Paddy Cosgrave não abre o jogo sobre o futuro da Web Summit em Portugal após o fim do contrato, assinado em 2018 para a realização de dez edições da cimeira tecnológica em Lisboa.
Em conferência de imprensa esta quinta-feira, a poucos dias do arranque do evento, o CEO da Web Summit diz que considera “Lisboa uma segunda casa” e que “há boas conversas” sobre o assunto. “Mas é um processo em curso, não posso entrar em detalhes”. Por outro lado, reconhece que “há outras cidades na Europa”, sublinhando que “muitas delas vão estar presentes” na edição deste ano.
“Ainda é 2026, 2029 ainda está muito longe”, acrescenta. “Mas o processo vai desenrolar-se quando for a altura de falar sobre isso”.
Na edição do ano passado, Cosgrave dedicou uma parte da cerimónia de abertura e até um palco à China, descrevendo uma Europa “condenada”.
Perante uma Europa “condenada”, a Web Summit rende-se à China para onde tem viagem marcada em 2027
Este ano, a presença da China, tanto a nível de oradores como de sessões, só cresceu. Cosgrave refere que “será um dos grandes temas da cerimónia de abertura”, mas sem “revelar mais detalhes”. “A ascensão da China, em particular na inteligência artificial e na robótica, é esmagadora. Somos a janela para o futuro e tudo o que estamos a fazer é a refletir o futuro da tecnologia, que não é norte-americana”, afirma.
Noutras ocasiões, Paddy Cosgrave admitiu a possibilidade de uma Web Summit China. Questionado sobre o tema, também evita detalhes. Mas refere que esteve na China “em setembro, com muito boas ofertas”. “Vi excelentes locais para eventos. Podemos levar as tecnológicas ocidentais até à China, mas não sei se alguma dessas empresas será interessante — porque já não estão no pelotão da frente da tecnologia. É esta a realidade.”
If you understand the direction of technology, you’ll understand why Web Summit’s speaker line up is unmatched anywhere in the western world.
There’s nothing even close.
Chinese companies are either leading in and/or disrupting robotics, AI, cars, energy, quantum – almost every… pic.twitter.com/ToJHTWxyLg
— Paddy Cosgrave (@paddycosgrave) October 30, 2026
Na edição deste ano, Cosgrave espera “70 mil participantes”, admitindo que “haverá novamente lotação esgotada”. Explica que o perfil dos participantes “está a mudar”: há uma maior presença “da Europa de Leste, enquanto França e Alemanha continuam a cair”. “Acho que isso não é surpresa”, diz.
Web Summit dá 250 milhões de euros à economia portuguesa, diz estudo
Ainda antes de responder às perguntas dos jornalistas, Cosgrave apresentou um estudo, feito pela consultora EY, que concluiu que a cimeira “tem um impacto económico de 250 milhões de euros por ano” através de “gastos diretos, melhoria da criação de emprego e da subida de salários”.
Nos dez anos de presença do evento em Portugal, a consultora estima um impacto total de 2.492.000.000 euros.
Cosgrave considera que “as consequências indiretas” de ter a Web Summit em Portugal “são, em grande medida, imensuráveis”. “É muito difícil estabelecer uma ligação direta entre um CEO de uma tecnológica que vem para Lisboa, decide abrir um escritório aqui, comprar uma casa e atrair muita gente altamente qualificada. Isto acontece várias vezes — mas quanto é atribuível à Web Summit? Acho que nunca vamos saber.”
A Web Summit 2026 arranca em Lisboa na próxima semana, entre 9 e 12 de novembro. São esperadas 70 mil pessoas ao longo dos quatro dias.