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MAAT. O que já se sabe sobre o novo museu de Lisboa

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O MAAT abre portas a 5 de outubro com uma festa de 12 horas. O Observador antecipa a inauguração e explica-lhe que museu é este.

Autor
  • Bruno Horta
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O velho Museu da Eletricidade, também conhecido como Central Tejo, vai desaparecer – ou, melhor, vai mudar de nome. Mesmo ali ao lado, está pronto a abrir portas um novo edifício de aspeto futurista. Os dois espaços passam a chamar-se MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia e vão ser um “marco de revitalização da frente ribeirinha” de Lisboa, acreditam os responsáveis pela Fundação EDP, entidade gestora do museu.

Situado na Avenida de Brasília, o MAAT tem abertura agendada para 5 de outubro, dia feriado, com uma festa de entrada livre que inclui concertos, performances e visitas guiadas, entre o meio-dia e a meia-noite.

Projeto ambicioso, alvo de promoção intensiva nos últimos meses, o MAAT exibe arte contemporânea através de exposições temporárias e da mostra de obras da coleção de arte da EDP (antiga empresa pública de eletricidade, privatizada a partir de 1997, cujo maior acionista é hoje a empresa estatal chinesa Chine Three Gorges).

Em jeito de antecipação, o Observador reúne as informações essenciais, conhecidas até agora, sobre o novo museu da capital.

  • O MAAT foi desenhado pelo atelier da arquiteta britânica Amanda Levete, distinguida em 1999 com o prémio Stirling do Royal Institute of British Architects. O edifício tem uma área expositiva de três mil metros quadrados e estende-se por mais quatro mil.
  • Demorou cinco anos a ser projetado e construído, e custou 19 milhões de euros, informa a Fundação EDP. É composto por quatro salas: Oval (mil metros quadrados), Galeria Principal, Project Room e Video Room.
  • É possível passear pelo topo do edifício, pois a cobertura foi pensada como sala ao ar livre. O revestimento das paredes, segundo a arquiteta, é inspirado na cerâmica e na calçada portuguesa, com azulejos salientes que refletem a luz. Amanda Levete ambicionou um projeto com “ligações físicas e conceptuais” entre a beira-rio e o resto da cidade.
  • A partir de março de 2017, o Museu da Eletricidade e o edifício novo vão estar unidos por um jardim pensado pelo arquiteto libanês Vladimir Djurovic. Nessa altura a área total do campus será de 38 mil metros quadrados.
  • Até à abertura de portas, na próxima semana, várias visitas estão marcadas. Os jornalistas portugueses são convidados a conhecer o espaço na manhã de segunda-feira, 3, enquanto a imprensa estrangeira vai à tarde. Na terça, às 19h00, convidados selecionados vão passear pelo MAAT na presença de Amanda Levete e assistir a atuações musicais e espetáculos multimédia, seguindo-se um beberete e um concerto de Rodrigo Leão.
  • O dia de abertura, quarta-feira, 5 de outubro, tem um programa extenso que procura cumplicidade com o público, apontando ao mesmo tempo para uma cultura urbana de elite. Entre o meio-dia e as 18h00 são inauguradas três exposições:
    – “O Mundo de Charles e Ray Eames”, sobre uma das duplas de designers mais influentes do século XX;
    – “Pynchon Park”, de Dominique Gonzalez-Foerster, uma encomenda do MAAT em torno do tema “Utopia/Distopia”;
    – “A Forma da Forma”, em parceria com a Trienal de Arquitetura de Lisboa.
  • Entre as 18h00 e a meia-noite a programação musical incluirá a performance “Respectable Thief”, do artista angolano Nástio Mosquito, uma obra criada para o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).

[vídeo de promoção da performance de Nástio Mosquito]

  • O rapper americano Zebra Katz e artista visual Fatima Al Qadiri, do Kuwait, vão estar presentes enquanto DJs. Destaque também para os concertos da fadista Carminho e dos portugueses Dead Combo.
  • O MAAT terá dois milhões de euros anuais para programação, segundo o diretor, Pedro Gadanho (entre 2012 e 2015 foi curador no departamento de arquitetura e design do MoMA). Serão apresentadas em média 18 exposições por ano, muitas das quais itinerantes, vindas de outras instituições.
  • Pedro Gadanho pretende combater aquilo que designa como “crise de programação nos museus” portugueses, devido à crise económica e financeira dos últimos anos.
  • O acervo do museu é a coleção de arte da Fundação EDP, iniciada há 16 anos e constituída por obras de mais de 250 artistas portugueses ativos desde a década 60.
  • São esperados 250 mil visitantes por ano, sendo que o Museu do Chiado recebeu 51 mil pessoas em 2015 e no Museu Berardo a exposição mais vista de sempre foi a da artista plástica Joana Vasconcelos em 2010: cerca de 168 mil visitantes. Entre os destinatários estão os turistas que fazem mini-férias urbanas.
  • O museu vai estar aberto de quarta a segunda, do meio-dia às 20h00. O preço do bilhete normal é de cinco euros até março de 2017, sendo alterado nessa data.
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