Carrie Fisher está de volta ao seu papel mais marcante. No sétimo filme da saga “Star Wars” — “O Despertar da Força”, que estreia em Portugal a 17 de dezembro — interpreta novamente uma das mais icónicas personagens do cinema: a princesa Leia. A atriz estreou-se no papel com apenas 19 anos, em “Uma Nova Esperança”, em 1977. E viria a interpretar a mesma personagem nos dois episódios seguintes, “O Império Contra-Ataca” (1980) e “O Regresso de Jedi” (1983).

A princesa Leia marcou uma geração pela sua presença de espírito. Mas havia mais qualquer coisa nela que chamava a atenção. Sim: aquele cabelo, em formato de caracol. O mistério é grande: de onde vem a inspiração para um penteado tão invulgar? George Lucas já sugeriu que a influência veio dos guerrilheiros que, no início do século XX, fizeram a revolução mexicana. Mas perceber a comparação é difícil, e penteados semelhantes só se encontram no cinema, na banda desenhada e em povos indígenas norte-americanos desse período. Conheça as possíveis inspirações nesta fotogaleria.

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Confesse lá: depois de ver estas fotografias ficou cheio de vontade de mostrar que também é capaz de fazer este penteado, não é? Então, estude esta infografia e prepare-se para ter uma princesa Leia em casa.

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Álcool e drogas

A personagem da princesa Leia deu tudo a Carrie Fischer — e também lhe tirou tudo, como a própria disse ao jornal El País. Carrie Fisher manteve-se sempre a trabalhar em Hollywood e nunca mostrou grande desconforto em abordar, quase sempre com um humor invulgar, o seu passado conturbado, que para além do alcoolismo e do abuso de drogas também incluiu o diagnóstico de um transtorno bipolar, que lhe foi identificado aos 29 anos, e depressões contínuas, que lhe foram abalando a carreira. Veja aqui as imagens da primeira audição da atriz para o papel em “Guerra das Estrelas”.

Num tempo em que as estrelas de cinema tendem a tentar ofuscar os seus problemas pessoais e os momentos mais conturbados da sua vida, Carry Fisher distanciou-se sempre dessa fantasia. A própria admite que viveu os seus piores momentos depois da estreia em “Guerra das Estrelas”. Numa das frases com que apresentou um dos seus projetos posteriores, que incluem uma peça de teatro que começava com a frase “Sou a Carrie Fisher e sou alcóolica”, a atriz admitia o seu passado:

Conhecem aquela frase que diz que a religião é o ópio das massas? Bom, eu tomei massas de ópio religiosamente.

Nesse período da sua vida fora dos ecrãs, a “princesa Leia” chegou a ter overdoses e esteve numa clínica de desintoxicação. Mas nem por isso desistiu do cinema e foi até encontrando outras atividades nessa área. A escrita foi a principal: desde a publicação de obras autobiográficas como Postcards from the Edge (que viria a ser adaptada ao cinema, com o argumento a ser escrito pela própria), até ao seu trabalho como script doctor, que consistia em corrigir e melhorar os guiões escrito por outros. Consta até que George Lucas lhe pediu para rever o guião de “Guerra ds Estrelas: O Império Contra-Ataca”.

[Veja aqui o trailer de “Postcards from the edge”]

A sua vida, explica o El País, teve sempre algumas semelhanças com a mais importante personagem da sua carreira, a princesa Leia. Ambas são rebeldes, fazem o que querem e são independentes desde muito jovens. Mas, fora do cinema, Carrie Fisher viveu sempre num plano mais trágico e dramático, que nunca receou assumir. Agora, contra a aposta dos muitos que a viram no fundo, regressa aos blockbusters norte-americanos, com “Guerra das Estrelas: O Despertar da Força”.

[Veja aqui o trailer do novo filme, onde ela aparece]