Katie Zacharia, de 41 anos, fez esta terça-feira a primeira conferência de imprensa enquanto porta-voz da administração Trump. A estreia foi curta, com um total de 14 minutos e menos de cinco perguntas, feitas pelos repórteres da Breitbart, Fox News e Daily Mail.
“Sinto-me tão honrada por trabalhar para o Presidente Trump e para o povo americano”, começou por dizer Zacharia. Antes de se juntar à Casa Branca, era uma presença frequente em comentários de pendor conservador na Fox News e na Newsmax. Trabalhou também como conselheira de comunicação da Trump Media & Technology Group, a empresa dona da Truth Social. Durante alguns meses, trabalhou para o Departamento de Estado.
.@PressSec @KatieZacharia: "I am so honored to work for President Trump and the American people as the new White House Press Secretary." pic.twitter.com/vJV8ckuKnH
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) October 13, 2026
Durante o briefing, foi questionada sobre se pretende mudar-se com a família da Califórnia para Washington. Zacharia tem quatro filhos, com idades entre os 6 e os 12 anos. Depois de dizer que “a ideia de passar a noite sem os filhos é completamente inaceitável”, confundiu-se no discurso — um momento que foi criticado pelos comentadores. “O meu Presidente… desculpem, o meu marido — esta foi boa — está aqui [Washington] esta semana, porque temos dois aniversários na família e protegemos muito os aniversários em família”, disse. Segundo a nova porta-voz, a família deverá mudar-se para Washington em breve.
.@PressSec @KatieZacharia: "We have four kids, ranging from 12, 10, 8, and 6. Three of them are boys, so we have a handful… President Trump is the most family-friendly President we've ever had." ???? pic.twitter.com/5noY7vzPHl
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) October 13, 2026
“Os meus filhos vão sempre ser uma prioridade”, declarou, acrescentando que “o Presidente Trump é o Presidente mais amigo das famílias que já existiu”.
???????? New White House Press Secretary stumbles on words in first press briefing
Katie Zacharia, a 41-year-old devotee of Donald Trump's hard-right MAGA movement, made her briefing room debut by taking remarkably few questions while leaving no doubt who she believes has all the… pic.twitter.com/mFWLWpvFPM
— AFP News Agency (@AFP) October 14, 2026
Durante o curto briefing, Zacharia leu as notas que tinha, numa intervenção descrita como “agitada” pela imprensa norte-americana. Após algumas perguntas, terminou a intervenção de forma abrupta. “Na verdade, vou encerrar isto porque o Presidente Trump está a dirigir-se para o Marine One para a nossa viagem histórica ao Alasca, e poderemos fazer-lhe todas as perguntas que tivermos”, afirmou. Segundo o USA Today, o Presidente dos EUA embarcou no helicóptero mais de uma hora depois do briefing.
Questionado sobre a prestação de Zacharia, Trump teceu elogios. “Achei que esteve muito bem”, disse aos jornalistas. O comunicado da Casa Branca também tem um tom elogioso: “Katie Zacharia realiza uma impressionante conferência de imprensa inaugural como 37.ª porta-voz da Casa Branca”.
Mas, nos bastidores, segundo a CNN internacional, o tom é outro. Fontes da Casa Branca disseram ao canal de televisão que a estreia foi “brutal”, descrevendo uma conferência “invulgar, estranha, forçada e, por vezes, desconfortável”. Uma das fontes questionou quanto tempo é que poderá ocupar o lugar de sucessora de Karoline Leavitt, que, em média, tinha conferências de imprensa com 45 minutos, nota a CNN.
“Não há dúvida de que sentimos falta da Karoline”, disse um conselheiro à mesma estação televisiva.
Estreia criticada por ex-porta-vozes da Casa Branca
Vários antigos porta-vozes da Casa Branca teceram críticas à prestação de Katie Zacharia. Anthony Scaramucci, que foi diretor de comunicações da primeira administração Trump durante 11 dias, escreveu no X que “o relógio está a contar”. “Até agora foi 1/11 de Scaramucci”, usando um vídeo de Sean Spicer, antigo porta-voz da Casa Branca da administração Trump em 2017.
Numa segunda publicação, declarou que quer “que ela [Katie Zacharia] dure mais que a alface”, fazendo referência a uma contagem que se tornou viral no X em 2022, durante o mandato da primeira-ministra Theresa May.
The clock is running. Thus far 1/11th of a Scaramucci. https://t.co/h34Wu14tFo
— Anthony Scaramucci (@Scaramucci) October 13, 2026
“Bem, este briefing foi basicamente um sketch do SNL… exceto que não foi (…)”, escreveu no X Jen Psaki, ex-porta-voz da Casa Branca durante a administração Biden. Psaki referiu-se ao conhecido programa Saturday Night Live (SNL), com frequentes aberturas sobre a atualidade política norte-americana.
Well that briefing was basically an SNL skit…except it wasnt…will have a lot more to say at 9pm
— Jen Psaki (@jrpsaki) October 13, 2026
“Foi um pouco estranho mandá-la apressadamente para lá e, depois, mandá-la apressadamente para fora da sala”, disse à CNN internacional Joe Lockhart, antigo porta-voz da Casa Branca durante a administração Clinton. “Não sei bem o que esperavam conseguir com isso, mas não me parece que tenham reforçado a confiança na sua capacidade de seguir em frente.”
“Pizzagate”, “canibais pedo doentios” de Hollywood. As teorias da conspiração das redes de Zacharia
Antes de chegar ao comentário político na televisão, Zacharia tinha um historial de comentários nas redes sociais que, segundo uma análise da CNN KFile, demonstra que partilhava publicações ligadas a teorias de conspiração nas redes sociais.
Segundo esta análise, várias das publicações foram feitas em 2022, usando uma “retórica inflamatória”. Zacharia fez publicações sobre o “pizzagate”, uma teoria da conspiração, que surgiu em 2016, que supostamente ligava democratas a um esquema de tráfico sexual de crianças. Nesta teoria, a rede funcionaria a partir da cave de uma pizzaria em Washington.
Noutras ocasiões, por exemplo a propósito da estreia do filme Bones and All, sobre um casal de canibais, Zacharia escreveu na Truth Social que “os elitistas de esquerda radical de Hollywood são pedófilos canibais doentios”.
E, antes de chegar à administração Trump, Zacharia teceu críticas à atual administração — os tweets foram entretanto apagados. De acordo com a CNN, sugeriu medidas mais agressivas contra os imigrantes e também alertou para um potencial “banho de sangue” nas eleições intercalares.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]