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Boa tarde, bem-vindos à Vichyssoise, a sopa mais famosa da política portuguesa. Está de regresso, como sempre, às sextas-feiras e esta semana, depois do tão aguardado ou não debate quinzenal, no qual depois de muita polêmica, todos tiveram tempo para pôr a conversa em dia com António Costa.
Tem a palavra, senhor primeiro-ministro, faz favor. Senhor Presidente da Assembleia da República, senhoras e senhores deputados.
Senhora primeiro-ministro.
Senhor primeiro-ministro.
Senhor primeiro-ministro.
Senhor primeiro-ministro, queria em primeiro lugar cumprimentá-lo neste debate quinzenal.
Senhor primeiro-ministro.
Senhor primeiro-ministro.
Mais de um minuto foi o que gastou em cumprimentos no primeiro debate da legislatura, ou que foi o que gastaram os deputados. Um minuto e meio foi o que pode ser gasto em investindo o pedo da perspectiva por cada um dos deputados únicos dos novos partidos da Assembleia da República, que tiveram em Ferro Rodrigues o verdadeiro defensor dos mais novatos da turma parlamentar. Pouco novos nestas lides são os jornalistas da editoria de política do Observador, Rita Diniz, Rita Tavares e Rui Pedro Antunes, que estão aqui comigo em estúdio. Boa tarde a todos.
Olá, boa tarde.
Eu sou o João Alexandre, editor da rádio, e hoje falo mais de um minuto e meio na vez do Pedro Benevides, o editor de política, que hoje vai sair por breves momentos da condução deste almoço. Mas pode ser que ainda venha a tempo da sobremesa. Vamos ver então se vamos ter ou não o Pedro Benevides. E como sempre temos as nossas sopas e vamos começar com uma sopa de ontem. Quem é que quer começar com esta sopa neste programa de hoje? Ninguém com sopas de há três dias, por exemplo?
Olha, eu posso começar com uma nota prévia sobre sopas, que é: há precisamente uma semana houve um almoço em São Bento, de António Costa com os jornalistas que fizeram a campanha do PS nestas legislativas e lamentavelmente não houve vichyssoise. Foi um facto notado pela vichyssoise.
Mas houve outra sopa?
Houve.
Houve comida?
E que o primeiro-ministro esclareceu logo: "Não, não há vichyssoise."
Tem dito que cada vez mais se caminha para pratos vegetarianos ou pelo menos sem carne.
Era peixe, por acaso. O almoço foi peixe.
António Costa diz que o peixe, por exemplo, tem sido uma das preferências quando se trata de coisas do governo, por exemplo.
Coisas oficiais. Não era o caso, não era oficial, calma, são só jornalistas.
Mas ainda assim, ficava bem.
Sopa de espargos. Foi lamentável ver ali essa falha à vichyssoise, realmente. Acho que já faz falta nestes momentos.
Já não é o que era.
Sim, já não é o que era. Além disso, de facto, era uma sopa de ontem, na medida em que aconteceu há uma semana, mas há uma sopa de ontem que eu trazia aqui pra falar, que foi o debate quinzenal. E sopa de ontem por quê? Porque às vezes deu a ideia de que recortaram o primeiro-ministro e colocaram noutro cenário com outros protagonistas, mas a reação dele perante os protagonistas que ali estão é mais ou menos a mesma que tinha nos últimos debates quinzenais da anterior legislatura. Tem o mesmo tom quando se vira pra direita, aquele tom impaciente quando se dirige ao CDS, embora a interlocutora já não seja a Assunção Cristas, seja Cecília Meireles.
Mas ainda assim é Cecília Meireles a seguir a escola de Assunção Cristas e António Costa a repetir aquilo que já fazia com o líder CDS.
Pois, talvez seja por aí. E, por exemplo, à esquerda também parece estar tudo igual. Quando se vira pra esquerda é sempre aquele tom: "Sim, eu sei que não chega, deputado Jerónimo de Sousa, mas vamos trabalhar pra que chegue." É exatamente o mesmo discurso da última legislatura, parece que mudou pouco. Talvez com o PSD não tenha sido o tom tão comum como era na anterior legislatura, com o Fernando Negrão, que era o líder parlamentar. E houve até ali uma parte curiosa que foi o Rui Rio levantar uma questão, que foi basicamente a única questão que focou no debate, que é a questão do fim dos chumbos no ensino básico.
Passa ou não passa, passa ou não passa.
Passa ou não passa, os alunos passam ou não passam. E passam sem saber. E de facto aquilo parece que entalou ali um bocadinho o primeiro-ministro, porque ele ficou muito hesitante nas respostas.
E optou por fazer uma coisa que às vezes acaba por se utilizar, que é: foi ler o programa de governo.
Sim, ele depois foi ler o parágrafo do programa de governo, não conseguia sair desse disco riscado.
Sim, foi ali um momento um bocadinho hesitante, que isso sim, não era tão comum na anterior legislatura.
Mas com André Ventura ele também se exaltou bastante, eu acho. Não sei se tiveram essa perceção.
Tu ouviste mais essa parte, estavas mais com essa parte do debate.
Sim, é curioso, porque o Rui Pedro notava isso no debate. Ele não olhou muito pra ele, não foi?
Ele evitava olhar, talvez a perspectiva da parte do primeiro-ministro. Eu discordo um bocadinho da ideia de que o quinzenal é muito parecido com os quinzenais da anterior legislatura.
Bem, tu já tinhas avisado que vinhas pra discordar hoje. Estás à vontade.
E até estou a conseguir dizer legislatura. Essa parte do Ruth Marlene, olha pra direita, pisca pisca e olha pra esquerda, pisca pisca, anda pra ia piscar, vê se conquista, isso pode ser igual. Mas a questão é que eu acho que há uma dinâmica diferente. Desde os tempos dos debates quinzenais com o José Sócrates, até havia a parte, o momento de Heloísa Apolónia, que é quando os verdes começavam a falar, metade da sala saía. Ou pelo menos uma boa parte.
Agora já não acontece isso.
Agora já não acontece tanto. Estou a recuar muito, é verdade.
Mas metade da sala saía porque no fundo Heloísa Apolónia representava essa metade do Parlamento, ou seja, servia também à direita um bocadinho quando fazia frente a José Sócrates e ao Partido Socialista.
Mas mesmo na anterior legislatura havia uma espécie de dois momentos, que é: havia um bocadinho os grandes, depois quando começava a falar o André Silva, ou mesmo a Heloísa Apolónia ou hoje a Luís Ferreira, era uma segunda parte. E agora, com todos estes novos partidos, eu não estive no debate do programa de governo, não tive essa novidade e essa diferença, mas notei no debate quinzenal que foi, de facto, há ali um segundo momento de curiosidade pra ver o que vai dizer o Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega.
E o que aconteceu até foi um pouco uma perda de interesse também pelo discurso do PAN, que acabou por ser, diria talvez, o menos replicado e o menos mencionado depois do debate quinzenal.
Mais à frente, talvez tenhamos a oportunidade pra falar disso, mas eu acho que sobre essa questão, através do Minuto e Meio, mas acho que os Verdes e o PAN estão a sofrer um bocadinho de não serem novidade, mesmo sendo grupos parlamentares. Ou seja, os deputados únicos conseguem ter quase mais atenção midiática do que esses dois partidos que já estavam no Parlamento
No caso dos Verdes, tem grupo parlamentar que são dois e do PAN também.
Sim, mas além dessas novidades dos pequenos partidos, eu concordo um bocadinho com a Rita, no sentido de que parece que todo o resto está um bocadinho na mesma. A relação de António Costa com a esquerda, apesar de já não estarem na geringonça de papel passado, é igual. A ideia de concordo, vamos continuar este caminho, enquanto houver estrada, vamos caminhar. Isso é tudo muito igual. Não ficou mais crispado o debate à esquerda, parece-me. E com Rui Rio, há essa diferença de que parece que António Costa, não sei se concordam com isto ou se é uma perceção errada que eu tenho, dá mais relevância ou notoriedade a Rui Rio, no sentido de o pôr no mesmo pedestal do que ele e que se calhar com Fernando Negrão não fazia isso. Não sei.
Havia um tom mais paternalista com o Fernando Negrão.
Talvez. Parece-me que sim. Mas eu não sei se posso agora mudar aqui ligeiramente de tema para falar da minha sopa de ontem, não era exatamente o debate quinzenal. Posso avançar já ou querem dizer mais coisas sobre o debate?
Eu queria só, a propósito ainda dos tempos, só para fechar esta questão, que já é uma questão de ontem, já é uma questão também requentada, queria só lembrar aqui aquilo que disse João Cotrim Figueiredo no arranque da sua intervenção no debate quinzenal.
É a vez do senhor deputado João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, ter a palavra, por favor. Muito obrigado, senhor Presidente. Farei bom uso deste minuto e meio que tanto custou a conquistar, com a sua ajuda, diga aliás.
Era apenas para sublinhar este pequeno detalhe: com a sua ajuda, foi o que disse João Cotrim de Figueiredo. Ou seja, o deputado da Iniciativa Liberal não esqueceu a preciosa ajuda de Ferro Rodrigues, porque Ferro Rodrigues, como presidente da Assembleia da República, fez pressão para que se resolvesse este problema dos tempos e para que desde já neste debate quinzenal, que acabasse por não se protelar esta questão e que houvesse, ainda que fosse uma solução transitória, já uma decisão para este debate quinzenal, para que cada partido pudesse ter tempo e foi esse minuto e meio que houve para cada um dos novos partidos. Era apenas para sublinhar aqui este dado. Rita, a tua sopa de ontem.
Sim, a minha sopa de ontem tem a ver com o PSD, mais concretamente com a apresentação da candidatura de Luís Montenegro, que foi no domingo passado, no LAC, em Lisboa, que eu cheguei lá e basicamente parecia que tinha recuado três ou quatro anos.
Neste século ainda.
Neste século ainda. O que eu vi foi os mesmos rostos do tempo de Pedro Passos Coelho, quando Pedro Passos Coelho era líder do PSD, a começar por António Vale, o assessor de Pedro Passos Coelho, que agora está a ajudar a campanha de Luís Montenegro. Acho que é uma espécie de gestor, de coordenador, não exatamente assessor de imprensa, mas funcionará também nessa base.
No segundo capítulo.
Sim. Além disso, a antiga bancada do PSD, que agora já não existe, já não está na bancada escolhida por Rui Rio, mas que eram os deputados escolhidos por Pedro Passos Coelho, estavam lá todos. Maria Luísa Albuquerque, António Leitão Amaro. Estão-me agora a faltar aqui nomes, podiam-me ajudar, mas estão mais preocupados com outras coisas, tudo bem, mas eram muitos mesmo, muitos rostos.
Vou procurar na internet o vídeo desse dia.
Também não temos muito tempo, mas sim, a perceção é essa.
Não, mas a verdade é que quem pudesse ver as imagens desse dia, eram realmente muitos os rostos ligados a Pedro Passos Coelho, por exemplo.
Sim, foi curioso.
Vamos ver se é reposta a tal normalidade dos líderes com três nomes, não é?
Sim, mas ele fez questão de dizer que era Luís Filipe Montenegro quando anunciou que era candidato numa entrevista à SIC, ele disse que era Luís Filipe Montenegro.
Sim, se calhar já estava a pensar nisso.
Pedro Passos Coelho, Luís Filipe Montenegro, pode ser que bata.
Houve exceções. Por exemplo, Luís Marques Mendes era mais conhecido por Marques Mendes, mas mesmo assim tinha dois apelidos. É a única exceção, além de Rui Machete, que por acaso também esteve num governo de bloco central e era muito colado ao PS, tal como às vezes Rui Rio é, embora agora esteja mais numa... pode ser que isso seja resolvido.
O Rio poderia ser, fui verificar agora, Rui Fernando Rio ou Rui da Silva Rio.
Poderia ser, mas não é. Não escolheu esse nome artístico.
Rita, em relação a essa apresentação da candidatura de Luís Montenegro, vamos recuperar também aqui um registo dessa mesma apresentação.
Não chega ganhar às sondagens e às expectativas. Do que precisamos é mesmo de ganhar eleições, devolver o D ao PSD, porque nós não somos outro PS, outro Partido Socialista.
Ritas e Rui, o PSD deixou cair o D?
É isso que Luís Montenegro está a tentar dizer. Ele diz isto com frequência, que é para devolver o D ao PSD, para não ser um outro PS, porque é numa tentativa de colar Rui Rio ao PS e a António Costa.
Pareceu-me até que ele disse V.
Pois, eu também.
Em vez de D. Deve ser o V de vitória.
Se calhar.
O passismo tem isso, ganham as duas eleições, mesmo que uma tenha dado a sabor de derrota.
Também é curioso que na sala da apresentação da candidatura havia muitos placares com grandes rostos do PSD, mas era só os antigos primeiros ministros do PSD, não eram todos os líderes. Tinha que haver um critério para excluir o Rui Rio daquelas fotografias, portanto foi esse. Só os antigos primeiros ministros e estava lá Montenegro também, portanto, essa ambição dele é ser líder para depois ser primeiro-ministro.
Chegada a sopa de ontem, avançamos para outra sopa. Eu talvez dissesse que avançaríamos para o shot de sopa muito rapidamente por cada e depois avançamos para a sopa que vai fechar esta primeira parte.
Eu ia falar dos pequenos partidos e depois da muita controvérsia que houve, que tiveram um minuto e meio cada para intervir no debate quinzenal. É quase picar o ponto. Mas lá acabaram por conseguir fazer vingar, com a ajuda de Ferro Rodrigues, como há bocado estavas a referir, João Alexandre. Mas a verdade é que quem concorre sabe quais é que são as regras do jogo, por isso isso também faz aqui alguma confusão.
Há que saber gastar bem esse minuto e meio.
Se muda o regimento depois das eleições, enfim, coloca aqui algumas dúvidas sobre como é que será a partir daqui. Os partidos, de qualquer maneira, já estão a estudar mudanças ao regimento da Assembleia da República para que isto fique claro e já incluído à partida na Nas regras parlamentares e que os pequenos partidos com só um deputado possam também ter tempo pra intervir nos debates quinzenais com o primeiro-ministro. Agora resta saber se esta alteração se vai estender a outra coisa que também incomoda, sabemos nós, tanto PSD como PS, que é a questão dos debates com o primeiro-ministro a cada 15 dias. Até 2017, aliás, eram mensais. Depois passaram a ser quinzenais. António Costa já disse publicamente em 2014, salvo erro, que era uma reforma estúpida. Curiosamente era uma reforma que foi feita por António José Seguro, o seu grande rival dentro do Partido Socialista na altura. Carlos César também já criticou esta alteração do regimento e estes debates com esta periodicidade. E agora também o vice-presidente do PSD, David Justino, veio falar disto. Claro que é um tema de alta sensibilidade e resta saber se vão ter a coragem de fazer esta alteração também nesta matéria, nesta mexida no regimento da Assembleia da República, ou se depois não correm o risco de serem criticados por estarem a fugir ao debate a cada 15 dias, nomeadamente o primeiro-ministro, António Costa, neste caso.
Eu queria só acrescentar uma coisa muito rápida sobre este tema, porque também foi o que eu considerei um shot de sopa, que foi a preocupação de muitos deputados no próprio dia do debate quinzenal, andando ali pelos corredores do Parlamento, via-se muitos deputados, nomeadamente do PSD, que eu vi no corredor do PSD, a falarem com André Ventura e com João Cotrim de Figueiredo sobre esta questão, a perguntarem: "Então, mas afinal como é que ficou? Mas não têm tempo."
André Ventura e João Cotrim de Figueiredo ficaram juntos, ficaram lado a lado durante o debate quinzenal. Aliás, o canal do Parlamento, a ARTV, foi fazendo zoom várias vezes aos dois.
Estavam sentados um do lado do outro.
Houve pelo menos uma fase do debate em que estiveram e por vezes iam sorrindo em conjunto enquanto António Costa tinha intervenções.
Mas foi engraçado, porque eu vi um deputado do PS, Sérgio Sousa Pinto, a falar com João Cotrim de Figueiredo sobre isso, muito preocupado. "Mas não têm assento na conferência de líderes. Mas e agora, como é que fazem, como é que não fazem?" E deputados do PSD a falar com o André Ventura.
Depois no fim do debate, até um membro do governo a falar longamente com o assessor do Iniciativa Liberal também, por causa da questão do englobamento IRS que tinha sido referida lá dentro.
Rui Pedro Antunes.
Sim, eu como já sei da minha capacidade de síntese, optei por escrever esta minha intervenção, que acho que para provar que um minuto e meio é possível.
Um minuto e meio dá pra explicar muita coisa.
Não, um minuto e meio chega e portanto eu acho que pode desligar o cronômetro. Vou tentar fazer isto em 30 segundos, que é um resumo do que se passou no debate quinzenal. E aqui vai, já um bocadinho em jeito de cancioneiro. António Costa, primeiro-ministro, e ficou em primeiro desta vez. A geringonça agora já não é a quatro, nem a três. Rui não quer chumbos, mas foi Ventura que lembrou os professores de português. Joacine é a favor do amor, que não é burguês. O liberal acha que o prêmio da cidade de Suez. Os Verdes, que mal aparecem nas TVs. O PCP encolheu e o Bloco voltou a idade dos porquês. É simples, não é? Em caso de persistência de sintomas, dúvidas políticas, consulto o presidente Manso, foi ele ou o nosso convidado, Luís Marques Mendes. Pronto, com recursos do ponto de vista do áudio, eu acho que é possível em 30 segundos resumir, portanto um minuto e meio até pode ser.
Até é muito.
Até pode ser muito. Pois em comparação com outros partidos, falámos disso há dias, o PCP tem quase mais votos que todos os partidos juntos e depois há uma desproporção por esse minuto e meio. Acho que 30 segundos muitas vezes se pode dizer muita coisa em pouco tempo.
E depois deste momento é tempo de falarmos da nossa última sopa, que é a sopa couve de coração. E para isso precisamos da ajuda de dois intervenientes, António Costa e Joacine Katar Moreira.
O ordenado mínimo de 900 € é um ordenado que além de constituir uma ferramenta de justiça social, ela é igualmente um ato de amor. E este amor é que nós necessitamos de insistir. É que nós não podemos estar a achar que é útil e que é ótimo um ordenado mínimo aos outros com o qual nós éramos incapazes de sobreviver.
A atualização do salário mínimo nada tem a ver com amor. Tem a ver com uma questão de justiça e uma medida de política econômica. Não é amor.
Rita Dinis, Rita Tavares e Rui Pedro Antunes. Foi amor que houve ou nem por isso?
Pelos vistos, não.
Claramente, não.
António Costa disse logo "eu discordo" e é difícil discordar do amor. Quem é que consegue discordar do amor? António Costa discordou.
António Costa na política não é de reações de amor. É mais a deprontada em casamentos de conveniência.
E faz sentido a deputada do LIVRE falar em amor relacionado com o salário mínimo? Conseguiu apelar ao coração do primeiro-ministro, não é não?
Aparentemente, não.
Aliás, aquilo durou muito pouco, não é? Foi o amor e António Costa disse: "Sei bem que não é amor."
Não é amor, isto é justiça.
E enquanto António Costa dizia isso, Joacine Katar Moreira estava sentada no seu lugar, dizendo, quase sussurrando pra si própria: "Justiça também é amor."
Ah, era?
Deu pra ver na transmissão da transmissão do Parlamento.
Das vantagens de ver pela televisão.
Amor, amor, orçamentos à parte, não é? Não há paixões retificativas.
Não, não. É mesmo por conveniência, é casamento por conveniência.
Sim, acho que há muito pouco amor na política. Sim, acho que podemos terminar assim.
Mas ainda assim conseguiu marcar bem a sua posição, Joacine Katar Moreira, na primeira intervenção que fez no Parlamento?
Sim, marcou, nem que seja pela questão midiática de que trouxe aqui um tema diferente.
Vamos recordar para sempre esta primeira intervenção.
Trouxe aqui um tema diferente, sim, um bom soundbite.
Ora bem, estamos já a terminar a nossa primeira parte da Vix e Suave. Vamos voltar daqui a pouco, já a seguir à síntese das notícias, com a segunda parte e como sempre temos um convidado. Apenas mais alguns segundinhos pra sabermos quem é esse convidado de hoje. Não sei se queres revelar, João Miguel.
A seguir ao indicativo.
Estamos de volta para a segunda parte da Vixi Suave e como sempre temos conosco um convidado. O convidado de hoje foi secretário de Estado, foi ministro, foi líder partidário, é conselheiro de Estado e há até quem diga, mas de forma carinhosa, que é uma espécie de CDT, o comentador disto tudo. Boa tarde, Luís Marques Mendes, obrigado por aceitar o convite pra estar aqui conosco na Vixi Suave.
Olá, boa tarde.
Boa tarde. Estamos num momento em que praticamente estamos na discussão já do orçamento do Estado. Queremos começar por lhe fazer uma pergunta muito direta, que é: qual é a principal medida que vai sair do próximo orçamento do Estado?
Não sei.
Tem que vir aqui dar notícias.
Mais próximo do orçamento, talvez consiga descobrir. Por já, ainda não.
Não descarta.
Não, não descarto essa hipótese, mas mais em cima, ali uma semana.
Não estará a guardar pro seu comentário?
Não, neste momento não tenho nada sobre o orçamento na manga. E, de resto, acho que é bastante cedo. Quem conhece um bocadinho da forma de fazer os orçamentos, sabe que com esta antecedência é muito difícil ter opções já definidas. Portanto, cá fora pensa-se: "Ah, não, já está tudo pronto, tudo decidido, já a combinar." Não, quem tem experiência como eu tenho de feitura de orçamentos, sabe que as decisões finais, importantes, aquelas que contam, só se tomam, de fato, ali nos últimos oito, 10 dias.
E mais difícil ainda com esses equilíbrios todos pra fazer, não?
Não, e mais difícil porque desta vez há menos tempo a fazer o orçamento. Menos tempo. Portanto, isso torna as coisas mais difíceis, porque foi assumido o compromisso de o fazer agora até 15 de dezembro. Portanto, é menos tempo, significa que as decisões mais relevantes só se tomam mesmo em cima da hora. Quer dizer, pode até haver orientações definidas. "Olhe, vamos fazer aqui algum desagravamento fiscal." Pode haver orientações, mas são genéricas.
Sim, medidas concretas, não.
Medidas concretas, um Conselho de Ministros normalmente só ali oito dias antes. E, portanto, é melhor esperarmos por essa ocasião, podem me convidar nessa altura.
Exato.
Mas vai acontecer aquilo que às vezes acontece que é um orçamento que já é feito num primeiro momento, o esboço feito por primeiro, se entende, pra depois dar margem pra recuar ou pra fingir um recuo, por assim dizer.
Quando um governo tem maioria absoluta, seja de um só partido ou seja de coligação, ou seja, quando tem um apoio parlamentar estável no Parlamento, portanto um governo, sei lá, como Cavaco Silva teve ou como Durão Barroso teve, sei lá, um governo com estabilidade, aí, de um modo geral, o orçamento, versão inicial e versão final, é mais ou menos a mesma coisa. Agora, quando há um governo minoritário, como foi o caso de António Costa um, ou agora no caso de António Costa dois, aí evidentemente que o raciocínio é: eu vou fazer uma versão do orçamento, que não é ainda a definitiva, e deixo aqui algum espaço de manobra pra negociação. Portanto, não tenha nenhuma dúvida que este próximo orçamento há de ser um bocadinho como os anteriores. Nalguns pontos essenciais, vai ficar alguma margem de manobra pra negociação. É sempre assim.
Há sim alguma história emblemática que se lembre dos seus tempos no Parlamento com António Costa nestas negociações dos orçamentos?
Orçamentos propriamente dito com António Costa, não negociei. Quer dizer, eu na minha vida política negociei com muita gente do PS, mas de saber, sobretudo com António Guterres, com o José Sócrates, bastante.
Com qual era mais difícil negociar?
Com Sócrates é muito difícil. É difícil no sentido de que ele tem uns critérios um pouco diferentes dos tradicionais.
Por ser mais intransigente ou por ser menos fiável, por exemplo?
Talvez a segunda parte. António Costa eu negociei muita coisa com ele. Juízes do Tribunal Constitucional, leis em avulso, um conjunto grande de matérias. É um negociador muito exigente. Portanto, António Costa é uma pessoa que é competente na política pura e depois tem uma dose de perversidade que não é negligenciável. O que significa que é preciso ter muito cuidado na negociação. Mas nós fizemos negociações de muitas matérias, mas orçamentos, não. Orçamentos eu não negociei com ele.
Disse que conhece bem a linguagem dos políticos, os truques discursivos, as mensagens. Qual é que é o truque discursivo que acha mais relevante no António Costa?
Quer dizer, António Costa não sei se tem propriamente truques discursivos. O António Costa tem alguma dificuldade, às vezes, de primar durante muito tempo a coerência. Tem uma certa dificuldade. Ele é um político muito hábil. Atenção, ele é um político muito hábil. Habil no sentido de encontrar soluções para os problemas, no sentido de ser muito pragmático. Ele é, sobretudo, talvez o político mais pragmático que eu conheci na vida. Não faz projetos de longo prazo, nem de médio prazo, isso nem pensar. É tudo a pensar sempre no dia seguinte, no máximo a semana seguinte. Mas nessa perspectiva, é um político hábil e não tem grande drama em dar um bocadinho o dito por não dito, se for necessário, pra alcançar os seus objetivos, como ainda se viu esta semana no Parlamento. Aquela questão que foi colocada se ele admitiu ou não professores irem pro estrangeiro. "Não, isso não foi comigo." Claro, como é evidente, até vocês aqui aprovaram isso. Claro que foi, Paulo Sócrates tinha dito algo semelhante e ele também disse. Portanto, tem alguma dificuldade de ser coerente durante bastante tempo, mas é um político, de fato, muito pragmático.
E a habilidade do Rui Rio?
A habilidade do Rui Rio não é propriamente o forte do Rui Rio. Eu acho que o forte do Rui Rio é mais a sua seriedade, a sua maneira, digamos assim, algo até às vezes cruel de colocar as questões com franqueza, isso são pontos fortes dele. A habilidade, não sei se é propriamente o ponto mais forte.
Considera-se um profissional do comentário, como diz que é?
Não, eu? Nem pensar. A minha atividade profissional é a advocacia. O comentário é uma coisa diferente, que eu faço com gosto, mas não é nem de longe, nem de perto a minha atividade profissional.
Mas tem saudades de estar na linha de frente do combate político?
Não, não tenho nenhuma. Isso já disse 50 vezes, isso nem pensar. Quer dizer, cada coisa tem o seu tempo. Eu entrei pro governo pela primeira vez com 28 anos. Normalmente, aos 28 anos está-se a fazer coisas mais divertidas. Não propriamente estar no governo.
Está a fazer as coisas divertidas agora.
Também, mas há coisas divertidas, cada uma no seu tempo e na sua idade. Eu entrei com 28 anos, estive logo 10 anos seguidos no governo. E depois tive 22 anos consecutivos na política nacional. 22 anos consecutivos! É uma eternidade. Pouca gente tem 22 anos consecutivos de política nacional. Pouca gente tem quase 13 anos ou um pouco mais de 13 anos de governo, como eu tenho, quatro governos. A diferença é que comecei muito cedo. Se comecei muito cedo, é natural que saia cedo.
Mas, na verdade, continua na primeira linha do combate político, acha que não?
Não.
Obriga políticos a reagir, influencia o espaço político.
Não, desculpe discordar de si. Não estou na primeira linha de combate, primeiro não faço combate político. Faço análise política, faço comentário político.
Mas sente que o seu comentário influencia a semana, por exemplo?
Deixo essa parte mais para serem vocês a analisarem.
Para os comentadores.
Senão também era uma maçada. Eu agora estou a julgar-me a mim próprio e tudo o que é que isso...
Mas provoca reações.
Sim, claro, isso provoca reações, porque não tenho muito feitio para fazer comentários um pouco neutrais, daquelas coisas, só um cenário pra aqui, um cenário pra acolá. Não, quer dizer, mal ou bem, goste ou não se goste, tomo, de um modo geral, posição sobre as matérias.
É um estilo Marcelo ou não?
Essa parte não vou comparar coisa nenhuma, até por uma razão muito simples: o professor Marcelo é inimitável.
Mas é mais parecido com esse registro que ele tinha na TV?
Não vou fazer comparações, quer dizer, acho que cada um tem a sua maneira de ser, o seu registro. Nunca tive essa preocupação de comparar e muito menos de o imitar, porque acho que ele foi o papa do comentário.
Às vezes dizem que fala pela sua boca, o professor Marcelo.
Na altura de dar recados.
Sim, essa é a parte que eu acho que quando dizem isso, as pessoas são, por um lado, injustas, e por outro lado, é a versão mais simplista das coisas. É uma versão simplista, mas não leva a mal.
Mas falam muitas vezes.
Sim, falam. Isso não vale a pena ter... Sim, mas eu trato normalmente muito poucas matérias que envolvam o presidente da República e em qualquer circunstância, penso pela minha cabeça, quer dizer, eu sou amigo do professor Marcelo Rebelo de Souza. Sou, com muito gosto. Fui dos maiores defensores que ele fosse candidato a presidente da República, mesmo quando ele tinha dúvidas. É verdade. Acho que ele está a ser um ótimo presidente.
E acha que ele ainda tem dúvidas?
Agora, nem sempre concordo com ele. Por exemplo, na questão da recondução ou não recondução da anterior procuradoria-geral, ele tomou uma decisão, eu tive uma opinião em sentido oposto.
É normal. Mas perguntava-lhe só de uma forma muito rápida, acha que Marcelo ainda tem dúvidas quanto a uma recandidatura?
Não, isso eu já disse várias vezes. Isso é do domínio da ficção científica. Não, claro que é candidato. Eu acho que ele não tem dúvidas desde o primeiro dia que chegou a Belém. Não, isso não, acho que não tem.
Olha, e não é ético para si ser conselheiro de Estado e estar a comentar e a dar opiniões quando ocupa esse cargo de conselheiro do Presidente da República? Não há nenhum momento em que fica na linha e que sente desconforto?
Não, porque eu nunca tratei de nenhuma matéria tratada em Conselho de Estado. Não comento nenhuma matéria que sequer seja abordada em Conselho de Estado e portanto, não há nenhum tipo de conflito de interesse. Acresce ainda que o Conselho de Estado é um órgão consultivo. Segundo, é um órgão que reúne apenas quatro vezes por ano. Terceiro, são temas muito genéricos e tudo isso. E, portanto, não. E de resto, já há antecedentes. O professor Marcelo foi conselheiro de Estado dez anos, indicado pelo professor Cavaco Silva, e era comentador. Acho que isso não tem nenhum problema. Eu tento em todas as matérias em que há potencial conflito de interesse, não trato.
Luiz Marques Mendes, só mesmo pra encerrar aqui esta questão do comentário político também. Recentemente surgiu num despacho de encerramento de inquérito do caso de Tancos, uma referência que foi feita pelo então inspector-chefe da PJM, Vasco Brazão, essa referência ao papagaio-mor do reino. Já se disse também, ou mesmo já veio dizer, que se tratava de um comentador televisivo. Sentiu-se afetado com esse comentário?
Eu afetado.
Não lhe serviu a carapuça, no fundo.
Não, porque evidentemente que isso é a mentira mais pegada do mundo, não é? Quer dizer, esse militar que disse isso, num segundo ou terceiro momento, falou de mim, do Miguel Sousa Tavares, do José Miguel Judice.
Disse que era um comentador televisivo.
Que era um comentador televisivo e, portanto, para ele, por fim, tiveram várias hipóteses. Quer dizer, se quisermos levar isso a sério, é caso pra dizer que ele não teve coragem de assumir aquilo que queria dizer. Não teve coragem.
Que era o professor Marcelo.
Com certeza. Isso está na cara. Não teve coragem. O que para um militar não é uma coisa brilhante. Um militar deve ter uma personalidade forte, caráter forte.
Aliás, Marcelo Rebelo de Souza foi o primeiro visado quando se falou desse papagaio-mor.
Na outra parte acho divertido, por exemplo, por isso é que há tempos quando estive no Ricardo Araújo Pereira até falei dessa parte, porque acho divertido, ainda por cima, divertido, naquele sentido, se ele dizia que era o papagaio-mor do reino, não pode ser eu, porque eu não posso ser mor, porque não sou maior, sou pequeno.
Só pra fechar também aqui este capítulo, Marcelo, já estou aqui a revelar, mas esta frase: "As notas eram uma complicação, um dia dei uma nota negativa ao Marques Mendes, que ficou tristíssimo. As pessoas ficaram marcadas até hoje." Sabe quem é que disse esta frase?
Não.
Foi o professor Marcelo Rebelo de Souza. É verdade que ficou chateado quando ele-
Não faço ideia
...deu-lhe um oito no tempo das notas da TSF quando era ministro da presidência.
Talvez. Não me recordo, mas talvez. Mas isso não tem mal nenhum, mas eu acho que mais recentemente, já depois da TSF, depois na TVI, ele, por exemplo, criticou-me várias vezes Quando eu fui líder do PSD, por exemplo, critiquei várias vezes. Eu acho que algumas dessas críticas foram injustas. Outras não. Mas eu não levo muito mal essa parte, desde que não sejam ofensivas do ponto de vista pessoal, eu convivo bem.
Já fez as pazes com ele?
Não, eu sou amigo dele, pelo menos desde que começamos a trabalhar juntos em 1996, quando ele foi líder do PSD e eu líder parlamentar. E adorei esse período. Foi talvez o período simultaneamente mais desafiante da minha vida política e mais divertido da minha vida política. Adorei esse período e fizeram-se coisas importantíssimas. Sou amigo dele e acho que a nossa relação nunca foi quebrada em nenhum momento, incluindo naqueles momentos em que ele me criticou várias vezes, sobretudo no período em que eu fui líder do PSD. Mas é normal, uma pessoa não faz as coisas sempre bem, eu tenho a noção que cometi imensos erros e não tenho nenhum problema, nunca, em reconhecer e assumir e uma pessoa deve ser criticada.
Deixe-me só fazer-lhe aqui uma pergunta antes de mudarmos de tema. Há duas semanas surpreendeu muita gente quando disse no seu espaço de comentário que Fernando Medina estava a ser falado nos círculos mais restritos do PS para suceder a Mário Centeno nas Finanças.
Sim.
Queria só perguntar-lhe como é que um social-democrata de gema entra nos círculos mais restritos do PS. Como é que o deixam entrar?
Não é por ser social-democrata. Se eu sou comentador e se tentei introduzir um estilo desde o início, que isso foi uma opção minha.
Dar notícias.
Dar notícias. Coisas que eu sei que às vezes os jornalistas não gostam, porque acham que é concorrência, mas eu peço imensa desculpa, não faço isso para lhes fazer concorrência, não quero que vocês tenham esse privilégio, mas achei sempre que era uma forma de valorizar um bocadinho o comentário. Não é com nenhuma pretensão de saber mais que os outros, ser melhor que os outros. Introduzi uma versão apenas porque achei que podia ter um bocadinho de interesse para as pessoas. E não dou notícias todas as semanas, de vez em quando. Agora, nesse sentido, tenho que procurar as notícias, tenho que fazer um bocadinho de Rita Tavares, de Rita Dinis, de todos eles. Eu tenho que fazer um bocadinho dos jornalistas. E portanto, nesse sentido, vou tentando descobrir. Uma vez aqui ou acolá. Por exemplo, hoje mesmo ouvi já a ministra Ana Brilhosa em Bragança anunciar que uma Secretaria de Estado, não sei agora o nome, vai ficar instalada em Bragança. Há duas semanas eu disse isso. Eu disse isso há duas semanas, que uma iria ficar em Bragança e eventualmente outra acho que era na Guarda, mas lá está, concretizou-se. Eu tento encontrar, repare, às vezes mais fácil, outras vezes mais difícil. Tenho apenas a preocupação de que as coisas sejam factualmente verdadeiras. E se repararem nessa coisa, toda a gente disse isto, aquilo, aqueloutro, mas não houve alguém capaz de sequer dizer: "Olhe, essa informação é completamente falsa." Isso não houve ninguém que dissesse. Eu próprio, de resto, até disse logo: "Eu acho que isto é uma tontice, completamente improvável, não vai acontecer." Mas eu devo dizer aqui entre os meus amigos, que são excelentes jornalistas, o seguinte: grande tema para tratarem é a sucessão de António Costa no PS. Vocês nem imaginam que a questão está muito mais-
Mas acha que está para breve?
Não, isso não está para breve. Mas a novidade é esta, é como não está para breve, não seria normal estar muito viva. Está muito mais viva do que algum de vocês imagina.
E o que está vivo também é o PSD. Temos diretas no início do próximo ano. Foi líder do partido. Pergunto-lhe também se neste momento, há três candidatos já assumidos, Rui Rio, Miguel Pinto Luz, também Luís Montenegro, sobre qual dos três é que irá comentar a propósito de uma vitória nas diretas do partido. Qual dos três é que estará mais bem colocado, mais bem preparado para ser líder do partido?
Não sei. É cedo para ter uma resposta conclusiva sobre isso. Já o disse no domingo passado que acho que vai ser uma eleição muito disputada, muito renhida, como se diz vulgarmente.
Acha que não vai haver vitórias à primeira volta?
Acho difícil. Diria que acho que o mais provável nesta ocasião é que haja uma segunda volta, coisa que nunca aconteceu e portanto tem esse picante. Mas acho que vai haver um momento talvez, eu não direi decisivo, mas um momento muito importante neste combate. Mas acho que isso só ocorre no início do ano, que é quando houver um ou dois debates televisivos entre os candidatos. Eu acho que esse vai ser um momento-chave para a decisão dos militantes.
Mas se houver uma segunda volta, isso poderá favorecer o challenger e não o Rui Rio.
Sim, em princípio, em teoria, sim. Estamos sempre aqui a falar em teoria, evidentemente. Em teoria, uma segunda volta pode facilitar a vida, sei lá, a Luís Montenegro e não a Rui Rio, que está no poder. Rui Rio pode ter, eventualmente, mais vantagem à primeira e ter desvantagem à segunda. Mas isto é do domínio da teoria. Porque Rui Rio teve 54% há dois anos, mas entretanto perdeu um conjunto de apoios a distritais que o apoiavam e que agora apoiam Luís Montenegro. Pedro Alves era um presidente de antecipado importante, que agora é o diretor de campanha de Montenegro, quando apoiou Rui Rio. António Leitão Amaro, a mesma coisa, apoiou Rui Rio. Há, aparentemente, em teoria, uma redução do espaço de apoio de Rio, mas isso é tudo em teoria, nós não sabemos.
É possível, portanto, na sua opinião, Luís Montenegro ganhar?
Não, o que eu diria é o seguinte: eu não sei se neste momento eu diria se vai ganhar o A ou o B. Eu diria que acho que o mais provável é haver uma segunda volta. E isso é uma novidade, porque o PSD nunca teve essa solução de uma segunda volta. É uma novidade.
E quanto a si, acha que ainda é possível voltar a ser líder do PSD?
Eu? Não.
Nem que Cristo desça à Terra, não voltará.
Não, nem Cristo desça à Terra. Nunca, jamais, em tempo algum.
Fica essa afirmação de Luís Marques Mendes e temos de passar agora para outra parte do nosso programa. Falamos de carne ou peixe. Ora bem, Luís Marques Mendes, temos aqui um desafio para si: vai ter de escolher carne ou peixe. Vamos dar-lhe a escolher duas hipóteses. São várias perguntas a que tem que responder de forma muito breve. Quem quer começar?
Posso começar eu. Luís Marques Mendes, preferia seguir o percurso do comentador Marcelo e acabar em Belém ou acabar como António Costa a cozinhar uma cataplana de peixe na televisão?
Provavelmente nenhuma, nem outra.
Tem de escolher uma.
Tenho que escolher uma?
Senão passa fome, não come carne nem peixe.
Tenho que escolher uma.
Só fica pela sopa?
Só fico pela sopa. Eu acho que aqui vou ficar pela sopa, sabe por quê? Porque eu também preciso emagrecer um quilo ou dois a pensar depois nos doces do Natal daqui a um mês. Portanto, acho que nem uma hipótese, nem outra.
Mas em Belém engorda-se?
Não sei, é uma vida bastante sedentária. Imagino, porque me contam que é bastante sedentária. E portanto, se é uma coisa muito sedentária, não dá muito para os meus hábitos, porque eu sou muito xenicozo, faço muito desporto. Depois também, cozinhar uma cataplana. Eu sou péssimo a cozinhar. Eu sou péssimo. Tirando uns ovos estrelados, eu tenho muita dificuldade. Portanto, vou seguir a sua sugestão. Fico pela sopa.
Deu uma ajudinha.
Não deu uma ajudinha, inestimável.
Dr. Marques Mendes, preferia jantar com o Luís Filipe Menezes ou com o conhecido Bruxo de Fafe da sua terra?
Não, o Bruxo de Fafe nem faço a menor ideia quem seja. Isso não faço a menor ideia. Invoca a minha terra, mas às tantas há lá algum bruxo, não sei, capaz de haver mais. Lá e noutros lados. Isso, bruxo é coisa que eu acho que há bastante por todo lado, mas não conheço. Com o Luís Filipe Menezes não tenho nenhum problema, almoço ou janto tranquilamente, sem problema.
E preferia que Rui Rio continuasse como líder do PSD ou preferia o próprio Luís Marques Mendes candidatar-se a líder do PSD?
Não, a segunda hipótese já respondi aqui há bocadinho que nunca, jamais, em tempo algum. Essa hipótese não existe. Relativamente à primeira parte, eu não vou tomar posição. Desde que saí da liderança do PSD que eu nunca tomei posição nas disputas partidárias internas e vou manter essa coerência.
Obrigado, Luís Marques Mendes. Fechamos este nosso Carne ou Peixe, mas temos também sempre uma sobremesa que é trazida pelo nosso convidado. E a sobremesa de hoje é uma música escolhida por si. Quer falar sobre ela? É Mariza.
É uma música da Mariza, exatamente. "Melhor de Mim". Porque é que eu escolhi a Mariza? Porque eu gosto primeiro gosto imenso da Mariza, pessoalmente. Conheço e gosto dela pessoalmente, acho que é uma pessoa de grande personalidade. Segundo, porque acho que tem uma voz magnífica. Terceiro, porque sou um admirador da faceta notável que é a Mariza como quase embaixadora de Portugal, um pouco por todo o mundo, que acho que faz um papel notável. E finalmente, porque embora eu goste de muitas músicas dela, eu acho que esta é uma mensagem muito forte, muito desafiante. E, portanto, aqui está. Gosto.
Ficamos com Mariza e o "Melhor de Mim" a fechar esta Vixi Suave com o nosso convidado Luís Marques Mendes. A Vixi Suave está de regresso na próxima semana, já com o Pedro Benevides, na próxima sexta-feira. Até lá, sigam-nos também nas redes sociais e ouçam também a Vixi Suave em podcast.
Que a tormenta passará. É preciso perder, pra depois ganhar. E mesmo sem ver, acreditar. A vida que segue e não espera pela gente. Cada passo que demos em frente, caminhando sem medo de errar. Creio que a noite sempre se tornará dia. E o brilho que o sol irradia, há de sempre me iluminar. Quebro as algemas deste meu lamento. Se renasço a cada momento, meu destino na vida é maior.
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