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Bruno.

Eu não me perdoo.

Não devias perdoar era o Paulo.

O Paulo, não me perdoo. Ou eu não perdoo o Paulo.

Não perdoamos o Paulo?

Não perdoamos o Paulo.

O que é que eu fiz?

Paulo, como é que foi possível?

Como é que...?

Paulo, sabes que dia foi ontem?

Ontem? 5 de fevereiro.

Pois.

5 de fevereiro. E então, e 5 de fevereiro?

É o dia?

5 de fevereiro.

Então?

Quem é que nasceu a 5 de fevereiro?

Tanta gente que nasceu a 5 de fevereiro.

Não. Aquele por quem todos nós esperávamos há muitos anos.

Estás a falar do quê? Do país do Ronaldo? Não.

Estás a ver como tu sabes? Tu sabias e não nos disseste, não nos lembraste e deixaste que passássemos esta vergonha.

Esquecermo-nos do aniversário do Ronaldo? É para isso.

É, esquecemo-nos.

Imperdoável.

Ontem cresceu o Ronaldo.

Isso é absolutamente imperdoável. Não sei como é que as pessoas conseguem dormir e estar bem com a sua consciência depois de uma falha dessas, de facto.

É duro.

Muito duro.

Completou 41 primaveras, como se dizia naquelas dedicatórias na rádio, lembram-se? É para a minha filha, que hoje completa 16 primaveras.

Ai é?

Não.

Não, pensei que era real.

Recordar os tempos que eram.

Recordar. E era para a minha esposa. Não se lembram? Vocês nunca dedicaram nenhuma música a ninguém na rádio?

Eu não dediquei a ninguém completando não sei quantas primaveras.

Quando o telefone toca.

Quando o telefone toca. É fácil dizer a frase. Isso era muito fácil.

Eu estava mesmo a falar das rádios locais. Se calhar, na altura ainda eram piratas.

E mesmo depois disso, ainda se faziam.

Ainda se ouve por aí.

É verdade. Isso ainda não acabou, felizmente. E o que também ainda não acabou foi Cristiano Ronaldo. Quer dizer, agora está um bocado parado. Ainda não resolveu a situação com o fundo de investimento saudita, portanto, não se sabe se ele jogará hoje. Hoje há um jogo muito importante para a Liga Saudita, entre o Al-Nassr de Cristiano Ronaldo e o Al-Hilal.

Estou aqui em pulgas.

Eu sei, Paulo.

Mas ele está com os salários em atraso.

Pois é.

Como é que ele vai pagar a prestação da casa?

Eu também ouvi essa hoje.

Como é que ele vai pagar a prestação da casa e do carro?

Não mantêm o subsídio de refeição?

Pois, não sei.

Não sei, mas também não deve ganhar muito subsídio de refeição. Ele também não come muito, ele é mais água.

Ele é só ajudas de custo.

E nutrientes. Ajudas de custo. Vocês sabem, e falámos já aqui disso, que a principal queixa de Cristiano Ronaldo e o motivo para este boicote, esta greve. Ronaldo e greve são coisas que não combinam assim muito bem. Mas o principal motivo será o investimento feito pelos outros clubes, pelos clubes rivais, financiados tal como o Al-Nassr.

Vem tudo do mesmo saco.

Vem tudo do mesmo saco. É verdade que há uma diferença no investimento. O Al-Hilal investiu 600 e tal milhões de euros desde que Ronaldo foi para a Liga Saudita e o Al-Nassr, clube de Ronaldo, investiu 400 e tal milhões de euros. Mas também há uma grande diferença, que é o vencimento de Ronaldo. Só Ronaldo ganha 200 milhões de euros por ano. Talvez isso também ajude a explicar as diferenças de investimento.

Pois, e depois, sem entrar em tecnicismos, uma coisa é investimento, outra coisa são gastos correntes.

Exatamente. E para esses gastos correntes, o investimento é a transferência dos jogadores. E aí, de facto, há uma diferença, mas provavelmente o Al-Nassr terá custos mais elevados, até porque só um jogador ganha 200 milhões de euros por ano. Enfim, vamos continuar a acompanhar esta situação, mas penitenciamo-nos por ontem não termos dado os parabéns a Cristiano Ronaldo.

Enfim, eu acho que devíamos terminar.

Essa primeira pessoa do plural, Bruno.

Não sei se temos condições para continuar a emissão hoje.

É uma estática, Carla.

Não sei se há condições para continuar a emissão hoje.

O Cristiano Ronaldo nunca me deu os parabéns a mim.

Nunca deu?

Não.

Como é que isso é possível?

Isso é que é ter mau feitio. Tocaste na ferida.

A minha pergunta é: quando há de acontecer, o Cristiano Ronaldo há de deixar de jogar, com o que é que nós vamos ocupar os nossos dias? Vamos falar de quê e de quem?

Eu não sei. Olha, por exemplo, podemos falar de Dennis Rodman. Lembram-se dele?

Sim.

Dennis Rodman, uma carreira notável no basquete e também depois umas participações em filmes. Eu lembro-me bem daquele do "Duplo Timo" com o Jean-Claude Van Damme, uma dupla muito improvável, do filme de 1997. Isto já depois de Rodman ter tido aquele grande momento no Chicago Bulls, juntamente com Michael Jordan.

Continua com uma imagem incrível. Um visual.

E houve uma mudança, e é por isso que trago Dennis Rodman. Houve uma mudança ali por volta de 1993. Ele viveu uma crise. Na altura, estava nos Detroit Pistons e o treinador, de quem ele era muito próximo, saiu. E na altura, ele diz que viveu um momento complicado na vida, porque também estava a atravessar um divórcio, estava em processo de divórcio e diz que chegou a dormir uma noite numa carrinha com uma pistola carregada. Portanto, aquilo foram momentos mesmo difíceis.

Tensos.

Tensos a nível pessoal. E diz que adormeceu a ouvir uma música dos Pearl Jam, que era o "Black". E isto é importante por quê? Porque três anos depois, Dennis Rodman foi de alguma forma homenageado pela banda, porque a música "Hey, Leo", que é o lado B do single "Black, Red and Yellow", do álbum "No Code", que é de 96, é sobre Dennis Rodman. E nesse álbum, sei que quem gosta muito dos Pearl Jam e não só, lembra-se daquela capa do álbum do "No Code", que tinha várias fotografias, e uma das fotografias é do olho de Dennis Rodman. Se calhar, foi uma forma de retribuírem também esse apoio que acabaram por dar também ao jogador na altura, Dennis Rodman, que mudou completamente o visual na altura, começou a maquilhar-se e a vestir saias. Isto em 1990 e tal, e continua assim.

Continua assim.

Continua assim, e muito bem, porque muita gente dizia, ele também faz questão de dizer isto, que era capaz de não chegar aos 40 anos e ele aí está para as curvas.

E cheio de estilo.

Com muito estilo, sempre.