Daughter – Not To Disappear

A segunda tentativa é sempre um passo arriscado, sobretudo depois de uma estreia do tamanho de If You Leave (2013) – um disco que foi mais bem recebido pelo público do que pela crítica. Este novo capítulo do trio inglês vai certamente continuar a agradar aos fãs e talvez desfazer as dúvidas de alguns dos que não se deixaram convencer à primeira. Isto porque se Not To Disappear soa a mais do mesmo no impacto inicial, a escuta insistente revela os detalhes, os cuidados na composição e também na produção de Nicolas Vernhes (Deerhunter, War On Drugs, Animal Collective).

Embora o tom seja uniforme, há neste disco temas que se destacam tanto que desequilibram o todo. A beleza desses momentos está, por exemplo, no tratamento eletrónico por vezes assíncrono, como se pode ouvir em “Alone /With You”, onde Elena Tonra canta “I hate walking alone/ I should get a dog or something” (Odeio passear sozinha / Devia arranjar um cão ou outra coisa assim” – tradução livre). Em inglês e naquela voz, cai com graça e é isso que fica, depois de umas quantas voltas em Not To Disappear: os Daughter acertaram o passo sem sair do trilho, e ainda bem. Chão bem pisado raramente desaparece.

Sampladélicos – Não Nos Deixeis Cair Em Tradição

O realizador Tiago Pereira e Sílvio Rosado (Nicorette) lançaram esta segunda-feira o álbum de estreia, disponível para audição e download gratuito na NOS Discos. Não Nos Deixeis Cair Em Tradição foi totalmente criado com gravações de música portuguesa, sem a utilização de sintetizadores, caixas de ritmos e batidas estrangeiras.

É apenas um sublinhado naquilo que acaba por ser um amontoado de samples que os próprios definem da melhor maneira, como “colagens vivas das paisagens sonoras de um país: um búzio na ilha do Pico, um tear em Guimarães, uma viola de arame na Madeira, um amolador no Alentejo, bombos das fanfarras dos bombeiros, mulheres a dançar fandango e adufeiras, poetas populares, polifonia do Minho e de Lafões, Cante Alentejano e cavaquinhos de Braga, conversas sobre o sistema nacional de saúde e bênção de ovelhas na Serra da Estrela”.

É um disco estranho, que deve ser encarado como uma experiência que cruza a tecnologia com a estética, o novo e o velho juntos por um caminho no mínimo diferente, que sintetiza a memória coletiva de um país.

Anderson .Paak – Malibu

Este é o quarto álbum do californiano Brandon Paak Anderson, o segundo com a assinatura Anderson .Paak. Produtor, rapper e um baterista talentoso, teve um empurrão importante através da colaboração com o gigante Dr. Dre em Compton (2015). Musicalmente, vive no espetro da soul, do hip hop e da música funk, é um artista completo que junta às competências de músico e compositor uma voz firme. Malibu é um álbum complexo mas fácil de ouvir, tão bem conseguido que pode bem ser o que faltava para meter Anderson .Paak nas bocas do mundo. Assim seja.

Brooke Waggoner – Sweven

É provável que este nome não lhe diga nada, mas é também possível que já a tenha ouvido: Brooke Waggoner participou nos dois álbuns a solo de Jack White (dos The White Stripes). Nasceu há 31 anos em Nova Orleães, completou a formação musical clássica na Universidade do Louisiana e em 2007 lançou o primeiro EP. Desde então, ganhou prémios e tempo de antena nas rádios e televisões norte-americanas, um reconhecimento que reafirmou nos discos que se seguiram. Sweven é o quarto álbum, uma coleção de 12 canções lentas que têm por base o piano, o violino e a voz, com os quais desenha um ambiente pop/folk. Mas nunca perde as referências da música clássica, que aparecem espalhadas por todo o lado, com especial complexidade e desarranjo num tema com dois (viciantes) minutos chamado “Egg Shells”.

Dylan LeBlanc – Cautionary Tale

Aos 25 anos, o cantor e compositor nascido no Louisiana (EUA) segue a solo com o terceiro álbum de estúdio. Trata-se de um conto que tem as raízes no estilo Americana, com especial ênfase na folk e na música country. Bem aprumado na composição e nos arranjos, Cautionary Tale não é um disco brilhante mas ilustra bem o talento do músico. Ainda assim, o melhor espelho de Dylan LeBlanc é a transparência com que apresenta, ao vivo, o tema título. Para seguir de perto.