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Cinema

Cinema de animação: dez escolhas para a Monstra 2017

A 16ª edição da Monstra-Festival de Cinema de Animação de Lisboa decorre entre dias 16 e 26, e mostra mais de 500 filmes animados de todos os tipos. Eurico de Barros seleccionou 10 títulos e secções.

Autor
  • Eurico de Barros
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Para muita gente, “animação” ainda é sinónimo de “infantil” e de “crianças”. Todos os anos, a Monstra-Festival de Cinema de Animação de Lisboa, empenha-se em contrariar esta ideia feita, com uma programação variadíssima, que nem por isso desdenha a animação para os mais pequenos e as escolas, como o prova a secção Monstrinha. A Monstra 2017, que abre amanhã, dia 16, e dura até dia 26, tem 300 filmes em competição, e mais de 500 para ver na totalidade. Entre estes, estão as 13 curtas-metragens portuguesas que concorrem ao Prémio SPAutores — Vasco Granja

Há obras para todo o tipo de públicos e idades, mostrando animação de todos os géneros e criada com as mais variadas técnicas, que até pode ser de terror e de vanguarda, e documentários, retrospectivas e homenagens, mais os habituais “workshops”, debates, exposições e outras actividades paralelas. O festival decorre no São Jorge, no City Alvalade, no Ideal, na Cinemateca, Museu da Marioneta, Sociedade Nacional de Belas Artes, Universidade Lusófona e Escola Secundária Dom Dinis. Eis 10 escolhas para esta 16ª edição da Monstra.

“A Minha Vida de Courgette”, de Claude Barras

O suíço Claude Barras assina esta longa-metragem de animação imagem a imagem, que passou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e esteve nomeada este ano ao Óscar da respectiva categoria. É a história do pequeno Icare, “Courgette” de alcunha, que é posto num orfanato depois de ter causado acidentalmente a morte da mãe, uma alcoólica violenta.

“Window Horses — A Epifania Poética Persa de Rosie Ming”, de Ann Marie Fleming

Rosie Ming, uma jovem poeta canadiana que vive com o seus avós chineses super-protectores e nunca vai a lado nenhum, é convidada para um festival em Shiraz, no Irão. Realizado pela canadiana Ann Marie Fleming com base na sua “graphic novel”, este filme é co-produzido pela actriz Sandra Oh, que também dá voz á personagem principal.

“Ghost in the Shell — O Novo Filme”, de Kasuchika Kize e Kazuya Nomura

Com o filme homónimo interpretado por Scarlett Johansson prestes a estrear, passa na Monstra a nova animação da série japonesa de ficção científica “Ghost in the Shell”, iniciada em 1995 com o filme de Mamoru Oshii, baseado na respectiva “manga”. A acção decorre em 2027, um ano após o fim da IV Guerra Mundial, travada sem armas nucleares.

“A Tartaruga Vermelha”, de Michael Dudok de Wit

Uma co-produção entre a França a Bélgica e o Japão, aqui representado pelo Studio Ghibli, “A Tartaruga Vermelha” ganhou o Prémio Especial do Júri da secção Un Certain Regard no Festival de Cannes e concorreu ao Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação. Um náufrago numa ilha deserta é visitado por uma tartaruga vermelha que se revela depois ser uma mulher.

“25 April”, de Leanne Pooley

Este documentário animado da neozelandesa Leanne Pooley recria a participação das tropas do seu país na trágica campanha de Gallipoli, na Turquia, durante a I Guerra Mundial. A realizadora recorreu a um estilo de animação inspirado nas “graphic novels”, com cores vibrantes, para recordar e reviver uma experiência que foi originalmente registada a preto e branco.

“Triple X”

A Monstra propõe este ano uma nova secção composta por curtas animadas para adultos, mais ou menos sexualmente explícitas e filmadas com técnicas diversas. Entre os títulos a exibir, estão “Quod Libet”, do holandês Gerrit Van Dijk, “Master Blaster”, do japonês Sawako Kabuki, “La Linea-Sexilinea”, do italiano Osvaldo Cavandoli, “Moms on Fire”, da sueca Joanna Rytel, ou “Lube X-Waterslide”, do suíço Noah Demirci.

Itália e Bruno Bozzetto

A Itália é o país convidado da Monstra 2017, numa secção com filmes de jovens realizadores e retrospectivas de consagrados, caso de Enzo D’Alò, Gianluigi Toccafondo, Simone Massi, Julia Gromskaya e do grande Bruno Bozzetto. A secção Dokanim mostra ainda um documentário biográfico sobre o genial autor de “Allegro non Troppo” e “Os Sonhos do Sr. Rossi”, “Bozetto non Troppo”, realizado por Marco Bonfanti.

O legado da JPL Films

Fundada em 1995 em Rennes por Jean-Pierre Lemouland, a produtora de animação francesa JPL Films tem não só uma série dos seus filmes na Monstra deste ano, exibidos numa sessão de retrospectiva e integrados em várias secções do festival (caso de “Louise en Hiver”), como também uma exposição, “Vincent, Louise, Anatole e os Outros… 20 Anos do Cinema de Animação da JPL Films”, patente no Museu da Marioneta.

Juan Pablo Zaramella

O multipremiado cineasta de animação argentino Juan Pablo Zaramella vai ter uma retrospectiva na Monstra 2017, que inclui filmes como”Luminaris” (Prémio da Crítica no Festival de Annecy de 2011), títulos da série “O Homem Mais Pequeno do Mundo” ou “Ónion”. Jamarella estará presente no festival para dar um “workshop” e também como membro do júri da secção competitiva.

“Blind Vaysha”, de Theodore Ushev

Estreada no Festival de Berlim, premiada no Festival de Annecy, entre outros, e nomeada para o Óscar de Melhor Curta-Metragem Animada, esta realização do búlgaro Theodore Ushev tem produção canadiana. A fita combina animação digital e tradicional para contar a história de uma rapariga que vê o passado com o seu olho esquerdo e o futuro com o direito.

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