A Câmara de Odivelas está a testar um sistema que recorre a dados de satélite e radares para monitorizar cheias e identificar rapidamente as zonas mais afetadas, disse esta quarta-feira à agência Lusa fonte do município.
Em causa está o projeto-piloto “Floodgate”, desenvolvido pela empresa tecnológica GMV em colaboração com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
Em declarações à agência Lusa, o coordenador dos projetos especiais da Câmara Municipal de Odivelas, Mário Cantinho, explicou que a autarquia, do distrito de Lisboa, decidiu ser o “laboratório de uma solução tecnológica para responder a um problema com impacto recorrente no território“.
“Uns anos pior, outros melhor, mas em 2025 foi um bocado mais forte e, nos últimos anos, têm existido algumas ocorrências mais fortes”, apontou o responsável.
A tecnologia, que deverá começar a ser testada “de forma mais concreta” durante o próximo inverno, irá permitir obter informação sobre a extensão das áreas inundadas, através de imagens de satélite, além de disponibilizar dados para acompanhar a evolução das ocorrências e apoiar a previsão dos seus impactos.
Segundo a informação divulgada pela GMV, a plataforma combinará dados de observação da Terra por satélite com informação hidrometeorológica e geoespacial.
A solução deverá recorrer a processos automatizados para mapear as áreas inundadas e cruzar essa informação com dados sobre população, infraestruturas e uso do solo.
Por outro lado, “a utilização de imagens de radar permitirá observar a superfície terrestre mesmo em condições de elevada nebulosidade, frequentemente associadas a episódios de precipitação intensa”.
“Aqui a questão é ter alguma previsibilidade relativamente à informação que vem dos satélites e dos radares que a empresa tem, permitindo antecipar e dar-nos alguma informação em tempo real. Através das fotografias e imagens de satélite poderemos ver a extensão dos danos e a área mais afetada pelas cheias”, explicou.
Paralelamente, o município de Odivelas instalou uma rede de sensores nas linhas de água, que servirá de complemento ao sistema “Floodgate”.
“Vamos complementar a informação dos sensores com a dos satélites. Isto vai tornar a solução mais robusta”, sublinhou Mário Cantinho, salientando que os equipamentos instalados no terreno permitem acompanhar os caudais, enquanto as imagens de satélite poderão ajudar a determinar a área afetada.
Segundo o responsável municipal, esta informação poderá apoiar a “definição de medidas de resposta e a emissão de alertas”, sendo uma ferramenta “útil antes, durante e depois de uma ocorrência”.
“Quanto mais ferramentas tivermos neste sentido e conseguirmos antecipar, acompanhar e registar, melhor”, apontou, defendendo a necessidade de alargar esta ferramenta a outros municípios vizinhos da Área Metropolitana de Lisboa.
“A ideia seria termos também uma leitura de continuidade nos territórios contíguos, que enfrentam problemas semelhantes”, argumentou.