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Eu acho que não se falava tanto num mamilo desde o Nipple Gate, que envolveu a Janet Jackson na atuação do intervalo do Super Bowl.
Já foi há uns aninhos.
Para aí uns 18 ou mais, se calhar 20 anos.
A sério?
Eu até diria mais que 20.
A sério?
Se calhar mais.
Era para isto?
Investigue-se. Justin Timberlake, na altura, teve aquele gesto que deixou à mostra mais do que deveria e houve uma grande polêmica. Agora a polêmica é menor, porque se trata de um mamilo do Carlos Alcaraz, o tenista espanhol que apresentou um novo look, não só com um novo penteado no Open dos Estados Unidos, mas também com uma nova indumentária. E essa indumentária deixou à mostra os mamilos e uma antiga finalista do Wimbledon.
Estavam a explicar que era uma manga cava.
Era uma manga cava.
Demasiado cava.
Demasiado cava. Tanto que ontem, no jogo dos oitavos de final contra Tommy Paul, ele já usou uma nova camisola, também manga cava, mas que não deixava à mostra os mamilos. E isto gerou alguma polêmica, porque Eugenie Bouchard, finalista do Wimbledon em 2014, uma tenista canadiana, nas redes sociais não fez uma crítica, isso foi em tom de brincadeira. Foi mais piada. Algumas pessoas demoram a perceber, como tu dizias há pouco, Paulo, às vezes nem toda a gente tem o mesmo sentido de humor, nem a mesma rapidez a perceber as piadas. Ela partilhou nas redes sociais uma imagem de Carlos Alcaraz no Open dos Estados Unidos e disse: "Tapa os mamilos, se faz favor, se não te importas." E Carlos Alcaraz, muito obediente, neste jogo contra Tommy Paul.
Durante todo o jogo.
Durante todo o jogo, é verdade. Foi o que ela disse: "Mamilos de fora durante todo o jogo. Tapa os mamilos, se faz favor." Parece que seguiu a recomendação. Já teve aqui uma indumentária mais púdica, por assim dizer.
Só sem o Wimbledon não havia dessas brincadeiras.
Em Wimbledon, essa é outra das polêmicas do momento. É com o ambiente que se vive no Open dos Estados Unidos, com o cheiro a erva, e não é erva cortada.
Sim, houve quem se queixasse.
Eu gosto do cheiro de relva cortada. Erva.
Cheiro a haxixe, não é? Marijuana.
Muitos jogadores têm-se queixado e, ao contrário do que acontecia anteriormente, agora os espectadores podem movimentar-se nas bancadas enquanto o ponto está a decorrer.
Durante o ponto, que é uma coisa estranhíssima de se ver nas imagens.
Antigamente, só podiam, e aliás, noutros torneios, como o do Wimbledon, só podem deslocar-se nas bancadas quando há mudança de campo.
E eles param aquele minuto, minuto e meio.
Exatamente.
Para vosger.
Agora, no Open dos Estados Unidos, mesmo os jogadores que estão a jogar, estão a disputar o ponto e há pessoas de um lado para outro nas bancadas. O ruído também é enorme.
Aliás, até agora os jogadores paravam e não serviam enquanto houvesse uma pessoa em pé no campo de visão deles.
Mas agora eles estão a jogar.
No Roland-Garros, assisti a um jogo em que isso aconteceu, em que o jogador parou à espera que a multidão se acalmasse.
Mas nos Estados Unidos, bastava haver uma pessoa ou duas ainda a caminho do lugar.
Acho bem.
No cinema também devia ser assim. Só arrancava quando estivesse tudo sentado.
Claro.
E senão paravam.
Pausa.
Pausa. Exatamente. Ou então voltam para trás.
Isso já é liberalismo a mais.
Mas estamos nos Estados Unidos. O Open dos Estados Unidos é conhecido por ser o mais ruidoso dos Grand Slams, mas agora está a chegar a um nível em que muitos jogadores o classificam como um circo ou um jardim zoológico. E vamos ver se vai haver mudanças ou não. Há quem diga que isto é a identidade do próprio torneio.
Mas os jogadores têm poder.
Têm, claro. Se eles fizerem fica pé, vão conseguir.
Tem acontecido noutros temas, nomeadamente no Equal Pay. Nos prêmios iguais para homens e mulheres.
E é o que tem acontecido, em particular nos grandes torneios. Também dependerá um pouco da intervenção dos árbitros. E se os árbitros seguirem o exemplo de um árbitro no Campeonato Brasileiro de Futebol, as coisas talvez entrem nos eixos. Aconteceu no clássico entre o Fluminense e o Vasco da Gama, em que o árbitro entrou numa discussão mais física com o jogador e deu-lhe uma peitaça. O Hulk, que é jogador do Fluminense, veio criticar o árbitro. Ele diz que num jogo desta dimensão, que é um dos maiores clássicos do Brasil, não pode ser um árbitro que não tem personalidade. Acho que ele até demonstrou excesso de personalidade, porque nas imagens vê-se mesmo ele a chegar à frente. Ao Canobbio, que é um jogador.
Canobbio?
Canobbio, que é um jogador uruguaio.
Era fã da Star Wars.
O Obi-Wan Canobbio.
Os pais eram.
Por acaso é filho de um antigo internacional do Uruguai, também. Já esse devia ser descendente do Obi-Wan Canobbio. O Canobbio levou uma peitaça do árbitro. Canobbio faz por merecer.
Não se porta muito bem.
Não é um jogador que tenha um comportamento muito exemplar. Mas o Hulk revoltou-se e indignou-se com o árbitro. O árbitro fez uma defesa do seu território, se calhar um bocadinho excessiva. Os árbitros de cadeira nos torneios de tênis Normalmente não o fazem, limitam-se a ficar a ouvir os insultos dos jogadores, que às vezes também acontece.
Estes estão a outro nível.
Na verdade, estão lá nas alturas.
Literalmente.
Estão um bocadinho a salvo de tudo que não seja insultos verbais. Vamos às histórias de guarda-redes. Foi um fim de semana emocionante para guarda-redes. Na Primera B, que é a Segunda Divisão B da Colômbia, um jogador preparava-se para marcar um penalti e o guarda-redes, eu não sei se foi de propósito, mas arranjou aqui uma maneira de o penalti não ser marcado. Os guarda-redes, por vezes, têm aquele hábito de saltar e tocar na trave. Ora, a trave caiu-lhe em cima. Foi a maneira de evitar que o penalti fosse marcado.
Estava precário, certamente.
Ele não se pendurou, ele saltou e estava a bater com as mãos na trave e de repente aquilo desabou.
Eu não tenho problemas desses.
Se fosse uma baliza de hóquei patins.
Sim. Chegava lá e é em pé.
De pontapé.
Andebol, já chegavas.
Já chegava. Chegavas e penduravas-te e aquilo vinha tudo abaixo.
Não esmagou-se?
Não esmagou.
Estava na parte da rede.
Ele tocou mesmo na trave.
Sim. E ela cai.
E ela cai, mas bate-lhe na cabeça. Mas parece que sobreviveu a este incidente. E quem sobreviveu, aliás, não só sobreviveu como fez história, foi um guarda-redes. Estávamos aqui a falar de filhos de antigos jogadores. Este é filho de uma lenda holandesa e antigo treinador também do Benfica, Ronald Koeman, campeão europeu de seleções e de clubes. O grande Ronald Koeman, um dos defesas com mais gols na história do futebol, marcava muitos penaltis e marcava também livres. O filho, que se saiba, ainda não marca livres, mas marca gols, apesar de ser guarda-redes. Ronald Koeman Jr. fez este fim de semana história no futebol holandês. Ele tornou-se o primeiro guarda-redes sempre a bizar num jogo da liga holandesa. Ele joga na equipa no Telstar, equipa que jogou contra o Cambuur, empataram 2 x 2 e os dois gols foram marcados pelo guarda-redes. Dois penaltis. Demonstra qualidade como o pai. O pai também era um exímio marcador de penaltis. Eu acho que ele tem uma das melhores taxas de conversão de penaltis da história do futebol e também era ótimo nos livres. Como treinador, os adeptos do Benfica não terão assim tão boas recordações de Ronald Koeman. Ele, que orientou a seleção holandesa ainda agora no mundial, também foi alvo de muitas críticas por estratégias um bocadinho mais defensivas. Quem não é assim tão defensivo, apesar de jogar à baliza, é o filho, que marcou estes dois gols, um dos quais aos 90 minutos mais 10 a dar o empate. Portanto, se alguém precisar de um guarda-redes.
Que dê uma mãozinha lá à frente.
Um guarda-redes com utilidade na frente. Era o guarda-redes avançado.
Deu uma mãozinha não, aqui deu um pezinho. Mãozinha dá ele lá atrás. Só na baliza.
Mas ele revelou a sua utilidade ao marcar estes dois gols e pode ser uma espécie de guarda-redes avançado, como havia antigamente nos nossos jogos de bairro. Era o guarda-redes avançado, e ainda há no futsal, mas no futebol de 11 não costuma haver. Fica para a história dois gols de um guarda-redes. A este a trave não lhe caiu em cima da cabeça.