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Glória. Ontem foi dia de glória portuguesa ouvida na Polónia. Portugal conquistou três medalhas nos Mundiais de Pista Curta, até aqui conhecidos como os Mundiais de Pista Coberta, mas já não é assim.

A sério? Mudou?

É, agora é pista curta.

Só percebi ontem também, confesso.

É verdade. Antigamente era pista coberta. E ontem também foi em pista coberta, só que agora são conhecidos como pista curta porque podem ser disputados ao ar livre, desde que seja em pista curta, pista com 200 metros, metade da pista normal.

Nada como rigor.

São os mesmos mundiais em que já tínhamos conquistado, até ontem, 17 medalhas. Ontem conquistamos mais três, portanto agora já vamos em 20 medalhas conquistadas em mundiais de pista curta, até agora conhecidos como pista coberta. Vamos aos nossos campeões. Quem ganhou medalhas. Começamos pela medalha de prata de Isaac Nader nos 1500 metros, o campeão mundial ao ar livre em pista longa. Não sei se agora passou a ser pista longa. Mas pronto, o campeão mundial ao ar livre chegou à Polónia como um dos favoritos. Conseguiu o apuramento para a final. Na final foi surpreendido pelo espanhol Mariano García. Sabemos que a prova de 1500 metros é sempre muito tática, com muitos empurrões, muitas vezes lançada em bases lentas, o que favorece aqueles atletas que não têm uma marca pessoal tão boa quanto os outros. A partir do momento em que as provas são lançadas nestas bases mais lentas, qualquer um pode ganhar. A verdade é essa. E desta vez saiu o brinde ao espanhol Mariano García, que praticamente dominou a prova, esteve sempre na frente e Isaac Nader, apesar de ter normalmente uma excelente ponta final, já não teve forças para ir buscar o espanhol. Mesmo assim, conseguiu uma medalha de prata numa distância em que Portugal até tem alguma tradição. Em 2001, Rui Silva conquistou a medalha de ouro, ganhou a prova nos Mundiais disputados em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Já há alguns anitos, são 25 anos desde essa prova que foi disputada em Portugal. Mas também Mário Silva, em 1991, conquistou uma medalha de bronze nos 1500 metros e, no setor feminino, Carla Sacramento foi medalha de prata em 1995. Portanto, é uma distância em que Portugal tem uma tradição e Isaac Nader não conseguiu o título mundial, mas conseguiu uma medalha de prata, que não deixa de ser importante. Ele no final dizia-se um pouco desiludido. Claro que chegou como um dos principais favoritos, se não o principal favorito a esta final. No entanto, uma medalha de prata não deixa de ser um extraordinário resultado. Claro que depois o destaque foi para os dois vencedores portugueses, Agathe Sousa e Gerson Baldé, ambos do salto em comprimento, o que significa que Portugal foi mesmo o campeão dos saltos, salto em comprimento ontem nestes Campeonatos do Mundo. Agathe Sousa foi a primeira a competir ontem de manhã e eu fui acompanhando a prova, esta e também a de Gerson Baldé. Agathe Sousa ao terceiro salto passou para a liderança. Estava numa competição renhida com as suas adversárias. Foi ultrapassada pela italiana Larissa Iapichino, mas respondeu logo ao quinto salto, ou seja, quando foi ultrapassada, no salto seguinte, conseguiu passar para a liderança com seis metros e 92 e as adversárias já não conseguiram responder a esta marca. No último salto, Agathe Sousa ainda tentou melhorar a marca, mas na verdade já não precisou.

Para quê?

Era tentar bater o recorde nacional, mas para efeitos do ouro não foi necessário melhorar esta marca. A atleta do Benfica em 2024 tinha alcançado a medalha de bronze nos Europeus de Roma. Os Jogos Olímpicos e os Mundiais do ano passado, nos Jogos Olímpicos de Paris, não lhe correram tão bem. Ela também teve problemas físicos, mas o potencial esteve sempre lá e ontem confirmou-se com esta vitória numa disciplina em que Portugal também tem uma grande tradição, graças sobretudo a Naide Gomes, que foi campeã do mundo em 2008 no salto em comprimento. Também tinha vencido o pentatlo em 2004, portanto duas medalhas de ouro. Aliás, Naide Gomes é a atleta portuguesa mais medalhada nestes campeonatos do mundo de pista curta, com quatro medalhas, sendo duas delas de ouro. Mas também temos Carlos Calado, que venceu a medalha de bronze naqueles campeonatos disputados em Lisboa em 2001. Portanto, é também uma disciplina onde temos alguma tradição, o que foi confirmado à tarde com um magnífico desempenho de Gerson Baldé, que no último salto passou para a liderança do salto em comprimento, ultrapassando toda a concorrência. Ele esteve entre o quarto e o quinto lugar. Chegou ao último salto fora das medalhas. Portanto, não estava no pódio ao último salto. Tinha à sua frente o italiano Mattia Forlini e o búlgaro Bozidar Saraboyov. Um nome um bocadinho difícil.

Eu sabia esse.

Que é um atleta verdadeiramente inacreditável, porque ele também é muito bom no salto em altura. Aliás, o físico dele é mesmo de um saltador em altura, mas também é muito bom no salto em comprimento.

Quanto é que fez o nosso?

O nosso fez oito metros e 46.

Quem nunca? Eu saltava para aí 20 centímetros na escola.

É recorde nacional absoluto.

Oito metros e 46.

É verdade, ele bateu o recorde dele.

É uma coisa.

Para ganhar o ouro, ele tinha mesmo de bater o recorde nacional e dele, Gerson Baldé, e conseguiu no último salto. Eu estava a ver a prova e há ali um momento de tensão, porque ele salta e percebe-se que ele consegue passar para primeiro lugar, mas ainda não se sabe se o salto era válido. E então há ali um momento de tensão em que se fica à espera de ver a bandeirinha branca e no ecrã aparece o sinal verde. E quando aparece o sinal verde, ainda antes de aparecer a marca, já se sabia que Gerson Baldé tinha passado para a liderança e assim foi. E depois os adversários ainda tiveram a oportunidade, mas até fizeram dois saltos nulos e Gerson Baldé conquistou a terceira medalha de Portugal nestes Campeonatos do Mundo. É o melhor desempenho sempre de Portugal em Campeonatos do Mundo de pista curta. Até agora o máximo que tínhamos era duas medalhas e ontem, no mesmo dia, três medalhas, duas delas de ouro. Parabéns aos atletas portugueses. Olha, parabéns a todos nós, também ganhamos um bocadinho. Não saltamos é tanto, é verdade, mas também somos um bocadinho campeões.