A “Ode Marítima” de Álvaro de Campos, com Diogo Infante, volta ao palco do Teatro S. Luiz em Lisboa, onde estreou em março passado, e depois de uma digressão em que foi visto por mais de 8.000 espetadores.

Em declarações à Lusa, Diogo Infante afirmou que a “Ode Marítima”, poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, foi o trabalho mais difícil que já fez. O processo de adaptação da “Ode Marítima” ao palco “foi horrível, basicamente”, uma vez que tudo se iniciou com uma leitura do poema, em Coimbra, com “meia dúzia de sessões” de preparação, o que reconheceu ser “muito pouco” para a obra. A “Ode Marítima”, por Diogo Infante, tem participação de João Gil, na guitarra, direção cénica de Natália Luiza, que já o dirigiu em “Preocupo-me, logo existo!”, de Eric Bogosian.

Falando sobre o espetáculo, Infante afirmou: “A primeira vez que disse o texto foi numa leitura e a sensação que tive foi de que não sabia bem o que é que estava a dizer. Trabalhámos sobre o texto meia dúzia de sessões, mas foi muito pouco. O que fiz naquela noite foi uma espécie de um vómito. Comecei a dizer, entrei num túnel e quando cheguei ao fim não sabia o que é que tinha acontecido”. Diogo Infante revelou nunca ter tido uma relação próxima com a obra de Fernando Pessoa. “Não sou estranho a monólogos, mas sou estranho a este poema, com esta extensão. É toda a sua complexidade e é o grau de disponibilidade que isso pressupõe em mim, para conseguir servir de plataforma a um texto que é muito maior do que eu, que me vai sobreviver, vai muito além de mim. Sinto-me sempre muito submisso e muito a venerar um pouco o texto mas, ao mesmo tempo, a querer desrespeitá-lo”, afirmou.

O ator, que protagonizará “Cyrano de Bergerac” de Edmond Rostand no Teatro Nacional D. Maria II em Lisboa, em janeiro próximo, assegurou que o facto de se ter debruçado sobre um poema como “Ode Marítima”, sendo ele alguém que “sempre resistiu a dizer poesia”, gerou novos desafios.

A “Ode Marítima” estreou em março no S. Luiz, e foi já vista por 8.885 pessoas desde a sua estreia, em março no S. Luiz, onde se apresentou em 10 sessões, às quais assistiram 3.300 pessoas, depois apresentou-se no Nacional S. João, no Porto, onde foi aplaudida por 3.248 espetadores em nove sessões. Diogo Infante subiu ainda aos palcos do Centro de Sever do Vouga, onde se registaram 148 espetadores, ao da Casa das Artes de Vila Nova Famalicão, em duas sessões, com 671 espetadores, e ao do Teatro Lethes, em Faro, com 460 pessoas, em duas sessões. A digressão nacional passou ainda pelo Teatro Micaelense, em ponta Delgada, onde foi aplaudido por 557 pessoas, e em Almada, no Teatro Municipal Joaquim Benite onde teve uma assistência de 501 pessoas.