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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador, com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia. Bem-vinda.

Bom dia. Obrigada.

Sempre que chega o verão, ouvimos falar em internamentos relacionados com as temperaturas elevadas, mas muitas vezes usamos os termos golpes de calor e insolações como se fossem sinónimos, mas a maioria das pessoas nem sabe bem a diferença. Doutora, quando falamos de calor extremo, estamos apenas a falar de desconforto ou pode, de facto, existir um verdadeiro risco para a saúde?

Pode existir um risco muito significativo. Na verdade, o nosso organismo está permanentemente a tentar manter uma temperatura corporal relativamente estável em torno dos 37 graus. Mas quando a temperatura ambiente aumenta, ativamos vários mecanismos para dissipar calor, como a transpiração e a dilatação dos vasos sanguíneos. O problema surge quando estes mecanismos deixam de ser suficientes e nessa altura a temperatura corporal começa a subir e podem surgir diferentes formas de doença relacionadas com o calor.

Existe então diferença entre insolação e golpe de calor, não é?

Sim. A insolação resulta da exposição direta e prolongada ao sol, sobretudo na cabeça e no pescoço. Pode provocar dores de cabeça intensas, náuseas, tonturas e sensação de mal-estar. Já o golpe de calor é uma situação muito grave. Ocorre quando o organismo perde a capacidade de controlar a sua própria temperatura. A temperatura corporal pode ultrapassar rapidamente os 40 graus e aqui estamos perante uma verdadeira emergência médica.

Então importa percebermos quais são os sinais que nos devem preocupar para estarmos atentos.

Numa fase inicial, podem surgir, por exemplo, sede intensa, cansaço, tonturas, dor de cabeça, cãibras musculares, mas os sinais mais preocupantes são, sem dúvida, as alterações do estado de consciência. Confusão, desorientação, dificuldade em falar, até sonolência excessiva ou a perda de consciência são sinais de alarme. A pele pode ficar muito quente e em algumas situações deixar mesmo de existir transpiração. E quando estes sinais aparecem, devemos procurar ajuda médica de forma emergente.

Existem grupos, claro, com certeza, mais vulneráveis.

Crianças pequenas e idosos são particularmente vulneráveis porque regulam a temperatura corporal com menor eficácia. Pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais também apresentam maior risco. E não podemos esquecer quem trabalha ao ar livre ou pratica exercício físico intenso durante as horas de maior calor. Aliás, muitas situações de golpe de calor surgem precisamente em contextos de atividade física intensa.

E o que é que devemos fazer se suspeitarmos que é um golpe de calor?

O primeiro passo é retirar a pessoa da fonte de calor e levá-la para um local fresco e ventilado. Deve remover-se o excesso de roupa, iniciar medidas de arrefecimento, como por exemplo, a aplicação de água fresca ou as compressas úmidas. Se a pessoa estiver consciente, pode ser incentivada a beber líquidos. Mas perante sinais como confusão, sonolência, alterações do comportamento, perda de consciência, por exemplo, ou até temperatura corporal muito elevada, então devemos contactar imediatamente o 112, porque estamos perante uma verdadeira emergência médica e cada minuto conta. Felizmente, a maioria destas situações pode ser prevenida. Evitar a exposição solar nas horas de maior calor, manter uma hidratação adequada, utilizar roupa leve e procurar ambientes frescos continuam, sem dúvida, a ser medidas fundamentais. E é particularmente importante estar atento às crianças pequenas, aos idosos e às pessoas com doenças crónicas que têm menor capacidade de adaptação ao calor. Como já dissemos, o verão deve ser aproveitado muito bem, mas sempre em segurança, sem esquecer que temperaturas extremas podem representar um risco real para a nossa saúde.

tratardasaude@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas, as suas sugestões. Se preferir, também pode enviar-nos o seu áudio por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.