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Estou sim?
Estou sim, Rui Rocha, boa noite. É a Mariana do Observador.
Olá, Mariana.
Como está? Já está aqui na parte final do dia, já esteve aqui a referir que é um dia de grande mobilização aqui no Algarve. Não sei se está cansado.
Não, a mobilização dá-nos energia, portanto, está tudo na energia máxima ainda.
Aqui o Algarve é uma região onde o Chega teve resultados que foram muito discutidos nas últimas eleições e Rui Rocha tem estado sempre a apelar ao voto dos zangados. Acha que esse discurso pode ter algum sucesso junto desses eleitores e nomeadamente aqui no Algarve, onde nós estamos?
Eu creio que é um discurso que faz sentido, é um discurso que parte do entendimento das razões que levam as pessoas a estarem zangadas, ou indignadas, ou desiludidas. Há boas razões para isso em Portugal e há boas razões aqui também no Algarve, particularmente. Eu creio que as pessoas têm um conjunto de promessas políticas que foram sendo feitas ao longo dos anos ou das décadas e que depois nunca se concretizam. Isso leva a que as pessoas estejam, de facto, zangadas ou desiludidas. Mas depois eu creio que também não se pode ficar desiludido ou zangado a vida toda.
Sem fazer nada para mudar.
Esse sentimento pode ser traduzido em energia positiva, portanto numa solução que traz diferença, que traz outro tipo de ambição e traz outro tipo de propostas políticas. E portanto, creio que como líder político é minha responsabilidade também sublinhar essa possibilidade de não estar sempre ou não estar a vida toda zangado e de canalizar para soluções positivas essa energia.
Já agora, deixe-me perguntar-lhe, porque estamos aqui nesta última chamada do seu dia, se já teve muitas chamadas com Luís Montenegro, porque um dos temas da campanha tem sido como revelou esta semana, que houve muitos contactos, até alguma pressão da AD para chegar a um acordo pré-eleitoral com a Iniciativa Liberal. Já teve assim muitas chamadas com Luís Montenegro?
A partir do momento em que foi claro da parte da Iniciativa Liberal que não havia outra alternativa, nem outro cenário que não fosse avançarmos com listas próprias, a partir daí cada partido dedicou-se obviamente à sua campanha.
O telefone para tocar.
Relativamente a essa questão de um entendimento pré-eleitoral, sim, tem tocado por muitos outros motivos, mas não esse.
Já agora, deixe-me perguntar-lhe, porque tem dito sobre a questão da SpinouViva que precisamente que teria de ter uma conversa sobre isso com Luís Montenegro. O que é que gostava de lhe perguntar?
Eu gostava de perceber claramente o que aconteceu em todo o processo, quais são as implicações. Creio que são perguntas que os portugueses fazem, mas também devo dizer que eu nunca quis fazer do tema o centro da campanha e mantenho-me aí. Eu creio que é uma questão para depois das eleições, em determinados cenários. Não é tema para a campanha, pelo menos na minha visão, porque os problemas dos portugueses continuam aí, independentemente dessa questão concreta. E se nós perdermos a oportunidade em campanha de discutirmos as soluções, de propor soluções, teremos perdido mais uma oportunidade de mudar o país. Parece-me muito mais importante fazer esse debate das soluções, fazer uma campanha positiva e não uma campanha de casos, havendo obviamente questões a esclarecer que poderão ser esclarecidas em momento próprio.
Mas já agora aproveito para lhe perguntar, equacionando que possa haver esse entendimento e portanto tenha de perguntar a Luís Montenegro uma explicação em maior detalhe, se não tem medo que pode sempre aparecer mais alguma novidade e que a IL também fique colada ao caso.
A IL não ficará nunca, em caso algum, porque a IL tem sido clara em colocar uma enorme exigência em qualquer cenário que surja a partir do dia 18. E essa exigência é uma exigência que tem dois pontos fundamentais. Exigência programática, aquilo que eu tenho dito: mudar o país, fazer as reformas necessárias, da Segurança Social à saúde, da habitação ao crescimento económico, e tem também uma nota de credibilidade para executar esse programa. As duas coisas têm que existir. No cenário que coloca, e eu estou a responder colocando como hipótese acadêmica, haveria um condicionamento dessa possibilidade e portanto a Iniciativa Liberal, sendo transparente nesta exigência que tem, quer programática, quer da credibilidade para executar um programa, obviamente não ficará vinculada a nenhum ponto que possa surgir relativamente a qualquer matéria.
É irónico eu fazer-lhe esta pergunta agora, mas ia lhe perguntar se a parte mais difícil da campanha tem sido evitar que gire à volta da questão dos entendimentos e da AD. Você tem tido assim alguma dificuldade maior?
Não é uma dificuldade, eu percebo o interesse jornalístico. Eu já fui muito claro no sentido de afirmar que a Iniciativa Liberal não é um partido de protesto, não é um partido de governação para ficar tudo na mesma, é um partido de governação para mudar o país. E portanto, percebo o interesse jornalístico. O que procurei evitar é que a discussão se mantivesse apenas nos casos ou nos cenários, porque me parece muito importante, de facto, apresentar soluções aos portugueses. Eu vejo que a Iniciativa Liberal, com todo esse interesse sobre os cenários, tem conseguido também apresentar propostas, tem conseguido falar aos portugueses e tem sido, por isso, também alvo de muitos ataques de diversas áreas.
É quase sempre assunto nas outras campanhas.
Tem sido. É um bom sinal, é um sinal de que, de facto, aquilo que nós queríamos, que era desafiar o país, desafiar os portugueses Para um Portugal diferente. Tem desafiado também os outros partidos, isso é um sinal positivo do ponto de vista da campanha.
Como estava a perguntar sobre os ataques que vêm de outras campanhas, costuma passar muito tempo na campanha a ver notícias? Tem quem lhe vá contando? Como é que faz para se manter a par do que acontece?
Na verdade, não. Procuro ver de forma resumida, porque senão ficamos muito fechados. Se eu estivesse a dedicar muito tempo ao que se diz nas outras campanhas, tenderia a responder mais, tenderia a focar mais no que os outros dizem. E eu estou mesmo muito focado nas propostas da Iniciativa Liberal porque acredito nelas, estou absolutamente convicto que são fundamentais para Portugal e portanto procuro focar mais aí. Obviamente não desvalorizando o que é dito e procurando informar-me, mas é uma informação mínima e resumida. Não é extensa.
Ia lhe perguntar, porque nós estamos a conversar no dia a seguir a ter sido alvo daquele ataque com o pó verde de dois ativistas climáticos, o que é que lhe passou pela cabeça quando está no palco, vê aqueles dois jovens a chegar, o que é que lhe passa pela cabeça naquele momento?
Passa-me pela cabeça que nós defendemos a liberdade, a liberdade para todos e obviamente defendemos também a nossa própria liberdade, porque respeitamos muito a liberdade de todos os outros e, portanto, respeitamos muito também a nossa.
Mas percebeu logo o que se estava a passar?
Não inicialmente. Eu percebi que havia uma intromissão, aquilo que eu disse às duas pessoas em causa foi que era um evento político, que estavam a interromper, que isso era uma falta de respeito pela liberdade política e que teria todo o gosto em falar com eles no final para os ouvir e também para partilhar a minha visão sobre os temas que eles quisessem discutir. Infelizmente, mesmo com essa posição de abertura, e eu penso que fui absolutamente correto na relação com as duas pessoas em todo momento.
Eles chegaram a fazer-lhe alguma pergunta?
Perguntaram basicamente se eu aderia a uma determinada visão climática para 2030. Eu insisti que teria todo o gosto. Porque obviamente não ia responder sobre isso, sob ameaça de alguma maneira e portanto que teria todo o gosto em falar com eles sobre esses e outros temas no final. Depois percebi que de facto havia uma presença, que era uma presença que não respeitava a liberdade política e de estarmos a fazer uma festa, que era o que estávamos a fazer com muita energia positiva, e que isso era o contrário do que agradava as pessoas em causa.
E surgiu logo a ideia de leiloar o fato? Não sei se foi ideia sua.
Não . Não me passou pela cabeça. O que me passou pela cabeça foi que não podia permitir que este ataque à democracia, se quisermos, condicionasse de alguma maneira o evento e que as razões que nos levavam a estar ali saíssem ainda mais reforçadas e que eu queria mesmo levar a minha intervenção até ao fim, porque considerava que era muito relevante. Já era antes de isto acontecer e depois passou ainda a ser mais, porque temos que afirmar essa nossa liberdade perante os ataques à liberdade e à democracia que nos fazem.
Queria lhe perguntar se nota muita diferença na notoriedade que vai tendo. Já fez uma campanha em que havia bastante gente que ainda não o reconhecia. Esta campanha também não é que seja a campanha com mais eventos do estilo de arruadas, etc., em que há mais cruzamento com pessoas na rua, mas nota diferenças nesse sentido?
Sim, há uma grande diferença entre 2024 e 2025 em vários pontos. Um é esse, da notoriedade pessoal, que manifestamente é muito maior. A mobilização pra campanha é também maior e o entusiasmo e a forma recetiva como todos ouvem as propostas da Iniciativa Liberal é completamente diferente. É por isso que estamos absolutamente convictos que a Iniciativa Liberal vai ter um bom resultado no dia 18.
Não fica cansado quando ainda fica ali até tarde com os jovens a beber cerveja no autocarro da Iniciativa Liberal, algumas até de penalty, já vi nas suas redes sociais. Depois de um dia de campanha.
Não, pelo contrário, isso dá-me uma tremenda energia, porque eu creio que a ação política se faz obviamente para todos. Mas é uma enorme responsabilidade fazer política para o futuro, política para os jovens e dá muito sentido a tudo isto, a toda esta luta política, que depois tenhamos o entusiasmo e a recetividade dos jovens à volta da Iniciativa Liberal. Portanto, isso dá-me, ao contrário, não me dá de todo cansaço, dá-me uma energia.
A música e a cerveja ajudam a animar.
Não só cerveja, mais a energia dos jovens .
Só uma curiosidade, perguntar-lhe o que é que faz para descontrair na campanha. Não sei se consegue ler ou música na carrinha onde costuma deslocar-se, consegue ter algum tipo de rotina? Como é que balance a sua vida?
Uma coisa que eu não costumo fazer em geral, que é dormir em viagem. Isso em geral não acontece, só se eu estiver mesmo muito cansado. Depois procuro ler, procuro informação, procuro distrair-me com informação fora da política, ouvir música e conversar muito com as pessoas que estão na caravana.
Anda a ler alguma coisa em particular? E a ouvir?
Não, nesta altura são coisas mais curtas, pequenos ensaios, pequenos relatos, coisas que não sejam muito cansativas e que não exijam muita atenção, coisas leves.
E ainda não se fartou dos Queen, da música com que entra sempre nos comícios.
Não, eu acho que transmite a energia desta campanha, portanto acho que é uma boa escolha, não estou cansado dos Queen.
Muito bem. Obrigada, Rui Rocha.
Obrigado eu. Boa noite, muito obrigado.