Jogar Super Mario, The Legend of Zelda, Donkey Kong ou Pokémon no telemóvel (legalmente) pode estar cada vez mais perto. A empresa japonesa Nintendo anunciou nesta terça-feira, em conferência de imprensa, uma parceria com a companhia DeNA para o desenvolvimento e gestão de videojogos para smartphones e tablets. O acordo representa o movimento da empresa em direção ao mercado dos jogos para telemóveis, que alcançou em 2014 um lucro de 23,5 mil milhões de euros, de acordo com o instituto Newzoo.

O presidente da Nintendo, Satoru Iwata, deixou claro que a associação das duas empresas não significa, no entanto, que os jogos da empresa serão necessariamente lançados para dispositivos móveis. A ideia é desenvolver novos títulos criados especificamente para telemóveis utilizando os personagens da marca Nintendo, de modo a popularizá-los e levar os jogadores mobile para plataformas da empresa, como Wii U e Nintendo 3DS.

Como parte do acordo, a Nintendo vai comprar 10% da DeNA, enquanto a DeNA vai adquirir 1,2 por cento da Nintendo. Está prevista também a criação de um serviço de assinatura acessível tanto em smartphones e tablets como nas plataformas de jogos da Nintendo a partir do segundo semestre deste ano. “Isto permitirá construir uma ponte entre dispositivos inteligentes e consolas, mas não significa que os dispositivos inteligentes vão começar a roubar espaço às consolas, apenas se criará um tipo totalmente novo de procura”, afirmou Iwata.

O presidente da Nintendo garantiu que a empresa não vai desistir de investir nas consolas e anunciou o desenvolvimento de uma nova plataforma chamada NX com “um novo conceito” de experiência nos videojogos. Porém, prometeu que apenas divulgará informações sobre o projeto em 2016.

A estratégia da Nintendo pretende estancar a progressiva perda de espaço para empresas como a Apple e o Google no mercado do entretenimento. De acordo com os dados da Newzoo, a Nintendo teve um lucro de 2.26 mil milhões de euros em 2014, enquanto a Apple e a Google tiveram cerca de 3.7 e 2.8 mil milhões de euros no ano passado no mercado dos jogos para telemóveis.