Uma festa, o prato feito para o jantar, os ténis calçados, uma frase na parede, o gato. São muitos os momentos captados com os smartphones que se partilham nas redes sociais, sobretudo no Instagram. É já uma rotina e os utilizadores não dispensam dar conta do frenesim de pormenores que captam a quem os segue, à procura de “gostos” e comentários. Mas agora é possível ganhar mais do que “likes’ — é possível ganhar dinheiro.

“Descubra. Seja descoberto. Deixe o mundo ver o seu mundo, através dos seus olhos”, é o desafio lançado pela Scoopshot, uma ideia que surgiu na Finlândia quando Petri Rahja, um dos fundadores, viu um documentário sobre paparazzis. No filme, fotógrafos profissionais telefonavam para vários contactos tentando vender fotografias. Depois, seguia-se o envio por e-mail. Petri pensou que, com a tecnologia existente hoje em dia, deveria existir uma forma mais eficaz. Foi a partir daqui que nasceu o conceito de vender e comprar fotografias através de um processo que requer apenas alguns cliques.

A aplicação, que é gratuita e está disponível para os sistemas IOS e Android, funciona como um banco de imagens colaborativo, permitindo que mesmo quem não seja fotógrafo profissional possa dar a conhecer as suas melhores fotografias. Todos podem participar, desde os mais especialistas no enquadramento, nas cores, na profundidade ou na luz, aos menos conhecedores.

Para isso, basta descarregar a aplicação, escolher que fotografias ou vídeos (ainda que com menor manifestação) podem ser colocadas à venda, e submetê-los aos concursos diários. As categorias variam. Há temas como #selfiesundays, #cake, #friends, #fun, #streetphotography, #catstagram, e outros tantos que apelam à originalidade dos fotógrafos caseiros. Ao longo do dia, os participantes podem ver as imagens publicadas e votar nelas (embora os votos não tenham relação direta com as fotografias que são vendidas).

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Testámos a aplicação e o aspeto das categorias é este

Rafael Abner é fotógrafo amador e tem como objetivo trabalhar profissionalmente na área. Descobriu o Scoopshot há três meses e, nesta altura, já publicou cerca de 100 fotografias, tendo vendido três delas. Para ele, esta é uma aplicação “fácil [de compreender] e que abre portas para a criatividade na hora de fotografar, porque apresenta os temas e os trabalhos”. Para além disso, reforça: “é divertida e é uma boa oportunidade para ganhar dinheiro. Futuramente, quem sabe, talvez este seja um negócio que possa vir a expandir-se.”

Nesta altura participam 600 mil fotógrafos de cerca de 200 países, e em média 64 mil fotografias são submetidas por mês. Na rede, à espera de serem surpreendidos, estão marcas, agências, editores, publicitários e bloggers. O trabalho pode ser comprado se captar o interesse de algum destes profissionais, sendo que o preço é definido pelo autor da fotografia. Os valores por fotografia variam entre os quatro e os 50 dólares, ou seja, aproximadamente 3,50 e 44 euros.

“Enquanto muitos dos nossos utilizadores amealharam entre 10 a 20 euros, um deles alcançou cerca de 17 mil. É dinamarquês e vendeu mais de 10 mil imagens a uma empresa”, contou ao Observador Charlotte Platzer, representante da empresa, avançando que a imagem mais bem paga na aplicação chegou aos 250 euros.

“O nosso objetivo é oferecer um serviço global para os compradores de fotografias. Pretendemos que tenham acesso a conteúdo relevante e original a um custo reduzido, ao criar um ambiente onde os fotógrafos podem ganhar reconhecimento pelas fotografias amadoras que tiram. Até agora, mais de 70 empresas e órgãos de comunicação social de renome estão a usar a plataforma, como por exemplo o USA Today ou a Fiat”, diz Charlotte.

Quem pretende comprar as fotografias tem acesso à data em que foram tiradas, onde, com que câmara ou telefone e qual o tamanho. A maior parte dos conteúdos comprados é para fins publicitários.

O editor executivo do jornal Metro da Holanda, Robert van Brandwijk, é um dos utilizadores assíduos da aplicação. Enquanto comprador, explica na página oficial da Scoopshot porque a utiliza: “o meu objetivo é ter 50% das nossas fotografias vindas do Scoopshot. Pretendemos afastar-nos das grandes agências noticiosas que vendem as mesmas imagens genéricas. As câmaras dos smartphones estão a tornar-se cada vez melhores. Queremos ser diferentes.”