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"Tratar da Saúde" com a dra. Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia, bem-vinda.
Bom dia. Obrigada.
Eu não sei como é consigo, mas eu e quase toda a gente à minha volta tem o colesterol alto. Sei. Acredito que seja um dos problemas mais falados em saúde. E quando se fala sobre isto, há uma palavra que aparece sempre: estatinas. Doutora, o que são e por que se fala tanto delas?
Então, dizer antes de mais que as estatinas são medicamentos utilizados para reduzir o colesterol, sobretudo o chamado mau colesterol, o LDL.
O LDL. Uhum.
Atuam ao nível do fígado, diminuindo a produção de colesterol e aumentando a sua remoção do sangue. Mais do que baixar números, sabemos que reduzem o risco de enfarte, AVC e morte cardiovascular.
Ou seja, não é apenas uma questão de análises.
Sim, isso mesmo. O tratamento do colesterol deve ser ajustado ao risco cardiovascular global do doente em particular, e, portanto, não tratamos apenas um valor de uma análise, tratamos o risco de ter doença.
Então, e quem são as pessoas de maior risco?
Aqui são pessoas com maior probabilidade de ter um evento cardiovascular, como por exemplo, um enfarte ou um AVC, como já referi. Pessoas com antecedentes, ou seja, um evento anterior, que já tenham tido um enfarte, por exemplo. Pessoas com diabetes, com hipertensão, com colesterol muito elevado.
Alto.
Aqui fumadores também. Ou então que tenham vários fatores de risco combinados e, nestes casos, reduzir o colesterol é fundamental.
Mas dra. Vanessa Mendes, isto das estatinas continua a gerar muita discussão, não é?
Sim, é verdade. E todos os dias tenho doentes a questionar-me sobre o assunto.
Não duvido.
Sim. Porque há muitos mitos à volta destes medicamentos e, portanto, primeiro, as dores musculares, que são um dos principais efeitos secundários, mas importa dizer que geralmente são pouco frequentes e também são controláveis. Depois também há o mito sobre causarem demência ou perda de memória, até também de fazerem mal ao fígado ou causarem cancro. É importante referir que não há evidência de nada disso e, por isso, nos doentes em que o risco cardiovascular seja elevado, o risco de não tratar com esta medicação é, sem dúvida, muito maior.
É maior. A nossa ouvinte, Maria João Cardoso, a quem enviamos um beijinho e agradecemos, enviou-nos um e-mail a perguntar pelo chamado arroz vermelho. Pode ser uma alternativa para tratar o colesterol, o mau colesterol?
Sim, o arroz vermelho também é algo que se fala muito. E a verdade é que ele tem uma substância que é a monacolina K, que é semelhante às estatinas e, portanto, pode ter aqui um efeito na redução do colesterol, sobretudo quando temos aqui níveis ligeiros de colesterol elevado e em pessoas de baixo risco. Mas há aqui um ponto importante também a referir. Funciona na prática como uma estatina e aqui de forma não controlada, visto porque ele acaba por funcionar como um suplemento e, portanto, a dose pode variar, a qualidade não é padronizada, pode ter efeitos semelhantes às estatinas, e aqui é algo importante a referir, e não tem a mesma evidência na prevenção do enfarte e do AVC. E apesar de poderem funcionar, não deve ser visto como uma solução mais segura só porque é natural.
Por ser o natural, não é? Então e a decisão deve ser sempre personalizada, não é? Sobre aquilo que tomar.
Sempre. O objetivo não é escolher um produto, é, como já lhe disse, reduzir o risco cardiovascular de uma forma eficaz e segura. E, por isso, para resumir, importante aqui destacar que as estatinas são dos medicamentos mais estudados na medicina e têm um papel fundamental na prevenção cardiovascular. Nem toda a gente precisa, mas quando estão indicadas, podem evitar eventos graves e, portanto, mais do que seguir tendências, o importante é decidir com base na evidência e com orientação médica, naturalmente.
Sempre. Já sabe que também pode fazer parte do "Tratar da Saúde". Envie as suas perguntas para tratardasaude@observador.pt ou então por mensagem de voz por WhatsApp 910024185. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.