Sporting

William foi embora e o leão empatou

Em 66 minutos, viram-se coisas boas. O Sporting jogou, Carrillo marcou, deu nas vistas e a equipa estava segura. Depois, William foi expulso. E a Académica cresceu e empatou (1-1).

Autor
  • Diogo Pombo

Grande e corpanzudo. Alto, a favor. A bola, de preferência, chuta-a com o pé esquerdo. É defesa central. O tom de pele é escuro. Escrita assim, a moldura encaixaria bem no retrato de Marcos Rojo. Mas não. A descrição serve para outro. Chama-se Mouhamadou-Naby Sarr, é francês, tem 21 anos e foi o único nome com novidade atrelada entre os onze homens que se vestiram de verde e branco em Coimbra.

De resto, tudo caras conhecidas. Sim, o novo Sporting começou também velho. Sábio em amizades, em jogadores que se conhecem e sabem as manias alheias. Quem ganhou com isto? As alas. Foi na relva mais encostada às linhas que a bola andou, rolou e saltitou, na primeira parte. Aí estavam as relações que Marco Silva, o treinador (e a outra cara nova) terá feito questão de fomentar.

Jefferson e Heldon. Cédric e Carrillo. À esquerda e à direita, dois duetos nos quais os leões confiavam e punham a bola a dançar. E ela obedecia. Fosse com tabelas, com corridas do lateral desde trás ou com um dos médios a mandar o extremo correr, o perigo, na primeira parte, veio dali. Ao primeiro minuto, Carrillo serpenteou entre inimigos. Aos 4’, rematava para a bancada. Aos 9’, Jefferson imitava-o. Até que aos 15’ se lembrou de cruzar.

Na esquerda, o brasileiro enviou uma bola para a área. Ofori, defesa da Académica, reparou que ela vinha direitinha a si. Confiou que nada se passaria. Mal. Carrillo correu, colocou-se à frente do adversário e cabeceou a bola para a baliza. 1-0 e o peruano a ser decisivo. Aqui estava outra novidade. E Carrillo reforçou-a: até ao intervalo, sempre que o quis, ultrapassou o adversário que lhe tentava roubar a bola.

Aos 18’, logo após o golo, Heldon também quase o conseguia ser, mas Cristiano defendeu o remate que disparou já dentro da área, depois de Adrien lhe passar a bola. Os da casa só acordariam quando a bola já rolava há mais de meia hora. Por coincidência, quando acordou Rui Pedro. O português, que andou três anos refugiado na Roménia, no Cluj, começou a pedir a bola. E a tê-la. A Académica melhorou e, aos 34’, seria ele a gritar ‘penálti!’, quando a bola tocou no braço de Jefferson, após o tentar fintar.

Quando o jogo cruzava a fronteira do intervalo, Rui Pedro lá viu o árbitro a dar-lhe razão: aos 45’, ao tentar fintar William Carvalho, foi derrubado. Caiu, ouviu-se um apito e viu-se um amarelo a ser mostrado ao médio do Sporting. Seria bom. Mas já lá vamos. O 1-0 manter-se-ia até à segunda parte, e os estudantes precisavam de estudar melhor a lição dada por Paulo Sérgio. Mesmo tendo um desconto — afinal, além do treinador, eram sete os homens na equipa inicial que, na época passada, andavam longe de Coimbra.

E, durante muito tempo, a Académica continuou afastada da baliza dos leões. “Entrámos um bocadinho tímidos”, diria até Rafael Lopes, após o jogo. Notou-se. Na segunda parte, embora mais lento, o Sporting fazia o que queria. Aos 52’, Montero recebeu na esquerda um passe longo de William, esperou que a corrida de Adrien chegasse ali perto, deu-lhe a bola, e o português soltou uma bomba para Cristiano defender. Com 64 minutos, Capel cruzou, Carrillo rematou e só faltou o golo, mas a bola bateu em Fredy Montero.

Depois, veio o pior. Rui Pedro voltou a aparecer, pediu a bola, alguém a meteu nos seus pés e William voltou a não gostar. O médio derrubou-o, o português caiu de novo e o árbitro encerrou o fechou o mesmo filme — voltou a ir buscar o amarelo, depois o vermelho, e William já ia a caminho do balneário. Agora sim, a Académica acordava. E o Sporting encolhia-se.

Aos 81’, tão refugiado estava na área, que um ressalto meteu a bola a jeito do pé esquerdo de Magique. Dali saiu bomba, que não deu golo porque Rui Patrício lhe deu uma patada e a desviou para canto. Os leões lá se iam aguentando. Perto da outra baliza, o depósito de Carrillo ainda tinha uma reserva, e o combustível quase bastou para o 2-0: encostado à linha, o peruano deu de calcalhar para Rosell, que cruzou rasteiro para a área, onde outro calcanhar, o de Montero, rematou a bola que Cristiano conseguiu defender.

Não mais se viram homens de verde e branco a atacarem. A partir daí, foi só defender. Mas não chegou. Já para lá dos 90’, apareceu o 1-1. Em parte, graças a um pinheiro. Dos tais que Paulo Sérgio gosta, ou gostava, como, em 2010, o frisou quando ainda estava no Sporting. “Falta um pinheiro de 1,90 m, que lhe possamos acertar com a bola na cabeça e ela vá para dentro da baliza”, dizia, na altura.

Hoje, tinha os 1,92 m de Shumacher, avançado brasileiro que, após Carrillo e Paulo Oliveira teimarem em não acertar na bola, a recebe no pé direito, tocou-a para trás e deu a Rafael Lopes o remate que empataria o encontro — marcado por um dos poucos homens que, na época passada, estava na Académica. Um pinheiro e uma cara conhecida, aqui esteve a fórmula para empatar o Sporting no arranque do campeonato. Quem diria? Do lado dos leões, talvez ninguém. Mas terão que o dizer agora, quando já estão a dois pontos do FC Porto e à espera do que o Benfica fará no domingo.

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