A Direção-Geral do Património Cultural informou que as gravuras até agora analisadas, atribuídas a Rembrandt e que estiveram expostas no Museu da Fundação Dionísio Pinheiro, em Águeda, não são originais.

“Algumas das gravuras foram enviadas e analisadas por especialistas do Laboratório José de Figueiredo. Após o processo de análise verificou-se que não se tratavam de originais”, esclareceu à Lusa fonte da DGPC.

Segundo a mesma fonte, “os resultados desses exames e análises já foram comunicados à Fundação Dionísio Pinheiro”.

A avaliação sobre a autenticidade das peças existentes na Fundação Dionísio Pinheiro foi pedida em junho de 2014 pelo secretário de Estado da Cultura à Direção-Geral do Património Cultural, devido à polémica gerada pela exposição temporária de 14 gravuras, de uma coleção de quase 300, apresentadas como sendo do conhecido pintor, algumas das quais com o carimbo da Biblioteca Nacional de Paris.

Vários especialistas, entre eles Maria José Goulão, professora de História de Arte na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e Madalena Cardoso da Costa, que foi conservadora da Fundação, pronunciaram-se no sentido de que são meras reproduções.

A coleção de gravuras de Águeda pertenceu ao Conde do Ameal e em 1921, essas gravuras foram adquiridas no “Leilão do Ameal”, apresentadas como “gravuras de Rembrandt” e figuraram em 1948, durante o Estado Novo, no catálogo da “Grande Exposição da Gravuras Antigas dos Famosos Mestres dos séculos XV, XVI, XVII e XVIII”, organizada em Alcântara, pelo então Serviço Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo.

Dionísio Pinheiro, um empresário natural de Águeda que “fez fortuna” e morreu sem descendentes, deixou em testamento, entre outros bens, a coleção de arte que de que as polémicas gravuras faziam parte, com a obrigação de ser feita uma fundação com o seu nome, onde as obras fossem expostas.