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Sexta-feira, 9:02.
A DECO Proteste insiste que o governo devia avançar para o IVA zero nos combustíveis e no cabaz alimentar para fazer face ao aumento dos preços.
Luís Montenegro já afastou essa proposta, é defendida pela oposição. Considera que este tipo de medidas pode prejudicar as contas públicas a longo prazo. Em declarações à Rádio Observador, o porta-voz da DECO Proteste, Nuno Figueiredo, defende, ainda assim, que as propostas podem ter impacto positivo, desde que haja fiscalização e controle.
O IVA zero teria, eventualmente, um impacto na carteira dos consumidores se a essa medida fosse associada uma fiscalização e um controle sobre os preços, através das autoridades competentes, sobre os preços que se praticam. Ou seja, para um consumidor, usufruir do IVA zero é benéfico, mas semanalmente os preços a subir, quase de forma descontrolada e muitas das vezes sem uma explicação aparente, faz com que não se note na carteira a ausência deste imposto.
O porta-voz da DECO Proteste alerta ainda que tudo indica que o preço do cabaz alimentar vá continuar a subir.
O valor do cabaz alimentar em concreto, muitas das vezes sobe sem uma razão aparente. Sobe ou porque aumentaram-se combustíveis, ou porque houve um mau tempo que afetou campos agrícolas, ou sobe porque existe a escassez de matéria-prima. O cabaz é muito difícil fazer uma estimativa em relação ao que pode vir a acontecer, por uma razão muito simples: porque temos tido, praticamente, desde que começou o ano 2026, apenas e só uma tendência de subida de preços.
O cabaz alimentar, composto por 63 bens essenciais, monitorizado pela DECO Proteste, subiu pela terceira semana consecutiva, está agora próximo dos €260.
O Parlamento discute esta manhã o aumento do custo de vida num debate de urgência pedido pelo Partido Socialista. Está marcado para daqui a uma hora, para as 10h, e deve ficar marcado pelas medidas anunciadas ontem pelo primeiro-ministro.
O aumento do desconto no ISP na próxima semana, o alargamento do passe ferroviário verde e apoios a setores mais expostos ao aumento de combustíveis. O primeiro-ministro defende assim a política de contas certas e rejeita aquilo que descreve como leilão de medidas avulsas, numa comunicação ao país, a partir de São Bento. Lembrou José Sócrates para rejeitar um regresso ao passado.
Lançar, neste momento, o país num leilão de medidas avulsas e descoordenadas, é abrir a porta a um tempo que não vamos deixar voltar a Portugal. Não troco mais cêntimos de desconto do ISP por mais impostos, por mais déficit, por mais dívida que teríamos de pagar no futuro. Não troco a passagem do IVA de alguns alimentos de 6% para zero, pelos 800 milhões de euros que estamos a devolver às famílias em sede do IRS e no suplemento das pensões.
Luís Montenegro na comunicação ao país. Ontem à noite, depois da reunião longa de Conselho de Ministros, o chefe do governo explicou também as descidas das taxas do IRS e o bônus para os pensionistas, que já tinham sido anunciados e que foram, entretanto, aprovados na reunião de Conselho de Ministros.
E vamos a mais reações. O secretário-geral do PS acusa o governo de falhar, mais uma vez, aos trabalhadores. José Luís Carneiro considera que Luís Montenegro não trouxe nada de novo.
Em entrevista ao "Now", o líder socialista fala em medidas insuficientes para travar o aumento de preços e diz que ficou desiludido com a comunicação do primeiro-ministro.
O doutor Luís Montenegro falhou mais uma vez a dois milhões de trabalhadores. Há dois milhões de trabalhadores que têm filhos, têm crianças, têm adolescentes, têm jovens e que estão fora destas medidas do IRS. Por quê? Porque já não têm rendimentos sequer para pagar IRS. O que significa que as medidas que hoje anunciou, eu devo dizer que tive a expectativa, não apenas porque hoje de manhã também sugeri, propus, recomendei ao governo, que estava reunido em Conselho de Ministros, que pudesse adotar medidas dessa natureza. E pensei que ao querer comunicar às 20h ao país, que pudesse trazer, de facto, medidas novas, mas fundamentalmente, falou para nada dizer.
José Luís Carneiro rejeita também entrar em euforias depois do Partido Socialista ficar bem colocado nas sondagens. Volta a afastar uma crise política e deixa também uma garantia: não vai haver eleições em breve, a bem da estabilidade.
E Carla, continuamos a falar de sondagens, porque o PSD está em queda. A crescente insatisfação com o rumo de Portugal está a moldar as intenções de voto e os portugueses veem agora Luís Montenegro com mais desgaste.
Esta é a principal conclusão de um estudo do Observador feito com base em mais de mil sondagens entre 1979 e 2026. Só este ano, Montenegro ficou em terceiro lugar em sete estudos de opinião. É um cenário inédito para um primeiro-ministro em funções. Na análise, o editor-adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, fala num desgaste normal para um chefe de governo em funções há 30 meses.
Há um primeiro momento em que o líder do partido mais votado inicia funções como primeiro-ministro, tem algum tempo, nós lhe chamaríamos estado de graça, mas de alguma estabilidade em relação ao socorro eleitoral. Depois, sofre um desgaste natural enquanto líder do governo, é o tal U, é a ponta inferior do U, e depois começa a subir paulatinamente até ao momento da eleição.
Miguel Santos Carrapatoso, na história do dia de hoje, a descida de Luís Montenegro nas intenções de voto é superada apenas pelos governos de Passos Coelho e pela dupla Durão Barroso, Santana Lopes. Este estudo do Observador foi feito em colaboração com Ricardo Reis, economista e antigo diretor do Centro de Sondagens da Universidade Católica.
É um tema que pode ler com mais detalhe no artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. São 9:08, já segue o explicador. Debatemos as medidas do governo com Rui Afonso do Chega, António Mendonça Mendes do PS e Paulo Núncio do CDS. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas no ataque da Rússia a Kiev. Entre os feridos, há três crianças. São dados avançados pelas autoridades da Ucrânia, no dia em que começa a votação para as eleições legislativas na Rússia. Esta votação decorre durante três dias, até domingo. Portanto, uma oposição limitada pelas autoridades. No Médio Oriente, Israel lançou ataques contra a Cisjordânia ocupada durante a madrugada. Há também registro de ataques no sul do Líbano. A Al Jazeera dá conta de várias explosões ouvidas nas últimas horas. Não há, para já, informação oficial de possíveis vítimas.