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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatoso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado aquele que muitos dizem ser o Muhammed Ali da rádio portuguesa, o editor João Alexandre, e duas campeãs invictas, as jornalistas de política Inês André Figueiredo e Mariana Lima Cunha. São estes pesos pesados que vão ajudar a explicar uma semana em que entre António Costa e Rui Rio valeu tudo menos arrancar olhos.

Um link, um e-mail que me mandaram com link para umas escutas telefónicas do Templo da Casa Pia, em que está precisamente o doutor António Costa a tentar interferir na Justiça. Está no YouTube, que eu já não via há muito tempo, e mandaram-me isso recentemente.

O doutor Rui Rio, durante anos fez comícios contra os julgamentos de tabacaria.

Eu podia dizer muito, mas se eu dissesse muito, caía num patamar idêntico ao dele e eu não quero cair nesse patamar.

E eu fico perplexo.

Toca o telefone a toda hora.

Quando vejo a forma totalmente normal como se ouve as propostas que o doutor Rui Rio vai apresentando para a Justiça, são uma ameaça efetiva.

Eu não me parece que seja correto e que seja politicamente e intelectualmente honesto estar a dizer que nós queremos interferir na independência do poder judicial, quando ele até tem esse historial.

E essa degradação de distanciamento da relação dos políticos com a Justiça é uma ameaça perigosa à independência do poder judicial.

Por falar em arrancar coisas, Carlos Moedas parece ter arrancado definitivamente o fato de menino bem-comportado e desatou a dar pancada de meia-noite em Fernando Medina. Com a ajuda do treinador Rui Rio, que acusou Costa de estar a dopar o seu delfim, Moedas disse que as promessas de Medina são para inglês ver. E não, não era uma referência ao excesso de turistas na capital.

Os lisboetas já não vão acreditar no programa eleitoral de Fernando Medina, porque ele nunca o cumpriu, nunca o fez. As promessas não valem nada na boca de Fernando Medina.

De gancho em gancho até à vitória final. Ou não, logo se vê. Quem também tem somado umas quantas nódoas negras é Eduardo Cabrita, que continua apostado em tratar da situação dos trabalhadores migrantes de Odemira com os pés. Vai na volta, vai sendo chutado por toda a oposição. E não só. É doloroso ver. Nós aqui prometemos chameguinhos, como sempre, portanto, venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. E trouxe para vocês uma sopa que é já um clássico nesta Vixi Suave, uma sopa da pedra, que na verdade dá para tudo. Mariana, pedia-te para comentares esta sopa da pedra. Achas que Costa e Rio já só trocam pedras entre eles?

Pedradas?

Pedradas.

Trocam pedras entre eles, mas eu não tenho a certeza de qual é a mossa que elas fazem.

Achas que são pedras metafóricas? Claro, são sempre pedras metafóricas.

Podem sempre apanhar alguém para construir um castelo no fim. Eu acho que acaba por ser um bocadinho superficial este clima de agressividade entre António Costa e Rui Rio. Por uma razão, não só vejo que podem encontrar alguma utilidade nele, como quando Rui Rio apareceu como candidato à liderança do PSD e durante a sua liderança focou sempre muito os seus objetivos em conseguir fazer reformas para o país. Ou seja, uma coisa sempre apresentada como sendo pelo bem do país.

Pelo interesse nacional.

Exatamente. E como um estadista. E até podíamos dizer: bem, com este clima é óbvio que nada se faz. Mas não me parece que o motivo seja este clima. Parece-me só que os dois partidos têm tido um padrão em que, mesmo quando há esta agressividade para fora, entendem-se nas matérias em que têm de se entender ou em que querem entender-se. E isso já aconteceu muitas vezes em coisas que eu acho que são mais cirúrgicas. Por exemplo, estou a me lembrar do fim dos debates quinzenais, que interessam aos dois e isso acaba por acontecer. Não me parece que seja este clima de agressividade mais artificial que venha acabar com a possibilidade de haver grandes entendimentos entre o PS e o PSD, que até agora em, penso que três anos de convivência entre os dois líderes não aconteceu, e na reforma da Justiça também não parece que há grandes hipóteses de acontecer. Acho que António Costa acaba por aproveitar estas oportunidades que vai encontrando de tentar também desgastar um bocadinho. Ora tenta desgastar Rui Rio, ora tenta uma aparente aproximação à esquerda. Eu acho que esta agressividade também pode ser aproveitada para Rui Rio. Como tu sabes, Miguel, eu sigo mais a vida às esquerdas por defeito de profissão aqui no jornal, e isto faz-me lembrar um bocadinho quando Costa se atira ao Bloco de Esquerda e o Bloco de Esquerda esfrega as mãos de contente. Porque os partidos muitas vezes interessa-lhes também ser colocados numa posição em que possam fazer oposição e em que consigam endurecer o discurso em relação ao governo. E portanto, o Rui Rio até acaba aqui por contar com essa oportunidade. Não sei se não é um bocadinho juntar-se a fome à vontade de comer e por isso é que estas pedras não sei se magoam assim tanto como os líderes dos partidos querem fazer parecer quando dizem que se sentem insultados, quase magoados, com este tipo de discurso.

Claro. João, desafio-te também a comentares esta sopa. A Mariana falou do caráter utilitário desta troca de acusações, mas não referiu um aspecto que me parece importante. De repente, já ninguém se lembra da Operação Marquês e do quão incômodo esse processo estava a ser para o PS. Achas que António Costa, com esta entrevista e com este ataque violentíssimo que fez ao líder da oposição, procurou de alguma forma Fazer esquecer o assunto José Sócrates.

António Costa creio que tem por hábito fazer isso e tem provado isso mesmo desde 2015, que é essa tal habilidade que fomos falando acerca do Primeiro-Ministro, a forma como se consegue movimentar na política, o tipo de criações que vão surgindo para tapar problemas do momento. António Costa tem mostrado muita habilidade para isso mesmo e creio que estamos aqui perante mais um desses mesmos casos. E o fato de António Costa usar este tipo de ataques a Rui Rio, até pode servir, por exemplo, para acabar por tapar também alguns problemas que existam no que diz respeito à transparência sobre o tão falado PRR, o Plano de Recuperação e Resiliência. Portanto, creio que António Costa acaba por beneficiar com este bate-boca, até porque, no fim de contas, foi António Costa que deixou logo desde o início essa ferida aberta.

Quem atirou a primeira pedra.

Quando disse logo que não contava com o PSD pra nada. Portanto, eu creio que de crítica em crítica, de pedrada em pedrada, António Costa vai sobrevivendo, vai vendo até os próprios jornalistas a falar sobre isto mesmo, sobre esta troca de argumentos entre Rui Rio e António Costa.

Fomos apanhados.

Somos, por vezes, também apanhados, é verdade. Até porque é preciso contar também isto mesmo, isto faz parte também da política. Mas enquanto António Costa vai usando essas palavras, enquanto toda mundo estiver a olhar para essas pedras e para a dimensão dessas pedras e para o significado, é verdade que haverá outras pedrinhas mais pequenas que vão passando na peneira.

Claro. Inês, estavas à espera que Rui Rio tivesse uma reação tão violenta às declarações de António Costa? Rui Rio usou escutas do processo Casa Pia, onde de fato António Costa é ouvido falar sobre detalhes do processo da Casa Pia. Estavas à espera que o Rui Rio usasse esse tipo de argumentário?

Até teve graça a forma como ele disse: "Eu vi no YouTube e agora voltaram a me mandar um link."

Foi ao contrário, mandaram-lhe um link que ele depois viu no YouTube.

Viu no YouTube, exatamente. Mas ele já tinha ouvido.

Ele estava quase a dizer que nem frequentava muito o YouTube.

Foi ao YouTube só pra ouvir o Costa. Mas sim, houve essa acusação, ainda houve a questão do procurador europeu, que ele se refere à politização que tinha sido feita pelo Parlamento Europeu. Eu gostava de perceber se depois desta troca de argumentos, se acaba aqui ou se o clima vai aquecer, porque a Mariana estava a dizer que há um desgaste nestes argumentos, mas no fundo, estamos em ano de eleições e até era engraçado que houvesse aqui um aquecimentozinho daquilo que vai acontecer em outubro, até porque a pandemia tem escondido um bocadinho isso, mas é um ano importante, por isso gostava de perceber se isto é pra continuar ou não. Não estava à espera que Rui Rio fosse tão agressivo, porque depois dos tais cataventos sem pontos cardeais que o Costa lhe chamou.

Pior que um catavento.

Exatamente. Ele diz que é uma entrevista rasteira, acusou de hipocrisia, por isso foram palavras durinhas, mas Costa também não foi propriamente meiguinho.

Claro. E por falar em ano de eleições e em climinha, trago pra vocês a segunda sopa desta refeição, uma sopa ralada. Ralada porque aparentemente Carlos Moedas decidiu fazer Fernando Medina em pedacinhos e aumentou aqui o tom das críticas que vai fazendo ao atual autarca do PS. João Alexandre, achas que Moedas com esta estratégia está a seguir o caminho mais certo para a vitória?

Eu acho que Fernando Moedas não tem cara-

Carlos Moedas.

Fernando Moedas. Acabamos por fazer muito esta confusão.

Eles não são exatamente muito diferentes, até têm origens políticas semelhantes.

Mas já nem é a primeira vez que isto acontece.

Este erro de simpatia já não é a primeira vez que acontece.

O pai de ambos era comunista, portanto, tem até um passado em comum.

Podemos sempre sugerir-lhes uma coligação efetiva dos nomes e do resto.

Quem sabe.

Mas eu estava a dizer que Carlos Moedas não parece ter cara pra isto. Cada vez que vemos Carlos Moedas com estas críticas um pouco mais acérrimas a Fernando Medina, obviamente que elas existem sempre durante as campanhas eleitorais, Carlos Moedas está sempre com ar de frete, parece-me, quando está a fazer isso. Não sei se estará mais ou menos habituado, se é também a forma como fomos olhando para Carlos Moedas ao longo dos últimos anos, que parecia sempre alguém mais diplomata, até depois pelas funções que teve enquanto comissário europeu.

E aqui permite-me um comentário só pra ajudar no teu raciocínio. As declarações que Carlos Moedas faz sobre a extrema-esquerda, por exemplo, se recordamos que uma das pessoas que mais o elogiou e que Carlos Moedas também repetiu esses elogios é Marisa Matias pelo trabalho que desenvolveram na Europa e em Bruxelas, não te parece estranho que de repente Carlos Moedas tenha descoberto o perigo da extrema-esquerda que nos odeia e palavras do gênero?

A verdade é que nós estamos a falar de eleições autárquicas e creio que o que se esperava de Carlos Moedas, a propósito de uma corrida numa cidade como Lisboa, o que se esperava era que falasse sobre coisas concretas, sobre obra feita e obra que não foi feita, sobre projetos pra cidade que podem desenvolver a cidade, que podem ajudar também a própria área metropolitana de Lisboa a desenvolver-se, a crescer. Foi isso que Carlos Moedas até prometeu também logo no discurso, na intervenção que marcou o arranque da campanha, quando disse que era alguém de Beja, que tinha passado por Lisboa, que queria transformar a cidade, que Lisboa tinha muito mais potencial. Portanto, eu creio que estas questões ideológicas não bate a cara com a careta, alguém que dizia isto, creio que até alguém ligado ao futebol. Mas o que se esperava de Carlos Moedas era que trouxesse essa visão, que falasse propostas concretas de obras concretas que tem no pensamento, e este caminho pode ser um caminho mais fácil, mas não sei se é o caminho mais certo.

É verdade que ainda falta muito tempo até as eleições e, portanto, Carlos Moedas terá certamente muito tempo para apresentar as ideias que tem pra cidade. Mariana, tu ontem escrevias ou assinavas ou coassinavas um texto sobre o PS e a estratégia autárquica, perguntando concretamente sobre o caso de Lisboa. É caso pra dizer que Fernando Medina está a assistir a tudo isto de cadeirinha?

No texto que escrevíamos ontem, eu e a Rita Tavares, falávamos sobre como o PS quer adiar o mais possível este processo autárquico, e ainda estão por conhecer algumas das candidaturas do partido, nomeadamente ao Porto, por exemplo, porque o que interessa, neste caso, ao incumbente é não desgastar os que virão a ser os seus candidatos e portanto mantê-los o máximo de tempo possível no papel de autarcas. E em Lisboa, ainda sobretudo desde que tem o conforto da primeira sondagem do semanário Novo, que dava a Fernando Medina uma vitória mais do que confortável, em que até poderia colocar-se o cenário de poder dispensar a esquerda. Neste momento tem um acordo com o Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa e portanto tudo isso são fatores de conforto para Fernando Medina. E depois quando se olha para Carlos Moedas, o João estava a dizer que a imagem mais calma, mais apaziguadora de Carlos Moedas se tinha alimentado nos últimos anos. E eu diria que também pelo próprio, quando ele falava da tal maneira de fazer política diferente, que até me recorda um bocadinho também o discurso de Rui Rio, quando não está a receber pedras de costa e fala sobre uma maneira diferente de fazer política e a colaboração, etc. Carlos Moedas também apareceu nesta campanha a dizer que vinha para uma coisa diferente. E agora eu vou recomendar aqui como bibliografia para este assunto o texto que o Miguel escreveu sobre a estratégia do Carlos Moedas.

Não faço ideia de quem seja o autor.

E a forma como mudou em reação à tal primeira sondagem, foi primeiro recorrer ao caso de José Sócrates, sem grandes pudores, e agora passou a esta frase em que ele fala da extrema-esquerda que odeia os que pensam diferente, o esquerdismo de superioridade moral e um esquerdismo que cai sempre na hipocrisia, condiz muito pouco com aquela esquerda que quando se conheceu o nome de Carlos Moedas, não mostrou que tivesse grandes anticorpos. Aliás, nós na altura tínhamos fontes de vários partidos de esquerda a dizer que realmente Carlos Moedas não era propriamente um nome tipo Cavaco Silva, que motivasse a esquerda a unir-se.

Claro. E por falar em formas diferentes de fazer política, trago-vos a última sopa, sopa fora de prazo, para falar sobre Eduardo Cabrita e a gestão que está a fazer do processo de Odemira. Inês André Figueiredo, assistimos agora nas últimas horas a dois partidos, pelo menos, a Iniciativa Liberal e o CDS, a pedirem a demissão do ministro da Administração Interna. Acreditas que Eduardo Cabrita tem condições políticas para continuar no cargo?

Eu diria que Eduardo Cabrita é uma pessoa que já sobreviveu a muito. Esta não é a primeira vez que há sugestões para que se demita. Já passou por outros processos idênticos e talvez até mais graves, mas de facto isto não foi propriamente um assunto meiguinho, tais como as pedras de costa não foram meiguinhas, nem que esteja tão pouco arrumado, porque esta questão dos imigrantes e de Odemira ontem, Eduardo Cabrita dizia que tem funcionado a cerca sanitária, porque de facto vê-se que os números têm descido muito na última semana, mas isto é um pano para mangas, porque a partir do momento em que os imigrantes foram levados, ainda por cima ontem soubemos que a deslocação foi feita de noite, quando tudo já tinha explodido ali em Odemira. Não estamos propriamente a falar de um tema que seja tão pouco importante. Parece que se destapou uma coisa que até já tinha vindo a ser falada por muitos partidos, esta questão da imigração e das condições em que vivem estas pessoas.

Nós, por exemplo, no Observador, temos uma reportagem de 2014 sobre as condições em que estavam muitos desses trabalhadores.

E mantêm-se, pelos vistos.

Temos de terminar esta primeira parte da Vixi Suave, já se sabe. A seguir ao noticiário voltaremos com a segunda parte do programa, com entrevista a Adão Silva, líder parlamentar do PSD. Olá, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Temos conosco um convidado especial, Adão Silva, líder parlamentar do PSD. Bem-vindo, como está?

Sim, bom. Boa tarde.

Vamos direto ao assunto. Assistimos esta semana a uma trocadura de acusações entre António Costa e Rui Rio. O clima de cooperação entre PS e PSD acabou ou esta agressividade retórica está relacionada com o cheiro a eleições no ar?

Deixe-me dizer-lhe que esta cooperação entre o líder do meu partido, doutor Rui Rio, e o doutor António Costa, primeiro-ministro, era sobretudo um ato de apoio ao país e apoio aos portugueses. E sobretudo num tempo de pandemia, num tempo de grande tragédia nacional, que nós não temos memória de termos passado outra igual, era completamente inaceitável que não houvesse aqui uma atitude de grande cooperação, de grande articulação, de empenho mútuo, para que o país fosse resgatado das garras desta monstruosidade que foi a pandemia.

Então o clima mudou. Entendo que este ataque de António Costa tem uma dimensão estratégica. Há quem defenda, por exemplo, que foi uma forma de o PS segurar a esquerda numa altura em que está até com dificuldades de aprovar a Lei das Grandes Opções do Plano. Será uma tentativa de António Costa de chegar à esquerda, uma tentativa artificial até?

Eu acho que a muitos títulos esta atitude de ataque descabelado é muito mesquinho. É um ato muito mesquinho do senhor primeiro-ministro. Porque eu não estou aqui a falar por uma lógica de não reconhecer este exercício de disponibilidade do PSD em nome do país Em nome dos portugueses, apoiar a governação naquilo que era fundamental, naquilo que era essencial, que era o tal resgate do país em relação a esta situação pandémica. Mas é sobretudo mesquinho, porque é um olhar a curto prazo. Repare, naquela entrevista não há uma ideia de fundo, uma ideia construtiva, uma ideia de futuro para o país. O que ressalta ali é este ataque soez, este ataque mesquinho, baixo, rasteiro. Eu acho, sobretudo, tem dois objetivos. Por um lado, é evidente que o primeiro-ministro está muito inseguro, o senhor diz bem, porque manifestamente temos aqui uma situação de grande instabilidade e grande insegurança da parte do governo, que se vê com alguma dificuldade em aprovar instrumentos fundamentais para o futuro, nomeadamente o orçamento para 2022, e também, como o senhor disse certeiramente, a questão das grandes opções do plano, que vai achar à comissão sem votação, porque o Partido Socialista, o governo, não tinha a certeza que ele seria aprovado, porque os parceiros, nomeadamente o Bloco de Esquerda, não estaria com essa disponibilidade, assim como o PCP. Mas eu acho que também há aqui um outro aspecto. Isto é, isto é uma tentativa do primeiro-ministro atirar com uma bomba, no pior sentido das palavras, é uma bomba verdadeiramente tonta, para tentar de alguma maneira tapar o ruído dos últimos dias, que é nomeadamente aquela questão que tem a ver com o que foi primeiro-ministro de um governo onde ele foi segundo, que foi o governo do engenheiro José Sócrates, e toda esta confusão enorme, este descrédito brutal a nível da Justiça em Portugal.

Foi uma forma de desviar as atenções.

Do Partido Socialista e do governo do Partido Socialista, porque reparará, muitos dos membros do atual governo do Partido Socialista foram membros do governo do engenheiro José Sócrates, nomeadamente o primeiro-ministro.

Perguntava-lhe se acha que foi uma forma de desviar as atenções.

Completamente. Foi um exercício estapafúrdio, esdrúxulo, de desviar as atenções, sem dúvida nenhuma.

Olhe, eu falava há pouco da insegurança que diz que António Costa tem neste momento. Acredita que o primeiro-ministro e o PS vão chegar ao fim da legislatura?

Bom, eu não sou adivinho. Se isso for bom para Portugal, se isso for bom para os portugueses, é bom que chegue. Mas desta forma como ele tem tratado o poder em Portugal, neste exercício de manobrismo e de amiguismo, eu sinceramente não sei se tem muita vantagem para Portugal esta continuação do Partido Socialista no governo. Porque realmente há uma sensação cada vez maior de que o governo está muito refém deste exercício manobrista que levou à constituição e à manutenção da geringonça. E depois, obviamente, isto gera uma incapacidade de planear o futuro de uma forma consistente, uma forma estruturada, nomeadamente através das reformas que é preciso ir fazendo, que vêm, sobretudo, para salvaguardar o futuro.

Era precisamente dessas reformas que Rui Rio falava sempre como sendo o seu desígnio, o desígnio da sua liderança, por exemplo, a reforma da Justiça. Neste clima, há condições para isso? E o que é que sobra desta liderança de Rui Rio se falhar essas reformas, que eram, no fundo, o seu objetivo?

Eu acho e espero que venha a acontecer esta reforma da Justiça. Ela, porventura, não será tão profunda e tão abrangente quanto o PSD e o doutor Rui Rio desejavam. E isso, obviamente, era muito importante, porque os portugueses hoje têm uma descrença, são céticos em relação à capacidade da Justiça de ajudar a funcionar bem o nosso país. Mas obviamente, nós estamos muito disponíveis para se fazer uma reforma, por isso estamos aqui disponíveis para um debate e aguardando, obviamente, que chegue ao Parlamento a proposta de lei do governo, que entretanto o governo também está a evoluir nesta matéria e o Partido Socialista, porque afinal não criou nada no passado com aquilo que era o enriquecimento injustificado e parece que subitamente já estão muito interessados também em apresentar uma iniciativa.

Precisamente, e tendo em conta que vai haver várias iniciativas nesse sentido e que Rui Rio abriu essa porta esperando prover essas iniciativas em concreto, o PSD vai ou não, afinal, dar a mão ao PS nesta questão e permitir que a lei avance?

Não damos a mão ao PS, nós damos a mão ao país. O país, neste momento, está confrontado com uma situação que se tornou particularmente aguda com a questão que se passou outro dia com o ex-primeiro-ministro José Sócrates. O país precisa reenhar confiança no seu sistema judicial, no seu sistema judiciário. O país precisa e os portugueses precisam de acreditar que a nossa Justiça funciona. E, portanto, nós precisamos desesperadamente de fazer uma reforma na Justiça que fique clara a ideia. A Justiça em Portugal é um pilar essencial do nosso Estado de Direito e ela funciona e tem que funcionar de uma forma moderna, capaz, apetrechada.

Só para perceber muito concretamente. Então, tendo em conta as propostas que já se conhecem sobre enriquecimento injustificado, a proposta dos juízes que já se conhece, o PSD está ou não de acordo com essas propostas?

O PSD está a trabalhar variadíssimas propostas, devo dizer, num grupo de trabalho constituído por cerca de oito pessoas, e nós teremos o nosso trabalho concluído, pelo menos o grosso dele, no final do mês de maio. E abrangerá questões ligadas com o enriquecimento injustificado, mas também noutros aspetos ligados com a Justiça, porque, como digo, é fundamental que os portugueses tornem a acreditar que têm uma Justiça que funciona. Sem isso, o Estado de Direito está inquinado.

Deixe-me avançar um bocadinho. Tem-se falado muito na questão da sucessão de Rui Rio depois das eleições autárquicas. Entende que o lugar do líder do PSD está em risco se o resultado não for brilhante?

Bom, isso é um pressuposto com o qual eu não alinho, porque eu acho que o resultado das eleições autárquicas de 2021 vai ser um resultado brilhante, não fosse o líder do PSD um brilhante presidente da Câmara do Porto durante 12 anos.

Mas caso esse resultado não seja o esperado, entende que Rio tem o direito, digamos assim, de ir novamente a votos em eleições legislativas?

Mas por que eu devia de admitir o pessimismo? Eu estou muito otimista em relação às eleições autárquicas de 2021. O grupo autárquico que o partido tem estruturado, onde pontua particularmente o secretário-geral, o doutor José Silvano, está a fazer um grande trabalho. Temos excelentes candidatos e penso que é o momento em que vamos inverter aquela curva descendente, tão negativa para o PSD, que foram as eleições autárquicas de 2013, acentuando-se ainda a descida em 2017. Portanto, vamos inverter, com certeza, esta curva. Até onde chegaremos nesta inversão? Não sei, mas a tendência tem que ser invertida, ela vai ser invertida e eu acho que o líder do PSD é a pessoa atual, o doutor Rui Rio, pela sua experiência autárquica, para levar a cabo esta inversão.

E já que estamos a falar sobre o futuro, uma pergunta sobre o seu próprio futuro. Foi alvo de um processo disciplinar por parte do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD. Tem pena que esta seja a sua última entrevista enquanto líder parlamentar do partido ou acha que Paulo Coulasse não terá coragem de lhe retirar o mandato?

Isso é uma matéria que verdadeiramente não tem nenhum sentido. Aquilo é um exercício completamente insensato, do meu ponto de vista, porque repare, se houvesse uma situação dessas, que eu duvido, porque desde logo, por exemplo, o tribunal do PSD, que é o Conselho de Jurisdição Nacional, não levou em linha de conta uma peça muito importante, que é o regulamento interno do grupo parlamentar. Nem se querem lembrar que existia uma coisa chamada regulamento interno do grupo parlamentar, nomeadamente o número três do artigo oitavo desse regulamento interno do grupo parlamentar. E quando perceberem que é assim, verão que grande parte deste castelo de cartas se esboroa e cai, porque obviamente isto não tem sentido nenhum. Segundo lugar, há recursos. Recursos, nomeadamente para o Tribunal Constitucional. E eu acho que se isto prosseguisse, aliás, eu devo dizer, tenho o recurso preparadíssimo. Quando o Conselho de Jurisdição Nacional do meu partido deliberasse essa monstruosidade, porque foi uma monstruosidade jurídico-penal, digamos assim, eu, obviamente, como cidadão, como militante do PSD, tinha direito a recorrer e recorreria. Agora, o que eu acho que fica do meio disto tudo é uma situação lamentável. Nem digo por mim, digo pelo presidente do PSD, doutor Rui Rio, que não merece e que no fundo há aqui uma tentativa de o diminuírem publicamente. E obviamente o líder do partido nunca pode ser diminuído publicamente e particularmente não pode ser diminuído pelos brutos que lhe tentam meter a faca nas costas, evidentemente.

Deixe-me perguntar-lhe uma coisa: isto deixa alguma marca, algum tipo de mancha também para a opinião pública e para a forma como, neste caso, os eleitores olham também para o PSD?

Isso eu não sei, mas como eu estou absolutamente confiante, todo este processo não passa de um enorme equívoco, por falta de base, por falta de entendimento das questões, por falta de prudência. Portanto, eu estou absolutamente convicto que em breve esta situação ficará clara. Ficará clara não no sentido que aparentemente o senhor presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, porque é ele que eu estou a visar, claramente. Atenção, é ele que eu estou a visar, não é o Conselho de Jurisdição no seu todo, é ele que eu estou a visar. É uma atitude canhestra de tentar diminuir a margem de manobra e a relevância social e institucional que deve ter o presidente do Partido Social Democrata. Não falo por mim, como digo, porque aqui o que me importa mais é mesmo a salvaguarda da personalidade política que deve estar intocada e intocável do presidente do meu partido.

Uma situação que ainda está por esclarecer e é um assunto quente do momento, é a situação em Odemira. O Adão Silva esteve em Odemira esta semana, viu de perto a situação dos trabalhadores sobre os quais temos falado também ao longo dos últimos dias. Na entrevista à RTP3, Rui Rio, líder do partido, apontou o dedo a todo o poder político, mas também, em particular, à GNR e ainda ao Ministério da Administração Interna. Pergunto-lhe de forma muito direta se o ministro Eduardo Cabrita tem condições para continuar no cargo depois deste episódio também.

Sobre essa matéria, se tem condições ou não, é lá com o senhor primeiro-ministro, doutor António Costa. Agora, aquilo que eu vi, falando com trabalhadores e com empresários, é uma enorme irresponsabilidade e ineficiência do governo. Aqui, verdadeiramente, o que se passou em Odemira, e aparentemente há mais Odemiras neste país, atenção.

A Polícia Judiciária diz que está a investigar vários casos.

Sim, há verdadeiramente uma evidência da irresponsabilidade e da ineficiência do governo. O governo deixou passar a situação, deixou que ela se agigantasse e não ligou nada a isto. O PSD há dois anos e tal que anda a denunciar a situação. Já há duas vezes que membros do grupo parlamentar do PSD foram ao local, apresentámos instrumentos de intervenção política no Parlamento e afinal nada aconteceu. O governo agora vem chorar lágrimas de crocodilo. O nosso país tem que ter uma imagem boa. Nós precisamos destas pessoas que nos vêm ajudar a fazer crescimento económico, a fazer estabilização dos nossos sistemas sociais, porque eles também pagam para a Segurança Social e pagam os seus impostos, com certeza, e os empresários também, que faz crescer a nossa economia. Ontem falaram que havia cerca de 200 milhões de euros de produção destas hortícolas e destes frutos vermelhos, e grande parte é para a exportação. E, portanto, nós temos que tratar bem estas pessoas. Há aqui direitos que é preciso assegurar. Direitos de trabalho. Onde é que está a CT? Onde é que está a senhora ministra do Trabalho? Direitos à habitação. Parece que ninguém se preocupou com esta matéria. Imensa dificuldade, dizem os empresários. Há aqui, obviamente, outro tipo de direitos. Salvaguarda pessoal, nomeadamente, tem a ver com o senhor ministro da Administração Interna, com certeza. E portanto, há aqui pelo menos três ministros que eu acho que estão muito visados. O Trabalho, a Administração Interna, também a questão da Justiça, evidentemente, também não pode ser deixada de parte. E já agora também, a ministra da Presidência, que tem tudo a ver com matérias da imigração. Nós somos um país que acolhe bem os imigrantes. Nós fomos também um país de emigrantes.

Adão Silva, deixe-me também perguntar-lhe para avançarmos depois também para outro tema, ainda a propósito de Odemira. Concorda com a questão da requisição civil do empreendimento Zemar, que é turístico, mas também tem habitações próprias, primeira habitação, e pergunto-lhe se foi ou não a melhor forma de assegurar a segurança destes mesmos trabalhadores.

Não, não foi a melhor forma. Aliás, ontem os empresários disseram que havia outras soluções lá Soluções de habitações antigas que foram deixadas por um outro investidor que já lá esteve na década de 90, acho eu, e que podiam ter sido soluções que se atempadamente estruturadas e preparadas, tinham feito uma solução tranquila. O problema é que o governo, confrontado com esta força da evidência, este negativo que dá a evidência das situações, reagiu de qualquer maneira, atribuladamente, atabalhoadamente e portanto está, do meu ponto de vista, a ter decisões com alguma irracionalidade, que podiam ter sido evitadas e deviam ter sido evitadas.

Claro, temos de acelerar, Adão Silva. Um outro tema que também está a marcar a agenda mediática e política, o Novo Banco. Rui Rio disse na entrevista à RTP que vai entregar uma exposição sobre o Novo Banco à PGR. O governo pode ter tido uma gestão criminosa na venda do Novo Banco?

Não sei se é criminosa. O que o doutor Rui Rio fala é uma exposição ao Ministério Público e o propósito é muito claro. O que o PSD quer é que o Ministério Público se inteire absolutamente da situação e desenvolva a investigação que tem que desenvolver e se chegar à conclusão que há aqui matéria criminal, obviamente tem que acusar. Nós, PSD, não estamos neste momento nesta fase. Nós nesta fase estamos apenas a denunciar detalhadamente, escalpelizando a situação e agora o Ministério Público, evidentemente, tem que agir e vai com certeza agir, porque não agir obviamente seria o descrédito total e obviamente logo dirá. Se houver aqui matéria de crime, avançará.

No plano político, ainda não é claro de que forma é que o governo vai garantir a nova injeção de capital no Novo Banco, mas pergunto-lhe muito concretamente: se for preciso um orçamento retificativo para aprovar essa nova tranche do empréstimo, o governo pode contar com o PSD?

Não vou pôr essa questão dessa maneira, porque eu acho que não vai ser preciso. Sinceramente, acho que não vai ser preciso. E portanto, aquilo que é preciso é que realmente fique muito claro, de uma vez por todas, que aquilo que os contribuintes andam aqui a pagar tem razão de ser. Os portugueses que são os que pagam, certo? Muito bem. Então onde é que está o conhecimento que os portugueses deviam ter do contrato de venda? Ninguém o sabe. Está metido num cofre, o cofre desapareceu ou a chave do cofre desapareceu. Isto devia estar aqui na evidência. Depois, por exemplo, este exercício estranho, quase esquizofrénico do Centeno, que era ministro e promoveu a questão da venda e agora é governador do Banco de Portugal. Nós bem dizíamos que isto não era uma situação fantástica, pelo contrário, devia ser evitada. E portanto, há aqui um exercício de cumplicidade em que o atual governador do Banco de Portugal, em vez de estar preocupado com a verdade dos factos, com a defesa dos contribuintes, anda a defender o anterior ministro das Finanças.

Nós estamos aqui quase a terminar. Falava sobre a opacidade no caso do Novo Banco. Ia-lhe só perguntar sobre o plano para a execução da bazuca europeia, que é o plano de recuperação e resiliência, se também entende que o governo está a enganar os portugueses e a esconder-lhes informação.

Esconder informação, seguramente. E ainda não foi avaliado em sede de Comissão Europeia. Nós estamos muito preocupados com a execução, quando ela vier, porque entretanto isto está tudo atrasado. Portugal preside à União Europeia e no entanto vamos ter aqui um atraso em que provavelmente não se vai gastar um único cêntimo durante a nossa presidência da bazuca, que é tão essencial. Agora, a nossa preocupação, para lá disto, é também o que vem a seguir. E vou-lhe dar um caso concreto. Nós batemos profundamente para que este processo seja muito bem acompanhado, porque vai ser muito dinheiro, 16 mil milhões de euros, para comprometer até 2023 e gastar até 2026. E por isso é que nós vamos exigir que nesta lei, que foi agora para promulgação da contratação pública, seja mesmo posta em prática uma comissão de acompanhamento, que está lá prevista, nestas questões destes contratos. Isto é, quando se fizer um contrato, esta comissão vai acompanhar, vai avaliar e vai, sobretudo, produzir relatórios pra gente poder perceber. Provavelmente as pessoas não tenham bem esta informação, mas é bom frisá-la. Esta legislação, esta lei da contratação pública, tem lá dentro um mecanismo que o PSD exigiu que lá estivesse, que é esta comissão de acompanhamento, justamente para que, tal como o presidente da República quer fazer e bem, o Parlamento também quer fazer e bem. Haja também este mecanismo interno da própria lei para que a fiscalização, o acompanhamento, a transparência, primem, prevaleçam no uso de tanto dinheiro em tão pouco tempo.

Muito bem. Adão Silva, vamos avançar para a segunda parte da nossa refeição, carne ou peixe. Recordo que só pode escolher uma opção e se não escolher, passará fome. Nós não queremos isso. Portanto, venha daí a trilha. Se tivesse que escolher alguém para oferecer de comida aos seus dois cães, escolheria Luís Montenegro ou Paulo Colaço?

Isso eu não escolhia nenhum.

Mas quer explicar por quê? Causaria indigestão aos cães ou porque se preocupa com Luís Montenegro e Paulo Colaço?

Eu respeito sempre os meus companheiros de partido.

Muito bem.

Verdade, com certeza. E aquelas palavras frontais que eu disse em relação ao Paulo Colaço, eu não tenho nenhum agastamento contra ninguém e respeito absolutamente.

Então vamos a uma outra pergunta. Preferia escalar uma montanha na companhia de Vieira da Silva ou Ana Mendes Godinho? Isto porque é um apaixonado Pelo montanhismo, mas também é um fã e um especialista em Segurança Social.

Eu escolhia o Dr. Vieira da Silva. Tenho longas histórias com ele e portanto a gente podia ir contando histórias e era um fartote de riso, seguramente.

Mas depois aquilo em altitude podia correr mal.

Acho que não. Se fosse preciso eu levava-o às costas.

E preferia fazer parte de um governo do PSD/Chega ou ver o PSD mais uma legislatura na oposição?

Eu como não quero fazer parte nem de uma coisa nem da outra, não sei o que é que lhe diga.

Sendo que é professor e tirou a sua licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, preferia dar uma aula para afinar a linguagem à Susana Garcia ou a António Costa?

Ao Dr. António Costa. O Dr. António Costa tem grandes problemas de linguagem. Não apenas no conteúdo, mas também na forma. Há ali um problema de dicção que é preciso corrigir. Eu acho que ele devia fazer umas aulas práticas com um bom ator, alguém que lhe ensinasse aquela maneje da chamada fonética articulatória. Há ali um problema de fonética articulatória.

Muito bem. Adão Silva, a nossa última parte é uma sobremesa escolhida pelo convidado, uma música. Gostava de saber que música escolheu e porquê.

Eu escolhi uma música tradicional Terras de Miranda, em mirandês, que é, como sabe, a segunda língua de Portugal. Nós temos duas línguas oficiais, a língua portuguesa, que sobrou o Dia da Língua Portuguesa há dois dias atrás, e depois temos uma segunda língua, que é largamente minoritária, que é o mirandês. E portanto, esta é uma cantiga tradicional, que é Mirandú Se Fue a la Guerra, que é uma cantiga giríssima, acho eu, e que sobretudo invoca aquilo que foram as chamadas guerras do Mirandú, que foi uma guerra de 1762, foi a nossa participação, que foi aliás vitoriosa, na chamada Guerra dos Sete Anos Europeia, e de alguma maneira também como homenagem àquela gente da minha terra, mirandeses sobretudo, movimento cultural de Terras de Miranda, que se está a bater para que haja justiça para a minha terra, para Miranda do Douro e para Trás-os-Montes em geral, por causa da venda das barragens da EDP à ENGIE, que devia pagar impostos, mas através de manigâncias e de comportamentos mais ou menos obscuros do governo e do Sr. Ministro do Ambiente em particular, parece que não vão pagar impostos. Vamos ver.

Adão Silva, muito obrigado por ter vindo a esta Vichy Soirée, foi um gosto.

Eu é que agradeço.

E nós despedimo-nos assim, em mirandês. Talvez um dia arrisquemos um programa todo ele feito em mirandês.

Boa ideia.

Na próxima sexta-feira voltamos à mesma hora. Fique connosco.

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