as partes, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, foi investigar quem lidera estes grupos que têm estado nas ruas nos últimos dias e dá exemplos em como existe, de facto, uma grande ligação entre os vários grupos de protesto, entre esses grupos, o PCP e também o Bloco de Esquerda.
Há três grandes movimentos que estão na plataforma Casa para Viver. O Habita, por exemplo, a porta-voz que tem falado em televisões e que representa é a Rita Silva, que era a número dois do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa quando Robles foi o cabeça de lista. No caso do Vida Justa, por exemplo, temos o Nuno Ramos de Almeida, que também já fazia parte do Que Se Lixe a Troika e que também é do PCP. Do Porta a Porta, que é outro dos grandes movimentos, também é o Andrés Koval, que não só é do Partido Comunista, como chegou a ser dirigente em Vila Franca de Xira. Percebemos que, de facto, há uma grande ligação entre estes movimentos e alguns dos partidos políticos.
O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, na história do dia de hoje, diz também que a dúvida está no grau de influência que o PCP e o Bloco de Esquerda têm nos movimentos para a habitação.
O que falta aqui, talvez esclarecer ainda, é o grau de influência que tem E depois, vamos lá ver. Estas pessoas fazem parte destes partidos, têm como objetivo derrotar as políticas do governo. Esse objetivo é comum, tanto existe nestes movimentos como existe nos partidos. Portanto, de alguma forma, até têm um objetivo comum. É por isso natural que haja uma certa contaminação daquilo que é a estratégia dos partidos por parte destes movimentos.
Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, na história do dia de hoje. Apesar desta ligação entre militantes do PCP e do Bloco de Esquerda com estes movimentos pela habitação, os grupos garantem independência financeira e de ação face aos partidos políticos.
Este é o artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador, assinado pelo editor de política Rui Pedro Antunes. É também o tema da história do dia, já disponível em podcast. E Luís, o presidente da República defende que ninguém deve viver sem habitação e apela a um compromisso generalizado contra a exclusão.
É numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, António José Seguro defende que todos os portugueses deviam viver com acesso à habitação, saúde e trabalho digno. Nesta mensagem, o chefe de Estado pede um compromisso para que ninguém fique excluído. António José Seguro salienta que a pobreza não é apenas uma condição económica, mas também uma limitação à liberdade, à dignidade e às oportunidades de cada pessoa. O presidente da República lamenta que sejam ainda mais de 1 milhão e meio de pessoas em Portugal a viver em risco de pobreza. Uma mensagem que é publicada a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala hoje. Também hoje, a Comunidade Vida e Paz lançou uma campanha para apoiar mais de 900 pessoas em situação de sem-abrigo. Em comunicado, a Comunidade Vida e Paz alerta para os desafios financeiros que estão a colocar em risco a continuidade de algumas respostas aos mais necessitados. Diz que é urgente reforçar a rede de apoio e também mobilizar mais pessoas para contribuírem de forma regular.
Na atualidade internacional, Flávio Bolsonaro promete respeitar o resultado da segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, independentemente do resultado.
As últimas sondagens apresentadas pela Datafolha e pela Quest dão empate técnico, com menos de dois pontos percentuais a separar Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. O vencedor da primeira volta desceu nas intenções de voto, aparece com 47%, ainda assim à frente do atual presidente, que mantém os 45. Uma diferença que está dentro da margem de erro. Em entrevista ontem à noite à TV Globo, o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, afirmou que vai aceitar o resultado das eleições, mas diz que o Brasil já decidiu, e logo à primeira volta.
Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, eu vou respeitar. Só que eu tenho a convicção que o Brasil já escolheu a mudança. E no primeiro turno foi assim, o Brasil já escolheu a mudança. E no segundo, vai continuar escolhendo a mudança.
A convicção de Flávio Bolsonaro, entrevistado ontem à noite na TV Globo. A corrida agora é para conquistar os votos dos indecisos e convencer quase 33 milhões de eleitores que não votaram na primeira volta. Nos próximos dias vão realizar-se dois debates entre os candidatos para a segunda volta das eleições presidenciais, que estão marcadas para dia amanhã, a oito dias.
Nove minutos para lá das 11h. Que outras notícias marcam a atualidade, Luís?
O Papa Leão XIV vai ter alta hospitalar esta tarde. Amanhã já vai recitar a oração do Angelus, no Vaticano. A informação foi avançada há minutos pelo Vaticano, no site oficial. O Papa Leão XIV foi operado a um nódulo no pulmão. Moscou elogiou esta manhã a decisão de Donald Trump de suspender o novo pacote de sanções à Rússia, aprovado pelo Congresso norte-americano há um mês. Para o conselheiro do Kremlin, esta decisão do presidente norte-americano marca um momento histórico na relação entre os dois países. Donald Trump suspendeu a lei durante a madrugada, que previa sanções de até 100% às exportadoras russas de gás, uma semana depois de ter acordado com Vladimir Putin para a compra de energia russa, numa tentativa de fazer baixar os preços da energia nos Estados Unidos. E Rita, esta música dá mote a um documentário que estreia hoje no Doc Lisboa. Conheces bem.
Claro, Sitiados: Esta Vida de Marinheiro é um documentário sobre o grupo?
É um documentário mais especificamente sobre a vida de João Água Ardela, o músico dos Sitiados, que morreu em 2009. É realizado por Paulo Miguel Antunes. Este documentário pretende celebrar a vida do músico, que também pertenceu a outros grupos, como os Megaphone ou a Naifa. O filme é resultado de uma pesquisa de arquivos, inclui até temas inéditos, não editados, e testemunhos de pessoas que fizeram parte da vida de João Água Ardela. Esta Vida de Marinheiro, assim se chama o documentário, que passa mais logo no Doc Lisboa, repete na terça-feira. Não tem ainda, no entanto, data para chegar ao cinema nem a outras plataformas.
Pois era bom, eu gostava muito. Sei lá se a plataforma é boa. Certeza, seguramente. E é assim que fechamos o Jornal das 11, edição do jornalista Luís Soares, com Esta Vida de Marinheiro, o documentário de João Água Ardela.