Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF, SA. NPC 509925332.

Quando pensamos em proteger o cérebro, imaginamos logo palavras cruzadas, sudoku ou jogos de memória. Mas será que a verdadeira ginástica cerebral é só isso? Ou proteger o cérebro começa muito antes, nas pequenas decisões que tomamos todos os dias? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

No mês em que se assinala o Dia Mundial do Cérebro, será que é mesmo possível reduzir o risco de demência através do nosso estilo de vida?

É possível, sim. Durante muitos anos pensamos que a demência era uma consequência inevitável do envelhecimento. Hoje sabemos que isso não é verdade. Os estudos mais recentes mostram que até cerca de 45% dos casos de demência podem estar associados a fatores de risco potencialmente modificáveis. Ou seja, há muito que podemos fazer para proteger o nosso cérebro ao longo de toda a vida. E essa prevenção começa muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

E afinal aquelas palavras cruzadas ou jogos de memória ajudam mesmo a proteger o cérebro?

Ajudam, sim. Sempre que desafiamos o cérebro a aprender, a recordar ou resolver problemas, estamos a estimular as ligações entre os neurónios e a fortalecer aquilo a que chamamos reserva cognitiva. Atividades como ler, fazer palavras cruzadas, sudoku, jogar xadrez, aprender uma língua, tocar um instrumento ou adquirir novas competências são excelentes formas de manter o nosso cérebro ativo. Mas há uma mensagem importante: estas atividades por si só não chegam, devem fazer parte de uma estratégia mais abrangente de proteção da saúde cerebral.

Portanto, doutora, a verdadeira prevenção vai muito além da chamada ginástica cerebral.

Sim. Hoje sabemos que proteger o cérebro passa também por proteger os vasos sanguíneos, controlar a hipertensão arterial, controlar a diabetes, reduzir o colesterol, não fumar, praticar atividade física regular, dormir bem, ter uma alimentação equilibrada com a dieta mediterrânica, que nós em Portugal é a nossa chave de ouro. Todos estes fatores reduzem o risco de AVC e contribuem para diminuir o risco declínio cognitivo e de demência, porque aquilo que faz bem ao coração faz quase sempre bem ao cérebro também.

E qual é o papel das consultas de rotina nesta prevenção?

Aqui diria que é um papel absolutamente fundamental. Penso que antigamente as pessoas iam muito ao centro de saúde naquela perspectiva de renovar receitas, medir a tensão arterial, mas acho que percebemos todos que a prevenção é fundamental. E também aqui na parte da nossa saúde cerebral. Medir a tensão arterial, controlar a diabetes, o próprio colesterol, promover a cessação tabágica, identificar alterações da audição, também incentivar o exercício físico e uma alimentação saudável. Tudo isto são intervenções que ajudam simultaneamente não só a prevenir o AVC, mas também a diminuir o risco de declínio cognitivo no futuro. E, portanto, é uma prevenção silenciosa, mas com um enorme impacto.

Portanto, se quisermos proteger o cérebro, devemos mantê-lo ativo, mas não só, não é tudo.

Sim. As palavras cruzadas, o sudoku, como já falamos, a leitura ou aprender coisas novas, são excelentes formas de estimular o nosso cérebro e ajudam a construir esta reserva cognitiva. Mas a verdadeira prevenção começa muito antes e vai muito além da ginástica cerebral, com medidas muito simples como a tensão, o exercício, o sono, ter uma alimentação equilibrada, não fumar, uma vida social ativa também. É a soma destas pequenas escolhas, acompanhadas nas consultas de rotina, que pode efetivamente fazer a diferença na prevenção da memória, da autonomia e da qualidade de vida. Porque cuidar do nosso cérebro não é apenas evitar a demência, é preservar naturalmente a nossa independência e a nossa capacidade de viver bem durante mais anos.

Doutora Vanessa Mendes, obrigada por mais um "Tratar da Saúde".

Obrigada.