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Vamos regressar a Frank Hewlett. Vocês já ouviram falar dele, ainda que não estejam bem a ver quem é este rapaz.
Ele qualquer dia também não vê nada à frente.
Ele também já qualquer dia. Não se vê a cara dele. É o jovem adepto do Manchester United que prometeu só cortar o cabelo quando o United voltasse a ganhar cinco jogos consecutivos. Já passou quase um ano.
Está sim, Paulo.
Diz.
Está com uma farta cabeleira.
Já passou quase um ano.
Essa foto está atualizada relativamente.
Eu já tenho muita pena de alguém que se sente atrás dele na sala de cinema.
Tem um tufo de cabelo que é uma coisa assim.
Como é que temos de descrever isso? Tipo Bon Iam?
Sim, Bon Iam.
Mais, ao quadrado, ao cubo.
Estão a ver a Marge Simpson? É mais ou menos.
Mas ainda mais volumoso. Já o comparam, e mesmo assim é uma comparação que não lhe faz justiça, ao cabelo ao Marouane Fellaini, que é o jogador belga que passou também pelo Manchester United e também tinha uma farta cabeleira.
Também fez uma promessa, esse? Não.
Não, esse não fez uma promessa, mas de facto tinha um cabelo que faz lembrar o deste adepto, que continua a ver o cabelo crescer.
Este cabelo é bom para guardar coisas.
Para esconder. Imagina-o no aeroporto.
Canetas. Micro-ondas.
Drogas. Não, ele tem boas intenções. Aliás, ele já angariou fundos para a Mind UK, que é uma instituição de caridade de saúde mental, e planeia doar o cabelo quando finalmente o United ganhar cinco jogos consecutivos, a uma instituição que depois o transforma em perucas para crianças com câncer e que durante os tratamentos ficaram sem cabelo. Porque ele já se tornou, de facto, uma estrela.
Claro. E são propostas com cabeça.
Sim, e com cabelo, sobretudo, com muito cabelo. Frank Hewlett deve ter ficado um bocadinho triste, porque é adepto do United, ao ver o resultado de ontem do derby de Manchester, em que o City venceu o United por 3 x 0. E assim ainda não é desta que vai começar uma nova série de cinco vitórias.
E quantas é que tinha vencido o United até aí?
Uma. Um jogo. Vinha de uma vitória. Teve uma vitória consecutiva.
Exato.
Aliás, o Rúben Amorim também está quase a fazer um ano no Manchester United e ainda não conseguiu ter duas vitórias consecutivas no campeonato.
Isso é gravíssimo.
É.
Está quase a vir para casa.
Duas vitórias.
Para um clube como o United. Há quem esteja muito contente a esfregar as mãos com estes resultados. Alguns adeptos, simpatizantes de candidaturas à presidência do Benfica, que acham que se o Rúben Amorim for despedido, poderá ser uma boa alternativa.
Que estará bem no Benfica e em Portugal.
É, de regresso. Onde ele foi feliz.
No clube do coração.
No Sporting teve sucesso.
Agora não está.
No Manchester, não.
Mas ele é benfiquista.
É benfiquista de quê?
De coração.
De amor, de paixão.
Então não é sportinguista. Não funcionou bem lá.
Funcionou.
O que leva os benfiquistas a pensar que ele vai funcionar no Benfica como funcionou bem no Sporting e não no Manchester?
É muita fé. É crença.
É dizer assim: "Vai fazer no Benfica o que fez no Sporting."
Uma palavra para o lado racional. Não há.
Não tentes entrar nos meandros da lógica futebolística, porque muitas vezes não há. Toda a gente percebe porque é que o Manchester United-
Pode ser duas semanas a tentar entrar. Estas duas últimas.
Aliás, foi para país onde o futebol é o desporto rei. Mas a lógica para o Manchester United era óbvia. Era um treinador com sucesso no Sporting, tinha levado do Sporting resultados que não tinha há muitos anos e agora o Benfica, se algum candidato quiser trazer Rúben Amorim, o que é que vai fazer? Vai concentrar-se nesses resultados que ele obteve no Sporting.
E não nestes.
Apagando convenientemente esta experiência, este registo responsável pelo crescimento do cabelo de Frank Hewlett. E agora, para finalizar, vamos a um resultado histórico na Volta.
Pois foi.
João Almeida igualou o melhor resultado de um ciclista português numa grande volta, o segundo lugar de Joaquim Agostinho na Volta de 1974. Só que o final não foi exatamente como João Almeida teria sonhado, porque não houve cerimônia de pódio. Aliás, nem chegou ao fim a etapa, por causa dos protestos pró-Palestina em Madrid. Eram muitos milhares de manifestantes e apesar de ter havido um reforço policial, não foi possível concluir em segurança essa etapa, a etapa de consagração de Jonas Vingegaard, o ciclista dinamarquês. Não sei se nas tuas férias tiveste a oportunidade de passar pela terra natal de Jonas Vingegaard, não?
Qual é a terra natal dele?
É Dinamarca, qualquer sítio.
Sim, por acaso tive. Qualquer sítio, não tive em todos.
Não tiveste em todos. Ganha o ciclista dinamarquês e ganha muito bem. Foi o mais forte na etapa de sábado, que não foi a etapa rainha, mas foi uma das principais etapas, e era a última oportunidade do João Almeida tentar tirar a camisola vermelha a Jonas Vingegaard. O dinamarquês foi, de facto, mais forte. E ontem era o dia da consagração, era a etapa da festa e foi interrompida e a festa também acabou por não se realizar. Devido a esses protestos, fica este sabor agridoce para João Almeida, duplo sabor agridoce, quer por não ter conquistado a Volta, quer por não ter tido a oportunidade de festejar depois devidamente o seu segundo lugar, mas foi um grande resultado para o ciclista português. Muitos parabéns ao Boto Lum, ao ciclista de A dos Francos.