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Três horas. As notícias com Teresa Freire.

Boa noite. Começamos com os protestos contra a crise da habitação. Pela terceira noite consecutiva, os manifestantes mantêm-se na Praça do Rossio, apesar dos apelos das forças de segurança. A partir da meia-noite e meia, os protestos são considerados ilegais, sendo que a essa hora a PSP pediu que os manifestantes desmobilizassem, mas Rita Lourenço, agora em direto a partir da Praça do Rossio, ninguém arredou pé.

É verdade, Teresa, não só ninguém arredou pé, como uma porta-voz da organização da acampada estima que estejam cerca de mais 50 tendas do que estavam na noite passada. Quer seja pelo frio ou pelas altas horas da noite, a maior parte das pessoas já estão efetivamente dentro das tendas a descansar. Ainda se encontram algumas dezenas de pessoas do lado de fora. A organização recebeu ao longo do dia e da noite vários donativos. Existem bancas disponíveis para os manifestantes, junto à base da estátua de Dom Pedro IV, no centro da Praça do Rossio. Essas bancas têm entre água, sucos, comida, cabazes de fruta, que foram entregues também por voluntários, doações, produtos de higiene, nomeadamente produtos de higiene feminina. E existem também outras bancas com livros, roupa, panfletos também de propaganda e de informações da acampada. E também até listas de contactos de pessoas que disponibilizam a casa de banho aos manifestantes. Podem contactar essas pessoas através do telefone pra poder usar a casa de banho das casas à volta. Ainda se encontra algumas pessoas na rua, porém, a polícia desmobilizou há cerca de uma hora, uma hora e meia aqui do local e, pelo menos por enquanto, ainda não voltou, Teresa.

A repórter do Observador, Rita Lourenço, em direto da Praça do Rossio, onde os manifestantes pernoitam pela terceira noite consecutiva. No Porto, o cenário é parecido. Dezenas de pessoas acampam na Praça Dom João I, onde o ambiente se tem mantido também calmo e sem sinais de forças de segurança por perto. O ministro da Administração Interna garante que a PSP não se vai ceder perante os manifestantes. Luís Neves diz que são essas as instruções da própria lei e lamenta que já tenham havido feridos durante os protestos. O ministro diz que o direito à manifestação é respeitado por todos, mas avisa que as formas de protesto não podem violar a lei.

Nós todos temos que ter bem certo que a lei é pra cumprir, a firmeza da ação tem que ser tida e, por isso, é evidente que ninguém fica satisfeito, nem as forças de segurança, de haver pessoas que tenham ficado feridas, que foi o que sucedeu. Mas por isso, esse trabalho está a ser feito. As forças de segurança, conforme ontem assistimos, quer no Porto, quer em Lisboa, falaram com os representantes dos manifestantes, comunicando aquilo que é a necessidade de se fazer cumprir a lei.

Ao final da tarde, o ministro garantiu que a organização já foi informada de que a polícia poderá agir para terminar com a ocupação definitiva do espaço público.

Tem havido contemporização relativamente a esse tipo de manifestação, mas há de chegar uma altura em que o espaço terá que ser retornado à liberdade de todos. É isso que está aqui absolutamente em causa e, por isso, a Polícia de Segurança Pública tem feito, e bem, e os órgãos de comunicação social têm acompanhado, que tem dialogado com os manifestantes, dando-lhes a entender e a conhecer aquilo que serão os próximos passos.

As palavras de Luís Neves, numa altura em que a PSP reforçou o aviso de que pode intervir perante as manifestações. O ministro falava à margem do lançamento do Centro Operacional da Proteção Civil de Penafiel, no distrito do Porto. O presidente da República pede que o governo e os partidos da oposição se entendam para resolver os problemas da habitação. António José Seguro diz que tendo em conta que já há contributos, agora é a altura de os transformar em soluções. E Vasco Arnaut Correia, o apelo foi deixado em plena sede do governo.

Ao lado do ministro da Presidência, no edifício que alberga grande parte do governo, e coincidência ou não, às oito da noite em ponto, o apelo de António José Seguro é claro: entendam-se.

Há, de fato, um problema de habitação no país e, portanto, ele precisa ser resolvido. E se há contributos de todos, governo, partidos da oposição, então é útil que todos se entendam para encontrarem as melhores soluções para resolver os problemas.

O presidente quer medidas para o curto e para o longo prazo.

Agora é necessário dar o passo seguinte: entenderem-se sobre essas propostas, umas através de políticas duradouras, é esse o entendimento que eu tenho apelado, a esse entendimento, e outras com medidas urgentes.

E lembra que o problema é transversal, dos mais novos aos mais velhos.

Por exemplo, de estudantes que têm dificuldades em pagar o quarto quando estão deslocados, de pessoas que mesmo tendo trabalho, têm dificuldades em pagar a renda, porque elas têm subido.

Seguro volta a sublinhar o apelo à responsabilidade.

Os preços das casas têm aumentado, portanto, é necessário olhar pra esse problema com seriedade e com o contributo de todos. É esse o meu apelo.

E se o argumento de autoridade não for suficiente...

É fundamental ouvir Álvaro Siza Vieira quando dizia ter dúvidas sobre a expressão "habitação social", porque toda a habitação é social. Ora, a habitação é uma das preocupações centrais do nosso tempo e do nosso país.

É aqui que a dignidade humana e casa se encontram.

Por uma questão de dignidade humana, fica o aviso do Presidente da República. O problema da habitação precisa de respostas e precisa delas para o imediato.

Fátima Maldonado Correia a acompanhar o Presidente da República na apresentação de um livro que teve lugar esta tarde no Campus XXI, em Lisboa. O secretário-geral do PS admite que o Orçamento do Estado para 2027 merecia um voto negativo do partido, mas que sabe que o dever dos socialistas é servir o país. Com a abstenção do PS, o documento vai ser aprovado. José Luís Carneiro insiste que preferia um voto contra, mas que a abstenção é preferível face a uma crise política.

Este Orçamento merecia um voto contra, mas o nosso primeiro dever é servir o país. Nós fazemos oposição ao governo, mas não fazemos oposição ao nosso país. Temos o dever de defender o nosso país perante um quadro externo muito difícil e que está a ter impactos brutais nas famílias portuguesas, nas empresas, nas instituições e com um governo insensível e incompetente para responder às necessidades.

José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas em Faro. O líder do PS admite que não tem confiança no que o governo vai apresentar, mas considera que um Orçamento chumbado seria sinónimo de caos em Portugal. André Ventura acusou o PS de ser cúmplice na crise da habitação e desafiou o partido a apoiar as propostas do Chega. O secretário-geral do PS acusou o líder do Chega de hipocrisia por se mostrar preocupado com a habitação depois de viabilizar a Lei das Rendas do governo com uma abstenção. Em reação, André Ventura recorda a posição do PS no Orçamento do Estado para acusar os socialistas de tremenda hipocrisia.

Se isto fosse uma hipocrisia, o que seria criticar o governo na habitação e anunciar a abstenção no Orçamento do Estado, sem sequer conhecer as medidas do Orçamento do Estado em matéria de habitação? Se isto fosse hipocrisia, o que seria andar a dizer às pessoas durante o verão que temos que baixar o IVA dos combustíveis, que temos que ter IVA zero no cabaz alimentar, temos que ter medidas de apoio direto às rendas ou ao crédito habitação, mas depois inviabilizar todas essas medidas por dizerem que viola a lei-travão e que apenas podem ser colocadas no Orçamento do Estado?

O líder do Chega, em declarações na sede do partido, vai ainda mais longe, diz mesmo que o PS é cúmplice na crise da habitação, por considerar que os socialistas não querem discutir medidas em especialidade, como as deduções fiscais ao crédito de habitação. No desporto, esta terça-feira, o Futebol Clube do Porto volta a jogar para a Liga dos Campeões, numa altura em que a equipa ainda não venceu uma única partida na competição. Os Dragões perderam as duas primeiras fases de Liga, frente ao Manchester City e ao Betis. Esta terça-feira recebem em casa o PSV Eindhoven. Na antevisão à partida, o treinador dos azuis e brancos, Francisco Farioli, reconhece que a equipa tem uma montanha para escalar frente aos tricampeões holandeses.

O facto de voltarmos a jogar em casa é, sem dúvida, muito importante. Quanto aos dois jogos anteriores, acredito que merecíamos mais. Jogámos muito bem, mas não conseguimos os resultados que queríamos e que, na minha opinião, também merecíamos. Por isso, agora temos a oportunidade de voltar a jogar em casa. Sabemos que temos uma montanha para escalar e amanhã vamos enfrentar uma equipa que é tricampeã da Liga Holandesa. Temos muito respeito por eles, mas também teremos a confiança necessária para jogar este jogo no Dragão.

Francisco Farioli, na antevisão ao jogo frente ao PSV Eindhoven. Já o treinador dos holandeses, Peter Bosz, antecipa um Porto ofensivo, mas mostra-se confiante na capacidade do PSV para aplicar o próprio estilo na casa dos azuis e brancos. A bola começa a rolar no Estádio do Dragão às 20h em ponto. O relato e análise é para ouvir aqui na Rádio Observador. Ponto final neste jornal das 03h. Informação está de regresso às 16h em ponto.