Rodrigo Leão – o retiro

Rodrigo Leão é um músico português consagrado, com um currículo cuja importância é fácil de resumir: nos anos 1980 fundou os Sétima Legião e depois os Madredeus, antes de dar início à carreira a solo que conta já com uma dezena de álbuns.

Conhecido pela construção de bandas sonoras (no sentido lato e no sentido literal – é dele a música do filme “O Mordomo”), tem em o retiro a concretização de uma ambição antiga. Foi gravado com a orquestra e coro da Gulbenkian, tem os arranjos orquestrais de Steve Bartok (o braço direito dos compositores Tim Burton e Danny Elfman) e foi editado pela prestigiada Deutsche Grammophon.

O resultado é a tradução (amplificada pelo som do coro e da orquestra) do talento de um dos melhores compositores portugueses da atualidade. Esta amostra fala por si:

o retiro vai ser apresentado ao vivo na próxima semana, no Porto e em Lisboa. O Observador, em parceria com a Universal, tem bilhetes para oferecer.

Grimes – Art Angels

Outro dos destaques da semana vai para o quarto álbum de estúdio da canadiana Claire Boucher. É talvez o mais ambicioso até à data, no sentido em que estica os limites da pop (sintética) até à fronteira do experimental, num passo dado com inteligência e bom gosto. Nele está incluída uma versão ligeiramente diferente do singleREALiTi”.

Ellie Goulding – Delirium

Seguindo o registo da pop mas num formato mais comercial, deixamos um sublinhado para o terceiro álbum da cantora e multi-instrumentista Ellie Goulding. Fácil e cada vez mais bem produzida, esta música serve de base para vídeos que somam dezenas de milhões de visualizações, tudo parte de uma receita que tem todos os ingredientes para se tornar mais um sucesso à escala global. E não se poupa no trabalho: a versão especial de Delirium tem nada mais nada menos que 22 faixas, num total de 1h18 de música.

Seal – 7

Ainda na pop, mas num modelo parado no tempo: 7 é o nono álbum da carreira do músico e compositor britânico e retoma a colaboração com o produtor Trevor Horn (Seal 4, de 2003). Seal (Henry Olusegun Adeola Samuel) continua com a voz afinadíssima e segue neste novo disco a fórmula de sempre. Não traz nada de novo, mas quem gosta, gosta sempre.

Natalie Merchant – Paradise Is There: The New Tigerlily Recordings

A voz que ficou conhecida nos 10.000 Maniacs acaba de lançar um novo disco, mas não é um álbum de temas originais. A artista norte-americana repescou, reinterpretou, remisturou e até reordenou a ordem das canções do primeiro álbum que publicou a solo, em 1995. Paradise Is There é uma referência que faz agora 20 anos e que foi (re)cuidada nesta nova versão. É caso para dizer que a música amadureceu com a artista.

Floating Points – Elaenia

O álbum de estreia do DJ e produtor londrino Sam Shepherd é uma viagem complexa, densa, experimental e introspetiva, uma maravilha aclamada pela crítica. Para apreciadores de música eletrónica, sem freio.

Kurt Vile – b’lieve i’m goin down…

O sexto álbum a solo do músico e compositor norte-americano saiu nos últimos dias de setembro, mas merece esta nota na lista da semana. Kurt Vile ficou conhecido por ter sido um dos fundadores dos The War On Drugs (com Adam Granduciel) mas foi na carreira a solo que se destacou como compositor. Este novo álbum é uniforme, segue a linha melódica que lhe conhecemos, com longas incursões instrumentais pintadas com letras densas. b’lieve i’m goin down… não é um disco que entre rapidamente no ouvido, mas também não é difícil perceber que estão nele uma dúzia de grandes canções. Em caso de dúvida, insista, vai ver que vale a pena.

Kurt Vile & The Violators atuam no Armazém F, em Lisboa, dia 24 de novembro.