O líder do PS Madeira, Vítor Freitas, admitiu esta quinta-feira em entrevista à Antena 1 que chegou a propor ao presidente do CDS da região, José Manuel Rodrigues, uma coligação para as eleições antecipadas, de 29 de março. Mas só com uma condição: só aceitava pensarra coligação com os centristas e a “solução de pôr um independente candidato ao Governo Regional” se José Manuel Rodrigues aceitasse juntar-se ao PS na Câmara do Funchal, para dar maioria à autarquia. O CDS, no entanto, não aceitou o repto socialista.

“Na altura fiz uma contraproposta, que não tornei pública, torno agora, bastante simples: já temos um presidente eleito [Paulo Cafôfo] mas não temos maioria. E José Manuel Rodrigues não estando na coligação, está na Câmara. Portanto devia-se dar primeiro o primeiro passo de nos aliarmos no Funchal para dar uma maioria robusta na Câmara, e depois estaríamos então disponíveis para conversar sobre a solução de um independente candidato ao Governo regional”, disse Vítor Freitas à Antena 1, reforçando que “primeiro teria de se resolver a questão do Funchal”.

A ideia era que José Manuel Rodrigues, enquanto vereador da Câmara, desse à coligação (PS e BE) que lidera a autarquia do Funchal a maioria de que precisa. Só depois desse acordo é que o PS se mostrava disponível para uma uma coligação mais ampla com os centristas para as eleições de março.

Terá sido depois de o CDS, que é atualmente a segunda força política na Madeira, ter recusado esta proposta de acordo que o PS de Vítor Freitas se voltou para a coligação “Mudança”, composta pelo PTP de José Manuel Coelho, o MPT e o PAN. Uma coligação que, diz, representa de facto o povo da Madeira, muito devido à presença do polémico deputado José Manuel Coelho.

Certo é que as eleições regionais da Madeira estão a ser vistas como uma primeira fase deste ano eleitoral, que pode de alguma forma mexer com a campanha dos partidos no continente. PSD e CDS, recorde-se, estão a concorrer em separado na ilha, mas paralelamente as direções dos dois partidos dão indícios cada vez mais claros de que se vão apresentar coligados nas eleições nacionais de finais de setembro ou inícios de outubro.

Em entrevista à Antena 1, Vítor Freitas descartou, no entanto, a possibilidade de Coelho vir a fazer parte de um eventual novo Governo regional saído das eleições, afirmando que o próprio não quer ser governante, e prefere “continuar a ser deputado”.

O socialista deixou ainda duras críticas aos vários presidentes da República, incluindo Mário Soares e Jorge Sampaio, por terem “tratado mal a Madeira”. A crítica maior foi, no entanto, para Cavaco Silva, que Vítor Freitas diz não ter “estado à altura” quando optou por receber o PS Madeira num hotel durante uma das suas deslocações oficiais à ilha.