Conhecido sobretudo pelos cartazes que desenhou para o Moulin Rouge, Henri de Toulouse-Lautrec foi muito mais do que um designer. Os retratos que pintou, reproduzidos em centenas de souvernirs ao longo de Montmatre, o bairro onde viveu grande parte da vida, tornam Lautrec — apesar de muitas vezes esquecido — um dos mais importantes artistas franceses da Belle Epoque e um dos mais relevantes pintores do período pós-impressionista.

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“Doodle” de comemoração do 150º aniversário de Toulouse-Lautrec

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa nasceu a 24 de novembro 1864 em Albi, na zona sul dos Pirenéus, no seio de uma família aristocrática descendente dos condes de Toulouse. Os pais eram primos direitos e Toulouse-Lautrec sofria de uma série de doenças congénitas, atribuídas a uma longa tradição de casamentos entre membros da mesma família. Aos 13 anos, fraturou os ossos da anca, mas estes nunca chegaram a sarar. Como consequência, as pernas deixaram de crescer. À medida que foi crescendo, Toulouse-Lautrec desenvolveu a parte superior do corpo, mas as pernas permaneceram do mesmo tamanho das de uma criança de 13 anos. Nunca chegou a ultrapassar o 1,54 metros de altura.

Devido à sua condição física, não pôde participar na maioria das atividades realizadas por jovens da sua idade. Isolado, começou a dedicar-se à arte. Uma vez em Paris, mudou-se para o bairro de Montmartre, onde começou por estudar pintura com o pintor Léon Bonnat. O bairro parisiense, sobretudo conhecido pelo estilo boémio e por ser um íman para artistas, escritores e filósofos, tornou-se na sua casa. Aí viveu durante cerca de 20 anos, durante os quais raramente abandonou as ruas de Montmartre.

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Quando o cabaret Moulin Rouge abriu as portas, Toulouse-Lautrec foi contratado para produzir uma série de cartazes para publicitar o local. A partir daí, tornou-se num frequentador assíduo e o cabaret tinha sempre um lugar reservado para ele. Muitos dos seus quadros têm como tema as noites loucas do Moulin Rouge e retratam algumas das personagens mais conhecidas da noite parisiense: a cantora Yvette Guilbert, a dançarina Louise Weber, criadora do can-can francês e conhecida pela alcunha “La Goulue” (“A Glutona”), e Jane Avril, outra dançarina.

Toulouse Lautrec passou grande parte da vida em bordéis. Companheiro habitual de prostitutas, chegou mesmo a mudar-se para um bordel. A relação íntima que tinham com muitas destas prostitutas transparece nas suas obras. Personagens principais de muitos dos seus trabalhos, retratou-as a conversar, na cama ou simplesmente solitárias. Os quadros que pintou são um retrato escandaloso — mas verdadeiro — de uma Paris a que nem todos tinham acesso. Uma das suas modelos favoritas era Rosa la Rouge, uma prostituta de cabelos ruivos que surgem em muitos dos seus quadros e de quem alegadamente contraiu sífilis.

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Alcoólico durante grande parte da sua vida, Toulouse Lautrec foi colocado num sanatório pouco tempo antes da sua morte. Vítima de complicações relacionadas com o alcoolismo e com a sífilis, morreu na casa de família em Malrome a 9 de setembro de 1901, poucos meses antes de completar o 37º aniversário. Conta-se que antes de morrer terá dito “Le vieux con!” (“Velho parvo!”). Foi enterrado em Verdelais, na Gironda, a poucos quilómetros do local da sua morte.