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Três Toques, como é hábito, com o Bruno Vieira Amaral. Uma vez mais, bom dia, Bruno.

Olá.

Bom dia. Eu ainda estou meio a dormir, desculpem.

Bom dia, João Miguel.

Olá.

São 08h10.

8h10? Pergunta do dia: quantas medalhas de ouro ganhou Usain Bolt em Jogos Olímpicos?

Quantas?

Já lá vamos.

Quantas? Vá lá, Paula.

Olha o Paulo. O Paulo sentiu. O Paulo está a sentir aqui.

17.

Não, não chega tanto.

A Helena Matos olhou para mim com ar atordoador, porque ele disse 17.

Ele deve correr os 100 metros, os 200 talvez, e depois as estafetas de quatro por 100.

Sim, senhor, mas não é essa a pergunta.

Não, eu estou a fazer contas.

Eu sei.

Jogos Olímpicos são de quatro em quatro anos.

Eu estou a dizer porque já tinhas acertado, se fosse.

Jogos Olímpicos de quatro em quatro anos. Portanto, é fazer as contas.

É fazer as contas.

Não, eu diria sete.

Sete?

Eu ia dizer sete também.

Sete. Dizemos sete os dois.

Dizem sete. E tu, João Miguel?

Mais generoso, 17.

17. Mais 10. Está bem. A resposta depois vem no final.

Muito bem. E como é que se diz o nome deste corredor em slow motion?

Do Usain Bolt? Como é que é?

Usain Bolt. É normal. Ele é tão rápido. Enfim.

Boa, João Miguel.

Foi muito rápido para nós. Estamos muito lentos.

Fui-me embora. Bom, hoje não começamos com velocidade, mas com uma travagem a fundo. Otávio, jogador do Al-Nassr. Bruno, lesionou-se e já não vai ao Europeu.

E não vai ao Europeu. Eu prometo que amanhã vou falar da saída de Sérgio Conceição e da contratação de Kylian Mbappé pelo Real Madrid.

grande furor lá em casa ontem.

Ficam prometidos esses dois temas para amanhã, mas hoje vamos falar da lesão de Otávio. Este deve ser um dos piores pesadelos de um jogador, uma lesão em qualquer altura, mas sobretudo antes de uma grande competição como o Europeu. Desta vez calhou ao antigo médio do Porto, que atualmente está ao serviço do Al-Nassr, mas aqui na seleção é rei morto, rei posto, não há tempo para secar lágrimas, e o selecionador Roberto Martinez já chamou para a seleção Matheus Nunes, médio do Manchester City, para o lugar de Otávio. Isto é um chavão da bola, mas eu acho que se aplica neste e em muitos casos semelhantes: o azar de uns é a sorte de outros.

É na vida.

É na vida também.

Sorte, quem ontem teve foi Novak Djokovic. Quarta ronda do torneio de Roland-Garros. Passou à fase seguinte, mas também digamos que passou às passas do algar.

Ou às passas de Paris.

Ou às passas de Paris.

Não sei como é que são as passas de Garros, como é que são essas.

Só podem ser boas.

Não foi fácil. Devem ser ótimas. Ontem, Novak Djokovic começou bem, mas depois teve um problema no joelho. Também enfrentou um adversário que lhe dificultou muito a vida. O argentino Francisco Cerúndolo esteve a ganhar por dois sets a um e quando parecia que o sérvio já estava arrumado, Djokovic fez mais uma das suas recuperações épicas e venceu os dois últimos sets. Tem sido uma quinzena exigente para o número um do ranking mundial. Já tinha tido muitas dificuldades na ronda anterior para eliminar o italiano Lorenzo Musetti. Também esteve a perder por dois sets a um, conseguiu dar a volta. Djokovic é um pouco como o Real Madrid. Nunca se sabe quando é que ele está derrotado. É preciso ir lá ver a pulsação. Tem um espírito competitivo.

É verdade.

Eu ontem fui ver porque pensei que ele ia perder o jogo e então fui ver.

Querias ver uma derrota.

Não queria ver. Eu por acaso sou fã do Djokovic, mas estava a ver que aquilo se estava a desenhar para ele perder o jogo.

Até porque já tinha estado assim com o Musetti. A coisa já tinha estado terminada. Ele começa mal, basicamente começou mal os dois jogos, mas depois arrancou.

E mesmo ali no quarto set, houve um momento em que podia ter ido para o lado do tenista argentino. Não foi. Djokovic continua em Roland-Garros.

Ainda vai ganhar aquilo outra vez. Enfim, para terminar, vamos então à velocidade. Começamos com velocidade, acabamos em velocidade pura. É que a Jamaica, de facto, ainda não encontrou um substituto à altura do Usain Bolt. Mas agora parece que há aí uma esperancinha, uma luzinha.

Há uma nova estrela na velocidade. Não é um novo Usain Bolt. Chama-se Oblique Seville, e só pelo nome já merecia uma medalha de ouro, quanto a mim, e é a grande esperança dos jamaicanos para quebrar a maldição de Bolt. Isto porque desde que o recordista dos 100 metros abandonou as pistas, a Jamaica, que é uma potência na velocidade, não voltou a ganhar medalhas nas distâncias mais curtas, os 100 e os 200 metros, quer em Jogos Olímpicos, quer em Campeonatos do Mundo. Oblique Seville tem 23 anos e no domingo venceu o campeão do mundo dos 100 metros, o norte-americano Noah Lyles, e estabeleceu um recorde pessoal em nove segundos e 82 centésimos. Ainda está muito longe do recorde do mundo de Bolt, mas o que os jamaicanos agora querem não é recordes, é ganhar medalhas, e esperam ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris.

Já não falta quase nada.

Está quase.

Eu adoro os Jogos Olímpicos.

Eu também.

Também gosto. Boa.

Desta vez com fuso horário próximo do nosso.

É verdade. Pois é.

Vamos ter de ficar acordados até às tantas.

Vamos então responder à pergunta do dia: quantas medalhas de ouro ganhou Usain Bolt em Jogos Olímpicos? Quantas?

Quantas? Sete. Foram oito.

Estivemos lá perto.

Pertinhos, por uma medalha. Ganhou oito. É o único homem a vencer os 100 e os 200 metros em três Jogos Olímpicos, portanto logo aí estão seis, e depois mais duas na estafeta de 4 por 100 metros. Só não ganhou na primeira estafeta em que participou nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, depois em Londres e no Rio de Janeiro venceu as três provas a equipa da Jamaica. Tem oito medalhas, é de facto um registo extraordinário, e mais extraordinário é o facto de ter vencido por três vezes as duas distâncias mais curtas dos Jogos Olímpicos.

São as mais exigentes para um atleta.

Três vezes são 12 anos.

São 12 anos.

Ele manteve a sua explosividade durante 12 anos.

Durante 12 anos. O melhor resultado do recorde do mundo, eu acho que é de 2009, nos Campeonatos do Mundo em Berlim, se não estou em erro, mas mesmo assim, não voltando a bater esse recorde do mundo, dominava a velocidade e conseguiu essas oito medalhas de ouro olímpicas.

Temos que ir ver o que é que o Usain Bolt come ao pequeno-almoço. Foi o Três Toques com o Bruno Vieira Amaral.