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Evitar sentar-se em sanitas públicas, fazer equilíbrio no ar ou forrar tudo com papel. Para muitas pessoas, especialmente mulheres, usar uma casa de banho pública é quase motivo de ansiedade. Mas afinal, é ou não possível ficar com uma infeção urinária depois de usar uma casa de banho pública? Hoje estamos perante mais um mito muito difundido. Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

As sanitas públicas provocam realmente infeções urinárias?

Na maioria dos casos—

Gostei da parte do equilíbrio.

Na maioria dos casos, estamos mais próximos de um mito do que de uma realidade. As infeções urinárias são geralmente causadas por bactérias do nosso próprio organismo, sobretudo bactérias intestinais, como a tão conhecida Escherichia coli. Essas bactérias chegam ao trato urinário por proximidade anatómica e não propriamente por contacto, por exemplo, com uma sanita. Ou seja, o risco de contrair uma infeção urinária apenas por sentar numa sanita pública é extremamente baixo.

Mas as casas de banho públicas podem ter, com certeza, muitas bactérias.

Podem, com certeza absoluta. Como muitas outras superfícies do dia a dia. Mas a nossa pele funciona como uma barreira protetora que é muito eficaz e, além disso, a maioria das bactérias associadas às infeções urinárias não sobrevive facilmente em superfícies secas durante muito tempo. O maior problema nem costuma ser a sanita em si, mas sim a higiene das mãos e o contacto com as superfícies contaminadas.

Tem aquela posição que eu falo: "Não toque na sanita!"

Curiosamente, pode até ser contraproducente. Isso porque muitas mulheres acabam por não relaxar completamente o pavimento pélvico. E aqui acho que nós as duas sabemos do que estou a falar. O que dificulta o esvaziamento adequado da bexiga. E esvaziar mal a bexiga pode favorecer sintomas urinários e aumentar o desconforto. Do ponto de vista urinário, essa estratégia não traz propriamente benefícios.

Sempre a aprender. E o que é que aumenta verdadeiramente o risco de infeções urinárias?

Existem vários fatores que já são sobejamente conhecidos, nomeadamente a baixa ingestão de água, a retenção urinária prolongada, as alterações hormonais, a atividade sexual, a obstipação e também alterações da microbiota vaginal. Nas mulheres, a anatomia também favorece esta maior predisposição e algumas pessoas têm maior tendência individual para infeções recorrentes.

E o que é que se pode fazer para contrariar?

Diria: manter uma boa hidratação, evitar longos períodos sem urinar, manter uma higiene adequada e lavar as mãos corretamente. E perante sintomas como, por exemplo, ardor a urinar, urgência urinária ou, em casos mais extremos, a febre, procurar naturalmente avaliação médica. Porque nem todos os sintomas urinários podem corresponder a uma infeção urinária.

E portanto, podemos desmistificar o medo das sanitas públicas, é isso?

Sim, pelo menos no que diz respeito a infeções urinárias. O risco de adquirir uma infeção urinária por contacto direto com a sanita é realmente muito baixo. Mais importante do que evitar a sanita é manter hábitos de higiene e saúde urinária adequados.

Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Doutora, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.