Lojas

Quatro lojas novas: o design português está em alta em Lisboa e no Porto

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Em Lisboa, o Príncipe Real reforça o roteiro de compras com duas novas lojas, Beirut e Papua Market. Campo de Ourique dá as boas-vindas à Seis General Store. No Porto, a Earlymade está irreconhecível.

A Earlymade abriu em 2016, mas o conceito sofreu algumas afinações. Hoje tem uma cafetaria, um hotel e duas salas para residências artísticas. Saiba desta e de outras novidades do mundo das lojas.

Luís Ferraz

Beirut

Praça do Príncipe Real, 19, Lisboa. 91 971 3910. Todos os dias das 12h às 20h (sábado das 10h às 21h)

Um dedo é pouco, a nova concept store do Príncipe Real tem uma mão inteira da The Feeting Room, a loja portuense que, há um ano, rumou a Lisboa e abriu em pleno Chiado. Paredes meias com a nova sede da experimentadesign, a Beirut rodeou-se de peças especiais. “É um laboratório para experimentarmos marcas diferentes”, afirma Edgar Ferreira, um dos sócios. O projeto é temporário (fica de portas abertas até abril, no mínimo) e distancia-se da imagem de uma loja convencional, a começar pela entrada do palacete.

É aí que as boas práticas de bem receber entram em ação, quase como se nos tivessem a deixar a entrar na própria casa. Há café da The Royal Rawness e luz verde para explorar todos os cantos à nova Beirut. Fazer compras é mais uma consequência das voltinhas que vai dar lá dentro. Tudo está à venda, mas ninguém vai andar atrás de si a perguntar se precisa de ajuda. As lareiras acesas já estão prometidas, os sofás e cadeiras são tão confortáveis como parecem.

Nas estantes e cabides, as marcas portuguesas estão em maioria. Da moda à decoração, a seleção foi feita a pensar nas vibrações artísticas do Príncipe Real, mais do que propriamente nas vendas. Os destaques vão para as malas em pele da António, os vestidos da Juu e para as joias de João Pedro Oliveira. A maioria dos produtos não está à venda na The Feeting Room e foi especialmente escolhida para a loja temporária do Príncipe Real.

Do lado das etiquetas internacionais, a Beirut junta as peças de design da Utile, os chapéus Brixton e os acessórios da Monocle (não, não há só guias e revistas). O nome foi escolhido para piscar o olho ao proprietário do palacete, libanês claro. Quem sabe se, feitas as obras já anunciadas para o próximo ano, esta loja não regressa ao Príncipe Real, mas para ficar.

O chão de madeira e o pé-direito das salas do palacete falam por si: a Beirut foi pensada para que os clientes se sintam em casa © Divulgação

Papua Market

Rua da Escola Politécnica, 45 e 47, Lisboa. 21 342 0923. Todos os dias das 11h às 20h

São poucas as marcas estrangeiras na nova loja lisboeta. A ideia foi de Marta Santos, criadora da Papua, uma marca portuguesa de biquínis e fatos de banho que na hora de se mudar para o Príncipe Real não quis vir sozinha. Em plena época baixa para ir a banhos, a Papua não pensou duas vezes e convidou outros projetos nacionais a dividirem a loja. Vieram as famosas sardinhas em cerâmica da Bordallo Pinheiro, a marca Inspirações Portuguesas, que aplica padrões típicos da azulejaria a almofadas, tapetes e toalhas, as joias da Prata Concept, os óculos de madeira da Joplins e a recém-criada Embody, cuja especialidade não é muito difícil de adivinhar. Bodies, pois claro.

O surf é outra das costelas da loja. As ilustrações da Lizzy Artwork já nos deixam com aquele gostinho a maresia, mas são as pranchas da Wavegliders, produção nacional, que mais dão nas vistas. O principal objetivo da Papua Market é juntar num único espaço o que de melhor e mais original de faz em Portugal, mesmo que pelo meio haja uma ou outra mercadoria importada, como é o caso dos óculos e dos relógios da Komono.

O rol de marcas não vai ficar por aqui. Feitas as contas aos metros quadrados ainda disponíveis, há espaço para mais umas 20, embora a meia lotação sirva de pretexto para ocupar umas quantas paredes com as fotografias de Pedro Duarte Jorge. É que além da moda e da decoração, este mercado indoor ainda vai tendo espaço para arte.

A loja tem a curadoria da Papua e cada marca pode alugar um único expositor. Escusado será dizer que os produtos portugueses têm prioridade © João Seguro/Observador

Seis General Store

Rua Saraiva de Carvalho, 278, Lisboa. 96 929 3099. De segunda a sábado das 10h30 às 19h30

Negócio mais familiar do que este é difícil. Depois de abrir a Nossa, uma loja multimarca no Bairro Alto dedicada essencialmente à moda feminina, Teresa Braga convenceu os cinco irmãos a embarcarem numa nova aventura. Onde? Em Campo de Ourique, o bairro onde cresceram. A concorrência é mais do que muita, por isso só fazia sentido abrir uma loja com peças diferentes que não se encontrassem ao virar da esquina. “É a loja perfeita para encontrar presentes, para os outros e para nós próprios”, descreve Teresa.

A loja é pequena, bem iluminada e dá ares aos velhos gabinetes dos colecionadores. As escolhas resultam de muitas viagens e de um olho clínico (pelos vistos, de família) para encontrar peças especiais. Falamos das joias da Bagastra, vindas diretamente da Índia, dos cestos da The Basket Room, feitos por artesãs de Gana, Quénia, Tanzânia e Suazilândia, e das pequenas esculturas em latão trazidas do México. No meio de tanta viagem, continua a haver espaço para produtos portugueses. Teresa trouxe a própria marca, a Tema, mas também as cerâmicas do Laboratório d’Estórias e as clutches da Mad.B.

Mas a Seis é também uma loja perfumada, culpa dos sabonetes e difusores. Lothantique e Mas du Roseau são as marcas de cosmética para a casa que vai querer ver de perto e cheirar. Além dos ingredientes naturais, as embalagens e invólucros fazem lembrar a lida doméstica de outros tempos, com sabões tira-nódoas e fórmulas para branquear a roupa. Não experimentámos nenhum, mas que são bonitos são.

Joias da Índia, escultura mexicanas, sabonetes franceses e cestos africanos – apesar de pequena, a Seis é um diário de viagem © João Seguro/Observador

Earlymade

Rua do Rosário, 235, Porto. De quarta a sábado das 12h às 20h (de domingo a terça por marcação)

Não se pode dizer que a loja seja novinha a estrear, mas que levou uma bela volta, levou. Em 2016, os irmãos Emanuel e Patrícia de Sousa abriram a Earlymade num dos grandes centros criativos do Porto, o Bombarda Art Discrict, e com uma seleção criteriosa de moda masculina. O projeto foi crescendo e 2017 foi o ano em que a concept store se afirmou noutras áreas. Além da moda feminina e da decoração, os visitantes são convidados a provar o café da Vernazza Coffee Roasters, torrado à moda antiga, enquanto espreitam algumas das revistas mais cool do momento.

Nos expositores, as marcas de produção nacional têm prioridade, critério que também dá lugar a algumas etiquetas estrangeiras. Maison Kitsuné, Homecore e Les Expatriés são três marcas de culto que atualmente fabricam em Portugal e atrás destas há outras a caminho. É o caso da YMC, da Folk Clothing, da Stutternheim e dos sapatos de Armando Cabral. Estão a apostar cada vez mais na indústria portuguesa e isso chamou a atenção da Earlymade, que já agora deve o seu nome a uma tradução literal de Cedofeita para inglês.

De estilo minimal e com uma aposta na qualidade dos materiais, a concept store da Rua do Rosário vai muito além das compras. Emanuel e Patrícia abriram o Rosa Et Al Townhouse, um pequeno hotel onde as preocupações com o design são redobradas e as seis suites partilham do mesmo ambiente da loja e da cafetaria. O pacote fica completo com dois espaços destinados a receber residências artísticas. A White Box e a Black Box recebem os primeiros inquilinos já em janeiro, depois de uma open call lançada à cidade. A primeira é um atelier com máquinas de costura semi-industriais, o recreio perfeito para desenvolver projetos na área têxtil. A segunda, voltada para artistas nacionais e internacionais a residir no Porto.

A Earlymade é uma loja diferente de todas as outras, a começar pela montra. A maioria das marcas não é portuguesa, mas produz em fábricas nacionais © Luís Ferraz

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