Não há certeza que nunca acabe. Durante vários anos o realizador Manoel de Oliveira e a expressão “realizador mais velho do mundo no ativo” eram indissociáveis. Mas, agora que o homem cuja vida atravessou praticamente a história toda do cinema nos deixou aos 106 anos, a quem podemos chamar de realizador mais velho do mundo no ativo?

A pergunta é simples mas a resposta nem tanto. Isto porque Manoel de Oliveira se destacou não apenas pela idade, mas sobretudo porque trabalhou até ao fim dos seus dias – o seu último filme, a curta-metragem “O Velho do Restelo”, saiu menos de um ano antes da sua morte, em 2014. A sua última longa-metragem foi “O Gebo e a Sombra”, de 2012.

À falta de uma resposta fácil, conheça os três realizadores mais velhos do mundo – aqueles que, consoante os critérios, disputam agora o trono do patriarca do cinema.

Lester James Peries

É o realizador mais velho mundo, com 95 anos. Nasceu em 1919 em Colombo, capital do Sri Lanka, no seio de uma família católica e abastada. O seu primeiro filme, “Rekava” (em português pode traduzir-se para “A Linha do Destino), de 1956, foi o primeiro totalmente falado em cingalês a ser filmado no Sri Lanka. Além disso, foi o primeiro filme com imagens de exterior a ser feito naquele país. A audácia valeu-lhe uma nomeação para a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.

Peries já não estreia nenhum filme desde 2006 e não existem notícias que apontem para um próximo trabalho. O último foi em 2006. “Ammawarune” (algo como “Elegia a uma mãe”) conta a relação de uma mãe com os seus três filhos: um monge em reclusão, uma mulher que recusou que lhe escolhessem o marido e que casou com um homem de sua escolha e o mais novo, que foi para o exército.

Jonas Mekas

Jonas Mekas nasceu na véspera de Natal de 1922. Isto é, tem 92 anos. Natural de Birjái, uma pequena cidade no norte da Lituânia, Mekas é agora o realizador mais velho da Europa. Fugiu da Lituânia em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial. Depois do conflito, viveu em campos de refugiados. Combatia o tédio a ver “filmes americanos maus”, contou ao “The Guardian”. Em 1949 emigrou para os EUA. É lá que ainda vive, mais precisamente em Brooklyn. Foi em solo norte-americano que se estreou no cinema em 1961 com “Guns of the Trees”.

Trabalhou com artistas como Andy Warhol e Salvador Dali. Define-se como um realizador que procura captar “os momentos pequenos e íntimos que descrevem a realidade quotidiana sem ser poético”.

O último trabalho de Mekas, “Out-Takes from the Life of a Happy Man” estreou em 2012 -o que indica que pode estar mais ativo na sétima arte do que Lester James Paries .

Haskel Wexler

Haskel Wexler tem 93 anos e nasceu em 1922. O filme mais conhecido em que participou foi o “Voando Sobre Um Ninho de Cucos”, de 1975. Porém, não foi como realizador, mas sim como diretor de fotografia. E, verdade seja dita, nem o foi durante todo o filme, porque foi despedido quando este já estava na fase final de rodagem.

A carreira de Wexler dividiu-se entre a direção de fotografia e a realização. Os filmes que dirigiu foram sobretudo documentários. O mais recente, “Four Days in Chicago”, de 2013, conta a história do movimento Occupy naquela cidade norte-americana.