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Estou.
Inês Sousa Real? É a Inês Capucho do Observador. Como está?
Bem, obrigada, Inês. Particularmente bem.
Bem, obrigada. Começou o dia na Feira de Espinho, ainda esteve em Coimbra, termina o dia em Lisboa, já está por casa?
Ainda não, ainda estamos aqui em viagem, quase a chegar a Lisboa. Mas de facto hoje foi um dia muito preenchido entre vários distritos, contactámos com muitas pessoas, pudemos ouvir também não só por um lado a sua indignação face àquilo que tem sido a governação dos grandes partidos em relação ao país, mas acima de tudo as palavras de simpatia e de apoio para com o PAN e para com as causas que representamos.
Tem feito várias ações por dia, o cansaço já se faz sentir? E como é que aproveita estas viagens de um lado para o outro?
Nós aproveitamos as viagens não só para trabalhar e para de alguma forma podermos planear ou ajustar aquilo que vão ser as próximas horas e os próximos dias, porque as campanhas são sempre muito dinâmicas e têm sempre várias dimensões que têm que ser tratadas, quer das confirmações ou até mesmo alterações de última hora que são necessárias fazer. Aproveitamos também um pouco a viagem para descontrair, para podermos também ouvir música, falar um pouco também entre nós, mas acaba por ser, de facto, um ritmo um pouco diferente do nosso dia a dia, em que andamos aqui não só a ter contacto com vários locais da população e do país, mas também aproveitar um pouco estes momentos para descontrair um pouco daquilo que é o ritmo da campanha.
Há alguma música em especial que a acompanhe nesta campanha eleitoral?
Bom, nós temos uma própria música do PAN, a "Voceletona" do PAN, nas músicas partidárias à parte. Eu gosto muito também, não só de ouvir Alicia Keys, Beyoncé ou até mesmo o Drew Barrymore com o "Find Your People", que no fundo é um pouco também aquilo que andamos a fazer aqui na estrada, que é agregar diferentes preocupações e diferentes pessoas que simpatizam com a causa do PAN para que se juntem a nós.
A opção de regressar a Lisboa é para matar saudades do gato Micas? Tem tido tempo para ele?
Também. Ou seja, tento aí o ritual máximo que é estar muito tempo fora de casa, que é o cuidado que tenho com o Micas, apesar de ele ficar sempre aos cuidados, neste caso, dos meus pais e também dos meus irmãos, que o ajudam quando tenho que estar fora, mas nunca é a mesma coisa do que chegar a casa e tê-lo à porta a receber-me e poder matar saudades no tempo que não estou com ele.
Entrámos na semana final da campanha eleitoral, portanto, é a reta final para alcançar o objetivo de um grupo parlamentar. Está confiante? No ano passado, este também era o grande objetivo do PAN e acabou por permanecer sozinha na Assembleia da República.
Nós temos agora no próximo dia 18 de maio a oportunidade de reeleger um grupo parlamentar. Em 2024 ficámos a 800 votos de conseguir um grupo parlamentar eleger um deputado no distrito do Porto. Este ano foi um ano muito desafiante. É muito difícil ser deputada única, apesar de sermos o partido que mais medidas tem aprovado na Assembleia da República nestes dois últimos anos, nestas duas legislaturas diferentes. Isso não significa que não exija também muito trabalho pessoal e muito esforço do ponto de vista daquilo que é termos depois que tirar ao nosso tempo pessoal e à família. E por isso mesmo, não só para que o PAN e as suas causas tenham mais força no Parlamento, temos sentido muito apoio das pessoas, muito carinho nas ruas a pedirem precisamente não só que o PAN esteja na Assembleia da República, mas também a dizer que nos vão dar desta vez um grupo parlamentar e esperamos, de facto, no próximo dia 18 de maio, até porque o país precisa de estabilidade e precisa de garantir que tem as suas causas representadas nos próximos anos no Parlamento, a que os portugueses confiem naquele que foi o partido que mais trabalhou, que mais procurou pôr as causas no centro da vida política, até distanciando-se daquilo que têm sido não só as tricas entre os grandes partidos, mas acima de tudo a instabilidade que os grandes partidos têm provocado ao país. E por isso partimos com a legitimidade de pedir aos portugueses que nos deem esta confiança de voltar a ter um grupo parlamentar para que possamos fazer mais e melhor pelas causas que estamos a representar no Parlamento e que mais ninguém leva, seja a proteção animal, seja também a defesa do ambiente e do combate às alterações climáticas, ou matérias tão fundamentais como combatermos a violência doméstica, garantirmos que as pessoas mais vulneráveis, sejam os doentes oncológicos, que nem direito a baixa médica têm, ou até mesmo o combate à pobreza e o apoio à super população de sem-abrigo, para garantirmos que temos de facto um país mais justo, mais sustentável, quer social, quer ambientalmente.
Falou sobre as tricas dos grandes partidos. Na Feira de Espinho, ao ser questionada sobre se tivesse numa rua a AD e na outra o PS, com qual preferia cruzar-se, disse que o PAN vai em frente. Pergunto-lhe, o que é que está em frente?
Acima de tudo são as preocupações dos portugueses e as causas que os portugueses querem ver discutidas na Assembleia da República. Ao longo destes dias tem sido um traço comum daquilo que temos ouvido nas ruas, a insatisfação, a indignação e até as pessoas estão zangadas com os grandes partidos por conta da instabilidade política com que têm, de alguma forma, condicionado aquilo que são as reformas necessárias para o país, aquilo que são as instruções até dos fundos comunitários para que o país possa tornar-se um país mais competitivo do ponto de vista económico, do ponto de vista da transição energética e climática. E por isso mesmo sabemos que as pessoas precisam de ter um partido que seja um contraponto, como é o caso do PAN, que tem de facto dado prioridade àquilo que são não só os valores que representamos no Parlamento, mas acima de tudo as preocupações das pessoas. Porque nós no Parlamento não podemos esquecer que as pessoas elegem-nos não para estarmos a ver quem é que tem o melhor soundbite, mas sim para trabalharmos em prol daquilo que são as suas legítimas preocupações, aquilo que são os seus valores e aquilo que é o superior interesse também do país.
Ao longo dos últimos dias já aconselhou silêncio a Marcelo Rebelo de Sousa, mas também garantiu que o PAN não vai viabilizar qualquer solução de governo que inclua o Chega. É caso para dizer, e faço-lhe aqui uma provocação, que está a colocar as garras de fora?
Não seria isso de todo, até porque respeito muito a figura institucional que é o Presidente da República. Essa questão tinha um contexto muito concreto, que era poder ser interpretada o conselho de Marcelo Rebelo de Sousa, constar a atuar ao voto útil na AD, e tendo em conta que Marcelo Rebelo de Sousa é o presidente de todos os portugueses, o meu apelo é que neste caso, não houvesse uma interferência na campanha eleitoral, precisamente porque os portugueses a este tempo o que precisam é de votar de forma útil nas causas em que acreditam, e não em partidos que têm provocado esta instabilidade no país. No que diz respeito ao Chega, o PAN tem sido sempre muito claro desde o primeiro momento. Nós não alinhamos com partidos que põem em causa a democracia, que põem em causa valores humanos fundamentais como a não discriminação e até mesmo a igualdade, que são a favor das touradas, mas que dizem que são muito amigos dos animais de forma completamente antagónica e que também são negacionistas do clima. Sabemos que o Chega teve não uma, mas 50 oportunidades com o grupo parlamentar de 50 deputados de não faltar ao país e, no entanto, só provocaram instabilidade no Parlamento e tiveram muitas oportunidades de votar ao lado de propostas fundamentais para os portugueses e não o fizeram. E por isso mesmo, tenho muita consciência que mesmo sendo uma deputada, trabalho mais do que os 50 deputados do Chega e que, inclusivamente, temos sido o partido que não só tem conseguido aprovar medidas muito diferentes para a vida das pessoas. Os €79 para as pessoas com deficiência, em termos de majoração do abono que recebem, as vítimas de violência doméstica poderem aceder ao Porta 65 para habitação, a maior verba de sempre para a causa animal de 14,5 milhões de euros e meio, ou até mesmo a moratória para o fim da mineração em mar profundo, garantindo uma maior proteção ambiental também naquilo que é a dimensão marinha. E por isso mesmo, o PAN parte com a legitimidade de, por um lado, dar a conhecer aquilo que tem sido o nosso trabalho, o nosso compromisso sério com as causas dos portugueses, e por outro, pedimos não só o grupo parlamentar, mas também podermos, de alguma forma, não deixar passar aquilo que tem sido uma tentativa de branquear uma certa imagem ou uma normalização do Chega, porque o pior que poderia acontecer ao país era termos um recuo de 50 anos de democracia ou termos um partido como o Chega a ter qualquer tipo de poder decisório na governação e nos destinos do país.
Uma das iniciativas que o PAN também defende são as segundas-feiras sem carne nas instituições públicas, como nos estabelecimentos de ensino e no Parlamento. Porque o dia em que esta chamada está a ser gravada é segunda-feira, o que é que almoçou e o que é que vai jantar?
Muito bem. Nós, por acaso, como estamos aqui na estrada, o almoço hoje não foi muito saudável, foi pizza vegana, mas porque efetivamente acabámos as ações muito tarde e como tal acabámos por não ter grandes alternativas. Neste caso, chegando a Lisboa, espero poder finalmente comer uma refeição mais confortável em casa e irei eu fazer. Estava a pensar fazer uma carbonara vegetariana, precisamente, que não só é rápido, mas também utilizando a soja, a proteína da soja ou até mesmo o tofu desfeito. Espero depois ter um bocadinho de tempo para cozinhar e desconectar um bocadinho da campanha e aproveitar também para rever algumas coisas que tenho para fazer por casa.
E nestes dias tão atarefados, com quem costuma ter a última chamada do dia?
Normalmente com a minha mãe, até mesmo para saber se está tudo bem, sobretudo quando estou na estrada, começam a aparecer também notícias únicas e portanto falo sempre com os meus pais e procuro saber se está tudo bem, porque apesar da distância, estão sempre à distância de um telefonema e procuro saber sempre o que está bem com eles ou não.
Muito obrigada por esta chamada, Inês, e um bom descanso.
Obrigada também. Igualmente, obrigada.