A indústria portuguesa devia apostar mais nos jovens cientistas, defendeu a doutoranda Joana Branco dos Santos, que participou na equipa vencedora de uma competição nacional britânica de empreendedorismo para investigadores de ciências biotecnológicas. A equipa, formada por mais três colegas britânicos e uma nepalesa, idealizou a produção natural de grãos de café sem cafeína, o que substituiria o processo de descafeinação.

“Criámos uma empresa fictícia, mas com um plano de negócios real e um estudo de mercado”, contou à agência Lusa. A competição, intitulada Biotechnology Young Entrepreneurs Scheme (YES), foi coorganizada pela Universidade de Nottingham, o Conselho de Investigação de Biotecnologia e Ciências Biológicas (BBSRC na sigla inglesa) e o Conselho de Investigação do Ambiente Natural (NERC). Em paralelo, decorreu outra direcionada às ciências ambientais.

Ao longo das competições, as equipas receberam conselhos e ajuda de mentores e oradores convidados sobre temas como propriedade intelectual, planeamento financeiro e marketing para desenvolver as capacidades dos participantes em empreendedorismo, negócios e comercialização. Após as eliminatórias regionais, as respetivas equipas vencedoras disputaram uma final na terça-feira em Londres perante um júri de peritos onde tiveram de apresentar o projeto e responder a perguntas.

O objetivo é promover cientistas em início da carreira a desenvolver capacidades e aprender a planear o seu trabalho de investigação para fins comerciais, explicou Joana Santos. “No Reino Unido, só um por cento dos estudantes de doutoramento chegam ao topo da carreira, por isso estão a tentar atrair mais jovens cientistas para a indústria”, revelou a jovem investigadora, que lamentou que Portugal não tenha iniciativas semelhantes.

“É urgente consciencializar não apenas as instituições e empresas empregadoras em Portugal, mas também é necessário que supervisores incentivem os seus alunos de doutoramento a serem mais criativos e empreendedores e traduzirem o trabalho que fazem em laboratório para o mundo real” acrescentou.

A cientista de 27 anos está atualmente no segundo ano de um doutoramento sobre doenças neurodegenerativas dividido entre a universidade de Leicester e a Faculdade de Medicina de Lisboa e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Além de um prémio monetário de 2.500 libras (cerca de 3.200 euros), a equipa terá a oportunidade de participar em eventos com profissionais do setor e de viajar para os EUA para apresentar o projeto numa competição semelhante. “A ideia é difícil de concretizar, mas estamos a pensar continuar a reunir-nos. O que nos disseram é que a indústria investe em pessoas e não em ideias e nós tivemos uma boa química”, enfatizou.