Estarão os pais a abusar dos medicamentos para baixar a febre ? Um grupo de pediatras norte-americanos, citado pelo The Telegraph, avisa que o hábito de dar antipiréticos às crianças ao menor sinal de febre pode ter efeitos negativos. E um dos mais preocupantes será o risco de overdoses acidentais. Cerca de metade dos pais estão a dar a dose errada, de acordo com um estudo citado pelo jornal britânico.

A associação norte-americana de pediatras emitiu novas linhas de orientação sobre o uso de medicamentos que têm como princípio ativo o paracetamol e o ibuprofeno. Em Portugal, as marcas mais conhecidas são o Benuron e o Brufen, produtos que são vendidos sem receita médica.

A American Academy of Pediatrics avisa que uma temperatura elevada é muitas vezes a forma de o corpo combater uma infeção. Dar medicamentos para baixar a temperatura pode, na verdade, prolongar a doença da criança. Os autores do guia consideram ainda que os médicos são muito rápidos a receitarem antipiréticos. Os pediatras recomendam com frequência aos pais que dêem doses alternadas de paracetamol e ibuprofeno, com o objetivo de minimizar o risco de efeitos secundárias.

Também o National Institute for Health and Clinical Excellence (Nice) recomenda no seu guia que os medicamentos só devem ser dados quando as crianças se sentem mal ou aparentam incómodo. Apesar de desaconselhar o uso rotineiro destes medicamentos, o Nice admite que a administração dupla pode ser equacionada se o organismo da criança não responder a apenas uma destas substâncias ativas.

O Telegraph lembra ainda que, segundo o British National Formulary, que é consultado pelos pediatras, o limite diário deve ser quatro doses de paracetamol e a mesma quantidade de ibuprofen.

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