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Hoje é dia de clássicos no Três Toques e começamos por um clássico dos clássicos: Cristiano Ronaldo. Esteve na Noruega, foi à Noruega, não saiu do banco. A primeira vez que não saiu do banco em 18 anos, num jogo. O jogo conta na mesma? Não sei, ainda há dúvidas. Mas a seleção apresentou-se como Portugal? Sim. Portugal, a seleção que habitualmente chamamos de Portugal. Cristiano less. Mas ele aguentou bem, acho eu. Não? Achou que não.
Ali no fim teve uma exposição quando o jogo acabou.
Mas houve uma coisa que ele trouxe da Noruega. Atenção.
Bacalhau.
Salmão, bacalhau. Paulo. Da Noruega? Da Noruega. O que ele poderá ter trazido? Um fiorde? Um fiorde escorte? Eles não fazem ideia, eu não vou além do bacalhau. O bacalhau, não. Ele trouxe um troll, um bonequinho, o mesmo boneco.
Ah, aqueles bonecos.
Aqueles bonecos, os trolls. Os trolls ou os trois? Os trois.
Os trois.
Os trolls são figuras da mitologia nórdica. Normalmente são um bocadinho mauzinhos e agora nós associamos sempre àquelas figuras dos bonecos muito desgranhados, despenteados e maus, e ao mesmo tempo divertidos. E houve uma página de futebol norueguesa que aproveitou o momento em que o Cristiano Ronaldo passou pela zona mista em direção ao autocarro, já após o jogo, uma altura em que ele poderia estar um bocadinho mais sensível, e ofereceu-lhe um troll, que ele aceitou e reagiu até com boa disposição, a rir-se do momento, foi pro autocarro com o troll. Trollaram o Cristiano Ronaldo. Foi pelo menos o indicador de que as coisas não estavam assim tão pesadas, pelo menos aparentemente.
Isto foi jogada do Jesus, deu para a imprensa norueguesa. Quem resiste é para amansar.
Calma aí, homem. Ele é capaz de o pôr a jogar já na Dinamarca. Não sei se ele vai levar o troll pra Dinamarca, mas foi um belo momento depois daquela tensão durante o jogo. Foi um momento muito divertido.
Passou pro autocarro com aquilo na mão.
Com o troll na mão.
Ficou surpreendido.
Ele ficou surpreendido e lá está, com uma reação positiva, como o próprio diria. Quem não teve assim momentos tão felizes nas últimas décadas. Nas últimas décadas? Sim, ele já deixou há algum tempo o futebol. Roberto Carlos, o antigo internacional brasileiro. Falamos dele aqui a semana passada, a propósito das declarações que ele fez na Football Summit, cá em Portugal, acerca da forma como perdeu grande parte ou a totalidade da fortuna. E agora há mais pormenores. Ele, de facto, terá perdido cerca de 160 milhões de euros. Isso é o que se estima que ele terá ganhado ao longo da carreira, e se depois foi à falência. Gastou. Gastou. Também gastou, mas aqui também terá que ver com os agentes, familiares.
Divórcios.
Divórcios. Há aqui a questão dos filhos. Ele tem 11 filhos, de sete mulheres. Dá uma certa despesa, de facto.
11, sete, 18, 160 milhões a dividir por dois.
Não é muito. Até está explicado. Mas também houve aquelas coisas em que os jogadores, por vezes, caem, de investimentos, de um agente, de um amigo que tem um grande investimento: "País, isto é maravilhoso." Contabilistas, pessoas que ficam a gerir as finanças, porque, e é bom dizer, eu acho que ele também falou sobre isso pra alertar os jogadores atualmente para essas situações. É muito fácil os jogadores demitirem-se dessas responsabilidades, que é a responsabilidade de gerirem o seu dinheiro. E têm que encontrar alguém que o faça. Com certeza, porque estamos a falar de uma dimensão de decisão de investimentos empresarial. Estamos a falar de 106. Quantas empresas em 10 anos geram esta quantidade de dinheiro? Portanto, tem sido gerido, de facto, de uma forma profissional, mas aquilo que ele também disse é que muitas vezes os jogadores entregam às cegas a gestão.
Eles confiam.
Confiam porque querem estar concentrados, e percebe-se por um lado, no seu desempenho desportivo, mas isso faz com que muitas vezes pessoas com outras intenções acabem por ficar a gerir o dinheiro e eles chegam ao fim da carreira, que é uma carreira curta, embora aqui estejamos a falar de um nível de rendimento, de facto, estratosférico, mas acabam por ficar em situações muito difíceis. E para terminar com outro clássico. Este aqui foi um bocadinho ao contrário. Também temos falado muitas vezes dele, o Vozinha, de Cabo Verde, o guarda-redes cabo-verdiano que está agora a jogar no Chile, que deu uma entrevista bastante completa ao The Observer e em que falou sobre toda esta experiência da fama.
Já tem saudades, não? Da sua vida pra cá.
Isto de alcançar a fama numa idade em que os jogadores já se estão geralmente a retirar, já estão a acabar a carreira. Agora com 40 anos é que ele acabou por atingir o estrelato. E ele diz que perdeu a paz e a tranquilidade, já não tem privacidade, ou pelo menos diz que tem muito menos do que tinha.
Não era desconhecido, mas pouca gente sabia quem era.
O exemplo mais óbvio é o das redes sociais. Ele passou a ter 20 e tal milhões, 30 milhões de seguidores no Instagram. Uma loucura total. E agora diz que quando sai ou vai a um restaurante, há sempre alguém a querer tirar fotografias ou a filmá-lo. Penso que está contente. Parece.
Nunca se sabe ao certo, ele é mordiu.
As pessoas não podem é querer comer o bolo e ficar com ele intacto na mesma. Porque, de facto, há benefícios que resultam desta exposição. Sim, o principal benefício foi, de facto, a atuação dele fantástica. E os resultados estão à vista. Essa é a origem da fama.
Portanto, é um reconhecimento por mérito.
Pelo mérito dele. Não é um influencer. Agora, há um lado negativo relacionado com a exposição.
Mas a questão é: alguém que sonha ser jogador de futebol, o sonho é ser reconhecido.
É ser o melhor.
Pelo bem que faz, o melhor.
E o melhor é sempre reconhecido.
Mas é o outro lado.
Eu percebo isso. Não estás habituado.
E também pela idade.
Pela idade.
Se fosse aos 20, 30, se calhar ele estaria mais entusiasmado com tudo isto.
Jogadores que aos 18 anos já estão habituados a este nível de exposição, se calhar lidam com isto, ou aprendem a lidar com isto de uma forma diferente, ou se calhar até lidam mal com isto desde sempre. Mas para um jogador de 40 anos.
Já não estava à espera.
Já não estava à espera. Tem vantagens, claro que lhe trouxe vantagens a nível financeiro, dos contratos, das propostas que também teve para fazer publicidade e ele diz que há uma coisa que já decidiu: não vai fazer publicidade a tabaco, álcool e apostas. Pode fazer outras, pelo menos é aqui um princípio, um statement, e acho muito bem que o tenha feito. Olha, a vozinha é assim.
A vozinha.
A vozinha.
Não se pode ter sol na eira e chuva no eirado.
Pois é. Vítima do próprio sucesso. Do sucesso, e muito merecido, e o reconhecimento incrível que ele teve. Agora é aturar um bocadinho os fãs, também não faz mal.